Pascal e a condição humana | Pedro Maciel

busca | avançada
58257 visitas/dia
1,6 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Sessão Única com Jogo de Escape Game e debate do filme 'Os Bravos Nunca se Calam' em SP
>>> OBRAS INSPIRADAS DURANTE A PANDEMIA GANHAM DESTAQUE NO INSTITUTO CERVANTES, EM SÃO PAULO
>>> Sempre Um Papo com Silvio Almeida
>>> FESTIVAL DE ORQUESTRAS JUVENIS
>>> XIII Festival de Cinema da Fronteira divulga Programação
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Entre Dois Silêncios, de Adolfo Montejo Navas
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
>>> O segredo para não brigar por política
>>> Endereços antigos, enganos atuais
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Nosotros
>>> Berço de lembranças
>>> Não sou eterno, meus atos são
>>> Meu orgulho, brava gente
>>> Sem chance
>>> Imcomparável
>>> Saudade indomável
>>> Às avessas
>>> Amigo do tempo
>>> Desapega, só um pouquinho.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> iPad
>>> iPad
>>> iPad
>>> Sátiro e ninfa, óleo s/ tela em 7 fotos e 4 movies
>>> poeta del vacío existencial
>>> Croft & Kidman
>>> Histórias de gatos
>>> Whitesnake, 1987
>>> Por que Dilma tem de sair agora
>>> A árvore da vida
Mais Recentes
>>> Livro - A Ararajuba - Série natureza brasileira 2 de Rubens Matuck pela Biruta (2003)
>>> Arsène Lupin e Victor, da Brigada Anticrime (como novo) de Maurice Leblanc pela Principis (2021)
>>> Livro - Os Pássaros - Coleção Infanto Juvenil de Germano Zullo Albertine pela 34 (2013)
>>> Livro - Betina de Nilma Lino Gomes pela Maza (2009)
>>> Agente em campo (como novo) de John le Carré pela Record (2021)
>>> Fantasma sai de cena (muito bom) de Philip Roth pela Cia das letras (2008)
>>> Gota d’água - Coleção Teatro Hoje de Chico Buarque (Autor), Paulo Pontes (Autor) pela Civilização Brasileira (1977)
>>> Privação Cultural e Educação Pré-Primária de Maria Helena Souza Patto pela Livraria José Olympio (1977)
>>> Lisbela e o Prisioneiro de Osman Lins pela Planeta (2015)
>>> A Franco Maçonaria. Origem Historia e Influencia (raro exemplar) de Robert Ambelain pela Gnose (1990)
>>> O Desmonte de Amarildo Felix pela Patuá (2021)
>>> Diário de um Ladrão de Jean Genet pela Nova Fronteira (2005)
>>> Comédias para se ler na escola de Luis Fernando Verissimo pela Objetiva (2001)
>>> Auto da Barca do Inferno Farsa de Inês Pereira Auto da Índia de Gil Vicente pela Atica (2005)
>>> Eu não disse? (muito bom) de Mauro Chaves pela Perspectiva (2004)
>>> Os Sofrimentos Do Jovem Werther de Johann Wolfgang Von Goethe pela Martins Fontes (1998)
>>> O Quarto Reich (capa dura- ótimo estado) de M. A. Costa pela Livros de guerra (2018)
>>> A Inocência do Padre Brown (raro exemplar) de G. K. Chesterton pela Record
>>> Ventos de Quaresma (muito bom) de Leonardo Padura Fuentes pela Cia das letras (2008)
>>> Perseguido (muito bom) de Luiz Alfredo Garcia-Roza pela Cia das letras (2003)
>>> O Rei De Girgenti (muito bom) de Andrea Camilleri pela Record (2004)
>>> D. Pedro I (Perfis Brasileiros) de Isabel Lustosa pela Companhia das Letras (2006)
>>> Quatro Estações de Stephen King pela Objetiva (2001)
>>> Wicca Gardneriana de Mario Martinez pela Gaia (2005)
>>> O Feitiço do Cinema Ensaios de Griffe Sobre a Sétima Arte de Juan Guillermo D. Droguett e Flavio F. A. Andrade pela Saraiva (2009)
ENSAIOS

