Art Spiegelman: o Kafka do gibi | Sérgio Augusto

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Segunda-feira, 31/10/2005
Art Spiegelman: o Kafka do gibi
Sérgio Augusto

+ de 3300 Acessos

Que me desculpem os fãs de Frank Miller e seu apocalipse pop, os entusiastas dos irmãos Hernandez, David Sim, Howard Chaykin, Lorenzo Mattoti, Enki Bilal, Gehhard Seyfried, François Shuiten, Benoît Peeters e quem mais aqui mereça estar. Para mim, o real sucessor do grão-mestre dos quadrinhos, Will Eisner, é o rei Arthur: Art(hur) Spiegelman. Bastaria a série Maus para qualificá-lo ao trono; mas outras façanhas o destacaram na linha sucessória antes e depois dela. A revista de vanguarda Raw, por exemplo.

Lançada há 25 anos por ele e a mulher, Françoise Mouly, Raw (cru ou crua, em inglês) foi tão importante para a fabulação gráfica como o Mad (de seu primeiro ídolo, Harvey Kurtzman) e os fesceninos Zap Comix de Robert Crumb. Prometendo “alta cultura para baixas inteligências”, até pôs na praça um novo movimento artístico chamado Depressionismo Abstrato, bem ao gosto da onda dark que da juventude se apossou naquela época – bem ao gosto, sobretudo, de Art, que já nasceu expert em depressão. Seus pais, teuto-poloneses, sobreviveram aos campos de concentração nazistas, seu irmão mais velho foi envenenado pela tia ainda menino para não cair nas malhas da Gestapo, a mãe suicidou-se quando Art tinha 20 anos.

Cultura elevada para low-brows era o que não faltava nas páginas de Raw. As paródicas aventuras de Ace Hole, o detetive anão, viviam cheias de referências não só aos primitivos quadrinhos de Little Nemo e dos Sobrinhos do Capitão, mas também à arte moderna, a Picasso e Matisse. Intelectualismo europeu? Sem dúvida. Embora criado em Queens (Nova York), Art nasceu em Estocolmo (Suécia), em 1948, e carrega em seu DNA toda a cultura judaica da Europa Central. Ou seja, ele é natural e simultaneamente sombrio e engraçado, como Woody Allen e tantos outros eslavos.

Quando chegou aos 30, lançou o primeiro volume de Maus, alegórico gibi sobre a saga concentracionária de seus pais, no qual os judeus aparecem como ratos, os nazistas como gatos, os gentios poloneses como porcos, os franceses como sapos e os americanos como cachorros. Nenhum preconceito com quem quer que seja, nem sequer com os gatos, escolha inevitável desde o momento em que Art resolveu incorporar a desqualificativa imagem do judeu como um rato, difundida pela propaganda nazista para justificar o pogrom – daí o nome do campo de concentração de Maus (rato, em alemão): Maushwitz. Explica-se o bestiário: ninguém conseguiu permanecer totalmente humano no Holocausto.

Os poloneses implicaram com o bicho que lhes coube, mas afinal aceitaram as explicações do artista, que apenas respeitou a tradição dos cartuns americanos, nos quais os porcos jamais encarnam valores negativos – vide Porky Pig, Miss Piggy. A exceção à regra, respeitada inclusive no cinema (Babe), é literária: o ditador stalinista da alegórica fazenda de A Revolução dos Bichos, imaginada por George Orwell. Quem mandou o porco ser o segundo animal mais inteligente que existe? “A única restrição que os judeus fazem ao porco”, acrescentou Art, “é não ser kosher.”

Maus consumiu 13 anos de criação, uma bolsa da Guggenheim (para a feitura do segundo volume), e rendeu ao autor um prêmio Pultizer especial, em 1992, e várias semanas na lista dos best-sellers. Não é um gibi convencional, longe disso. Mais parece um documentário pictográfico ou um romance histórico autobiográfico, engraçado como poderia ser um thriller horrorífico se tratado como uma comédia de situações, dirigida a quatro mãos por Billy Wilder e Fritz Lang. Art rejeita o rótulo “romance gráfico” (graphic novel), pedantismo com o qual também implico, preferindo um neologismo de sua lavra: co-mix. Nem comics, nem comix, co-mix, um mix de palavras e figuras. Os diálogos são literários, os desenhos expressionistas. Como se Kafka tivesse pedido a Munch para desenhar uma história que escrevera inspirado nos livros de Hannah Arendt.

No mesmo ano em que ganhou o Pulitzer, Art passou a fazer desenhos e capas para a revista The New Yorker, onde Françoise Mouly trabalha como editora de arte. Tudo ia às mil maravilhas quando houve os atentados de 11 de setembro de 2001. Ainda conseguiu emplacar a histórica capa seguinte ao ataque às torres gêmeas (toda preta com as torres num tom ligeiramente menos escuro), mas outras ilustrações entraram em conflito com o clima paranóico e patrioteiro também vigente na revista. O editor David Remnick implicou com sua capa para o Dia de Ação de Graças de 2002, mostrando um bombardeiro americano a despejar perus em vez de bombas sobre um país não claramente identificado, afinal vetando apenas o título que Art lhe dera: Operation Enduring Turkey (Operação Peru Duradouro), gozação à Operation Enduring Freedom (Operação Liberdade Duradoura) com que o governo Bush batizara os ataques aéreos recém-iniciados contra o Afeganistão. Quando Art apareceu com uma série de quadrinhos sobre a experiência de se viver numa cidade ameaçada simultaneamente por Bush e Osama bin Laden – In the Shadow of No Tower (À Sombra das Torres Ausentes, na tradução da Companhia das Letras) – Remnick vetou-a integralmente. Art pediu o boné e publicou-a no jornal alemão Die Zeit.

Foi uma grande perda para a The New Yorker, a maior desde a aposentadoria de sua crítica de cinema Pauline Kael.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente na revista Bravo, em abril de 2005.

Para ir além
Leia mais em "De Ratos, Memórias e Quadrinhos".






Sérgio Augusto
Rio de Janeiro, 31/10/2005

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