Jornalismo cultural: da futilidade à prioridade | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
101 mil/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Povo Fulni-ô Encontra Ponto BR
>>> QUEÑUAL
>>> Amilton Godoy Show 70 anos. Participação especial de Proveta
>>> Baccos promove evento ao ar livre na Lagoa dos Ingleses, em Alphaville
>>> Vera Athayde é convidada do projeto Terreiros Nômades em ação na EMEF Ana Maria Benetti sobre Cavalo
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
>>> Sim, Thomas Bernhard
Colunistas
Últimos Posts
>>> Rodrigão Campos e a dura realidade do mercado
>>> Comfortably Numb por Jéssica di Falchi
>>> Scott Galloway e as Previsões para 2024
>>> O novo GPT-4o
>>> Scott Galloway sobre o futuro dos jovens (2024)
>>> Fernando Ulrich e O Economista Sincero (2024)
>>> The Piper's Call de David Gilmour (2024)
>>> Glenn Greenwald sobre a censura no Brasil de hoje
>>> Fernando Schüler sobre o crime de opinião
>>> Folha:'Censura promovida por Moraes tem de acabar'
Últimos Posts
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
>>> Calourada
>>> Apagão
>>> Napoleão, de Ridley de Scott: nem todo poder basta
>>> Sem noção
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Chico Buarque e o Leite derramado
>>> A favor do voto obrigatório
>>> The Matrix Reloaded
>>> Por que as curitibanas não usam saia?
>>> Jobim: maestro ou compositor?
>>> 7 de Outubro #digestivo10anos
>>> A insignificância perfeita de Leonardo Fróes
>>> Soco no saco
>>> De Siegfried a São Jorge
>>> O Paulinho da Viola de Meu Tempo é Hoje
Mais Recentes
>>> Ao Redor do Mundo de Fernando Dourado Filho pela Fernando Dourado Filho (2000)
>>> O Administrador do Rei - coleção aqui e agora de Aristides Fraga Lima pela Scipione (1991)
>>> Memória do Cinema de Henrique Alves Costa pela Afrontamento (2024)
>>> Os Filhos do Mundo - a face oculta da menoridade (1964-1979) de Gutemberg Alexandrino Rodrigues pela Ibccrim (2001)
>>> Arranca-me a Vida de Angeles Mastretta pela Siciliano (1992)
>>> Globalizacão, Fragmentacão E Reforma Urbana: O Futuro Das Cidades Brasileiras Na Crise de Luiz Cezar de Queiroz Ribeiro; Orlando Alves dos Santos Junior pela Civilização Brasileira (1997)
>>> Movimento dos Trabalhadores e a Nova Ordem Mundial de Clat pela Clat (1993)
>>> Falso Amanhecer: Os Equívocos Do Capitalismo Global de John Gray pela Record (1999)
>>> Os Colegas de Lygia Bojunga pela Casa Lygia Bojunga (1986)
>>> Amazonas um Rio Conta Historias de Sergio D. T. Macedo pela Record (1962)
>>> A História de Editora Sextante pela Sextante (2012)
>>> Villegagnon, Paixao E Guerra Na Guanabara: Romance de Assis Brasil pela Rio Fundo (1991)
>>> A Política de Aristóteles pela Ediouro
>>> A Morte no Paraíso a tragédia de Stefan Zweig de Alberto Dines pela Nova Fronteira (1981)
>>> Rin Tin Tin a vida e a lenda de Susan Orlean pela Valentina (2013)
>>> Estudos Brasileiros de População de Castro Barretto pela Do Autor (1947)
>>> A Origem do Dinheiro de Josef Robert pela Global (1989)
>>> Arquitetos De Sonhos de Ademar Bogo pela Expressão Popular (2024)
>>> Desafio no Pacífico de Robert Leckie pela Globo (1970)
>>> O Menino do DedoVerde de Maurice Druon pela José Olympio (1983)
>>> A Ciencia Da Propaganda de Claude Hopkins pela Cultrix (2005)
>>> Da Matriz Ao Beco E Depois de Flavio Carneiro pela Rocco (1994)
>>> Testemunho de Darcy Ribeiro pela Edições Siciliano (1990)
>>> Tarzan e o Leão de Ouro de Edgar Rice Burroughs pela Record (1982)
>>> Viagem de Graciliano Ramos pela Record (1984)
COLUNAS

Quinta-feira, 4/12/2003
Jornalismo cultural: da futilidade à prioridade
Adriana Baggio
+ de 8200 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Se pedissem para você analisar as sessões ou as notícias do jornal por ordem de relevância, em que lugar você colocaria o horóscopo, a coluna social e as fofocas da TV? Provavelmente, entre as mais fúteis, as menos relevantes. Pois na maior parte dos jornais, essas "notícias" fazem parte dos cadernos culturais.

