Beckett e Joyce | Sérgio Augusto

busca | avançada
35940 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> CONGRESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM DAS ARTES NA AMÉRICA LATINA: COLONIALISMO E QUESTÕES DE GÊNERO
>>> FERNANDA CABRAL SE APRESENTA NA CAIXA CULTURAL BRASÍLIA
>>> Projeto Entrecruzados lança livro e videodança documental
>>> Inscrições Abertas || Residência Artística no Jardim Botânico de Brasília
>>> Gravação de videoclipe quase provoca prisão do irmão de Gabriel o Pensador
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> No palco da vida, o feitiço do escritor
>>> Um olhar sobre Múcio Teixeira
>>> Algo de sublime numa cabeça pendida entre letras
>>> estar onde eu não estou
>>> Nos escuros dos caminhos noturnos
>>> As Lavadeiras, duas pinturas de Elias Layon
>>> T.É.D.I.O. (com um T bem grande pra você)
>>> As palmeiras da Politécnica
>>> Como eu escrevo
>>> Goeldi, o Brasil sombrio
Colunistas
Últimos Posts
>>> Por que ler poesia?
>>> O Livro e o Mercado Editorial
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
Últimos Posts
>>> É premente reinventar-se
>>> Contraponto
>>> Aparições
>>> Palavra final
>>> Direções da véspera I
>>> Nada de novo no front
>>> A Belém pulp, de Edyr Augusto
>>> Fatos contábeis
>>> Jaula de sombras
>>> Camadas tectônicas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Melhores Podcasts
>>> Aqui sempre alguém morou
>>> A imprensa dos ruivos que usam aparelho
>>> Entrevista a Ademir Pascale
>>> Leitura vertical e leitura horizontal
>>> O Direito à Estupidez
>>> Simone de Beauvoir: da velhice e da morte
>>> Salinger: uma vida
>>> Pessach: entre o social e o existencial
>>> Entrevista com João Moreira Salles
Mais Recentes
>>> Contos reunidos do mestre do horror cósmico de Howard Phillips Lovecraft pela Ex Machina (2016)
>>> Arte e Sociedade nos Cemitérios Brasileiros (2 volumes) de Clarival do Prado Valladares pela Conselho Federal de Cultura - MEC (1972)
>>> Veja--1649--o silvio que voce nunca viu. de Editora abril pela Abril (2000)
>>> Veja--2219--voo af 447--panico na cabine. de Editora abril pela Abril (2011)
>>> Revista dos curiosos--3--tira-teima das copas. de Editora europa pela Europa
>>> Tadeu Chiarelli de A Fotografia e o Tempo, Prêmio Porto Seguro 2009 pela Matavelli (2009)
>>> Galileu--7--historia--por que israel nao tem paz. de Editora globo pela Globo (2006)
>>> As Mil e Uma Noites, Contos Árabes III Volume de Anônimo pela Vademecum
>>> Introdução à Antropologia Cultural de Mscha Titiev pela Fundação Calouste Gulbenkian (1969)
>>> Tempo Brasileiro 70 Em Torno de Freud de Joel Birman, Chaim Samuel Katz e outros pela Tempo Brasileiro (1982)
>>> Vivências de Hermann Hesse pela Record
>>> Vidas Paralelas (Rainhas do Romance 52) de Linda Lael Miller pela Harlequin (2011)
>>> Caminhos da Sedução (Harlequin Primeiros Sucessos Livro 53) de Diana Palmer pela Harlequin (2014)
>>> O Gosto Do Pecado - Coleção Harlequin Primeiros Sucessos. Número 37 de Diana Palmer pela Harlequin (2013)
>>> Desafio de uma Vida (Harlequin Primeiros Sucessos Livro 49) de Diana Palmer pela Harlequin (2014)
>>> Amor Eterno - Special 81 de Caroline Anderson pela Harlequin (2013)
>>> Negócios À Parte - Sabrina 1618 de Fern Michaels pela Nova Cultural (2010)
>>> Se houver amanhã - Julia 1354 de Suzanne McMinn pela Nova Cultural (2005)
>>> Um Novo Amor! - Sabrina 1617 de Jerri Corgiat pela Nova Cultural (2004)
>>> Sete anos de feitiço - Coleção Desejo Novo, N° 38 de Heidi Betts pela Harlequin (2006)
>>> Amor fora-da-lei - Série Mavericks - Os Indomáveis 06 de Pat Warren pela Harlequin (2008)
>>> Beijos & Desejos - Coleção Harlequin Desejo Clássicos. Número 5 de Charlene Sands pela Harlequin (2014)
>>> Paixão e Atração - Harlequin Paixão #151 de Lucy Monroe e Trish Morey pela Harlequin (2009)
>>> Uma Noite Inesquecível / Doce Proposta - Harlequin Desejo Livro 227 de Brenda Jackson pela Harlequin (2015)
>>> Paixão Total de Jackie Braun pela Harlequin Books (2009)
>>> A ilha dos deuses de Nora Roberts pela Harper Collins (2016)
>>> Bruxa da noite de Nora Roberts pela Arqueiro (2015)
>>> Um Amor Para Recordar de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2011)
>>> Crepúsculo de Stephenie Meyer pela Intrínseca (2005)
>>> Anjos à mesa de Debbie Macomber pela Novo Conceito (2013)
>>> Nunca diga adeus de Doug Magee pela Arqueiro (2012)
>>> O amor mora ao lado de Debbie Macomber pela Novo Conceito (2013)
>>> Melhor que chocolate: Uma história sobre amor, Paris e teimosia de Laura Florand pela Única (2015)
>>> O lago místico de Kristin Hannah pela Novo Conceito (2014)
>>> O Jeito que me Olha de Bella André pela Novo Conceito (2014)
>>> Não Posso me Apaixonar de Bella André pela Novo Conceito (2013)
>>> Quero ser seu de Bella André pela Novo Conceito (2013)
>>> Um Olhar de Amor de Bella André pela Novo Conceito (2012)
>>> Perto de Você de Bella André pela Novo Conceito (2014)
>>> A arte da ilusão de Nora Roberts pela Harper Collins (2015)
>>> O Presente do Meu Grande Amor. Doze Histórias de Natal de Stephanie Perkins pela Intrínseca (2014)
>>> Para Sempre de Kim e Krickitt Carpenter pela Novo Conceito (2012)
>>> Um Perfeito Cavalheiro de Julia Quinn pela Arqueiro (2014)
>>> Felizes Para Sempre de Nora Roberts pela Arqueiro (2014)
>>> Bem Casados de Nora Roberts pela Arqueiro (2014)
>>> Mar de Rosas de Nora Roberts pela Arqueiro (2014)
>>> Álbum de Casamento de Nora Roberts pela Arqueiro (2013)
>>> Á Primeira Vista de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2012)
>>> Pode Beijar a Noiva de Patricia Calbot pela Essência (2012)
>>> Professional PHP4 Programming (Programmer to programmer) Importado de Deepak Thomas pela Wrox (2002)
ENSAIOS

