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Sexta-feira, 31/1/2020
O palhaço no poder
Luís Fernando Amâncio

+ de 1400 Acessos

Com algum atraso, assisti ao filme Coringa (Joker, 2019), dirigido por Todd Phillips e protagonizado por Joaquin Phoenix. A película, que estreou vencendo o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza, acumula o maior número de indicações ao Oscar deste ano, sendo nomeado 11 vezes. E, independente do resultado na cerimônia do dia 09 de fevereiro, a produção é um dos maiores sucessos de 2019, visto que, com custo relativamente baixo, faturou mais de US$ 1 bilhão.



Coringa foi a resposta mais adequada da DC para o sucesso atingido pela Marvel em seu universo cinematográfico. Após o fracasso na tentativa emplacar sua Liga da Justiça, a subsidiária da WarnerMedia encontrou nas origens de seu vilão mais carismático um caminho para agradar público e crítica.

O grande diferencial do filme é não seguir a cartilha dos filmes de super-heróis. A ação em Coringa é comedida, não há explosões ou lutas. O centro da trama é a personalidade do seu protagonista.

Joaquin Phoenix vive Arthur Fleck, um comediante frustrado que mora com a mãe e é visto pela sociedade como uma aberração, sobretudo por sua risada compulsiva. Gotham Citty, por sua vez, vive um momento turbulento. É uma metrópole decadente, com a insatisfação popular prestes a eclodir. Arthur, que precisa lidar com seus próprios demônios, comete um crime e, sem querer, vê sua imagem inspirar um motim.

A ambientação social e psicológica que transformam Arthur Fleck em Coringa gerou discussões. Para alguns, o personagem poderia servir de justificativa para criminosos, numa espécie de “coitadismo” como licença para matar. O filme, inclusive, foi comparado ao clássico Taxi Driver — Motorista de Taxi (Taxi Driver, 1976), dirigido por Martin Scorsese. Porém, o que mais me chamou a atenção em seu roteiro é Arthur Fleck, de forma acidental, se tornar um ícone para um levante popular.

É uma reflexão válida. Um “mito” só alcança essa categoria ao corresponder aos anseios daqueles que o mitificam. Para ser adorado, é preciso agradar aos adoradores. Vejamos, por exemplo, as manifestações de classe média que ocorreram no Brasil nos últimos anos. Naqueles movimentos, foi notória a presença de manifestantes vestidos de Batman e, simbolicamente, isso nos diz algo. Por mais que a pauta dos protestos fosse “contra o sistema político” — algo que combinaria mais com o Coringa — o objetivo direto foi reestabelecer uma ordem. Daí, a identificação com um ricaço que, durante o dia, é o herdeiro de uma imensa fortuna e, à noite, persegue criminosos, seja bem adequada.

Gotham City, diferente do Brasil contemporâneo, presenciou um levante mais social do que político. Os cenários da película são predominantemente degradados, construções antigas, como o prédio onde mora o protagonista. É um contraste com a mansão de Thomas Wayne, figura com a qual os manifestantes polarizavam. O pai de Bruce, candidato a prefeito, representa a elite econômica e política da cidade. Para uma revolta mais profunda, contra essa desigualdade tão latente, o desalinhado Coringa foi um ícone adequado.

Isso tudo, é claro, talvez seja mais um pano de fundo do filme. A questão psicológica de Arthur Fleck é o que mais causa impacto aos espectadores. Ainda assim, aos meus olhos, ficou a mensagem: com condições adequadas de temperatura e pressão, é possível que um palhaço se torne ícone e alcance o poder. Ainda que travestido de Batman.


Luís Fernando Amâncio
Belo Horizonte, 31/1/2020


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