Entrevista com Gerald Thomas | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
51542 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> “É Hora de Arte” realiza oficinas gratuitas de circo, grafite, teatro e dança
>>> MOSTRA DO MAB FAAP GANHA NOVAS OBRAS A PARTIR DE JUNHO
>>> Ibevar e Fia-Labfin.Provar realizam uma live sobre Oportunidades de Carreira no Mercado de Capitais
>>> PAULUS Editora promove a 6º edição do Simpósio de Catequese
>>> Victor Arruda, Marcus Lontra, Daniela Bousso e Francisco Hurtz em conversa na BELIZARIO Galeria
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A suíte melancólica de Joan Brossa
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
>>> A compra do Twitter por Elon Musk
>>> Epitáfio do que não partiu
>>> Efeitos periféricos da tempestade de areia do Sara
>>> Mamãe falhei
>>> Sobre a literatura de Evando Nascimento
>>> Velha amiga, ainda tão menina em minha cabeça...
>>> G.A.L.A. no coquetel molotov de Gerald Thomas
Colunistas
Últimos Posts
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
>>> Trader, investidor ou buy and hold?
>>> Slayer no Monsters of Rock (1998)
>>> Por que investir no Twitter (TWTR34)
Últimos Posts
>>> Parei de fumar
>>> Asas de Ícaro
>>> Auto estima
>>> Jazz: 10 músicas para começar
>>> THE END
>>> Somos todos venturosos
>>> Por que eu?
>>> Dizer, não é ser
>>> A Caixa de Brinquedos
>>> Nosferatu 100 anos e o infamiliar em nós*
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Pensando sozinho
>>> Aventuras pelo discurso de Foucault
>>> Chega de Escola
>>> Hipermediocridade
>>> A luta mais vã
>>> História da leitura (I): as tábuas da lei e o rolo
>>> Sinatra e Bennett (1988)
>>> La Cena
>>> YouTube, lá vou eu
>>> Uma história da Sambatech
Mais Recentes
>>> Auto da Barca do Inferno de Gilvicente pela Estadão
>>> Bússola - a Invenção Que Mudou o Mundo de Amir D. Aczel pela Zahar (2002)
>>> A Democracia como Proposta de Francisco Weffort pela Ibasa (1991)
>>> Ações de Combate a Pobreza Rural - Vol 6 de Carlos Miranda e Cristina Costa pela Iica (2007)
>>> Propaganda para quem pqga a conta de Plínio Cabral pela Summus (2001)
>>> Gestão do Conhecimento de Harvard Business Review pela Elsevier (2000)
>>> Vitoriosa espinhos e perfumes de Lazara lessonier pela Artesanal (1988)
>>> Melyssa Em um Mundo Secreto de Bernardes pela Partners
>>> O Silêncio dos Velho Jamelões de Frendly Persuasione pela Percy Pacheco (2010)
>>> Crônica 6 de Carlos Eduardo Novaes e Outros pela Ática (2013)
>>> Conecte Literatura Brasileira - Parte 1 de William Cereja; Thereza Cochar pela Saraiva (2013)
>>> O misterio no colegio de Ganymedes Jose pela ao livro tecnico (2001)
>>> Direito do Trabalho - 1100 Questoes Comentadas de Stevao Gandh Costa pela Sintagma (2012)
>>> Sharpe Em Trafalgar de Bernard Cornwell pela Record (2006)
>>> Amala de Hana de Karen Levine pela Melhoramentos (2007)
>>> Os Venenos da Coroa de Maurice Druon pela Círculo do Livro
>>> Liberando o Fluir do Avivamento de Gregory R Frizzell pela Printmark (2005)
>>> A Cerimonia do Cha de Paulo Coelho pela Caras (1999)
>>> More Ups Than Downs de David Buck pela The Memoir Club (2001)
>>> Spatial Resilience in Social-ecological Systems de Graeme Cumming pela Springer (2011)
>>> Plano de Marketing de John Westwood pela Clio (2007)
>>> Vamos Aquecer o Sol de José Mauro de Vasconcelos pela Melhoramento (2006)
>>> Magnificat III de Silvia Maria D. Domingos pela Scortecci (2014)
>>> Juarez de Biblioteca de historia pela Tres (1990)
>>> Os Subterrâneos do Vaticano de André Gide pela Abril Cultural (1971)
COLUNAS

