Hoje a festa é nossa | Eduardo Carvalho | Digestivo Cultural

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Segunda-feira, 23/9/2002
Hoje a festa é nossa
Eduardo Carvalho

+ de 17800 Acessos
+ 19 Comentário(s)

 A comportada Giovanna de Domenico Ghirlandaio

A discussão mudou. Agora a questão é a seguinte: afinal, o que é que aconteceu na última festa à fantasia promovida pelo Centro Acadêmico da Escola de Administração de Empresas da FGV - que, por sinal, é a Escola em que eu estudo?

Confesso que já fui a algumas dessas festas; mas, durante esta última, estava na praia, a uns 300Km de distância, tão preocupado com o evento que, apesar do assunto monopolizar a maioria das conversas pelos corredores, eu não tinha a menor idéia nem do preço do ingresso. Não fui, portanto, fotografado, nem fotografei. Meu interesse pelas fotos distribuídas foi o suficiente para apagá-las de minha caixa de entrada junto com recomendações para que eu consuma Viagra; só fui conferi-las, por questões profissionais, no dia em que redijo esta coluna. E que decepção.

Quase todas as pessoas com acesso a Internet, hoje, já viram as fotos. Elas foram distribuídas na velocidade de correntes otimistas ou de e-mails pornográficos. A verdade, porém, é que de pornográfico tinham quase nada. As cenas eram mais de posições insinuantes do que de sexo explícito. Quem procurou ali uma suruba geral entre os "comportados" alunos da GV tiveram duas decepções: entre as 27 fotos divulgadas, não havia suruba nem alunos da GV. Os poucos casais covardemente flagrados eram alunos de outras escolas ou faculdades - e não estavam fazendo nada que surpreendesse a imaginação de quem os viu na fila dos quartinhos, do lado de fora. Por que, então, tanta repercussão e tanto escândalo?

Por causa, antes de tudo, do nome da GV, que é, disparadamente, a melhor Escola de Administração de Empresas do Brasil - e continuará sendo, porque o rigor do vestibular e a exigência do curso permanecem inalterados. Presume-se, então, que uma festa realizada e freqüentada por futuros executivos seja séria e organizada. E esquece-se que festa de faculdade é festa de faculdade, independentemente de onde seja planejada: e na da GV não há nada de diferente das outras. As pessoas bebem até cair e beijam na boca de desconhecidos; é aquela mistura de vômito e saliva, e gente voltando para casa com o canto da boca mais sujo do que a sola do sapato. É sempre a mesma coisa; e a festa da GV, pela impressão que tenho, não é freqüentada nem na maioria por estudantes da própria faculdade: quem mais se diverte são os convidados de outros cursos, que pipocam na porta da faculdade na véspera, dispostos a pagar preços exagerados pelo convite. Procurando, claro, o que a organização oferece, correspondendo com precisão à demanda universitária: bebida gratuita, música adequada, segurança eficiente, show de homens seminus, carícias de mulheres de cinta-liga, etc., etc.

O cantinho escuro, por exemplo, sempre existiu, e fotos de esfregações erotógenas sempre foram tiradas - e algumas expostas no próprio mural do DA, disponíveis para compra, e outras distribuídas por e-mail, entre círculos menores. Tudo muito sutil e muito discreto, na medida do possível; como deve ser. Nesta última Giovanna, porém, a novidade era a oficialização da sacanagem. E sacanagem oficializada só pode dar em besteira.

E deu. Da patética idéia dos organizadores de incluírem um "cantinho do amor", onde casais pagavam uns 5 reais para se trancar por 15 minutos em um cafofo improvisado, ao(s) babaca(s) que planejou tirar fotos desses mesmos casais em situações íntimas e distribuí-las pela Internet: o episódio, do começo ao fim, é grotesco. De diretores de banco ao diretor da Escola, dos pais dos fotografados aos seus colegas de classe - todo mundo viu. É impossível, para a vítima, se esconder e se defender. Carregarão, injustamente, a marca daquele dia, quando decidiram aproveitar a conveniência das paredes de madeira fina para se esconderem por poucos minutos. Não era para ninguém ver - e eles tomaram os cuidados necessários para isso. Quem ficou de fora, e que agora se diverte com as fotos e ridiculariza os protagonistas, estava, na verdade, se roendo de inveja quando os viu entrar na cabine fechada. Os casais flagrados estão sendo submetidos a uma tortura psicológica desnecessária e perversa simplesmente porque alcançaram o que, naquele ambiente, muita gente pretendia. É a velha e injusta perseguição brasileira do sucesso, mascarada de moralismo vulgar. E se repete também, neste episódio, o respeito ao criminoso covarde, que tem sido louvado como entertainer de alta categoria. Nada mais injusto.

