Eu escrevo na internet com caneta tinteiro | Digestivo Cultural

busca | avançada
35192 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
EDITORIAIS >>> Digestivo 5 anos

Segunda-feira, 11/4/2005
Eu escrevo na internet com caneta tinteiro
Julio Daio Borges

+ de 1900 Acessos

É verdade; eu escrevo à mão. Pode ser absurdo para quem publica na Web, mas assim é que é. Nunca foi arcaísmo: nunca foi um hábito adolescente que eu mantive; foi uma escolha madura. Comecei, claro, como todo mundo à mão, passei para o computador, escrevi anos nele, mas, de 2000 e pouco pra cá, achei que a máquina estava atravancando minha relação com o texto. O imperativo da forma, na tela do computador, me obrigava, por exemplo, a soltar todos os parágrafos iguais (todos do mesmo tamanho). Hoje, não; hoje sai como sai. Mais natural. Existe um problema aí: quando me encomendam não-sei-quantas laudas, pode sair de qualquer tamanho – mas eu, volta e meia, acerto na mosca; como quem acorda na hora certa sem despertador. Mas você sabe, estou divagando.

Falar sobre escrever é quase como parar de respirar para explicar como é respirar... Não dá. Ou dá; mas é antinatural. Eu escrevo assim e pronto; nunca parei pra pensar. Mentira: parei, sim. O que um escritor (ou escrevinhador, meu caso) mais faz é pensar e repensar como faz. Ou como não faz. Ou como fará. Sei lá.

Desde 1990-e-alguns já passei, obviamente, por várias fases (mas não sei se você quer saber disso agora). Um dos maiores medos de todo escritor é ver a fonte secar. Não me comparo, claro, a um romancista caudaloso como Hemingway, mas tenho meus medos desde as primeiras crônicas. O medo talvez não seja o de parar de escrever, de súbito; mas, sim, o de soar banal, besta, desinteressante... e continuar escrevendo sem parar. Isso é muito pior do que a morte súbita: porque é você depondo contra você mesmo; é você tramando contra o próprio legado.

Então depois de terminar um texto muito bom, passada a euforia, vem o temor: Conseguirei escrever outro? E mais outro? E outro mais? Até quando? Estou atingindo meu ponto de inflexão? Sofrerei com a decadência após os 30 anos? E após os 40? E depois?

Outro medo de todo escrevinhador contumaz, principalmente jornalista, é o de estar se desperdiçando em formas consideradas menores. O que são “formas menores”? Jornais, revistas, sites, blogs. E “maiores”? Literatura, of course.

Você vê aquela idéia genial ir embora num texto de baixa extração e se pergunta: Que droga, por que não usei isso num conto ou num romance?

Acontece que todo mundo acha – jornalistas, em maior grau – que nunca está preparado pra escrever literatura. Ou que está. (Não sei o que é pior.)

Eu, por exemplo, vivo achando que vai chegar uma época mais calma, em que vou poder trabalhar regularmente meus temas etc. – e produzir algo de válido. No limite, essa hora nunca chegará. Então precisamos começar logo. Quando? (Quando eu começar, eu te falo, tá?)

Outra preocupação, não medo, é tentar organizar a rotina para trabalhar mais. Já escrevi em todas as situações. Em todas. O J.D. Borges, por exemplo, escrevia na hora em que dava. Na hora do almoço; no andar de cima do McDonald’s. À noite; depois do expediente. No carro, olhando, no estacionamento, a paisagem. Entre uma ordem do chefe e outra. Depois das 6 da tarde; na própria baia; no próprio computador...

Não sei qual é o meu melhor horário. Possivelmente de manhã. Mas passei muitos anos achando que fosse à tarde. As tardes são muito valiosas, em termos de trabalho, para desperdiçá-las escrevinhando... Você entende o que eu falo? Acho que não. Digo que o business, no caso do Digestivo, urge e eu não posso me dar ao luxo de despender uma tarde rabiscando folhas – quando poderia estar em reuniões, fechando parcerias, prospectando clients...

Esse é o valor que, em sociedade, damos ao trabalho de escritor.

Como sempre me dividi entre atividades sérias e outras não tão sérias, não sei como seria se eu só escrevesse. Provavelmente não seria; porque eu não sei ser de outra forma (chavão).

Isso se liga a uma crença que eu tenho muito arraigada. O escritor precisa ser outra coisa; e, não, só escritor. Precisa ter uma profissão; precisa ter outra atividade. Isso de escrever, só, é um problemão. Para mim, escrever é fuga, é evasão – e eu não concebo uma vida que seja fuga, evasão. Como é a de muitos escritores.

(Quantos você não encontrou que viviam – literalmente – no mundo da lua?)

E como você faz quando têm problemas?, alguém poderia me perguntar. Não paro, vou fazendo. Já me reergui de uma depressão depois de um texto. (Como meia-hora ou uma hora de exercício físico devolve a disposição ou dissipa o aparente cansaço do corpo.)

