Dizem que a crítica acabou; só se foi quando o verão chegou | Luís Antônio Giron

busca | avançada
58257 visitas/dia
1,6 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Sessão Única com Jogo de Escape Game e debate do filme 'Os Bravos Nunca se Calam' em SP
>>> OBRAS INSPIRADAS DURANTE A PANDEMIA GANHAM DESTAQUE NO INSTITUTO CERVANTES, EM SÃO PAULO
>>> Sempre Um Papo com Silvio Almeida
>>> FESTIVAL DE ORQUESTRAS JUVENIS
>>> XIII Festival de Cinema da Fronteira divulga Programação
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Entre Dois Silêncios, de Adolfo Montejo Navas
>>> Home sweet... O retorno, de Dulce Maria Cardoso
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Gal Costa (1945-2022)
>>> O segredo para não brigar por política
>>> Endereços antigos, enganos atuais
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lula de óculos ou Lula sem óculos?
>>> Uma história do Elo7
>>> Um convite a Xavier Zubiri
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
Últimos Posts
>>> Nosotros
>>> Berço de lembranças
>>> Não sou eterno, meus atos são
>>> Meu orgulho, brava gente
>>> Sem chance
>>> Imcomparável
>>> Saudade indomável
>>> Às avessas
>>> Amigo do tempo
>>> Desapega, só um pouquinho.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A voz de uma geração perdida e abandonada
>>> Direita, Esquerda ― Volver!
>>> O menino mais bonito do mundo
>>> iPad
>>> iPad
>>> iPad
>>> Sátiro e ninfa, óleo s/ tela em 7 fotos e 4 movies
>>> poeta del vacío existencial
>>> Croft & Kidman
>>> Histórias de gatos
Mais Recentes
>>> Meu Ano de Descanso e Relaxamento de Ottessa Moshfegh pela Todavia (2009)
>>> Além das Crianças Índigo de P. M. H. Atwater pela Prolibera (2008)
>>> Semântica e Estilística - Dimensões Atuais do Significado e do Estilo de Esther Gomes de Oliveira; Suzete Silva (orgs.) pela Pontes (2014)
>>> A montanha mágica de Thomas Mann pela Círculo do livro (1982)
>>> Tecnologia da Informação - A Arte do Planejamento Estratégico de Bernard Boar pela Berkeley (2002)
>>> Doutor Fausto de Thomas Mann pela Nova Fronteira (1984)
>>> Carlota em Weimar de Thomas Mann pela Nova Fronteira (1984)
>>> Fábulas de La Fontaine de Marc Chagall pela Estação Liberdade (2004)
>>> Produção Textual, análise de gêneros e compreensão de Luiz Antônio Marcuschi pela Parábola (2008)
>>> As confissões de Felix Krull de Thomas Mann pela Hemus
>>> Direito e Razão - teoria do garantismo penal de Luigi Ferrajoli pela Revista dos Tribunais (2006)
>>> Década Perdida - Dez Anos de PT no Poder de Marco Antonio Villa pela Record (2013)
>>> Sua alteza real de Thomas Mann pela Portugália
>>> O Debate Sobre Deus de Terry Eagleton pela Nova Fronteira (2011)
>>> Mario e o mágico de Thomas Mann pela Artenova (1975)
>>> O Insaciável Homem-Aranha de Pedro Juan Gutierrez pela Companhia das Letras (2004)
>>> Os Buddenbrook - Decadência duma família de Thomas Mann pela Círculo do livro (1975)
>>> A Hipótese Comunista de Alain Badiou pela Boitempo (2012)
>>> Fenômeno da Lavagem de Dinheiro e Bem Jurídico Protegido de Romulo Rhemo Palitot Braga pela Juruá (2010)
>>> As cabeças trocadas - Uma lenda indiana de Thomas Mann pela Nova Fronteira (1988)
>>> Mulheres Que Correm Com os Lobos de Clarissa Pinkola Estés pela Rocco (1992)
>>> Conhecendo a Biodiversidade de Ariane Luna Peixoto; outros pela Vozes (2016)
>>> O eleito de Thomas Mann pela Portugália (1980)
>>> Alice no País dos Números de Carlo Frabetti pela Atica (2000)
>>> Por quem os sinos dobram de Ernest Hemingway pela Companhia nacional (1979)
ENSAIOS