Não é fácil descobrir quem foi o fotógrafo penetra. Já rastrearam os e-mails distribuídos, para alcançar o remetente original; e descobriram um nome fantasma. Para pressionar os alcoólatras cagüetas, a venda de cerveja no bar Diretório Acadêmico está indefinidamente suspendida, por ordem superior. E as acusações informais apontam imediatamente para os suspeitos tradicionais e evidentes: os com histórico comprometido; os que, na festa, carregavam uma câmera fotográfica digital; algum membro do próprio grupo de organização da festa; algum amigo deles, que conseguiu se infiltrar em área restrita aos credenciados; um espertinho isolado, de dentro ou de outra faculdade, que despistou a segurança e descobriu uma paisagem privilegiada; um desempregado em desespero, que se submeteu a correr o risco em troca de algumas latinhas de cerveja; uma conspiração inimiga, que pretende abalar a imagem dos alunos e da Escola. Para todo mundo, enfim - e, consequentemente, para ninguém. Por estarem todas no mesmo ângulo, é provável também que a câmera estivesse fixada e camuflada dentro do cafofo, instalada por um freqüentador inaugural. Mas ninguém sabe de nada; ninguém viu.

Sobre esse assunto, aliás, ninguém ainda escreveu nada tão sensato quanto uma internauta supostamente fotografada, a Patrícia, que criou um Blog em que, resumindo, diz o seguinte: "Fiz sim, e daí". E daí mesmo - sendo ou não o Blog verdadeiro. Ninguém ali estava interferindo na vida dos outros foliões nem os incomodando. É iníquo querer agora, depois de terem interferido na vida deles, continuarem os incomodando - principalmente no caso das meninas, que é sempre potencializado.

Potencializado na mesma proporção que é subestimado um evento que, diferente da festa da FGV, comemora um ataque terrorista genocida, como foi, no dia 11 de setembro, a festa Osama Bin Reagge na FFLCH. O assunto está esgotado na minha coluna passada, mas a comparação é, especialmente para mim, irrecusável: é evidente que a diversão de meia dúzia de adolescentes excitados é absolutamente inofensiva - e é óbvio que a apologia à morte de trabalhadores inocentes é doentia e perigosa.

Que fique registrado, pelo menos, que a intolerância à diversidade - tanto na caso do ódio a americanos quanto na avacalhação de pessoas normais - manifesta-se, em algumas pessoas, nos mais inusitados e diferentes ambientes. Desde em uma festa de uma Escola em que se ensina a trabalhar no mundo como ele é a uma Faculdade em que certos alunos pretendem trabalhar para transformar o mundo em como eles querem que ele seja.


