Perseguindo o Código Da Vinci | Sérgio Augusto

busca | avançada
39901 visitas/dia
1,6 milhão/mês
Mais Recentes
>>> SÁBADO É DIA DE AULÃO GRATUITO DE GINÁSTICA DA SMART FIT NO GRAND PLAZA
>>> Curso de Formação de Agentes Culturais rola dias 8 e 9 de graça e online
>>> Ciclo de leitura online e gratuito debate renomados escritores
>>> Nano Art Market lança rede social de nicho, focada em arte e cultura
>>> Eric Martin, vocalista do Mr. Big, faz show em Porto Alegre dia 13 de abril
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Modernismo e além
>>> Pelé (1940-2022)
>>> Obra traz autores do século XIX como personagens
>>> As turbulentas memórias de Mark Lanegan
>>> Gatos mudos, dorminhocos ou bisbilhoteiros
>>> Guignard, retratos de Elias Layon
>>> Entre Dois Silêncios, de Adolfo Montejo Navas
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Saudades, lembranças
>>> Promessa da terra
>>> Atos não necessários
>>> Alma nordestina, admirável gênio
>>> Estrada do tempo
>>> A culpa é dele
>>> Nosotros
>>> Berço de lembranças
>>> Não sou eterno, meus atos são
>>> Meu orgulho, brava gente
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Vamos comer Wando - Velório em tempos de internet
>>> Cinema em Atibaia (IV)
>>> Curriculum vitae
>>> Entrevista com Milton Hatoum
>>> Discutir, debater, dialogar
>>> Eu e o Digestivo
>>> A lei da palmada: entre tapas e beijos
>>> A engenharia de Murilo Rubião
>>> Qualidade de vida
>>> O pior cego é o que vê tevê
Mais Recentes
>>> Vidas dos Santos - 22 Volumes de Padre Rohrbacher pela Das Américas (1959)
>>> Benetton - A Família, a Empresa e a Marca de Jonathan Mantle pela Nobel (1999)
>>> Mais Semelhante a jesus de Alejandro Bullón pela Casa Publicadora Brasileira (1994)
>>> Vencendo com Jesus de Alice P. Cavalieri pela Casa Publicadora Brasileira (1997)
>>> Universo de Amor de Irene Pacheco Machado pela Rema (1998)
>>> Babado Forte Moda Música e Noite de Erika Palomino pela Mandarin (1999)
>>> Babado Forte Moda Música e Noite de Erika Palomino pela Mandarin (1999)
>>> Perguntas Sobre o Dízimo de Roberto R. Roncarolo pela Divisão Sul-Americana (1984)
>>> Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano de Martin Scorsese e Michael Henry Wilson pela CosacNaify (2004)
>>> A Grande Guerra pela Civilização - a Conquista do Oriente Médio de Robert Fisk pela Planeta (2007)
>>> Asanas de Swami Kuvalayananda pela Cultrix/Pensamento
>>> O Amor que Restaura de Dick Winn pela Casa Publicadora Brasileira (1987)
>>> Colosso - Ascensão e Queda do Império Americano de Niall Ferguson pela Planeta (2011)
>>> Venturas e Aventuras de um Pioneiro de Gustavo S. Storch pela Casa Publicadora Brasileira (1982)
>>> Contradigo de Herminio Bello de Carvalho pela Folha Seca (1999)
>>> Público Cativo de Fabio Cortez pela Oficina (2007)
>>> Andando com Deus Todos os Dias de Moysés S. Nigri pela Casa Publicadora Brasileira (1993)
>>> A Porta do Inferno de Auguste Rodin pela Artmed (2001)
>>> Poemas De Natal de Luiz Coronel pela Sulina (1999)
>>> Buque Cenas de Rua de José de Carvalho pela Córrego (2013)
>>> Opções de Liv Ullmann pela Nórdica (1985)
>>> Perguntas que Eu Faria à Irmã White de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (1977)
>>> 32 X 2 Instantaneos - Haikai de Margarida Oliva , Idéo Bava pela Musa (2003)
>>> The National gallery London de Nicholas Penny pela Scala (2011)
>>> Com a Cara na Mão de Ricardo Leite Muniz pela Espaço ditorial (1992)
ENSAIOS

Segunda-feira, 13/6/2005
Perseguindo o Código Da Vinci
Sérgio Augusto
+ de 7300 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Quando as atenções do mundo inteiro estavam voltadas para o Vaticano, as minhas não podiam estar voltadas para Meca ou Jerusalem. Mas, enquanto os católicos mais fervorosos choravam e rezavam pelo papa, implorando a Deus para que ele não tivesse um final de vida semelhante ao de Terri Schiavo, eu me preocupava com duas outras agonias pontificais: a sucessão de João Paulo 2º e a cruzada da Santa Sé contra O Código da Vinci.