Geralmente é a primeira frase que puxa as demais. No caso das notas (Digestivos). No caso dos textos (Colunas), são os títulos. Os títulos vêm antes de tudo; e ficam rodando minha cabeça, às vezes, por semanas. Anoto quando chego a um título bom. E antes de começar, a escrever longo, anoto as idéias principais, em tópicos – para a massa não desandar.

Se já me perdi? Claro que já me perdi. Mas você não percebeu; ou, se for escritor, percebeu já. O texto mais difícil é aquele que se esvai em algumas linhas; ou em alguns parágrafos – tanto faz. Muito difícil retomar; mas mais difícil ainda acabar. E a gente sofre...

Sofro também com a pressão do tempo. Então escrevo um monte antes. Deixo pronto. Duas semanas, um mês antes. Os deadlines me sufocam e eu até sei trabalhar sob pressão (viu, headhunters?), mas não escolho. Traduzindo: eu me adapto a qualquer situação, produzo o quanto for, mas sem a obrigação de ter de publicar amanhã. Isso é horroroso; embora eu tenha trabalhado assim durante anos.

Vai ver que é por isso que hoje eu começo às 7 horas da manhã. Pra começar antes. (Antes do povo.)

Relação com os Leitores... Como publico depois, ou muito depois, os feedbacks não me afetam mais. Ainda que eu, às vezes, ache que eles vêm mais e mais agressivos – à medida que você realiza coisas. Inveja não mata; mas acaba matando.

Contei uma vez para o Carpinejar e ele me deu razão: quando as pessoas vêm sedentas em cima de algo que você publicou, você já está trabalhando em outra – e o comentário não abala. É uma boa receita. Sigam.

Se eu me releio... Eu me releio de vez em quando. Principalmente quando vou lincar para textos anteriores. Em geral, é bom. Não me acho uma droga. Às vezes me incomoda o fato de estar tudo na internet; então me sinto como uma mulher desfrutável. Mas essa sensação passa. (Me convenceu o Martin Amis de que é saudável amadurecer em público. É o que faço.)

Ah, e não entrego nada que não esteja 100%. Pelo menos para o meu gosto. Ao contrário da vasta maioria das pessoas, não consigo publicar por publicar. Nunca fiz; tenho vergonha. (Mais vergonha ainda se fizesse e ninguém percebesse.) Prometo que paro quando notar que preencho espaços à toa. Como já parei antes... O meu compromisso é trabalhar a coisa até o final – antes do desespero, antes da loucura. Depois disso não dá. Mas eu me seguro e, mesmo quando parece que chega o descontrole, depois releio e acho legal. Não sou um pai desnaturado, portanto.

(O desafio de escrever é, também, o de não perder o controle.)

Hoje saio do escritório com um maço de folhas debaixo do braço e descarrego tudo no café mais próximo. Já escrevi entre quatro paredes, mas hoje (nesta fase) me incomoda.

Acho que estou num momento bom de minha produção: os temas vêm e eu, invariavelmente, me resolvo com eles.

Não acredito em quem escreve pouco. Ou em quem quase não escreve. Evidentemente, sei que alguns grandes escritores eram sujeitos esporádicos. Mas eu não entendo essas pessoas.

Se fico entupido, me vem o mau-humor. E o dia perfeito, ou quase perfeito, é aquele em que eu consigo escrever alguma coisa.

No limite, o leitor não importa. E eu poderia escrever para queimar depois.

Por enquanto, vou publicando. E você me falando se continuo bom...


Julio Daio Borges
Segunda-feira, 11/4/2005


Mais Digestivo 5 anos
Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O SÉTIMO PASSO
MÔNICA CARVALHO
REVINTER
(2002)
R$ 26,28



ZÉLIA, UMA PAIXÃO
FERNANDO SABINO
RECORD
(1991)
R$ 7,19



KARMA - A JUSTIÇA INFALÍVEL
A. C. BHAKTIVEDANTA SWAMI PRABHUPÃDA
THE BHAKTIVEDANTA
(2014)
R$ 9,00



100 COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE PIRATAS
VÁRIOS AUTORES
GIRASSOL
(2004)
R$ 7,00



ANTROPOLOGIA
O TEAR ENCANTADO
EDIÇÕES 70
(1987)
R$ 15,63



OS PENSADORES: DESCARTES
JOSÉ AMÉRICO
NOVA CULTURAL
(1999)
R$ 12,00



TYNDALES OLD TESTAMENT
WILLIAM TYNDALE
YALE UNIVERSITY PRESS
(1992)
R$ 390,00



APOSTILAS TIRADENTES CONCURSOS CEARÁ
TIRADENTES CONCURSOS
TIRADENTES CONCURSOS
(2014)
R$ 110,00



VEGETARIANISMO A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
NÃO MENCIONADO
NÃO MENCIONADA
R$ 5,00



HISTÓRIA DO BRASIL
GRANDEZAS DO BRASIL NO TEMPO DE ANTONIL
ATUAL
(1996)
R$ 14,98





busca | avançada
35192 visitas/dia
1,3 milhão/mês