Segunda-feira, 6/5/2002
Dizem que a crítica acabou; só se foi quando o verão chegou
Luís Antônio Giron

+ de 4900 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Virou bordão quase proclamar que a "grande crítica" musical já acabou, que os jornais já não dão espaço para a "boa" crítica. Esse tipo de afirmação ou é feita com má-fé ou tem origem em alguma frustração de ex-crítico. Não consigo ver o fim da crítica, especialmente em música erudita. Pelo contrário, assisto à insistência tenaz de uma atividade crítica de boa qualidade nos jornais e revistas.

Os nomes dos críticos militantes são muitos, e a nova geração já chegou, fazendo seu papel de propagação e análise. Exemplos, para citar os que atuam na Paulicéia: os dois Coelhos de reverencial erudição – João Marcos e Lauro Machado – , de longas barbas e carreiras, convivem com jovens de fino ouvido, como Arnaldo Lorençato, Irineu Perpétuo, Artur Nestrovski e João Luiz Sampaio. E há Luiz Krausz, Regina Porto, Jota J. de Moraes, eu próprio que não paro de escrever folhetins há vinte anos premido no sanduíche das gerações e agoro leciono crítica... A propósito, que fim levou J.B. Natali que deixou de escrever seus deliciosos textos? Até o inesquecível Ênio Squeff, que virou pintor mas continua melômano, às vezes aparece para dar uma palhinha. Eles estão em todos os concertos, produzindo belos artigos no calor das performances. Nunca se fez tanta crítica. Jamais a crítica distribuiu tantos louros e pontapés! É, como diria nosso antepassado Júlio Reis, pura música de pancadaria.

Claro que não existe mais o rodapé que premiou as trajetórias de medalhões como Oscar Guanabrino, Mário de Andrade ou mesmo Caldeira Filho. Mas o espaço da crônica dos eventos musicais e discos segue forte, espalhado pelas páginas dos cadernos de artes e espetáculos, nas revistas, nos programas de concerto.

Pode-se criticar esta ou aquela leviandade, uma observação infundada, talvez por imaturidade ou hipérbole do zelo. Mas não há como negar que os "folhetinistas" de hoje vão merecer estudos no futuro. Alguns escrevem livros, como importante série sobre a história da ópera de Lauro – e não vou hipocritamente deixar de citar o meu Minoridade Crítica, a sair em agosto pela Editora do Brasil em co-edição com a Edusp... E muitos lançam coletâneas de críticas, de alta importância pelo registro que fazem de um tempo e do gosto do tempo. O pecadilho cometido em boa fé por de um crítico de hoje pode ser a gargalhada da posteridade. Atire a primeira pedra o crítico que não errou. Louvem-se, porém, seus acertos.

A crítica é uma espécie de crônica, na qual se misturam conhecimento, tiradas cômicas, impressões, sentimentos. Ela forma um gênero literário e como tal é o único a ter resistido à massificação castradora dos jornais contemporâneos. Crítica é obra de arte, sim, ainda que tardia e passageira. Seu objeto, como diria Mencken, é outra obra de arte, mas isso só lhe dá especificidade.

A crítica era chamada, até inícios do século XX, de "folhetim teatral". Na época romântica, ela dividia o espaço dos rodapés com os acrósticos e os romances seriados. Curiosamente, hoje todo mundo pensa que "folhetim" só se refere a estes últimos. Isso porque a ficção, mais explicitmente literária, caiu nas graças dos estudos literários da academia. O folhetim teatral, a crítica, apesar de ser literatura, e muitas vezes de primeira água, nunca comoveu os universitários. E é ela, a enjeitada, que persiste mais viva do que nunca.

