Glenn Gould: caso de amor com o microfone | Luís Antônio Giron

busca | avançada
74210 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Buena Onda Reggae Club faz maratona de shows online a partir de 1ª de outubro
>>> Filó Machado e Felipe Machado dividem o palco em show online pelo CulturaEmCasa
>>> Cassio Scapin e artistas de grandes musicais fazem campanha contra o abuso sexual infantil
>>> Terça Aberta na Quarentena une teatro e a dança
>>> “Um pé de biblioteca” estimula imaginação e ajuda a criar novas bibliotecas pelo Brasil
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Meu malvado favorito
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
>>> Nem morta!
>>> O pai tá on: um ano de paternidade
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - I
>>> Contentamento descontente: Niketche e poligamia
>>> Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
Colunistas
Últimos Posts
>>> A última performance gravada de Jimmi Hendrix
>>> Sebo de Livros do Seu Odilon
>>> Sucharita Kodali no Fórum 2020
>>> Leitura e livros em pauta
>>> Soul Bossa Nova
>>> Andreessen Horowitz e o futuro dos Marketplaces
>>> Clair de lune, de Debussy, por Lang Lang
>>> Reid Hoffman sobre Marketplaces
>>> Frederico Trajano sobre a retomada
>>> Stock Pickers ao vivo na Expert 2020
Últimos Posts
>>> Três tempos
>>> Matéria subtil
>>> Poder & Tensão
>>> Deu branco
>>> Entre o corpo e a alma
>>> Amuleto
>>> Caracóis me mordam
>>> Nome borrado
>>> De Corpo e alma
>>> Lamentável lamento
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa
>>> 7 de Setembro
>>> Amor fati
>>> É Julio mesmo, sem acento
>>> Maria Erótica e o clamor do sexo
>>> Arte, cultura e auto-estima
>>> Escrevendo um currículo
>>> Frases que soubessem tudo sobre mim
>>> Por que somos piratas musicais
>>> 6 pedras preciosas do rock
Mais Recentes
>>> Introdução à Programação Usando O Pascal de J. Pavão Martins pela Mcgraw-hill (1994)
>>> Bíblia Sagrada de Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin pela Paulus (2000)
>>> A Descoberta Diária de Org. João Ferreira De Almeida pela Alfalit Brasil (1998)
>>> Deus Ajuda Preces de Lorival Lopes pela Otimismo (1998)
>>> Gado Nelore 100 Anos de Seleção de Alberto Alves Santiago pela Dos Criadores (1987)
>>> Annuário De Jurisprudência Federal com um Apêndice de Legislação 1930 de Octavio Kelly pela A. Coelho Branco F. (1930)
>>> This Side Of Innocence de Taylor Caldwell pela Charles Scribner´s Sons (1946)
>>> Lands And Peoples 7 América Latina de Não Informado pela Grolier (1969)
>>> Lands And Peoples 6 Canadá de Não Informado pela Grolier (1969)
>>> Lands And Peoples 4 Ásia de Não Informado pela Grolier (1969)
>>> Soltando a Língua 8 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Soltando a Língua 7 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Soltando a Língua 6 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Soltando a Língua 5 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Soltando a Língua 4 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Soltando a Língua 3 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Soltando a Língua 2 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Soltando a Língua 1 de Sérgio Nogueira pela Gold (2007)
