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COLUNAS

Quarta-feira, 22/5/2013
Colunas
Colunistas

Os EEUU e o golpe de 64
>>> O Dia Que Durou 21 anos percorre os acontecimentos que prenunciam o golpe militar de 1964 até os chamados "anos de chumbo". Como obra cinematográfica, faz o que lhe cabe: exibir imagens, depoimentos e documentos por meio de uma narrativa que prende a atenção do espectador e evidencia o papel dos EEUU num momento capital de nossa história. Persuade, toca a sensibilidade com propósito bem claro: exibir material com evidências que calam quem via os defensores da ingerência americana no golpe de 64 como propaladores de teorias conspiratórias. Assim, se insere num conjunto de obras recentes que acentuam a necessidade de reflexão cultural, social e política.
por Humberto Pereira da Silva
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Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo
>>> O solo de dança Todas as Tardes ocorre na antesala dos relacionamentos. A comunicação de que a atração existe, a negociação para o avanço, a sinalização de que se está satisfeito: os movimentos de um jogo de tabuleiro, cálculo e emoção, emoção no cálculo e cálculo na emoção, percebidos pelo ponto de vista de um dos dois jogadores; ele, para quem o outro é uma janela aberta, porém uma janela aberta para o quê. No espetáculo, a coreografia descontextualiza gestos e põe a nu as tensões; e o texto, as poucas falas, descreve a paixão - que pretendemos explosiva, romântica - mais travada, mais engatinhante, mais incerteza.
por Duanne Ribeiro
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Família e Maldade
>>> O problema era conseguir a guarda provisória de uma criança com um ano de idade, a qual sua mãe drogada e seu pai desaparecido "esqueceram" com os avós maternos. Para piorar a história, diga-se de passagem, verídica, a menina que parece uma bonequinha russa e já tinha conquistado o coração da família com sua risada fácil e seus olhos curiosos, nasceu com o fêmur inferior reduzido. Isto significa cuidado especial e várias operações corretivas até os 16 anos de idade, sem contar os efeitos psicológicos. Não será uma infância fácil!
por Daniel Bushatsky
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O Corno em Série
>>> Os cornos herdaram a terra. No Brasil, é deles o grito, é deles a indignação. Hoje, parecer cidadão pressupõe agir como um corno surpreso: "esse político não me representa", "não sabia que um ser humano poderia ser capaz de tanta barbaridade", "existem conservadores", tudo diz a mesma coisa: fui traído pelo real. O corno em série grita "Acorda, Brasil" ao cornário reunido, e assim se crê mais desperto, mais potente em sua cornice. O corno se viagra na vergonha. Como Voltaire de Facebook, vive uma ética de atropelo, de absurdo a absurdo, de abaixo-assinado a abaixo-assinado. O Voltaire de Facebook está sempre escandalizado! Seu sentido é de urgência! Seu discurso é de alerta, exclamação!
por David Butter
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A Cidade do Improvável
>>> Nesta cidade, você marca um encontro e ele, geralmente, sejamos sinceros, pode muito bem não acontecer. E tudo bem. Aí, você fica numa bolha, no vácuo, seja ilhado na cidade intransitável, seja em casa, indo pra debaixo do cobertor curtir a fossa do momento. São tantas as razões para se faltar em um encontro: o compromisso anterior atrasou, o trânsito, deu pane no metrô, tá tudo parado. Há sempre um bom álibi em São Paulo. Nesta cidade, você não marca um encontro e muita coisa acontece. Isso porque estamos na cidade do completo improvável.
por Elisa Andrade Buzzo
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Um Lugar para Fugir Antes de Morrer
>>> Às vezes é preciso fugir um pouquinho, procurando em nossa imaginação um lugar que é só nosso, onde podemos ser nós mesmos e desenhar um cenário que só a gente conheça, um produto do nosso desejo mais legítimo. Um lugar de deleite. Um lugar que, por ser imaginário e termos certeza disso, não há cobranças, só direitos. E depois, de volta à "vida real" onde os problemas e verdades ainda nos atormentam, a gente consegue seguir em frente. Os céticos vão dizer "ah, mas isso não é real". Acredito que tudo que a gente pode sentir é real.
por Adriane Pasa
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O goleiro que ganhou o Nobel
>>> Albert Camus, recebeu, no dia 17 de outubro de 1957, o Nobel de Literatura. Não bradou contra a sociedade burguesa, não lembrou de líderes comunistas, não fez apologia de nada. Subiu ao palco, agradeceu e voltou para casa. Era um homem extremamente tímido e solícito. Quando chegou a Paris, alguns dias depois, os repórteres o cercaram. Choveram convites para entrevistas, homenagens e conferências. Naquele momento, porém, sua única preocupação era o jogo decisivo, válido pela Copa da França, entre o seu Racing de Paris e o FC Monaco.
por Celso A. Uequed Pitol
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O Amor é Sexualmente Transmissível
>>> Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, romance de Marçal Aquino, sintetiza com precisão a essência de um relacionamento tão impuro quanto o ambiente de guerra onde nasce. Em pouco mais de duzentas páginas, divididas em quatro grandes partes, o paulista descreve de modo impecável a evolução de sentimentos dos protagonistas, desde a atração puramente física até o mais intenso dos amores, com direito a ilustrativos trechos eróticos que deixariam os cinquenta tons de cinza de E. L. James enrubescidos.
por Isabella Ypiranga Monteiro
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Na minha internet foi assim, e na sua?
