ENSAIOS
Segunda-feira,
8/3/2010
Ensaios
Ensaístas
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iAnta
>>> Eu sou do tempo em que o cidadão comum não fazia a menor ideia do que fosse a Apple. Macintosh era uma religião de pouquíssimos adeptos ― nada a ver com o avassalador culto consumista de hoje em dia. O símbolo que identificava os fiéis ainda era a maçãzinha ― e não esses fones de ouvido de fio branco que todo mundo carrega em volta do pescoço como se fosse colarzinho de crucifixo.
por Ricardo Freire
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Henry Ford
>>> Henry Ford nasceu em 1863 em Deaborn, no Michigan, filho de modestos fazendeiros. Nasceu mecânico e jamais trocou o estudo direto das coisas pelo estudo falaz dos livros. Educou-se a si mesmo e vem disso grande parte da sua vitória. Quem entope a mioleira com a vida morta dos livros é inábil para bem compreender a vida viva das coisas humanas. Olhava com seus olhos, pensava com seu cérebro, fazia com suas mãos.
por Monteiro Lobato
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Reconhecimento
>>> Isto é o que eu penso agora,/ não disse nada na hora./ Ou seja: à sua pergunta,/ só respondi não estar/ reconhecendo você./ Com ao menos trinta quilos/ e quarenta anos a mais,/ era de se esperar que eu/ reconhecesse você?// Quando você me falou,/ não vi você em você./ Vi uma vasta senhora/ a me fitar e sorrir/ e pronunciar meu nome./ Mas quando você lembrou/ um tempo, um lugar, um nome,/ foi que percebi haver/ algo um tanto familiar/ lá no fundo de você.
por Ruy Espinheira Filho
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Decompondo uma biblioteca
>>> Com o tempo, minha biblioteca atingiu proporções enormes, borgeanas. Mesmo mantendo um sistema rígido de leitura, concluí que nem em 60 anos eu conseguiria ler todos os meus livros. Comecei, então, um processo muito mais complexo que o de construir uma biblioteca: o de desmontá-la. Talvez nem todos tenham noção do que significa, para um viciado em livros, reduzir todas as possibilidades de conhecimento (e de prazer) a não muito mais de 4 mil obras.
por Alberto Mussa
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Considerações sobre a leitura
>>> Se recuássemos no tempo um século, três quartos de século, encontraríamos um número significativo de leitores em nosso país. Hoje, o computador, a televisão, o cinema, o esporte e a agitação da vida moderna jogaram a leitura para o último plano na opção de lazer. Isso sem falar no apelo irresistível do sol, no calor de nosso país tropical, que convida as pessoas para as praias e as atividades ao ar livre.
por Miriam Mambrini
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77 anos do Mercado Municipal
>>> No mesmo dia em que São Paulo comemorou os 456 anos de sua fundação, no último 25 de janeiro, o mercado central festejava 77 anos de funcionamento. Quem sabe por ter nascido durante as grandes festas do 4º Centenário, mantenho, desde pequena, uma relação de amor com a cidade. Além disso, das lembranças mais caras de minha infância é a de uma ida ao Mercado Municipal, acompanhando minha avó, nos preparativos para uma ceia de Natal.
por Eugenia Zerbini
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Ayn Rand ou o primado da razão
>>> A escritora norte-americana Ayn Rand trabalhou uma década nos originais de Atlas Shrugged. Um dos grandes romances de ideias do século passado, ele é pretexto para a autora expor, ou melhor, dramatizar a sua filosofia. A história gira em torno da greve feita pelas lideranças empresariais e intelectuais dos EUA, os "atlas" cujos ombros sustentam o país, que se vê por causa disso entregue à própria sorte (daí o título do livro).
por J.C. Ismael
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A humanidade segundo Saramago
>>> Há muito tempo não se via um lançamento despertar tanta polêmica. É assim que Saramago assiste à repercussão do seu novo livro, Caim, cuja controvérsia lembra os efeitos provocados por seu Evangelho segundo Jesus Cristo. Na época, a resposta do governo português foi a interdição da candidatura do escritor ao Prêmio Literário Europeu. Agora, as reações novamente se inflamam, chegando ao disparate de um eurodeputado exortar Saramago à renúncia de sua cidadania.
por Mariana Ianelli
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De fato e ficção
>>> No mundo inteiro, inclusive no Brasil, hoje são lidos mais livros de não-ficção do que de ficção. Ou seja, há mais exemplares e títulos de biografias, ensaios, reportagens, história, autoajuda, didáticos, científicos e outros do que de romances e contos. O que explica isso? Num arco de tempo mais curto, pode-se pensar que há relação com um mundo cada vez mais globalizado, de notícias que correm na velocidade da luz.
por Daniel Piza
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A prosa encantada de Rosa
>>> Meu acesso ao mundo de Guimarães Rosa foi através de Primeiras estórias, em sua edição brasileira de 1962. Amigos facilitaram-me um exemplar da edição que acabava de ser publicada no Rio de Janeiro. Quando comecei a ler esses contos, me senti enredado pela peculiar atmosfera que o escritor criara, pela intensidade de suas imagens, pelo sabor único de suas palavras.
por Emir Rodríguez Monegal
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Julio Daio Borges
Editor
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