>>> Acervo Artístico E Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo de Org Ika Passos Fleury pela Gov. São Paulo
>>> Introdução à Estatística + CD de Mario F. Triola pela Ltc (2008)
>>> A Era Da Incerteza de John Kenneth Galbraith pela Pioneira (1998)
>>> Pc Guia Do Programador Soluções de Problemas de Robert Jourdain e outros pela Editora Campos (1993)
>>> Aprenda Brincando Artesanato e Atividades de Domingo Alzugaray e Cátia Alzugaray pela Três
>>> Lógica De Programação A Construção de Algoritmos e Estrutura de Dados de André Luiz Villar Forbellone e outro pela Mcgraw-hill (1993)
>>> Musculação Modelo Didático para Prescrição e Controle das Atividades de José Ricardo Claudio Ribeiro pela Casa Da Educação Física (2009)
>>> Porcelana Fria Encadernadas o Vol 1 ao Vol 10 de Org. Hugo García pela Bem Vindas (1999)
>>> Orçamento Participativo – A Experiência de Porto Alegre de Tarso Genro e Ubiratan de Souza pela Perseu Abramo (1997)
>>> A Mosca Azul – Reflexão Sobre o Poder de Frei Betto pela Rocco (2006)
>>> Ética e Cidadania de Herbert de Souza (Betinho) e Carla Rodrigues pela Moderna (2002)
>>> Olhares Sobre a Experiência da Governança Solidária Local de Porto Alegre de Jandira Feijó e Augusto de Franco (Org.) pela Puc/RS (2008)
>>> O Futuro da Cidade – A Discussão Pública do Plano Diretor de José Paulo Teixeira e Jorge E. Silva (Org.) pela Instituto Cidade Futura (1999)
>>> Ninguém Vive Sem Política de Adeli Sell pela Palmarinca (2002)
>>> O Impeachment de Olívio Dutra e o Estado Democrático de Direito de Paulo do Couto e Silva pela Do Autor (2000)
>>> Histórias Reais para Melhorar a Vida dos Gaúchos de Vários Autores pela PT Sul (2006)
>>> Congresso de Direito Municipal – A Federação e as Políticas Públicas em Debate – Oficinas de Vários Autores pela ESDM / VT Propaganda (2007)
>>> Discursos do Senador Pinheiro Machado de Pedro Simon (Org.) pela Senado Federal (2004)
>>> O Futuro do Trabalho – Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-Industrial de Domenico de Masi pela José Olympio (2003)
>>> Mudando Paradigmas na Formação de Quadros Políticos de Ricardo João Santin (Org.) pela Hs (2009)
>>> Os Militares e a Guerra Social de Péricles da Cunha pela Artes e Ofícios (1994)
>>> Dez Anos de Leis e de Ações Municipais: 2002 a 2011 de Vários Autores pela Câmara Municipal de Porto Alegre (2011)
>>> aris Boêmia. Cultura, política e os limites da vida burguesa 1830-1930 de Jerrold Seigel pela L&PM (1992)
>>> 30 anos do The New York Review of Books. A primeira antologia de Robert B. Silvers et alii pela Paz e Terra (1997)
>>> Lendo Freud. Investigações e entretenimentos de Peter Gay pela Imago (1992)
>>> 1680-1720. O império deste mundo de Laura de Mello Souza & Fernanda Baptista Bicalho pela Companhia das Letras (2000)
>>> The Face Magazine 4, Spring 2020 de Lara Strong pela Wasted Talent (2020)
>>> Photo 543 Octobre-Nevembre 2019 de Tony Kelly pela Photo (2019)
>>> The Entrepreneurs 2, 2020 de Business Handbook pela Monocle (2020)
>>> A Nave de Noé de Trigueirinho pela Pensamento (1995)
>>> Miz Tli Tlan – Um Mundo que Desperta de Trigueirinho pela Pensamento (1995)
>>> Entertainment Weekly Magazine de Black Widow pela Time (2020)
ENSAIOS