As duas estão interligadas, pois o cardeal Tarcisio Bertone, a autoridade esclesiástica incumbida de desacreditar o best-seller de Dan Brown, tinha sido apontado como um dos prováveis sucessores de João Paulo 2º. Se o arcebispo de Gênova tinha prestígio bastante para ser papabile, sua recente escolha como sumo templário na cruzada contra Dan Brown é um sinal de que a Igreja considera O Código Da Vinci uma espécie de Saladino com lombada; ou seja, uma questão da maior gravidade.

Tenho pena do cardeal Bertone. Suspeito, mesmo, que qualquer ação dele contra o romance só consiga ampliar-lhe as vendas, inclusive ou sobretudo entre os católicos que ainda não o compraram.

Torquemada já teria dado um jeito nesse imbróglio, mas sem a Inquisição o Vaticano perdeu seu poder para queimar livros. Restou-lhe apenas a ascendência moral sobre o seu rebanho. A cada dia, menor: O Código Da Vinci já vendeu mais de 25 milhões de exemplares, foi traduzido para 44 línguas e ainda não deu mostras de que esteja em fim de carreira. Daqui a menos de um ano, chegará aos cinemas a versão dirigida por Ron Howard e estrelada por Tom Hanks, empurrando-o de volta à lista dos best-sellers, se é que dela irá sair nos próximos meses. O livro, esclareço aos que não o leram, explora a hipótese de Jesus ter sido um simples mortal, que com Maria Madalena se casou e teve filhos, legando descendentes até para a casta dos merovíngios, na França.

Não dá para entender por que o Vaticano demorou tanto tempo —dois anos— para iniciar esta cruzada. Ou melhor, dá, sim. A Santa Sé era rápida quando reprimia, mas sempre tartarugou para rever velhos conceitos e fazer mea-culpa. Levou mais de 350 anos para absolver Galileu e quatro séculos para desculpar-se pela Inquisição. Só no pontificado de João Paulo 2º reconheceu os crimes das Cruzadas e arrependeu-se do silêncio dos católicos no Holocausto. Só em abril passado, os bispos norte-americanos anunciaram que se posicionariam com mais vigor contra a pena de morte. Nesse ritmo, só daqui a muitas décadas ou séculos a Igreja irá desculpar-se dos abusos sexuais cometidos por seus pastores e reconsiderar sua dogmática posição contra o aborto, a eutanásia e o fim do celibato sacerdotal.

O thriller religioso de Dan Brown, centrado nas peripécias de um professor de simbologia de Harvard, chamado Robert Langdon, uma espécie de Harry Potter bíblico a quem uma criptóloga da polícia francesa, Sophie Neveu, ajuda a desvendar o verdadeiro segredo do Santo Graal (não era um cálice, mas a prova das relações conjugais entre Jesus e Madalena), já motivou reações as mais iradas de autoridades evangélicas, notadamente nos EUA. Irritados com as mesmas heresias que impeliram o reverendo Erwin W. Lutzer a publicar A Fraude do Código Da Vinci, o pastor James L. Garlow e o professor Peter Jones escreveram a quatro mãos Desmascarando o Código Da Vinci. Para eles, o romance, além de fantasioso em excesso, anticlerical e abusivamente feminista, celebraria algumas formas pagãs de veneração.

O busílis é a afirmação de que a Igreja teria suprimido 80 evangelhos que negavam a divindade de Jesus, elevavam Madalena à categoria de líder entre os apóstolos e reverenciavam a sabedoria e a sexualidade femininas. Tais especulações circulam por aí há pelo menos 50 anos, desde a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto. Supostos evangelhos, atribuídos a Maria, Pedro, Felipe, Tomás e Q, teriam sido barrados no Novo Testamento, 17 séculos atrás, por ordem do imperador Constantino, politicamente interessado em manter indiscutível a divindade de Jesus e intocável o patriarcalismo cristão.

