Tributo a Rogério Duprat | Antônio do Amaral Rocha

busca | avançada
75359 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Cia Fragmento de Dança lança seminário “Amor Mundi – Pensando com Hannah Arendt”
>>> Realidade e ficção na Terça Aberta na Quarentena de agosto
>>> OBMJazz: OBMJ lança primeiro clipe de novo projeto
>>> Serginho Rezende é entrevistado por Zé Guilherme na série EntreMeios
>>> TOGETHER WE RISE TRAZ UMA HOMENAGEM ÀS PESSOAS QUE FIZERAM PARTE DA HISTÓRIA DO GREEN VALLEY
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
>>> Filmes de guerra, de outro jeito
>>> Meu reino por uma webcam
>>> Quincas Borba: um dia de cão (Fuvest)
>>> Pílulas Poéticas para uma quarentena
>>> Ficção e previsões para um futuro qualquer
>>> Freud explica
>>> Alma indígena minha
Colunistas
Últimos Posts
>>> Uma aula com Thiago Salomão do Stock Pickers
>>> MercadoLivre, a maior empresa da América Latina
>>> Víkingur Ólafsson toca Rameau
>>> Philip Glass tocando Mad Rush
>>> Elena Landau e o liberalismo à brasileira
>>> O autoritarismo de Bolsonaro avança
>>> Prelúdio e Fuga em Mi Menor, BWV 855
>>> Blooks Resiste
>>> Ambulante teve 3 mil livros queimados
>>> Paul Lewis e a Sonata ao Luar
Últimos Posts
>>> Coincidência?
>>> Gabbeh
>>> Dos segredos do pão
>>> Diário de um desenhista
>>> Uma pedra no caminho...
>>> Sustentar-se
>>> Spiritus sanus
>>> Num piscar de olhos
>>> Sexy Shop
>>> Assinatura
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Nelson Freire em DVD e Celso Furtado na Amazônia
>>> Um caos de informações inúteis
>>> Asia de volta ao mapa
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Parei de fumar
>>> Ford e Eastwood: cineastas da (re)conciliação
>>> Amor à segunda vista
>>> O Gmail (e o E-mail)
>>> Diogo Salles no podcast Guide
Mais Recentes
>>> Em Meu Próprio Caminho de Allan Watts pela Siciliano (1992)
>>> Cama de Gato de Kurt Vonnegut pela Record (1991)
>>> A História Secreta de Donna Tartt pela Companhia das Letras (1995)
>>> Os Invictos de William Faulkner pela Arx (2003)
>>> Paralelo 42 de John dos Passos pela Rocco (1987)
>>> Para onde você vai com Tanta Pressa de Christiane Singer pela Martins Fontes (2005)
>>> Carta Sobre o Comércio do Livro de Denis Diderot pela Casa da Palavra (2002)
>>> Rimas da Vida e da Morte de Amos Óz Amós Oz pela Companhia das Letras (2008)
>>> Uma Desolação de Yasmina Reza pela Rocco (2001)
>>> O Fio Perigoso Das Coisas de Michelangelo Antonioni pela Nova Fronteira (1990)
>>> Hacia un Teatro Pobre de Jerzy Grotowski pela Siglo Veintuno (1970)
>>> Este é Orson Welles de Peter Bogdanovich pela Globo (1995)
>>> À Espera do Tempo Filmando Com Kurosawa de Teruyo Nogami pela Companhia das Letras (2010)
>>> Invisible Man de Ralph Ellison pela Penguin (2009)
>>> The Plot Against America de Philip Roth pela Vintage (2005)