Segunda-feira, 7/10/2002
Glenn Gould: caso de amor com o microfone
Luís Antônio Giron

+ de 11300 Acessos

Um dos desejos não realizados pelo pianista canadense Glenn Gould foi ter escrito uma ópera, pelo menos. Esta contaria as peripécias de certo compositor anacrônico, que teima em escrever música romântica em pleno século XX, indo de encontro a todas as modas. O personagem tinha como modelo o músico alemão Richard Strauss (1864-1949), espécie de eminência parda dentro do sistema estético de Glenn Gould. A música de Strauss sempre tomou parte na existência do pianista. Este sabia de cor partituras como a da ópera Elektra, de Strauss, e um dia declarou que a obra que levaria à tal ilha deserta seria outra ópera do compositor: Capriccio, peça nostálgica e sobre o mundo agonizante da erudição germânica, cujo personagem principal é a ópera.

De certo ângulo, Gould representou para o século XX o avesso de Strauss, e o fez de propósito, como que a escrever sua trajetória pelo caminho inverso do mestre alemão. Enquanto este era o retrógrado e teimoso mantenedor das tradições da prática musical novecentista, o canadense quebrou com ela em dois pontos. Alterou o modo de interpretar a música do passado e renunciou a um de seus dogmas mais caros: o recital ao vivo. Gould considerava as apresentações em carne e osso uma "arena sangrenta" indigna da arte dos sons e a trocou por aquilo que chamou de "caso de amor com o microfone". Em 1964, no ápice da fama, nosso anti-Strauss decidiu abandonar palcos para se exilar no estúdio de gravação e criar, assim, música segundo padrões tecnológicos que deveriam elevar o som gravado a níveis de excelência nunca antes alcançados. "Achei o palco uma experiência aterradora e essencialmente antimusical", disse, num documentário. "Desistir de concertos foi apenas uma forma de me livrar de uma experiência intensamente desagradável."

No entanto, o paraíso técnico resultou em distopia, pois isolou o músico num círculo produtivo sem progresso. Conservou-o ao mesmo tempo que o separou por inteiro do caráter humano da música, prejudicando, no fim das contas, sua interpretação. Morreu afastado voluntariamente do público, e, na prática, separado dos seres humanos, levando uma vida das mais excêntricas, cheia de manias e instabilidade. Ao sofrer o derrame cerebral que o matou, em 4 de outubro de 1982, dias depois de completar 50 anos, vivia hermeticamente fechado em si próprio e seus projetos. Deixou uma obra gravada tão controlada que soa sobre-humana. E ela está nos discos, cerca de 80, gravados ao longo de 30 anos de carreira. Não se trata de um legado de fácil audição. Há quem conheça música e deteste a abordagenm gouldiana, por submeter a inspiração dos mestres a uma excessiva secura expressiva.

Como artista, Gould cultivava a desumanidade como uma flor rara. Declarou que considerava a arte algo desumano em essência: "A arte, em sua missão mais elevada, dificilmente é de todo humana." E não havia muita diferença entre o artista e o homem. O bizarro comportamento de Gould é matéria da biografia Glenn Gould – Uma Vida e Variações, publicada em 1989 pelo jornalista americano Otto Friedrich e editada no Brasil em 2000.

Friedrich ficou famoso pelos livros A Cidade das Redes: Hollywood nos anos 40 e Olympia: Paris no tempo dos Impressionistas, lançados anteriormente no Brasil. A biografia de Gould permaneceu obnubilada, até porque Impressionismo e Hollywood são assuntos mais chamativos do que a história de um pianista. No entanto, Glenn Gould – Uma Vida e Variações causa mais impacto emocional que os dois outros livros, tanto porque o autor teve acesso a documentos vedados ao público e mergulhou na intimidade do biografado, como morreu em 1995 (aos 66 anos), e o livro sobre Gould não deixa de conter uma reflexão dramática sobre a morte – diante da qual o biógrafo se mostra quase cruel.

"O que realmente importa em qualquer biografia é o que a pessoa pensa e sente, e não aquilo que fez." Friedrich cita esta afirmação de Gould como epígrafe do livro. É o caminho escolhido pelo biógrafo para traçar o perfil "humano" de tão desumana persona. Friedrich, além disso, se empenha em contrariar o projeto controlador do pianista, que chegou a corrigir e fazer uma resenha de uma biografia sobre ele próprio, Glenn Gould, Music and Mind, escrita por Geofrey Paysant. A tese deste biógrafo era de que Gould tinha uma vida privada protegida demais da vista do público, além de "austera e pouco interessante". Por conseguinte, argumenta, um livro sobre sua vida seria breve e chato. O biógrafo cumpriu a promessa, a ponto de Gould ter escrito uma crítica sobre a chatice da biografia. A crer no biografado, o quadro de seus "chatos" anos iniciais foi descrito "de modo algum tão breve quanto deveria ser".