Perseguir esse mundo perdido da literatura e construir seu cânone tem sido minha mania nos últimos dez anos. Alguns dirão que puxo a brasa para a sardinha de meus antecessores e colegas. Mas vamos convir que a série do folhetim crítico foi até agora menosprezada. É preciso começar a estudá-la com mais atenção. Mesmo porque a crítica atua como uma câmera que fixa a vida musical de uma época. Só porque atacamos esta ou aquela soprano ou instrumentista, passamos a vida recebendo saraivadas de desafetos. Sofremos com as frustrações alheias, passamos corretivos na desafinação e caímos na boca da orquestra. Porque músicos são críticos frustrados – com a honrosa exceção de Júlio Medaglia. Os críticos queremos um lugar, mesmo que modesto, ao sol da cultura. Dizem que a crítica está morta. Só se foi entre novembro e março, no verão, quando não há temporada...

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na revista Concerto, edição de abril de 2002.


Luís Antônio Giron
São Paulo, 6/5/2002

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Nelson ao vivo, como num palco de Ruy Castro
02. De onde vêm os blogs? de Vanessa Decicino
03. Lembrando a Tribo de Millôr Fernandes
04. Lembranças de Nova York de Rubem Fonseca
05. Italo Calvino: descobridor do fantástico no real de Pedro Maciel


Mais Luís Antônio Giron
Mais Acessados de Luís Antônio Giron
01. Paulo Coelho para o Nobel - 21/11/2005
02. Francisco Alves, o esquecido rei da voz - 5/8/2002
03. JK, um faraó bossa-nova - 6/2/2006
04. Villa-Lobos tinha dias de tirano - 3/11/2003
05. A blague do blog - 11/8/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
3/5/2002
09h48min
O Digestivo Cultural está de parabéns pela série de ensaios. O novo de Giron mostra uma faceta desconhecida da crítica de música. Eu imaginava que ela estivesse morta. Pelo jeito, está mais viva do que nunca. O texto nos leva ao interesse maior pelo assunto. Vou ler mais crítica de música!
[Leia outros Comentários de Silvio Brandão]
7/5/2002
19h37min
É difícil pensar positivamente em torno do ofício dos críticos. Não consigo respeitar a maioria deles (e neles incluo muitos citados pelo Giron no texto acima). Mesmo assim, sou levado a dar um crédito de confiança no articulista. Quem sabe a crítica ainda possa nos surpreender? Duvideodó!
[Leia outros Comentários de Douglas Ribeiro]
23/5/2002
11h48min
Não vejo essa riqueza na crítica atual. Ela costuma atuar sem critério, é burra mesmo. Acho que o Giron está sendo corporativista e excessivamente otimista. Entendo seu instinto de defesa. Mas acho que ele está apertando a mão dos imbecis. Espero que não. O texto é bom, ainda que tendencioso.
[Leia outros Comentários de Mara Souza Ferreira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Cadeia para os Mortos: Historias de Ficção Politica
Rodolfo Konder
Alfa-omega
(1977)



Ficando Íntimos
Barbara Keesling
Record
(2000)



Assobie Enquanto Trabalha - Considerando a Vocação de sua Vida
Richard J. Leider & David A. Shapiro
rocco
(2003)



Il Giocatore
Fidor Dostoevskij
Arnoldo Mondadori
(1970)



Escolafobética
Noélia Ribeiro
Vidráguas
(2015)



Paixões Toxicas
Bernardo Stamateas
Academia da Inteligencia
(2010)



Reencarnação tudo o que Você Precisa Saber
Richard Simonetti
ceac
(2001)



Cintilação das Estrelas
J. Raul Teixeira
fráter
(1992)



Lord Jim (1971)
Joseph Conrad
Abril
(1971)



Introdução a Sociologia 6ªed (1975)
T. B. Bottomore
Zahar
(1975)





busca | avançada
58257 visitas/dia
1,6 milhão/mês