Eduardo Carvalho
São Paulo, 23/9/2002


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
23/9/2002
14h02min
Prezado Eduardo, tomara que você, mais adiante, já exercendo seu futuro ofício, "domine" o mundo dos negócios, da mesma forma como desde já "domina" a nossa nobre língua. Será obviamente bom para seu merecedor bolso e, com absoluta certeza, bom também para a sociedade at large. Por hora, além dos votos de sucesso, desejo sublinhar o prazer que me deu ler a crônica intitulada "Hoje a festa é nossa". Dizem que tempos de turbulência são bons para o mundo do pensamento. Nunca imaginei que um dia diria o que segue mas, if that's the price we have to pay, viva a turbulência... Abraço.
[Leia outros Comentários de Toni]
24/9/2002
12h27min
Caro Eduardo, não vejo motivos para que você tente encontrar culpados fora da GV, recebi as fotos por e-mail poucos dias após a festa, e com certeza essas fotos foram tiradas por alunos organizadores da festa (alunos da GV). Qual é o problema de você admitir??? Você por acaso considera os alunos da GV tão superiores que seriam incapazes de tal feito? Já tive o desprazer de trabalhar com colegas da GV, e posso afirmar que muitos alunos desta faculdade são seres humanos desprezíveis, capazes de tal ato (apesar de uma meia dúzia que se salva).
[Leia outros Comentários de Henrique]
25/9/2002
18h45min
Colunista, você fez uma associação que a mim havia passado despercebida. Uma semana depois de você ter escrito sobre uma festa da FFLCH, tem q escrever sobre uma festa da GV, uma festa não muita comportada (a mim ela definitivamente não é um modelo), digamos assim. Imagino q você nunca tenha lido um sociólogo chamado Howard Becker; foi ele quem construiu um conceito chamado "hierarquia de credibilidade". Quem está mais acima na sociedade tem mais responsabilidades, e portanto mais visibilidade. Lamento, se é isso que acontece com o mundo civilizado e superior da GV. Nós podemos fazer atos, q para alguns desavisados pareçam idiotas, sem sofrer as consequencias... Já vocês... Lamento; espero não mais ter que ler textos seus a esse respeito... Abraços fflchianos...
[Leia outros Comentários de Lucas]
26/9/2002
12h01min
Eduardo, Bom texto... embora eu não tenha ido à festa (particularmente eu não gosto dessas bobagens), entendo a polêmica criada, e como disse um colega, foi uma ação de crianças. Crianças no pior sentido da palavra - são pessoas total e completamente isentas de massa cinzenta que bateram as fotos, e como aluno da própria faculdade, acho um mínimo de bom senso a expulsão do indivíduo imediatamente - embora ninguém "saiba" quem ele seja. Há mais coisa no assunto, mas muito deve ser descartado por ser mera especulação. Outra coisa que venho a perceber é o claro ódio que certas pessoas possuem da FGV. Ela é sim a melhor da AL, e quem acha que "nós" somos prepotentes é por que possui ou inveja ou não conhece a faculdade (eu acredito que sejam os 2) - pelo menos os professores aqui não entram em greve uma vez por mês, e assim não somos prejudicados por essas tolices. Pena que a formação de alguns seja melhor que a de outros por esses motivos.
[Leia outros Comentários de Francisco]
26/9/2002
13h08min
Que esse pessoal fotografado foi prejudicado é fato; mas procurar isentar a GV do caso e ainda por cima atacar a FFLCH dizendo que lá sim acontecem festas doentias é burro demais. Aliás, sua comparação entre as duas faculdades, a GV uma "Escola em que se ensina a trabalhar no mundo como ele é" e a FFLCH uma "Faculdade em que certos alunos pretendem trabalhar para transformar o mundo em como eles querem que ele seja", demonstra uma prepotência e falta de informação notável. Antes de querer ser escritor ou seja lá o que for, é melhor livrar-se desses preconceitos e parar de escrever generalizações ou hipocrisias do tipo "só fui conferi-las (as fotos), por questões profissionais".
[Leia outros Comentários de Villela]
26/9/2002
14h16min
O cara, até concordo um pouco contigo, na verdade ainda vivemos num mundo comparável a idade média, veja os problemas com USA/Iraque, atentados, violência urbana, enfim um caos e um monte de macacos usando gravatas fingindo fazer negócios, acho que este episódio na GV seria normal num contexto de um mundo mais evolúido, todos seres humanos tem vontade de fazer sexo e o fazem também para reprodução.Veja por exemplo o ato de fazer cocô, vulgo "cagar", porque achamos engraçado? Somente porque toda sociedade acha engraçado, na verdade se formos pensar bem é apenas o ato de eliminar a comida que não serve mais para o corpo, mas num cointexto de sociedade primnitiva, é obceno e engraçado, assim como sexo.