>>> Passado o susto, me dei conta da oportunidade. Da riqueza de termos hoje acesso a reações tão espontâneas, como se a sociedade estivesse no divã, como se pelo menos parte dela - a elite que se autodenomina classe média - pudesse ser compreendida na polifonia das falas da internet, revelando seus temores mais profundos, seus ressentimentos, seus desejos mais inconfessáveis. Quem se choca? Quem se identifica? Quem se dispõe a estudar essa polifonia e investigar o que está acontecendo hoje no Brasil? Pois que se ouçam as vozes, e que se leiam as entrelinhas...
por Marta Barcellos
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Um livro canibal
>>> Quem se interessa por cinema e literatura contemporânea já deve ter se encantado com As Aventuras de Pi, um romance canibal que se alimenta de inúmeras outras obras como a Bíblia; o Bhagavad Gita; O Relato de Arthur Gordon Pym, de Edgar Allan Poe; Moby Dick, de Herman Melville, livros de filosofia, misticismo, navegação e biologia, com especial ênfase à etologia. Alguém já disse que copiar uma obra de arte é plágio, mas copiar muitas é talento. Yann Martel não é tolo a ponto de copiar literalmente, mas tem o talento de construir um belo panteão sob a influência de suas musas menosprezadas.
por Carla Ceres
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Toda poesia de Paulo Leminski
>>> Acaba de ser lançada Toda Poesia, de Paulo Leminski (1944-1989). A edição reúne livros publicados em vida, Caprichos e relaxos (1983) e Distraídos venceremos (1987), que foram objetos de culto entre apreciadores de poesia nos anos de 1980; traz também livros raros, como Quarenta clics em Curitiba (1976), e póstumos, como La vie em close (1991). Apesar de ter quase toda sua poesia publicada de modo independente, infelizmente Toda poesia parece não ir além de grande lançamento com marketing editorial.
por Humberto Pereira da Silva
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A via férrea da poesia de Mario Alex Rosa
>>> A vida como um caminho de ferro. Metáfora para um grupo de poemas que o poeta mineiro Mario Alex Rosa acaba de lançar. O livro se chama Via Férrea e é a terceira publicação do autor. A riqueza da poesia de Mario Alex é que ela não dá mole para a dor, não lhe aplica calmantes, antidepressivos, deixa-a contorcer-se dentro dos versos, que se tornam para o leitor essa experiência da vida por um triz. "Extravio", último poema do livro, diz tudo: o milagre de ousar dizer o indizível, tarefa do poeta, que "risca um verso no rés da vida", sabendo que essa "via pode ser uma saída".
por Jardel Dias Cavalcanti
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Garanto que você não vai gostar
>>> Se você quer garantias, não se apaixone. Se você não quer se apaixonar, não se aproxime de ninguém. Se não vai se aproximar de ninguém, melhor nem conhecer, então. Não converse, não interaja. Aliás, nem saia de casa. Se você quer garantias, é melhor morrer. Desculpe ser assim tão direta, mas é que vida e garantia são coisas incompatíveis. Aliás, posso contar outra coisa? Quase uma confissão, daquelas que a gente fala baixinho, e mesmo sozinho olha pros lados pra ver se ninguém mais escutou? Certezas e garantias são superestimadas.
por Carina B.
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Anotações de um amante das artes
>>> A vida gritando nos cantos é um aparato do escritor, jornalista, crítico e cronista - e um eterno amante das artes -, codificados na figura de Caio Fernando Abreu. Uma conversa de bar com direito a uísque e cigarros ao som de Billie Holiday, Cazuza, Caetano, Angela Rô Rô, Nara Leão entre tantos outros. Um ótimo livro para os apreciadores de sua prosa esmiuçar o seu lado perspicaz e abrangente de cronista, e, evidentemente, para reforçar o boom das redes sociais que, felizmente ou infelizmente, o fizera, na geração virtual, um escritor um tanto quanto popular.
por Márwio Câmara
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Manauara ou Manauense
>>> Toda cidade ou região tem vocábulos que a caracterizam. Manaus não escapa a regra, pelo contrário, o vocabulário de Manaus é tão vasto que tem até nome: Amazonês. Rotatória é bola; lagartixa é osga; mosquito é carapanã; cajá é taperebá; grande é maceta; galeroso é pivete; idiota é leso e idiotice é leseira. Pedir um guaraná pode ser um dilema, já que poderá escolher entre Real, Baré, Magistral, Regente... todos refrigerantes de guaraná, cada um com um sabor diferente.
por Marcela Ortolan
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Julio Daio Borges
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