>>> Vida, o Filme. Como o Entretenimento Conquistou a Realidade de Neal Gabler pela Companhia das Letras (1999)
>>> Rituais de Sofrimento de Silvia Viana pela Boitempo (2012)
>>> Um Sussuro nas trevas de H. P. Lovecraft pela Francisco Alves (1983)
>>> O Aleph de Jorge Luis Borges pela Globo (1992)
>>> O Deslumbramento (le Ravissement de Lol. V. Stein) de Marguerite Duras pela Nova Fronteira (1986)
>>> O Segredo do Padre Brown de G. K. Chesterton pela Círculo do Livro (1986)
>>> Se Não Agora, Quando? de Primo Levi pela Companhia das Letras (1999)
>>> O compromisso da fé de Emmanuel Mounier pela Duas Cidades (1971)
>>> A Doutrina Secreta - Vol. 6 de Helena Petrovna Blavatsky pela Pensamento (1989)
>>> A Doutrina Secreta - Vol. 2 de Helena Petrovna Blavatsky pela Pensamento (1989)
>>> O Livro Tibetano Dos Mortos de Hans Evans-Wentz pela Pensamento (1989)
>>> Milarepa de Hans Evans-Wentz pela Pensamento (1990)
>>> A Jornada do Herói Vida - Obra Joseph Campbell de Phil Cousineau pela Saraiva (1994)
>>> O Tarô Mitológico - uma Nova Abordagem para a Leitura do Tarô de Juliet Sharman-burke e Liz Greene pela Siciliano (2002)
>>> Curso De Psicologia Geral Vol. IV de A. R. Luria pela Civilização Brasileira (1979)
>>> Breton - Trotski: por uma Arte Revolucionaria Independente de Valentim Facioli (org) pela Paz e Terra (1985)
>>> Manifestos do Surrealismo de André Breton pela Moraes (1969)
>>> Os Cantos de Maldoror de Conde de Lautréamont pela Moraes (1970)
>>> Escritos de Antonin Artaud de Artaud e Claudio Willer (org.) pela Lpm (1983)
>>> Memória de um Amnésico de Erik Satie pela Hiena (1992)
>>> Contos Cruéis de Villiers de Lisle-adam pela Iluminuras (1987)
>>> A Cruzada das Crianças de Marcel Schwob pela Iluminuras (1987)
>>> Moralidades Lendárias Fábulas Filosóficas de Jules Laforgue pela Iluminuras (1989)
>>> Caos - Crônicas Políticas de Pier Paolo Pasolini pela Brasiliense (1982)
>>> Os Jovens Infelizes - Antologia de Ensaios Corsários de Pier Paolo Pasolini pela Martins Fontes (2013)
>>> A Maçã no Escuro de Clarice Lispector pela Francisco Alves (1992)
>>> As Ultimas Palavras do Herege de Pier Paolo Pasolini pela Brasiliense (1983)
>>> Triângulo das Águas de Caio Fernando Abreu pela Siciliano (1997)
>>> Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles pela Nova Fronteira (1989)
>>> A Importância do Ato de Ler de Paulo Freire pela Cortez (1989)
>>> As Idades da Vida de Romano Guardini pela Quadrante (1997)
>>> Cruz E Sousa E Baudelaire Satanismo Poético de Márie Helene Catherine Torres pela Ufsc (1998)
>>> A Morte dos Deuses de Michel Henry pela Jorge Zahar (1985)
>>> Vida Emocional dos Civilizados de Melanie Klein / Joan Riviere pela Zahar (1962)
>>> Um Simples Livro De Culinária Para As Classes Trabalhadoras de Charles Elmé Franvatelli pela Angra (2001)
ENSAIOS