Segunda-feira, 13/1/2003
Pascal e a condição humana
Pedro Maciel

+ de 10000 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Blaise Pascal (1623-1662) está inserido na história da ciência como um dos mais notáveis estudiosos de matemática e física. Precoce, aos 12 anos, Pascal escreve um tratado sobre "Acústica" e descobre a geometria até trigésima segunda proposição de Euclides. Aos 17, escreve o "Tratado dos Cones" e, aos 19 anos, descobre a prensa hidráulica. No ano seguinte, inventa a primeira calculadora, a "máquina de aritmética", para ajudar o seu pai no trabalho. Em 1646 reproduz, com Pierre Petit, a experiência de Torriceli e faz experiências sobre o vácuo. É também conhecido como o precursor do cálculo infinitesimal.

Mas "Pensamentos", tradução de Mário Laranjeira; (Ed. Martins Fontes), é o seu trabalho mais genial, uma das obras-primas da literatura francesa. Pascal, admirador de Galileu e idealizador do primeiro sistema de ônibus parisiense, tenta justificar a fé pela razão. Deste livro é a célebre frase: "O coração tem razões que a razão desconhece". O autor de "As Provinciais", obra condenada por Roma em 1657, era militante do jansenismo, doutrina que pregava o rigor moral, e, por isso, manteve uma acirrada polêmica com os jesuítas.

"Pensamentos" é um conjunto de notas e rascunhos que deveria servir para a redação da "Apologia do Cristianismo". Os escritos inacabados foram iniciados por volta de 1657 e só foram recuperados oito anos após sua morte em Port Royal. Ao escrever "Pensamentos", Pascal não renega os seus interesses científicos, ao contrário, lança mão de um método lógico para explicar a fé e as exigências transcendentes da condição humana.

Segundo Gérard Lebrun, a originalidade do método adotado por Pascal surpreende, porque é um "método formado e testado ao nível das ciências exatas". Lébrun, no livro "Blaise Pascal, Voltas, desvios e Reviravoltas", Ed. Brasiliense (1983), relê o pensamento de Pascal e aponta os erros dos interpretadores em relação à obra do autor francês do século 17, interpretadores dos "falsos sentidos", que não viram o "Pascal Moderno, no coração da idade clássica", com seu "deus morto". "E daí se seguiram todos os falsos sentidos. E nesse pensamento, que não é mais do que um circuito na beira dos abismos, só viram piedoso fervor", diz Lébrun.

"Ao ler esses pensamentos fragmentados, temos de entender que estamos diante do grandioso e do provisório. Temos de ser capazes de ver, nos textos incompletos, nas frases interrompidas, na miscelânea dos assuntos, na brevidade das fórmulas, na desordem das citações, a mais profunda meditação que já se fez sobre as tensões que definem as relações entre o homem e a transcendência que o supera pelo terror, pelo temor e pela piedade. Se é inegável que o centro das preocupações de Pascal é a religião, afinal o objeto do livro que pretendia escrever, também é certo que a amplitude de sua reflexão atinge a dimensão da existência humana nos seus mais recônditos e difíceis aspectos, razão pela qual esses fragmentos falam a todos os seres humanos, que partilhem ou não a crença que inspirou Pascal", anota Franklin Leopoldo e Silva no esclarecedor prefácio.

Pascal, ao fazer a apologia cristã, revela muito mais o saber universal e o conhecimento do que os fundamentos da religião. A verdade na língua do pensador é relativa: "Todos erram tanto e mais perigosamente quando seguem cada um uma verdade; o seu erro não está em seguirem uma falsidade, mas em não seguirem outra verdade". Pascal defende que "quando não se sabe a verdade de uma coisa, é bom que haja um erro comum que fixe o espírito do homem..."

"Pensamentos" é um exercício extraordinário sobre a razão humana. Discurso fundamental para compreender o homem e a sua relação com Deus. Filosofia do espírito. Conversa dos deuses cartesianos? "Cada um forja um deus para si". Experimentação do pensamento moderno: "Ao escrever o meu pensamento, ele me escapa às vezes, mas isso me faz lembrar da minha fraqueza de que me esqueço a toda hora, o que me instrui tanto quanto o meu pensamento esquecido, pois só busco conhecer o meu nada". Um pensamento que deixa perplexo qualquer pensador.