Segunda-feira, 22/5/2006
Beckett e Joyce
Sérgio Augusto

+ de 6600 Acessos
+ 2 Comentário(s)


Joyce and Beckett, por Erico Ayres

Se Samuel Beckett, que em abril faria 100 anos, jamais foi secretário particular de James Joyce, conforme afirmou o necrológio da Folha de S. Paulo, já lá se vão quase 17 anos, como qualificar o tipo de trabalho que ele fazia para o autor de Ulisses? Supersecretário particular? Factótum graduado?

Joyce tinha o hábito de explorar ao máximo os seus devotos. Que o digam Frank Budgen e Sylvia Beach, dona da legendária livraria Shakespeare & Co., no coração da Rive Gauche, penhor, catapulta e vitrine da revolucionária prosa joyceana. Com Beckett não foi diferente. Beckett serviu a Joyce tanto quanto ou mais que Thomas McGreevy e outros irlandeses exilados em Paris nos anos 20 e 30. Ao mestre emprestou seus olhos (para leituras diversas), sua cabeça (até para fazer pesquisas) e suas pernas (até para fazer compras).

O que Beckett, bem no íntimo, achava de Joyce continua sendo uma incógnita. Os personagens que teria criado à imagem dele, como o mítico clochard de Watt, o Pozzo de Esperando Godot e o Hamm de Endgame, me parecem homenagens discutíveis. Pozzo e Hamm, por exemplo, são dois megalômanos.