Segunda-feira, 8/1/2007
Tributo a Rogério Duprat
Antônio do Amaral Rocha

+ de 6100 Acessos
+ 1 Comentário(s)


Agência Estado

A morte do irreverente e genial maestro tropicalista deixa a música popular brasileira menos criativa e mais careta

Rogério Duprat já foi chamado de “o George Martin da música brasileira”. Mas se o produtor inglês “só” criou o som dos Beatles, o maestro carioca fez muito mais. Já seria muito se ele tivesse apenas conhecido os meninos dos Mutantes (Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee) e criado os arranjos de obras clássicas como Os Mutantes, Tropicália ou Panis et Circensis (ambos de 1968) e A Divina Comédia (1971). Mas some-se: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Nara Leão, Chico Buarque, Erasmo Carlos, Walter Franco, Jorge Ben e Lulu Santos, todos são devedores do caldeirão sonoro do mago. E só lembrar do arranjo vanguardista para “Domingo no Parque” (Gilberto Gil) e dos arranjos construídos para “Construção” e “Deus lhe Pague” (Chico Buarque) e tem-se a dimensão de sua figura.

Sem Duprat, a música brasileira não teria evoluído da bossa nova e da jovem guarda em apenas um ano e meio. E sabe-se que a soma desses dois gêneros não resultaria em filhote algum. Mas existiu Rogério Duprat e um movimento chamado Tropicalismo. Ainda bem que houve um tempo em que as pessoas se dispunham a se encontrar – tempo em que a avenida São Luís, em São Paulo, havia cedido seus grandes apartamentos da burguesia decadente para os artistas migrados da Bahia. Chegando na capital paulista, os baianos foram morar perto de onde acontecia o burburinho da noite paulistana na década de 1960. São Paulo ainda era “pequena”: a avenida Paulista ainda não era o antro da oligarquia financeira que impera hoje.

Caetano e Gil tinham passado pelo Rio de Janeiro e percebido que as oportunidades estavam na São Paulo desvairada. Caetano já havia guardado a “mala que cheirava e fedia mal” em um canto do guarda-roupa e, entre idas e vindas para o Rio, Salvador e São Paulo e longos papos pelo bairro de Perdizes, tudo parecia “divino e maravilhoso”. Mas nem tanto: em 1967, passeata dos 100 mil; em 1968, AI-5; prisão, exílio...

E o que Rogério Duprat teve a ver com o Tropicalismo? Gil conheceu o maestro Júlio Medaglia, que botou o grupo em contato com Duprat, que trouxe Os Mutantes. Duprat fez o arranjo de “Domingo no Parque” e encaixou os meninos na jogada. O grupo cresceu, era o início de 1968. Caetano compõe o que viria a ser “Tropicália” – nome sugerido pelo cineasta Luís Carlos Barreto, cuja letra é uma colagem de temas arcaicos e modernos –, uma representação figurada do Brasil (“Eu organizo o movimento, eu oriento o Carnaval”) – e o que faziam passou a ter nome. Coube a Nelson Motta publicar no jornal Última Hora um artigo intitulado “A Cruzada Tropicalista”, que anunciava que um grupo de músicos, cineastas e intelectuais brasileiros fundara um movimento cultural com a ambição de alcance internacional.

No movimento, “o avesso do avesso do avesso” da MPB vigente, estavam Caetano, Gil, Tom Zé, Gal Costa, Torquato Neto, Capinam, Os Mutantes, Damiano Cozzella, Júlio Medaglia, Rogério Duprat e Rogério Duarte. A proposta era uma intervenção crítica no cenário cultural brasileiro, ressaltando os contrastes, casando o arcaico e o moderno, o nacional e o estrangeiro, as culturas de elite e de massa, cinema, rádio, teatro e televisão. Considerava que na música tudo era importante; abarcava samba, bolero, frevo, música de vanguarda, iê-iê-iê, rock internacional e “discriminalizou” o uso da guitarra. A aproximação com a poesia concreta paulista mereceu apoio crítico de Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari. O embrião do movimento remonta a discussões entre Caetano, Gil, Bethânia, Torquato, Rogério Duarte, ainda na Bahia, sobre questões como a necessidade da universalização da música brasileira, ampliando as conquistas da bossa nova, a qual já tinha estourado lá fora. Bethânia chamou a atenção de Caetano em relação à modernidade de Roberto Carlos, que a exprimiu em músicas como “Baby” (“Ouvir aquela canção do Roberto”) e em “Tropicália” (“Não disse nada do modelo do meu terno, que tudo mais vá pro inferno, meu bem”). O Tropicalismo propunha redimensionar, abrir, rearranjar.