O reconhecimento de que Madalena não era prostituta, mas o mais influente dos apóstolos, constrangiria a Igreja a rever a campanha de expiação e difamação contra ela movida nos últimos 20 séculos, e admitir a ordenação de mulheres, proibida pela alegada inexistência de uma figura do sexo feminino entre os apóstolos de Cristo. Madalena, dizem, estaria na Santa Ceia, de Leonardo, disfarçada de São João, e foi retratada por alguns pintores renascentistas recebendo de Jesus a missão de levar adiante os seus ensinamentos. Já está fazendo oito anos que alguns teólogos levantaram a tese de que Jesus entregou a liderança da Igreja a Madalena, tão logo ressuscitou. Na época, o Vaticano não saiu dos seus cuidados. No começo da década passada, também com base nos Manuscritos do Mar Morto, a teóloga australiana Barbara Thiering escreveu o biográfico Jesus the Man, no qual Jesus se casava duas vezes, tinha três filhos e vivia até os 65 anos. Como não virou best-seller, a Santa Sé ficou na dela.

O casamento de Jesus com Madalena, a paradigmática rameira, foi considerado uma dupla heresia. Infundado ou não, o fato é que a Igreja tem uma tradição misógina e um farto acervo de vergonhas e tabus mantidos em segredo com o mesmo zelo facultado ao o Santo Graal do Código Da Vinci. Nunca se esclareceu direito se, entre os papas Leão 4º e Benedito 3º, ocupou o trono de Pedro uma papisa de nome Joana, não bastasse, engravidada durante o seu pontificado por um companheiro alemão. E o que dizer do lúbrico papa João 12, morto, no século 10, por um marido que o pegara em flagrante com sua mulher? E do não menos indócil Alexandre 6º, que era papa quando o Brasil foi descoberto e dez filhos pôs neste mundo?

Quem sabe, um dia, o Vaticano desmentirá, cabalmente, todas essas histórias ou as admitirá, altaneiro, como verdadeiras e há séculos irrelevantes. Mas convém não demorar muito, já que pelas profecias de São Malaquias a Igreja está com os dias contados. Morto há 857 anos, São Malaquias predisse que só restaria uma divisa de papa após segundo João Paulo (Gloriae Olivae, A Glória da Oliveira), e que no papado de um novo Pedro, a Igreja, perseguida por ímpios indefinidos, seria destruída, sobrevindo o Juízo Final. Que, lá do Céu, Karol Woytila nos proteja.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no caderno "Aliás", do jornal O Estado de S. Paulo, a 3 de abril de 2005.


Sérgio Augusto
Rio de Janeiro, 13/6/2005
Mais Sérgio Augusto
Mais Acessados de Sérgio Augusto
01. Para tudo existe uma palavra - 23/2/2004
02. O frenesi do furo - 22/4/2002
03. O melhor presente que a Áustria nos deu - 23/9/2002
04. Achtung! A luta continua - 15/12/2003
05. Filmes de saiote - 28/6/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
16/6/2005
12h29min
Olá, Sérgio Augusto, excelente o seu artigo! Li o Código Da Vinci e adorei. O autor tem uma técnica narrativa que deixa o leitor alucinado para ler mais. Quanto ao pessoal do Vaticano e suas cruzadas contra o livro, concordo que só vão aumentar-lhe as vendas. A discussão sobre a possibilidade de Jesús ter se casado com Maria Madalena é tão árida como o sexo dos anjos. Existe uma história na Bíblia e existe a História da Humanidade. Algumas vezes as duas coincidem, outras não. A própria História com "H" não consegue apurar detalhes ocorridos em fatos recentes, que dirá há dois mil anos! A técnica narrativa de Dan Brown é tão especial que faz com que o leitor acredite em tudo o que ele diz! É como aqueles filmes de ação contínua (007, Indiana Jones e outros) que enquanto você está no cinema você acredita no que o filme está mostrando. Depois... Bem, depois, só o pessoal, que tomou uma lavagem cerebral e encaixou a história da Blíblia como o único acontecimento do mundo, consegue mover uma cruzada contra qualquer modo de pensar que não seja exatamente o seu!
[Leia outros Comentários de Vera Carvalho]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Os Pensadores - Maquiavel
Nova Cultural - Capa Dura
Nova Cultural
(1996)



Marco Polo
Paulo Silveira
Ediouro
(1998)



O Sertanejo (1996)
José de Alencar
Atica
(2004)



O Túnel de Letras e o Reino de Pedra
Ernani Ssó
Scipione
(1995)



Simbad
Mauricio de Sousa
Girassol
(2015)



Mar Morto 1980
Jorge Amado
Record
(1980)



Planejamento Estratégico Em Comunicação Empresarial
Sirlei Pitteri
Sts
(2008)



O Cabeleira
Franklin Tavora
Atica
(1981)



Aventuras do Menino Kawã
Elias Yaguakãg
Ftd
(2010)



Reinventando a Liberdade: a Abolição da Escravatura no Brasil
Antonio Torres Montenegro
Moderna
(1989)





busca | avançada
39901 visitas/dia
1,6 milhão/mês