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Quinta-feira, 11/11/2004
Comentários
Miguel do Rosário


Fundamental profissionalização
Prezada Liana, fostes muito feliz em citar Balzac. Esse grande prosador frances iniciou a carreira escrevendo folhetins. Parece que tinha uma produção prodigiosa, um livro por semana, embora a qualidade fosse, na grande maioria das vezes, sofrível. Fazia para ganhar dinheiro. Depois tentou ser editor, mas sempre, em toda a sua vida, Balzac ganhou dinheiro com literatura. No século XIX, a literatura era uma carreira, embora, nós sabemos hoje, era restrita a uma elite que tinha acesso à educação e línguas estrangeiras. Hoje o acesso é mais amplo, apesar de que os píncaros da cultura sempre continuam facilitados para quem possui tempo e dinheiro para escalá-los. Profissionalização é fundamental para qualquer arte. Dizem que é bom o artista sofrer e ralar na lida diária, mas quem é artista sabe muito bem que, para se desenvolver as técnicas, é preciso praticar muito e adquirir uma vasta cultura, e isso, minha cara, mais que difícil, exige tempo... E o que é o trabalho, senão o processo pelo qual vendemos nosso tempo em troca de dinheiro?

[Sobre "Aflições de um jovem escritor"]

por Miguel do Rosário
11/11/2004 às
19h12 201.17.30.191
 
É por aí mesmo
Prezado da Matta, Concordo com você na maioria dos pontos. A democracia é o embate saudável de idéias. Conceitos políticos ultrapassadas deviam ser urgentemente aposentados (e de certa maneira, já estão sendo). Mas não se esqueça que política é um dos espaços onde se fazem presentes forças brutais, como paixão, sexo, poder, amor. Contudo, tenho esperança (e quase certeza) de que o Brasil conseguirá amadurecer-se politicamente, democraticamente, e que estas revistas aparecerão. Talvez não neutras, mas diversas revistas com pontos-de-vista distintos, que criem um debate entre si. A internet terá um papel importante nisso. Abraço.

[Sobre "Intelectualidade e democracia"]

por Miguel do Rosário
9/2/2004 às
02h08 200.149.180.86
 
Joyce pra inglês ver
caro jardel. gostei muito de seu texto sobre o noll, mas sinceramente me sensibilizou muito este seu julgamento sobre guimarães rosa e como colocas em nível superior hierarquicamente james joyce. a poética de guimarães rosa é verdadeiramente sublime, profunda e nos toca a alma de maneira brutal e definitiva, sobretudo da obra-prima, Grande Sertão Veredas. Há anos venho tentando ler a tradução de Ulisses do Houaisse e, francamente, prefiro acreditar que o original em inglês (o qual estou esperando para ler num pub da irlanda, quando meu bolso o permitir) deve realmente ser absolutamente poético e inventivo, porque pelo que eu vi na tradução me pareceu um amontoado pretensioso e afetado de inovações literárias já totalmente desgastadas. Enquanto isso, o nosso Rosa, com seu épico universal (e tão regional!) nos paraliza e nos transforma eternamente em brasileiros... não sou lá muito fã de patriotismo, mas esta sua falta de amor pela literatura nacional me soa um pouco sacrílega, assim como um inglês a desprezar shakespeare em prol de um novo best-seller americano.

[Sobre "Da fúria do corpo à alma inanimada: J. G. Noll"]

por Miguel
1/9/2003 às
05h01 200.149.181.119
 
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