[Leia outros Comentários de Larry]
26/9/2002
16h59min
Caro eduardo, é melhor escolher o silêncio quando não se tem nada a dizer.
[Leia outros Comentários de Paulo]
27/9/2002
15h32min
Eduardo, parabéns pela ótima comparação. Um dos poucos textos que li que consegue retratar bem o senso de proporçõe merecida a cada festa.
[Leia outros Comentários de Gustavo Peres]
28/9/2002
00h43min
Eduardo, Ainda bem que minha filha não estuda na GV e meu método de análise dos fatos não é igual ao teu, caso contrário, eu acho que poderia concluir que está festa retrata uma faculdade de burgueses, exibicionistas e pervertidos, ou então que a faculdade talvez fosse na verdade um curso para concorrer ao cargo de estagiária de presidente americano (afinal você se preocupa tanto com o povo "lá de riba" enquanto o povo aqui de baixo morre de fome um pouco por dia). De qualquer modo, pelas notícias que li, havia uma placa dizendo "Sorria, você está sendo filmado" na entrada do cantinho". Isso me leva a duas possibilidades: ou os alunos da GV são desatentos (para não dizer analfabetos) ou queriam mostrar mesmo a perversão existente. Qualquer das hipóteses é lamentável. Imagine um administrador da GV que não consegue ler "sorria, você está sendo filmado"? Segue reportagem que recebi Sexta-Feira, 20 de Setembro, 12:01 PM Alunos da GV enviam intimidades por email O último feriado de sete de setembro estava ótimo. Principalmente para alguns casais que foram comemorar a data na festa à fantasia XV Giovanna, do diretório acadêmico da Fundação Getúlio Vargas. Para sua alegria, a organização da festa tinha reservado um lugar todo especial para eles, um 'cantinho do amor'. De forma muito conveniente, junto com o cantinho foi instalada uma câmera fotográfica, que registrou todos os momentos íntimos dos casas que estavam lá. E para complementar a diversão, as fotos estão circulando pela internet desde o dia da festa. Alguns casais desconfiaram que aquilo era bom demais pra ser verdade e descobriram a câmera. Outros que não tiveram a mesma percepção, estão tendo suas fotos impróprias circulando pela Internet no momento. Segundo alunos que estiveram na festa, havia uma placa dizendo: "Sorria, você está sendo filmado" na entrada do cantinho. Em pouco tempo, sites em fornecedores de hospedagem gratuitos pipocaram por todos os lados. Muitos já saíram do ar. Alguns blogueiros testemunharam todo o escândalo. Apareceu até um blog de uma participante da festa defendendo-se da exposição pública, intitulado \"Fiz\ Sim\,\ e\ Da\í\?\". Para piorar a situação, a festa também foi pauta de sites que costumam cobrir eventos, como o ObaOba e o BaresSP, que identificam algum dos fotografados. O diret\ório\ acad\êmico\ da\ FGV, e a direção da faculdade, publicaram notas mostrando repúdio e negando responsabilidade no ocorrido. (Fabiana Bártholo)
[Leia outros Comentários de Eduardo]
29/9/2002
23h20min
Olha, sou aluno da GV e (in)felizmente não estive na dita festa. No entanto, acho um bom conselho o que vou passar agora: não acreditem em tudo o que lêem, seja na Internet, jornais e TV (ok, neste caso, vêem). Não estou defendendo nenhuma atitude, de um lado ou de outro, mas estou querendo dizer que da mesma forma que os fatos são distorcidos em notícias do cotidiano, este caso também sofreu distorções. Esse "Sorria, vc está sendo filmado" só apareceu recentemente, portanto, é bem pouco provável que seja verdade. Não aproveitem o momento para falar mal de uma faculdade que sequer conhecem, apenas ouvem falar. Na vida, pelo menos, tentem aprender que conhecer as coisas é melhor do que ouvir outros falando - a GV é uma excelente instituição de ensino, apesar de alguns alunos que estão dentro dela. Mas eles estão em diversos lugares, portanto, pouco se pode fazer. Outro detalhe é que nenhuma das jovens das fotos é da FGV, e nessas festas, por incrível que pareça, a presença externa é muito superior à da própria faculdade.
[Leia outros Comentários de Francisco]
30/9/2002
20h25min
Parabans Eduardo! Alem da ótima qualidade do texto sobre retratar claramente esse episósio, que nao se tratou de nada mais nada menos que de imenso exagero por trazer a mostra aquilo que a alta sociedade da cidade tambem comete, algo que nao acho ser tenebroso.