O caráter decorativo do caderno cultural foi apenas um dos aspectos abordados pela palestra de Daniel Piza no IX Fenart - Festival Nacional de Artes da Paraíba, que aconteceu em João Pessoa no início de novembro. Não sou jornalista, mas sou leitora e publicitária, e sei do que o Daniel estava falando. Com algumas exceções, os espaços destinados a artigos e matérias sobre música, literatura, cinema e outras manifestações artísticas convivem com as informações consideradas fúteis, como as colunas sociais e o horóscopo. Os anúncios, nessas páginas, também referem-se às futilidades consumistas, como shoppings, lojas de decoração, moda. É por isso que o caderno cultural já foi a parte do jornal destinada ao público feminino. No domingo, em volta da farta mesa de café da manhã, enquanto o homem lia compenetradamente os artigos sobre política ou economia, a mulher folheava as novidades "culturais".

Os tempos mudaram. As mulheres não se interessam mais, apenas, pelas notícias sobre casamentos, divórcios e óbitos da sociedade. Mas a maior mudança não se refere à mudança de hábito dos gêneros. Com a internet, o jornal perdeu sua maior vantagem: a instantaneidade da informação. Se antes os diários apresentavam a notícia fresca, o mais próximo possível do seu acontecimento, hoje esse tempo entre o fato e sua divulgação é muito mais curto na informação on-line. Portanto, que diferencial sobra para o jornal?

Se a internet é mais rápida e apela para o atrativo da informação visual, o jornal pode ser mais denso, mais completo. As pessoas não destinam o mesmo tempo para a leitura de um texto na internet e de outro em suporte material. Esse é o diferencial que o jornal pode ter em relação à net. E a maneira como esse aspecto é tratado, também pode representar o diferencial na concorrência entre os jornais.

Piza coloca que o leitor estabelece um vínculo afetivo com o jornal de sua preferência através do caderno cultural. Aí está a oportunidade, portanto, de garantir a circulação e a fidelidade de leitores. No entanto, como em qualquer relação, é preciso que haja interatividade. O jornal, e especialmente o caderno cultural, deve dialogar com o público e com as manifestações que dele emanam. Restringir os artigos aos aspectos eruditos da cultura é assumir uma postura pernóstica. Há espaço para que se examine as culturas ditas populares assim como as elitistas, e mais, as relações entre elas.

O vínculo afetivo com o jornal acontece também porque o leitor vê o caderno cultural como uma espécie de guia. Não somente o guia das atrações de fim de semana, mas uma orientação sobre o que há de bom para ver, ler e ouvir, e porque o que está lá é bom. Aliás, aí está um ponto interessante: o caderno de cultura pauta o que realmente é bom para o público ou o que é bom para o faturamento? Sabe-se que o jabá não é uma exclusividade do rádio.

Assim, o jornal acaba tendo a função de filtro, de seleção das milhares de opções disponíveis em termos de cultura, lazer e entretenimento. A internet é ótima como fonte de informação, mas nem toda informação presta. Pelo próprio custo de produção e distribuição de um jornal, toma-se (ou deveria tomar-se) muito cuidado com quem vai escrever e o que vai estar escrito. Por isso, o repórter do caderno cultural precisa ser uma pessoa que tenha condições de selecionar entre as várias opções o que vale a pena ser conhecido/experimentado pelo leitor. Presunção? Talvez. Mas as pessoas procuram isso. E pode-se dosar informações entre o que o leitor quer ver e entre o que ele deveria conhecer.

Segundo Piza, a fórmula combinatória entre essas duas diretrizes é particular de cada jornal, de acordo com o perfil do seu público de leitores. Ele citou como exemplo a cobertura da Folha de S. Paulo ao lançamento do CD de Maria Rita. A matéria contemplou não apenas a resenha do disco - uma informação que o público queria saber -, mas também os bastidores das ações mercadológicas desse lançamento, como a pauta de apresentações da cantora no Fantástico, o especial da Rede Globo, a assessoria da W/Brasil, uma das maiores agências de publicidade do país - informações que o público deveria saber.