"Pensamentos", de Pascal; 47 (172)
Nunca ficamos no tempo presente. Lembramos o passado; antecipamos o futuro como lento demais para chegar, como para apressar o seu curso, ou nos lembramos do passado para fazê-lo parar como demasiado rápido, tão imprudentes que erramos por tempos que não são nossos e não pensamos no único que nos pertence, e tão levianos que pensamos naqueles que nada são e escapamos, sem refletir, do único que subsiste. É que, em geral, o presente nos fere. Escondemo-lo de nossas vistas porque nos aflige e, se ele nos é agradável, lamentamos que nos escape. Buscamos mantê-lo mediante o futuro e pensamos em dispor as coisas que não estão em nosso poder por um tempo ao qual não temos a menor certeza de chegarmos.

Examine cada um os seus pensamentos. Vai encontrá-los a todos ocupados com o passado ou com o futuro. Quase não pensamos no presente, e se nele pensamos é somente para nele buscar a luz para dispormos do futuro. O presente nunca é o nosso fim.

O passado e o presente são os nossos meios, só o futuro é o nosso fim. Assim não vivemos nunca, mas esperamos viver e, sempre nos dispondo a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.


Nota do Editor
Ensaio gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente no caderno "Prosa & Verso", do jornal O Globo, a 23 de junho de 2001.


Pedro Maciel
Belo Horizonte, 13/1/2003

Mais Pedro Maciel
Mais Acessados de Pedro Maciel
01. Italo Calvino: descobridor do fantástico no real - 8/9/2003
02. A arte como destino do ser - 20/5/2002
03. Antônio Cícero: música e poesia - 9/2/2004
04. Imagens do Grande Sertão de Guimarães Rosa - 14/7/2003
05. Nadja, o romance onírico surreal - 10/3/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
30/1/2003
22h44min
E incrivel como passamos o tempo tentando encontrar respostas sobre nossas escolhas e renuncias. Somos produto do meio nao importa o tempo e sim onde nos inserimos na sociedade e com quem convivemos .
[Leia outros Comentários de Vinicius Brown]
31/1/2003
21h34min
Isto, entretanto, não quer dizer que devamos deixar que as coisas aconteçam, simplesmente como autômatos. Seríamos guiados pelos sentidos, que seguem ao sabor das variações sociais, antenados que são com percepções físicas. À moral, esse conjunto de normas internas de cada ser humano, é que se poderia perguntar o que se deve ser feito a cada instante e repetida essaa pergunta no instante seguinte, pois tudo pode mudar de um momento para outro. E não por mudarmos de companhia ou posição geográfica, mas por estarmos em ebulição íntima, nessa eterna equação das incógnitas bem e mal.
[Leia outros Comentários de ASSIS SANTOS]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Estorvo
Chico Buarque
Companhia das Letras
(1991)



A Clara e a Gema - O Viver na Escola e a Formação de Valores
Paulo Afonso Caruso Ronca
edesplan
(1998)



O Curupira Em uma Dança da Pesada - Bicho do Mato
Jorge Saad
Ftd
(1997)



Mata Atlântica - a Floresta Corre Perigo 1 (2000)
Coleção de Olho no Mundo (recreio)
Abril
(2000)



Metodologia do Trabalho Científico - 21 Ed Revista e Ampliada
Antônio Joaquim Severino
cortez
(2000)



Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil Codigo de Etic
Luiz Flavio Borges Durso
Oab-sp
(2005)



Reegenharia de Processos
Thomas H. Davenport
Campus
(1993)



Os Pensadores - Xiii - Novum Organum Ou Verdadeiras Indicações...
Francis Bacon
Abril Cultural
(1973)



Os Simpsons e a Ciência
Paul Halpern
Novo Conceito
(2012)



Instrumentos do Tempo
Francisco Cândido Xavier
geem
(1974)





busca | avançada
58257 visitas/dia
1,6 milhão/mês