Além de mobilizá-lo para todo tipo de serviço, Joyce encomendou a Beckett um ensaio crítico sobre o que mais tarde seria conhecido como Finnegans Wake e era apenas uma obra em progresso em 1929. O ensaio "Dante...Bruno...Vico...Joyce", ao contrário do que a mesma Folha de S. Paulo propalou, não punha em relevo as admirações literárias e filosóficas que Beckett então cultivava e sim as fontes italianas — Dante Alighieri, Giordano Bruno e Gianbattista Vico — nas quais Joyce bebera com maior freqüência antes de pôr Humphrey Chimpden Earwicker para dormir. Nesse ensaio, o primeiro que publicou, Beckett, então com 23 anos, discutia algumas idéias que sustentariam, teoricamente, sua obra literária e teatral: o direito do autor a um texto opaco, fim da divisão entre forma e conteúdo etc. Ainda naquele ano, Beckett publicou seu primeiro conto, "Assumption", nas páginas de transition, revista de vanguarda e simpática ao surrealismo, dirigida por Eugene Jolas e por algum tempo a única aberta ao experimentalismo beckettiano.

A sombra de Joyce se projeta sobre as primeiras obras de Beckett quase sem deixar claros para outras influências. Os dez contos enfeixados em More Pricks Than Kicks, urdidos a partir de 1932, pretendem ser uma variação irônica de Dublinenses e têm como herói um personagem (Belacqua) extraído de uma das admirações de Joyce: Dante. É indisfarçavelmente joyceana a exuberante linguagem de Murphy, sua primeira novela (não um romance), escrita em 1935, mas os diálogos da peça Esperando Godot, escritos 13 anos mais tarde, originalmente em francês e comprometidos com uma prosa enxuta, coloquial, confirmaram o que alguns já haviam percebido: o discípulo tornara-se um antípoda do mestre.

A economia de linguagem de Godot é um dos vários exemplos da apostasia beckettiana. Ao passo que Joyce não só acreditava como investia, qual um fanático, no poder das palavras, Beckett passou a tratá-las com crescente ceticismo. Um exame de seus manuscritos revelou os intensos processos de redução, enxugamento e simplificação a que se submetia até considerar um texto acabado. Confidências de parceiros o pintam como um autor aberto a sugestões destinadas a facilitar a compreensão de sua complexa dramaturgia. Quando montava Krapp’s Last Tape, Alan Schneider (1918-1984), o único diretor americano a encenar todas as peças de Beckett, sugeriu que se trocasse uma palavra do texto. Pouca gente, alegou, iria entender o significado de wir (eclusa). Sugeriu lock (comporta). Beckett não só aceitou como agradeceu a sugestão.

Àqueles em quem confiava, como era o caso de Schneider, Beckett costumava dar ampla liberdade de criação. De modo geral, porém, patrulhava com extremo rigor as montagens de suas peças para evitar distorções e picaretagens do tipo Esperando Godot representada por quatro hermafroditas ou coisa parecida. Em 1973, Andre Gregory encenou Endgame com os atores pontuando suas falas com ruídos escatológicos e a platéia confinada numa jaula. Beckett ficou deprimido. Se soubesse o que outros fariam com a mesma peça, teria proibido qualquer montagem fora do alcance de sua vigilância. Em meados da década de 1980, JoAnne Akalaitis pôs em cena, em Cambridge (Massachusetts), uma versão de Engdame cujo metafórico fim do mundo acabou virando um apocalipse explítico. Beckett arrependeu-se de ter dado carta branca à diretora.

Enquanto pajeava Joyce e dava aulas na École Normale Supérieure de Paris, Beckett concluiu um estudo crítico sobre os conceitos de tempo, memória e costumes na ficção proustiana. "Proust" é um ensaio bem menos polêmico do que o centrado em Joyce, mas nele ainda sobram farpas contra o realismo. O impressionismo proustiano só não o encantou mais que o racionalismo cartesiano. Nada mais filosoficamente próximo ao universo beckettiano que a função privilegiada atribuída por Descartes à mente humana e às suas dúvidas em relação ao real por ela percebido.

Tão grande era sua estima por Descartes que chegou a utilizá-lo como o versejador de Whoroscope, erudito poema de 98 linhas, confeccionado meio às pressas para um concurso patrocinado, em 1930, por Nancy Cunard, a milionária herdeira que barbarizava Paris com seu comportamento, sua poesia e seu penchant por amantes negros. Beckett levou o prêmio (10 libras) e continuou fiel a Descartes, inventando e reinventando cérebros que questionam a validade dos seus questionamentos. Um homem (ou uma mulher) em conflito com os limites de sua percepção, celebrando a futilidade da existência — eis, em suma, do que trata a obra de Beckett.

