Beckett e Joyce | Sérgio Augusto

busca | avançada
44715 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
ENSAIOS

Segunda-feira, 22/5/2006
Beckett e Joyce
Sérgio Augusto

+ de 7300 Acessos
+ 2 Comentário(s)


Joyce and Beckett, por Erico Ayres

Se Samuel Beckett, que em abril faria 100 anos, jamais foi secretário particular de James Joyce, conforme afirmou o necrológio da Folha de S. Paulo, já lá se vão quase 17 anos, como qualificar o tipo de trabalho que ele fazia para o autor de Ulisses? Supersecretário particular? Factótum graduado?

Joyce tinha o hábito de explorar ao máximo os seus devotos. Que o digam Frank Budgen e Sylvia Beach, dona da legendária livraria Shakespeare & Co., no coração da Rive Gauche, penhor, catapulta e vitrine da revolucionária prosa joyceana. Com Beckett não foi diferente. Beckett serviu a Joyce tanto quanto ou mais que Thomas McGreevy e outros irlandeses exilados em Paris nos anos 20 e 30. Ao mestre emprestou seus olhos (para leituras diversas), sua cabeça (até para fazer pesquisas) e suas pernas (até para fazer compras).

O que Beckett, bem no íntimo, achava de Joyce continua sendo uma incógnita. Os personagens que teria criado à imagem dele, como o mítico clochard de Watt, o Pozzo de Esperando Godot e o Hamm de Endgame, me parecem homenagens discutíveis. Pozzo e Hamm, por exemplo, são dois megalômanos.

Além de mobilizá-lo para todo tipo de serviço, Joyce encomendou a Beckett um ensaio crítico sobre o que mais tarde seria conhecido como Finnegans Wake e era apenas uma obra em progresso em 1929. O ensaio "Dante...Bruno...Vico...Joyce", ao contrário do que a mesma Folha de S. Paulo propalou, não punha em relevo as admirações literárias e filosóficas que Beckett então cultivava e sim as fontes italianas — Dante Alighieri, Giordano Bruno e Gianbattista Vico — nas quais Joyce bebera com maior freqüência antes de pôr Humphrey Chimpden Earwicker para dormir. Nesse ensaio, o primeiro que publicou, Beckett, então com 23 anos, discutia algumas idéias que sustentariam, teoricamente, sua obra literária e teatral: o direito do autor a um texto opaco, fim da divisão entre forma e conteúdo etc. Ainda naquele ano, Beckett publicou seu primeiro conto, "Assumption", nas páginas de transition, revista de vanguarda e simpática ao surrealismo, dirigida por Eugene Jolas e por algum tempo a única aberta ao experimentalismo beckettiano.

A sombra de Joyce se projeta sobre as primeiras obras de Beckett quase sem deixar claros para outras influências. Os dez contos enfeixados em More Pricks Than Kicks, urdidos a partir de 1932, pretendem ser uma variação irônica de Dublinenses e têm como herói um personagem (Belacqua) extraído de uma das admirações de Joyce: Dante. É indisfarçavelmente joyceana a exuberante linguagem de Murphy, sua primeira novela (não um romance), escrita em 1935, mas os diálogos da peça Esperando Godot, escritos 13 anos mais tarde, originalmente em francês e comprometidos com uma prosa enxuta, coloquial, confirmaram o que alguns já haviam percebido: o discípulo tornara-se um antípoda do mestre.

A economia de linguagem de Godot é um dos vários exemplos da apostasia beckettiana. Ao passo que Joyce não só acreditava como investia, qual um fanático, no poder das palavras, Beckett passou a tratá-las com crescente ceticismo. Um exame de seus manuscritos revelou os intensos processos de redução, enxugamento e simplificação a que se submetia até considerar um texto acabado. Confidências de parceiros o pintam como um autor aberto a sugestões destinadas a facilitar a compreensão de sua complexa dramaturgia. Quando montava Krapp’s Last Tape, Alan Schneider (1918-1984), o único diretor americano a encenar todas as peças de Beckett, sugeriu que se trocasse uma palavra do texto. Pouca gente, alegou, iria entender o significado de wir (eclusa). Sugeriu lock (comporta). Beckett não só aceitou como agradeceu a sugestão.

Àqueles em quem confiava, como era o caso de Schneider, Beckett costumava dar ampla liberdade de criação. De modo geral, porém, patrulhava com extremo rigor as montagens de suas peças para evitar distorções e picaretagens do tipo Esperando Godot representada por quatro hermafroditas ou coisa parecida. Em 1973, Andre Gregory encenou Endgame com os atores pontuando suas falas com ruídos escatológicos e a platéia confinada numa jaula. Beckett ficou deprimido. Se soubesse o que outros fariam com a mesma peça, teria proibido qualquer montagem fora do alcance de sua vigilância. Em meados da década de 1980, JoAnne Akalaitis pôs em cena, em Cambridge (Massachusetts), uma versão de Engdame cujo metafórico fim do mundo acabou virando um apocalipse explítico. Beckett arrependeu-se de ter dado carta branca à diretora.