Terça-feira, 7/1/2020
Entrevista com Gerald Thomas
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 2800 Acessos



O dramaturgo e encenador Gerald Thomas lança dia 11 de dezembro, no SESC da paulista — SP, o livro Um Circo de Rins e Fígados, com grande parte dos textos de suas peças (mais de 20 entre as mais de 80 peças que criou). O livro está sendo publicado pela editora do SESC e vem acompanhado de parte da fortuna crítica e de excelentes ensaios que aprofundam uma leitura de seu teatro. Entre os ensaístas estão Danilo Santos de Miranda (que apresenta o livro), Adriana Maciel, Dirceu Alves Jr. e Flora Süssekind.

Das peças podemos encontrar, entre outras, Carmen com Filtro 2, Eletra Com Creta, The Flash and Crash Days, Praga, Matogrosso, M.O.R.T.E. , Império das Meias Verdades, Ventriloquist, Unglauber, Gargólios, Entredentes e Dilúvio.

É um acontecimento extremamente importante, dada a relevância que seu teatro tem no Brasil (Haroldo de Campos o coloca como um dos mais importantes criadores e inovadores do teatro brasileiro). Com a publicação de suas peças, teremos a oportunidade de reviver a criatividade e a ousadia de seu teatro a partir dos textos transgressores que criou.

Aproveitamos este momento para fazer uma entrevista com o dramaturgo, que mora em Nova York, e que estará no Brasil em dezembro especialmente para o lançamento do seu livro.



JARDEL - Com o lançamento do livro Um Circo de Rins e Fígados, com mais de 20 de suas peças (e você já encenou mais de 80 peças), qual é a sensação de estar diante do resultado organizado de anos de trabalho intenso, não só de montagem, mas de elaboração de uma escrita bastante pessoal para o seu teatro?

GERALD THOMAS - Sabe Jardel, esses últimos anos, especialmente depois de uma enorme crise depressiva que resultou numa tentativa de suicídio, em 2015, eu tenho tentado pensar nesse “conjunto” de coisas que me trouxeram até aqui: desde que comecei a rodar o mundo e “achatá-lo” com as minhas próprias mãos, até os dias de hoje. É, no mínimo, bizarro testemunhar essa “coisa” que sou (pro mundo de fora), visto a partir daqui desse mundo de dentro. Aqui dentro eu ainda acho que sou um amador, acho que sou alguém com muita vontade de fazer coisas, tenho 2 mil ideias por segundo, mas a exaustão do corpo não deixa que eu realize tudo isso.

Sim, montei mais de 80 espetáculos pelo mundo. Mas, se você levar em consideração que a maior parte dessas montagens entraram em turnê, eram montadas e desmontadas a cada semana.... acho que devo ter “sentido a pressão da estreia” pelo menos 3 mil vezes na vida.

Mesmo assim, nas artes a gente não gradua nunca. Todo santo dia é um mistério. Minha escrita mudou muitíssimo desde, digamos, EletraComCreta até hoje. Tenho tentado não ser mais tão irônico e, principalmente, tenho tentado não mostrar o quanto sei ou seja, tenho me colocado na posição do espectador. Beckett me dizia “o público pressupõe”. Não se preocupe porque ele pressupõe. Eu já acho que não. Acho que estamos vivendo um período de didatismo necessário (tamanha a burrice disseminada pela social media).

O resultado? Parecido com aquele quando Entre Duas Fileiras foi lançado. Eu só pensava nos capítulos que não entraram e naqueles 80% que foi cortado do original. Eu achava, como ainda acho, que naquilo que não foi publicado residia a “verdadeira” autobiografia. Acho, portanto, que as cenas de peças que foram cortadas ou as peças e textos que não entraram nesse livro....” aha! É lá que reside o verdadeiro Gerald Thomas”.

JARDEL - O seu teatro funciona dentro de uma correlação riquíssima entre texto, imagem, performance corporal e música. Não te angustia ver o texto separado daquela vibração única que é a apresentação ao vivo da peça, sem todos esses elementos que citei?