[Leia outros Comentários de Claudia]
1/10/2002
23h44min
Caro Eduardo, Boa defesa, no entanto pouco leva a crer que os mentores desse evento não sejam alunos da FGV. Demonstram tamanha imaturidade, menos percebida nos meus alunos de 15/16 anos, que trabalham concomitantemente, e muitas vezes são responsáveis pelo sustento de suas famílias, futuros Técnicos em Gestão Empresarial, vindos de classes menos favorecidas que talvez nunca tenham acesso a uma faculdade de renome ou aos programas de trainees oferecidos pelas maiores empresas do país, pelo menos não correrão o mesmo risco de ter suas vidas estampadas em e-mails pelo mundo todo, não pelo mesmo motivo. Concordo que as fotos não sejam obscenas, obscena foi a atitude do responsável pelas fotos. Para um professor de marketing social, que tem a FGV como referência, é no mínimo triste, ver esses Futuros gestores do país, que deviam zelar pela própria imagem, lançando a m... no ventilador, no próprio ventilador. Que profissionais serão esses que não conseguem perceber que o nome que carregaram no seu currículo, acaba sendo arranhado. Construir uma marca, criar sua imagem, demonstrar seus atributos, leva anos, destrui-la, ao contrário...apenas segundos. Que tipo de administradores teremos??? Preocupados com ética, responsabilidade social, como será o endomarketing nas empresas por eles gerenciadas, como tratarão seus Stakeholders??? Da maneira irresponsável que trataram os colegas??? Expondo-os? Imaginem os pais desses jovens recebendo essas imagens, provavelmente executivos, empresários, responsáveis pelo poder público, que ao menos os faça refletir. O caos gerado na vida dos protagonistas desse realitty show, que nem ao menos concorriam a R$500 mil... pode deixar grandes sequelas psicológicas aos mesmos. Ao menos têm dinheiro para pagar terapia... E pobres mortais, como meus alunos, que estarão na escala inferior do organograma das empresas por eles gerida, será que poderão pagar terapia pra aguentar a pressão de superiores sem escrúpulos, que pouco se importam com seu semelhante??? Aliás, semelhante???
[Leia outros Comentários de Patricia Simantob]
2/10/2002
16h47min
"Confesso que ja' fui a algumas dessas festas". E nao te cortaram a mesada? Ainda bem que dessa, voce garante que estava a 300 km de distancia... Ninguem vai falar mal dessa joia de rapaz, assim. Quer dizer que vc acha que a maioria de pessoas presentes nao eram da GV? Claro ne' bem, todo mundo sabe que na GV so' tem bons meninos, inteligentes e sagazes como voce. Gentinha frequenta 'e as festas da FFLCH, como vc tanto insistiu em sua penultima coluna. E os comunas de la' devem ter dado uma passada na GV so' para sujar o nome desse celeiro de bons mocos. Continua assim Eduardo, continua preconceituoso e convencido desse jeito que voce vai honrar o carrinho que mamae da', a faculdade que titia paga. E vai ser mesmo o retrato da elite insensivel e mediocre desse pais. Voce e' jovem, mas ja' esta a altura dela. Parabens.
[Leia outros Comentários de Francisco]
2/10/2002
19h45min
Muito obrigado ao Toni, ao Chico, ao Larry, ao Gustavo, à Claudia e à Patrícia, pelas pertinentes observações e pelos simpáticos elogios. Quanto aos irritados ataques do Henrique, do Lucas, do Villela e do outro Francisco - bem, não sei onde vocês leram que os alunos da GV são superiores aos de outras faculdades. Se, porém, foi em uma dessas outras faculdades que vocês aprenderam a interpretar e a escrever texto, preciso admitir que, já que não escrevi, talvez escrevesse isso agora. Beijos e abraços, obrigado pelos comentários,
Eduardo
[Leia outros Comentários de Eduardo Carvalho]
3/10/2002
11h53min
Não acho que os alunos da GV são superiores aos alunos de outras faculdades, a diferença entre vocês e nós é o dinheiro. Não temos papais que conseguem pagar uma mensalidade de R$900,00 por mês. Alunos de outras faculdades têm que trabalhar para pagá-las. Eu não considero um grande feito ter a faculdade considerada uma das melhores do Brasil, sendo que você tem tempo para estudar (já que não trabalha, o papai banca). Acredito que os alunos de faculdades onde os alunos estudam à noite por que precisam, acordam às 6H da manhã e dormem à 1h da manhã seriam melhores profissionais do que vocês por que têm garra, preseverança e força de vontade. É uma pena que as empresas valorizem somente vocês, filhinhos de papai que não sabem o que é trabalhar para se sustentar...