Enquanto pajeava Joyce e dava aulas na École Normale Supérieure de Paris, Beckett concluiu um estudo crítico sobre os conceitos de tempo, memória e costumes na ficção proustiana. "Proust" é um ensaio bem menos polêmico do que o centrado em Joyce, mas nele ainda sobram farpas contra o realismo. O impressionismo proustiano só não o encantou mais que o racionalismo cartesiano. Nada mais filosoficamente próximo ao universo beckettiano que a função privilegiada atribuída por Descartes à mente humana e às suas dúvidas em relação ao real por ela percebido.

Tão grande era sua estima por Descartes que chegou a utilizá-lo como o versejador de Whoroscope, erudito poema de 98 linhas, confeccionado meio às pressas para um concurso patrocinado, em 1930, por Nancy Cunard, a milionária herdeira que barbarizava Paris com seu comportamento, sua poesia e seu penchant por amantes negros. Beckett levou o prêmio (10 libras) e continuou fiel a Descartes, inventando e reinventando cérebros que questionam a validade dos seus questionamentos. Um homem (ou uma mulher) em conflito com os limites de sua percepção, celebrando a futilidade da existência — eis, em suma, do que trata a obra de Beckett.

Comemorar seu centenário de maneira convencional seria outra futilidade, talvez a maior de todas. Em respeito a Beckett, apenas reeditem, traduzam e encenem (bem) sua obra. Isso basta. Endgame.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente na revista Argumento, na edição de março de 2006.


Sérgio Augusto
Rio de Janeiro, 22/5/2006

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Desprezo de Alberto Moravia e Jean-Luc Godard de José Nêumanne


Mais Sérgio Augusto
Mais Acessados de Sérgio Augusto
01. Para tudo existe uma palavra - 23/2/2004
02. O frenesi do furo - 22/4/2002
03. Achtung! A luta continua - 15/12/2003
04. O melhor presente que a Áustria nos deu - 23/9/2002
05. Filmes de saiote - 28/6/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
6/6/2006
14h15min
A minha geração (estou com 38) foi marcada pela abertura política (1982) e pelo caderno Ilustrada, da Folha de S Paulo. Todos os dias esperávamos ansiosos para ler aquilo que nos parecia o oráculo da modernidade. De repente, naquelas páginas marcadas de preto, estava toda a informação que nos foi negada durante anos (e nos parecia que ninguém, além de nós, éramos os detentores desse santo graal). Aqueles que não tinham grana, surrupiavam o jornal da biblioteca, de algum departamento, do escritório do pai ou mesmo de bancas com atendentes distraídos. Os honestos esperavam pacientemente que alguém cedesse uma das páginas. Ah, e que páginas. Ali ficamos sabendo da existência dos beats, beatniks, Joyce, Pound, Beckett, do ovo de Ginsberg e do pé na estrada de Kerouac. Tivemos a chance rara de sermos iluminados pelos quadrinhos do underground americano (Fritz, the cat, me fez rir tanto quanto Mr. Natural) e dançar o bebop e ficar míope de tanta nouvelle vague. Foi nossa primavera. Foi bom.
[Leia outros Comentários de Wilson Sagae]
9/6/2006
03h43min
Entre James e Samuel (Joyce e Beckett) havia um espaço muito maior do que a proximidade física entre os dois deixava perceber. Joyce, mais velho, é um brilhante adolescente. Beckett já era velho aos vinte e poucos anos. Joyce nunca saiu de dentro dos seus textos, andava por ali meio deslumbrado com o labirinto de suas próprias palavras e, se o problema de Joyce for a tradução para o português, tudo bem, que seja, mas Joyce escreve de um jeito meio infantil. Beckett saiu do labirinto, como Dédalo, e o único risco que correu foi se afastar demais dele (do labirinto) a ponto de perdê-lo de vista. Ambos tinham em comum interesses literários, cultura, inteligência e poucos outros amigos. Se entendiam muito bem. Mas é tentador imaginar o que Beckett pensava de seu ilustre e mais velho colega: "Não vou escrever dessa maneira".
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O CONTINENTE DESAPARECIDO
GIANNI MINÀ
RECORD
(2007)
R$ 12,00



NOVÍSSIMA GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUÊSA 48ª ED.
DOMINGOS PASCHOAL CEGALLA
COMPANHIA ED. NACIONAL
(2008)
R$ 100,00



BLEAK HOUSE
CHARLES DICKENS
PENGUIN CLASSICS
(1994)
R$ 12,99



A VIDA ESTÁ EM OUTRO LUGAR
MILAN KUNDERA
NOVA FRONTEIRA
(1992)
R$ 10,00



DIREITO PROCESSUAL CIVIL
VALERIA MARIA SANT'ANNA
EDIPAD
(1995)
R$ 6,00



O GARATUJA
JOSÉ DE ALENCAR
IDC
R$ 5,90



DEUSES DE DOIS MUNDOS - O LIVRO DA MORTE - ( CAPA DURA ) - 1ª EDIÇÃO
PJ PEREIRA
DA BOA PROSA
(2015)
R$ 59,90



TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA
LIMA BARRETO
NOVA CULTURAL
(1984)
R$ 6,90



VIVA O POVO BRASILEIRO
JOÃO UBALDO RIBEIRO
NOVA FRONTEIRA
(1984)
R$ 30,00



QUATORZE SANTOS DE EMERGÊNCIA
LUIS EDGAR DE ANDRADE
OBJETIVA
(2006)
R$ 24,82





busca | avançada
44715 visitas/dia
1,3 milhão/mês