Comemorar seu centenário de maneira convencional seria outra futilidade, talvez a maior de todas. Em respeito a Beckett, apenas reeditem, traduzam e encenem (bem) sua obra. Isso basta. Endgame.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente na revista Argumento, na edição de março de 2006.


Sérgio Augusto
Rio de Janeiro, 22/5/2006

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Chico Buarque falou por nós de Ruy Castro
02. Modernismo e Modernidade de Alberto Beuttenmüller
03. O frenesi do furo de Sérgio Augusto


Mais Sérgio Augusto
Mais Acessados de Sérgio Augusto
01. Para tudo existe uma palavra - 23/2/2004
02. O frenesi do furo - 22/4/2002
03. Achtung! A luta continua - 15/12/2003
04. O melhor presente que a Áustria nos deu - 23/9/2002
05. Filmes de saiote - 28/6/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
6/6/2006
14h15min
A minha geração (estou com 38) foi marcada pela abertura política (1982) e pelo caderno Ilustrada, da Folha de S Paulo. Todos os dias esperávamos ansiosos para ler aquilo que nos parecia o oráculo da modernidade. De repente, naquelas páginas marcadas de preto, estava toda a informação que nos foi negada durante anos (e nos parecia que ninguém, além de nós, éramos os detentores desse santo graal). Aqueles que não tinham grana, surrupiavam o jornal da biblioteca, de algum departamento, do escritório do pai ou mesmo de bancas com atendentes distraídos. Os honestos esperavam pacientemente que alguém cedesse uma das páginas. Ah, e que páginas. Ali ficamos sabendo da existência dos beats, beatniks, Joyce, Pound, Beckett, do ovo de Ginsberg e do pé na estrada de Kerouac. Tivemos a chance rara de sermos iluminados pelos quadrinhos do underground americano (Fritz, the cat, me fez rir tanto quanto Mr. Natural) e dançar o bebop e ficar míope de tanta nouvelle vague. Foi nossa primavera. Foi bom.
[Leia outros Comentários de Wilson Sagae]
9/6/2006
03h43min
Entre James e Samuel (Joyce e Beckett) havia um espaço muito maior do que a proximidade física entre os dois deixava perceber. Joyce, mais velho, é um brilhante adolescente. Beckett já era velho aos vinte e poucos anos. Joyce nunca saiu de dentro dos seus textos, andava por ali meio deslumbrado com o labirinto de suas próprias palavras e, se o problema de Joyce for a tradução para o português, tudo bem, que seja, mas Joyce escreve de um jeito meio infantil. Beckett saiu do labirinto, como Dédalo, e o único risco que correu foi se afastar demais dele (do labirinto) a ponto de perdê-lo de vista. Ambos tinham em comum interesses literários, cultura, inteligência e poucos outros amigos. Se entendiam muito bem. Mas é tentador imaginar o que Beckett pensava de seu ilustre e mais velho colega: "Não vou escrever dessa maneira".
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DIÁRIO DE UM BANANA - 3 A GOTA D'ÁGUA
JEFF KINNEY
VERGARA & RIBA
(2010)
R$ 37,00
+ frete grátis



UM LENÇO, UM FOLHETO E A ROUPA DO CORPO
CLÁUDIO AMARAL
CLÁUDIO AMARAL
(2016)
R$ 35,00



FUNDAMENTOS DA ANÁLISE ECONÔMICA
PAUL A. SAMUELSON
ABRIL CULTURAL
(1983)
R$ 19,90



VIDAS SÊCAS
GRACILIANO RAMOS
MARTINS
(1968)
R$ 39,00



DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
DALMO DE ABREU DALLARI
MODERNA
(2004)
R$ 29,90



ANJOS E DEMÔNIOS
DAN BROWN
SEXTANTE
(2018)
R$ 10,00



MAÇONARIA E MUSEU - 1ª EDIÇÃO
CLAUDIO ROQUE BUONO FERREIRA
MADRAS
(2013)
R$ 20,95



CHE GUEVARA
EDER SADER & FLORESTAN FERNANDES
ÁTICA
(1981)
R$ 20,00



O PEREGRINO E A HISTORIA DE A PEREGRINA
JOHN BUNYAN
LITERATURA MONTE SIAO
(2012)
R$ 37,00
+ frete grátis



A IRA DOS ANJOS
SIDNEY SHELDON
RECORD
(2011)
R$ 39,00





busca | avançada
35940 visitas/dia
1,0 milhão/mês