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Segunda-feira, 14/7/2008
Ensaios
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Machado não é personagem
>>> Quantas vezes você já não ouviu que "Machado era como Brás Cubas, não teve filhos porque não queria transmitir o legado de nossa miséria"? Ou que o Conselheiro Aires era seu alter ego, demonstrável por frases como "Tenho tédio à controvérsia"? Ou que Bentinho era como o escritor, tímido e recluso? Pois tudo isso não passa da velha confusão entre autor e personagem.
por Daniel Piza
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Uma baby boomer no Twitter
>>> Minha experiência com o Twitter foi manca, nada exemplar. No pouco espaço de tempo em que tentei manter meu Twitter no ar, apesar de me sentir como um daqueles forçados de outrora, condenados a trabalhar com os pés atados às bolas de ferro, tive uma constatação elucidativa: nascida no século XX, daqueles tempos em que Plutão era um planeta, minha vida se projeta no século XXI, ainda que eu siga alguns protocolos herdados do século XIX.
por Eugenia Zerbini
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Hackeando o Sistema Democrático
>>> Talvez o desinteresse dos jovens pela democracia esteja ocorrendo porque, do ponto de vista da informação, o sistema democrático é um sistema muito pobre. A "interface" dele com o "usuário" é de uma simplicidade franciscana. Jovens de todo o mundo estão cada vez mais se acostumando a lidar com "sistemas" infinitamente mais complexos. Resta saber se as futuras gerações digitais irão dar início à tarefa de aperfeiçoar o velho sistema.
por Ronaldo Lemos
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Viciados em Internet?
>>> Será que em vez de achar culpados (agora, por exemplo, é a internet) não seria melhor aceitar que o problema está nos indivíduos? "Eu sou bonzinho, a internet é que me fez assim". Não, meu amigo. Se você deixa de comer e de ir ao banheiro, para ficar jogando, você é que tem problemas e, não, a internet. As psicopatologias existem, mas não podem ser usadas como desculpa pra tudo. É quase a versão moderna da possessão demoníaca. Você não fez nada; foi a doença, causada pela internet...
por Carlos Cardoso
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Machado polímata
>>> Uma passada de olhos na fortuna crítica leva a constatar que só de um polímata poderia haver leituras tão variadas. Já se escreveu sobre Machado de Assis funcionário público, socialista, religioso, historiador, cético, satirista, abolicionista etc. Essa abertura um tanto exagerada que Machado dá para tanta diversidade deve ser tomada não só como casual, mas sintoma de algo que estará no cerne de seu programa de escritor, de leitor e de pensador.
por Jacyntho Lins Brandão
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As noites do Cine Marachá
>>> Alguém já pensou que um cinema pudesse ser local apropriado para uma batucada? Pois é, isso acontecia no Marachá. Talvez, derivado do hábito de batucar na almofada antes de começar a sessão ― uma variação do bater o pé, das nossas esperas no matinê da infância ―, uma dupla de amigos corajosos inaugurou o hábito. Na semana seguinte alguém trouxe um pandeiro, alguém lembrou de um tamborim. E isso foi crescendo, crescendo...
por Antônio do Amaral Rocha
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A saturação dos novos autores
>>> Há hoje uma oferta imensa, massiva, indiscriminada de livros. Publicou-se demais pra aproveitar a maré de sorte ― e, como livro não é pastel, publicaram-se bobagens, irrelevâncias ilegíveis, tinta sobre papel, alimento para o esquecimento (porque sequer para entretenimento tais textos se prestam)... É preciso ser competente, trabalhar duro, especializar-se ― e isso, claro, leva tempo. E com o perdão dos blogueiros: escritor não dá em árvore.
por Márcia Denser
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Monterroso e a microliteratura
>>> Augusto Monterroso, morto há cinco anos, é, simplesmente, o autor da obra literária mais curta jamais escrita. O que vale dizer que foi ele quem escreveu o único relato ficcional que qualquer ser humano é capaz de saber de cor e salteado, do começo ao fim. Cabe inteiro numa linha e tem apenas sete palavras, no original e em português. Ei-lo: "Quando ele acordou, o dinossauro ainda estava lá." Esse fenômeno de brevidade e concisão correu o mundo em múltiplas traduções.
por Sérgio Augusto
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O e-mail não é mais a mensagem
>>> Defendi que o fim do e-mail está próximo. Na realidade, acredito que a era do e-mail já acabou. Aquilo que todos usamos para combater spam, receber informações (e confirmações) desnecessárias e, de vez em quando, contactar amigos, é apenas o resquício de um meio de comunicação cujos dias de importância se foram. Em breve, ele será tão relevante quanto uma carta manuscrita, enviada dentro de um envelope selado...
por Luli Radfahrer
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As lições de Jack Bauer
>>> Eis a grande trama da série 24 Horas, estrelada por Kiefer Sutherland, que, na sua natureza, não é diferente de todas as histórias dos outros personagens, mocinhos ou bandidos: confiança. Em quem você confia e por quê? Como escolhemos as pessoas para quem podemos dar as costas e confiar uma missão estratégica e decisiva para o nosso futuro?
por Ricardo Guimarães
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Julio Daio Borges
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