Friedrich prova o contrário. Os primeiros anos da vida artística do pianista foram uma vertigem de sucessos e façanhas virtuosísticas. Aos cinco anos, declarou a seus pais: "Serei um pianista de concertos." Foi apoiado pela família e a carreira se deu de ascensão a ascensão – até a desaparição. Ou nem isso, uma vez que Gould se encarregou de registrar tudo em vídeo e áudio, além de ter deixado papéis pessoais, fotografias, recortes e diários. O material está depositado na Bibloteca Nacional do Canadá, em Ottawa, sob a rubrica de "Coleção Glenn Gould". Friedrich foi convidado em 1986 a fazer a biografia do músico pelo executor do seu testamento, o advogado J. Stephen Pose. O biógrafo teve, então, acesso total à tal documentação disponível. "Talvez o mais notável desses papéis fosse uma variedade de blocos de notas rabiscados, uma enorme quantidade deles", comenta. "Gould jamais manteve um diário de verdade, mas nesses blocos de notas sem datas ele rabiscava tudo que lhe vinha à cabeça – idéias, cartas, rascunhos de entrevistas, revisões de artigos, movimento da bolsa de valores, sintomas médicos, tomadas da sua própria temperatura e a temperatura de diversas cidades do Canadá de acordo com o que era noticiado no rádio nas primeiras horas da manhã."

Se Glenn Gould abominava o cruento ringue das apresentações ao vivo, tinha um apreço especial pelo registro para a posteridade; quis construir o próprio mito no bronze da perpetuidade tecnológica. É quase um programa de criogenia elevado à situação de estética. Um bom exemplo da crença absoluta de Gould nas máquinas falantes está num programa de TV descrito por Friedrich, no qual Gould foi interrogado pelo violinista Yehudi Menuhin sobre a validade de se restringir ao mundo das gravações, algo que havia se tornado um lugar comum na música pop: "Veja os Beatles, que começaram tocando em público espontaneamente", observou Menuhin. "Quando eles chegaram ao ponto de se acostumarem a tantos recursos técnicos, que lhes permitia gravar em vários canais separadamente e juntar tudo depois, acrescentar ou retirar notas, eles já não conseguiam tocar em público, pois o público esperava outra coisa." Gould respondeu: "De uma certa forma, isso também aconteceu comigo." O violinista argumentou que isso não invalidaria os concertos, estes permanecendo como padrão de julgamento de um músico. "Bobagem, Yehudi", disparou Gould. "Foi o padrão até que uma outra coisa veio para substitui-la, que foi exatamente o que a gravação fez; e a gravação com certeza é agora o padrão de julgamento do concerto."

Talvez ele soubesse, como ninguém, que a única via para a glória no século XX deveria ser entregar-se aos imperativos técnicos e estabelecer uma relação indireta com o público. De qualquer modo, seu anátema se cumpriu, pois o padrão de julgamento se tornou discográfico no fim do século XX, até mesmo para a música clássica. Pior, a indústria pop está conseguindo determinar padrões de marketing estranhos à área, como comercializar capas de CDs com fotos dos artistas em poses sensuais e videoclipes com imagens apelativas. Gould pode ser indiretamente responsabilizado por isso.

Para Friedrich, o motivo principal da devoção técnica de Gould estava no desejo de controle. A palavra aparece obsessivamente na correpondência, nos ensaios e nas declarações do músico. Ele queria controlar tudo, apaixonadamente, a ponto de prever as perguntas e as respostas das entrevistas aparentemente espontâneas de seus programas de televisão.

"Foi a necessidade de estar no controle, na realidade, que o levou do palco de concertos ao estúdio de gravação", escreve Friedrich. "E, uma vez no estúdio de gravação, ele tinha de controlar toda a técnica, o lugar dos microfones e a maneria de usá-los, fazer as gravadores virem à sua cidade natal, ao seu próprio estúdio, onde seu próprio equipamento seria o único equipamento, com tudo sob o seu controle."

Desde o princípio, criou para si uma imagem de artista esquisitão. Friorento, vivia de cachecol, dois ou três gorros e casacos superpostos (mesmo no alto verão). Tomava comprimidos compulsivamente, de aspirina a nembutal. Tinha o costume de banhar as mãos em água muito quente para relaxá-las antes de tocar. Sentava-se diante do piano num banco especial, mais baixo, recurso que lhe permitia tocar com as mãos quase à altura do rosto. Ao encerrar a carreira de palco, nunca mais viajou de avião, coisa para ele insuportável. Seu repertório era outra atração especial: desafiou o gosto histórico e gravou, em 1955, as Variações Goldberg, de Bach (seu primeiro grande sucesso discográfico para a Columbia), usando o piano moderno em vez do cravo. Cultuava os antigos – o renascentista Orlando Gibbons, por exemplo – e os modernos. Por longo tempo, desdenhou os autores românticos (ainda que se considerasse "um romântico incorrigível"), além de Beethoven e Mozart. Tendia a acelerar a execução dos autores de que não gostava. Suas interpretações das sonatas de Beethoven, realizadas nos anos 60, são insultos à memória do compositor. Alimentou a imagem do músico brilhante, rebelde e com muita pressa.