[Leia outros Comentários de Maitê]
3/10/2002
14h03min
Estava esperando, Maitê, um comentário tão sincero quanto o seu, que revela o preconceito e a inveja que o aluno incapaz de ser aprovado para estudar na GV nutre contra ela - e, de quebra, contra nós, alunos. O preço da mensalidade da GV é aproximadamente o mesmo de faculdades muito inferiores, como PUC e FAAP. E o Fundo de Bolsas da Escola facilita esse pagamento para quem precisa (o que, portanto, dispensa o "papai que banca"). Não há, então, desculpa fácil, para quem preferiu estudar em uma faculdade mais fraca. Abraços,
Eduardo
[Leia outros Comentários de Eduardo Carvalho]
3/10/2002
15h11min
Caro Eduardo, Vc sabe o quanto admiro e acho pertinentes alguns comentários seus, entretanto, o que tenho visto desabrochando em seus "e-mail´s respostas" são indelicadezas típicas de sujeitos raivosos, ironias desnecessárias, execessivos discursos preconceituosos e uma ligeira postura de superioridade. Sei que mesmo com algumas provocações, vc consegue ser (3"S")sensato, sensível e sociável. Parabéns pelo seu brilho próprio e juízo!!!! Cordialmente, Arq. Anilson Gomes De Salvador
[Leia outros Comentários de Anilson Gomes]
8/10/2002
21h34min
Os seres humanos são assim. São hipócritas. Querem apenas desfrutar de tudo o quanto podem, e se não podem, se deixam levar pela inveja, pelo rancor. Nunca o que temos é o bastante, e queremos também o que é do próximo. Mesmo que inconscientemente.
Não foi diferente com o infeliz que causou toda a polêmica com a vida das vítimas da tal festa da GV. O que levou alguém a ter uma atitude tão desprezível? Pois é... inveja, ódio, frustrações, enfim, todos os sentimentos ruins que nos acometem como seres humanos. E fraqueza de espírito e de caráter. Lamentável...
Porém, mudando um pouco de assunto, vindo de um site como este, com colunistas inteligentes como você, poderia ter se distanciado de certo modo deste "assunto da moda", não?
Seres desprezíveis não merecem tanta aclamação em meios de divulgação de informação e entretenimento. Creio que era isto mesmo que eles tanto queriam. Deixemos que as vítimas deste incidente lamentável, retomem suas vidas normalmente. Porque a diferença entre eu, você ou eles, é nula. É zero.
O fato deles fazerem ou não sexo numa festa universitária, não os desqualifica como profissionais, como seres humanos. A diferença está no caráter, que faltou no infeliz que fez todo esse estardalhaço. No final das contas, apenas tivemos certeza de como urubus existem em qualquer lugar, seja em faculdades "de ricos", "de pobres", ou seja ele um bêbado qualquer em busca da fama. Diploma não é sinômimo de capacidade, de talento, tampouco de sucesso profissional ou pessoal. Quem tem talento mesmo, chega onde quer, mais cedo ou mais tarde. Rótulo nem sempre é sinônimo de bom produto.
Parabéns pela coluna. Mas creio que não seja necessário apelar para o "pop da semana" para escrever algo inteligente, tampouco assuntos que soem como um "desafio" entre universitários de diferentes faculdades de renome. O que é podre, todos os seres providos de sensatez e neurônios sabem julgar por si mesmos.
Abraços.
[Leia outros Comentários de Fabiana]
8/10/2002
23h02min
Fabiana,
Eu evito, na medida do possível, apelar para os assuntos, segundo você, "pop da semana". Pode consultar minhas outras colunas. E repare numa coincidência: as pessoas "inteligentes" sempre aparecem para comentar ou reclamar de textos sobre um programa de televisão ou uma festa bárbara (que são das poucas concessões que fiz a assuntos desagradáveis). Mas somem quando recomendo o Bernard Shaw Festival, um livro do Hornby, do Radiguet, do Hitchens, a revista New Yorker, etc. Por quê? Porque esses assuntos são completamente alheios a quem perde tempo assistindo ao Saia Justa, frequentando baladas imbecis, se filiando a partidos comunistas. As ofensas que recebo, quando escrevo um texto como este, são sempre bobas, previsíveis; nunca os "inteligentes" aparecem no lugar reservado especialmente para eles. Você, portanto, que reclamou da mesma coisa que não me agradou neste texto - o assunto -, infelizmente caiu no lugar errado. Espero que se divirta com os próximos. Muito obrigado pelo elogio, abraço,
Eduardo
[Leia outros Comentários de Eduardo Carvalho]
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