Enfim, a saída para a crise pela qual passa o jornalismo impresso pode estar na valorização do caderno de cultura e dos profissionais que nele trabalham. Profissionais que, segundo Piza, estão dispersos por aí, inclusive no cyberespaço, em periódicos como o Digestivo Cultural, citado pelo autor em seu livro Jornalismo cultural. São esses veículos que estão tentando preencher as lacunas deixadas pelo jornal de papel. Tanto que, ao contrário do estilo predominante na internet, o Digestivo e outros sites preocupam-se em disponibilizar ao leitor a informação completa, tratada com propriedade. Ela tem, ao mesmo tempo, as características da atualidade e da profundidade. É uma combinação que concretiza a proposta de Homero Fonseca, da revista Continente, para os jornalistas e acadêmicos que tratam de assuntos culturais: jornalista, trate o assunto em profundidade, como um acadêmico. Acadêmico, trate o assunto com objetividade, como um jornalista. Com essa combinação, procuramos passar a você, leitor, o que existe de bom, dizendo o porquê de ser considerado bom.


Adriana Baggio
Curitiba, 4/12/2003

Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2003
01. Ser bom é ótimo, mas ser mau é muito melhor* - 24/4/2003
02. Aventuras pelo discurso de Foucault - 30/1/2003
03. Carga mais leve para Pedro e Bino - 8/5/2003
04. Apesar da Barra, o Rio continua lindo - 9/1/2003
05. Encontro com o peixe-boi - 16/1/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/12/2003
01h51min
Adriana, considerando a pauta da maioria desses cadernos, você esqueceu de mencionar os quadrinhos, especialmente os do Laerte e do Angeli-muito mais relevantes culturalmente do que qualquer "press-release", que é o que a maioria dessas matérias é,ou de promoção daquela turma do segundo time,salvo Ledo e Ivo engano meu. Isso sem mencionar coisas que estariam melhor naqueles periódicos técnicos, sustentados pelo governo(i.e., dinheiro de imposto)que não são lidos nem por quem é da área. Um uso menos ruim dos meus impostos, se essas porcarias de vez em quando não tomassem o lugar de gente mais interessante nos cadernos culturais.
[Leia outros Comentários de Alessandro]
17/12/2003
18h02min
Adriana,esses dias passou na Seleções do RD atual (Discovery Channel)um documentário onde se verificou que 60% de toda palavra proferida pelo sapiens sapiens refere-se a fofoca, ou seja, conversas sobre a vida alheia. Uma teoria foi apresentada defendendo a tese de q foi a fofoca que "inventou" a língua. Saber quem eram os outros e o que faziam, teria sido fundamental para a nossa sobrevivência em priscas eras. Seríamos os herdeiros q a seleção natural separou, entre os q melhor fofocavam. A acreditar nessa tese as manchetes deveriam ser fofocas. Os "Murdochs" e seus jornais q o digam.
[Leia outros Comentários de Pedro Sérvio]
14/4/2013
19h36min
Adriana, tudo parece mesmo ser relativo, só acho que quem assina um jornal deve ter contigo uma balança mais ou menos precisa chamada tolerância sobre o que é bom ou não. Cultura é algo que não deveria ser imposto, o único problema é a tentativa de ditar o que é bom ou ruim. ~Quase todos os filmes que eu gostei, tiveram péssimas notas dos críticos~ rs
[Leia outros Comentários de Joe]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O Crânio Sob a Pele
P. D. James
Companhia das Letras
(2010)



Livro Literatura Estrangeira Inacreditáveis Pretty Little Liars Volume 4
Sara Shepard
Rocco
(2011)



Ethical and Professional Standards and Quantitative Methods - 6 Volume
Cfa Program Curriculum
Cfa Institute
(2020)



Viagens Psíquicas - Mistérios do Desconhecido
Russel B. Adams
Abril
(1992)



O Imortal
Paulo Coelho Netto
Melso
(1962)



Livro Literatura Estrangeira A vingança está na moda Tudo o que ela quer é acerta as contas.
Rosalie Ham
Harper Collins
(2016)



Estudios Sobre Técnica Psicoanalitica
Heinrich Racker
Editorial Paidos
(1979)



A Vida tende a dar certo 313
Anna Sharp
Rai
(2014)



Educação, Sujeito e História
Antônio Joaquim Severino
Olho Dagua
(2003)



Rimas da floresta
José Santos
Peirópolis
(2007)





busca | avançada
101 mil/dia
2,4 milhões/mês