A biografia de Friedrich acompanha o músico em seu processo de autocrítica e isolamento ("O isolamento é o componente indispensável da felicidade humana", disse Gould). Os amores secretos são tratados com muita discrição. Segundo uma amiga íntima, Jessie, entrevistada pelo biógrafo, Gould não era homessexual nem assexuado. Mas seu êxtase era musical: "Eu teria pena da mulher que tivesse se casado com ele. Porque, na realidade, ele estava casado com sua música."

Quando a juventude e a pressa se foram, só restou ao artista revisar posições. Gravou românticos – Edvard Grieg (seu parente distante, por parte de mãe), Brahms e Sibelius – e refez as Variações Goldberg. A diferença entre a primeira e a segunda versão está nos tempos e na maturidade da leitura. Onde havia velocidade, ouve-se um certo ralentando melancólico. "À medida que fui ficando mais velho, passei a achar a grande maioria das minhas execuções mais antigas rápidas demais para dar satisfação", declarou, quando do lançamento da segunda leitura das Variações Goldberg. "Com texturas contrapontísticas realmente complexas, há necessidade de uma certa deliberação, e eu acho, para fechar o círculo, que a falta dessa deliberação é o que me incomoda na primeira versão de Goldberg."

Lançado em junho de 1982, foi o seu derradeiro trabalho. Para grande parcela da crítica e do público, a arte de Gould ainda intriga, como se ela não tivesse cumprido seu objetivo: arrancar a música da matéria com que sempre foi feita.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor, como parte das celebrações dos 70 anos de Glenn Gould. Publicado originalmente no "Caderno Fim de Semana" da Gazeta Mercantil, a 2 de junho de 2000.

Para ir além






Luís Antônio Giron
São Paulo, 7/10/2002

Quem leu este, também leu esse(s):
01. A Princesa Hijab e o BBB11 de Paulo J. P. de Resende
02. As noites do Cine Marachá de Antônio do Amaral Rocha
03. Chamada a cobrar de Daniel Pellizzari
04. Estranho Wittgenstein de Mendo Castro Henriques


Mais Luís Antônio Giron
Mais Acessados de Luís Antônio Giron
01. Paulo Coelho para o Nobel - 21/11/2005
02. Villa-Lobos tinha dias de tirano - 3/11/2003
03. JK, um faraó bossa-nova - 6/2/2006
04. Francisco Alves, o esquecido rei da voz - 5/8/2002
05. A blague do blog - 11/8/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




NOTAS DA MINHA VIDA E DO MEU TEMPO
HOMEM CHRISTO
GUIMARÃES
R$ 6,02



CASA DE VO E SEMPRE DOMINGO
MARINA MARTINEZ
NOVA FRONTEIRA
(2007)
R$ 6,99



A DOÇURA DO MUNDO
THRITY UMRIGAR
NOVA FRONTEIRA
(2007)
R$ 5,90



O LOCAL DA CULTURA
HOMI K. BHABHA
UFMG
(1998)
R$ 40,00



CONTOS 4 SÉRIE LITERÁRIA
GRACILIANO RAMOS ORGANIZAÇÃO MARIA SILVA GONÇALVES
NACIONAL
(1979)
R$ 10,00



DESVENDANDO DELPHI FOR PHP
JOÃO PAULO MOURA
BRASPORT
(2009)
R$ 61,00



BÍBLIA ILUSTRADA DA CRIANÇA
UBIRATAN ROSA ORG.
RIDEEL
(2003)
R$ 12,00



O PROFESSOR DE ZURIQUE
M. B. TAMASSÍA
LAKE
(1991)
R$ 10,86



O VELHO E O MAR
ERNEST HEMINGWAY
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(1987)
R$ 8,00



OS TELEDEPENDENTES
M. ALFONSO ERAUSQUIN/LUIS MATILLA/MIGUEL VÁSQUEZ
SUMMUS
(1983)
R$ 5,00





busca | avançada
74210 visitas/dia
2,2 milhões/mês