Aí entra o mago-arranjador Rogério Duprat. Carioca, nascido em 1932, deu seus primeiros passos na música ainda jovem, tocando “de ouvido” cavaco, violão e gaita de boca. Em 1950, começou a estudar violoncelo. Mudou-se para a São Paulo em 1955, onde participou com destaque da Orquestra Sinfônica Municipal. Foi um dos fundadores e diretores da Orquestra de Câmara de São Paulo. Criou o movimento de música erudita Música Nova, em 1961, que incorporava atitudes experimentais à execução das peças. Passou um ano na Alemanha, tornando-se colega de Frank Zappa, com quem assistiu às aulas do mestre Stockhausen. Já no Brasil, em 1963, foi arranjador e regente da orquestra da TV Excelsior. No ano seguinte, começou a compor trilhas para cinema, sendo premiado com os filmes Noite Vazia, Corpo Ardente e As Cariocas. Para ele, isso não bastava: dizendo-se cansado da caretice das orquestras e querendo sair desse círculo, aproximou-se da música popular, em que pôs em prática suas experimentações com o grupo tropicalista e fora dele, radicalizando a idéia de uma orquestração moderna no Brasil. Assinou arranjos ousados, pontuados de erudição e criatividade, misturando sons de tudo o que parecesse moderno e irônico. “Seus arranjos punham as canções em choque luminoso com o próprio campo convulsionado da música em mutação. Não se tratava apenas de ‘vesti-las’ com roupagens de estilo, mas de reinventar as linguagens, como um autêntico criador. Ninguém fez isso melhor do que ele”, definiu o professor e compositor José Miguel Wisnik.

Nas décadas de 1970 e 1980, Duprat montou um estúdio para produção de jingles e trilhas para cinema e televisão. Em 1987, ganhou um prêmio Kikito no Festival de Gramado, com a trilha de A Marvada Carne (recusou porque a música apareceu desfigurada), uma das quase 50 trilhas que compôs.

Mesmo sob a proteção dos deuses da música, o volume do som dos estúdios o deixou quase surdo, o que o obrigou a exilar-se num sítio em Itapecerica da Serra (SP), trabalhando com marcenaria e praticando ioga. E o mago do som passou a ser um “mestre zen”.

Porém, “seu coração balança a um samba de tamborim, emite acordes dissonantes”, em 1990 voltou à ativa, compondo arranjos para Lulu Santos e Rita Lee. Com sua morte neste outubro de 2006, devido a complicações decorrentes de um câncer na bexiga, a música a brasileira perde uma referência. E a possibilidade de ser menos careta.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na revista Rolling Stone.


Antônio do Amaral Rocha
São Paulo, 8/1/2007

Mais Antônio do Amaral Rocha
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
22/1/2007
15h41min
É preciso fazer um resgate, na musica poular brasileira, e no âmbito da academia, da radiofonia, que, aliás, está paupérima, e nos movimentos sociais, é preciso trazer a figura de Duprat, como bandeira de uma transformação no campo da arte musical.
[Leia outros Comentários de Manoel Messias]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DIREITO E PROCESSO DO TRABALHO- COLEÇÃO OAB NACIONAL
ANDRÉ HORTA MORENO VENEZIANO
SARAIVA
(2009)
R$ 35,91



MADRU - A LENDA DA GRANDE FLORESTA
FREDERIK HETMANN
PENSAMENTO
(1995)
R$ 15,00



ECONOMIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: PARA CURSOS DE ECON. ADMINISTRATIVA
MARCO ANTONIO SANDOVAL DE VASCONCELLOS / AMAURY P.
ATLAS
(1996)
R$ 6,90



DO FEUDALISMO AO CAPITALISMO - UMA DISCUSSÃO HISTÓRICA
THEO SANTIAGO
CONTEXTO
(1988)
R$ 23,57



TEATRO COMPLETO DE ARAÚJO PORTO-ALEGRE - TOMO II
EDWALDO CAFEZEIRO E RENATA GUERRA ( ORG. )
FUNARTE
(1997)
R$ 12,00



REVISTA CARTA NA ESCOLA N° 10
N/D
CONFIANÇA
(2006)
R$ 23,00



VOCABULÁRIO JURIDICO VOLS. 1, 2, 3 E 4, 2 EM 2
DE PLÁCIDO DA SILVA
FORENSE
(1996)
R$ 39,95



BRASIL-MENINO
FÁTIMA MIGUEZ
DCL DIFUSÃO CULTURAL DO LIVRO
(2006)
R$ 25,00



A GRANDE ESPERANÇA
ELLEN G. WHITE
CASA PUBLICADORA BRASILEIRA
(2012)
R$ 12,04



REI BRANCO RAINHA NEGRA
PAULO AMADOR
LE
(1992)
R$ 5,00





busca | avançada
75359 visitas/dia
2,6 milhões/mês