GERALD THOMAS - Dá sim uma certa angústia. Mas mesmo durante o ano em que passei pela revisão do livro, eu lia e relia os textos pensando ou relembrando como era a coisa montada e como cheguei nos textos (muitos deles, os textos, foram escritos depois de vários ensaios de marcação de cena. Foram concebidos pra caber naquele espaço. Como eu ainda me lembro de tudo como se fosse ontem, o que tomava conta de mim era uma espécie de nostalgia, de tristeza (mil problemas de ego e de destempero pessoal entre vários colaboradores (as) e eu....).





JARDEL - Agora que você publicou os textos do seu teatro, deixaria alguém montar um espetáculo a partir desses textos? (Tal como você fez, por exemplo, com o Quartett de Heiner Müller).

GERALD THOMAS- Mas o Heiner escreveu Quartett pra ser montado por outros. Ele só encenou nos últimos anos da vida dele. E ele não entendia de luz, não entendia do aparato por traz do teatro, não entendia nada sobre o que é atuar, interpretar, representar (3 coisas diferentes). Pra te responder: eu ficaria preocupado, te confesso. Em 2009 peguei o carro e fui de Londres até Cardiff (acho que era lá, ou Swansea, Pais de Gales), pra ver o que um diretor havia feito com o meu Ventriloquist. Nossa mãe. Não tenho palavras pra te dizer o quanto vomitei.

JARDEL - Haroldo de Campos via - com muita admiração - a sua produção como o terceiro e mais jovem braço de uma vanguarda que se completava com dois outros grandes diretores: Zé Celso e Antunes Filho. Como você vê essa declaração de Haroldo de Campos?

GERALD THOMAS- Eu acho lindo, mas acho engraçado também. Eu não me considero um “diretor”. Não gosto desse termo. Eu sou um autor que, coincidentemente, encena as próprias coisas. O Antunes? O que ele escreveu? O Zé escreveu algumas coisas (acho que Cacilda, principalmente) mas, ainda assim, o Zé é um happening-maker, alguém que criou um ritual pra aquilo (ritual mais do que uma estética ou um método). Os dois são fabulosos, mas eu só me entendo parte dessa “Santíssima Trindade” uma vez que os meus espetáculos já estavam disponíveis para o público, no palco. Mas o Haroldo participou muitíssimo da escrita deles, da concepção deles e não somente da coisa encenada. Mas, quanto a ser uma espécie de extensão, de continuação dessa vanguarda, me acho mais próximo ao próprio Haroldo e Augusto de Campos ou ao Hélio Oiticica e suas Warholsisses, mais próximo a Duchamp e Joyce. Claro que eu me formei (aqui dentro) a partir desses nomes acima, juntando ainda meu mestre, Beckett, Bob Dylan e a contracultura (essa que vi e vivi desde seu inicio - lá em Tennessee. Sim, o Tropicalismo triste, uma Carmen Miranda nascendo das cinzas de Brunhilde, um sambista acanhado no meio de Woodstock, um Artaudiano em busca da sanidade perdida em Auschwitz.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 7/1/2020


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Errando por Nomadland de Elisa Andrade Buzzo
02. Bruta manutenção urbana de Elisa Andrade Buzzo


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2020
01. A pintura do caos, de Kate Manhães - 8/9/2020
02. Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori - 21/7/2020
03. Entrevista com o tradutor Oleg Andréev Almeida - 7/4/2020
04. Casa, poemas de Mário Alex Rosa - 8/12/2020
05. Entrevista com Gerald Thomas - 7/1/2020


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O Brasil: Território e Sociedade no Inicio do Século XXI
Milton Santos e Maria Laura Silveira
Record
(2001)



Lamenin
Pólo Noel Atan
Ação Mental Interplanetária
(1999)



Amores Infernais
Melissa Marr e Outros
Galera
(2011)



Bruce
Peter Ames Carlin; Paulo Roberto Maciel Santos
Nossa Cultura
(2013)



Ágape
Padre Marcelo Rossi
Globo
(2010)



O Que é Energia Nuclear
José Goldemberg
Brasiliense
(1981)



Você Pode Enteder a Bíblia !
Watch Towe Bible and Tract Society
Watch Towe Bible and Tract Soc
(2016)



Curso de Direito Administrativo
Aloísio Zimmer Júnior
Metodo
(2009)



Desastre na Mata
Pedro Bandeira
Melhoramentos
(2003)



The French art of tea
Mariage Frères
Mariage Frères
(2002)





busca | avançada
51542 visitas/dia
1,8 milhão/mês