Encontro com o peixe-boi | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

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Quinta-feira, 16/1/2003
Encontro com o peixe-boi
Adriana Baggio

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Peixe-boi marinho

Seguindo pela BR-101 em direção a Natal, a mais ou menos 50 km de João Pessoa, os carros diminuem um pouco a velocidade por causa da subida. Isso permite que os motoristas e passageiros observem uma placa que sinaliza a entrada de uma larga estrada de terra: Barra de Mamanguape - Reserva do Peixe-Boi. Muita gente que passa por ali já ouviu falar do peixe-boi - um dos mamíferos em extinção na costa brasileira. Deve ser a imaginação atiçada pela tentativa de juntar dois animais tão díspares em uma só figura que instiga essas pessoas a saírem do confortável asfalto da 101, que neste trecho é uma rodovia boa, de pista simples mas com terceira faixa nas subidas, para pegar a estrada de terra que leva até a reserva.

Da BR até a reserva são mais 35 km. Para uma estrada que não é pavimentada, até que é muito boa. O caminho de terra batida misturada com um pouco de brita corta imensos canaviais e pastos de gado. Em um dia limpo e de sol forte, como é típico no nordeste, as cores da paisagem fazem jus à bandeira brasileira. O verde das plantações, o azul do céu e o amarelado da terra dão uma sensação de desolação e melancolia. A paisagem muda pouco, e num sábado ao meio-dia, por exemplo, é possível andar quilômetros e quilômetros sem encontrar outros carros ou pessoas - o que torna essenciais um estepe em bom estado e uma garrafa de água mineral aos viajantes deste caminho.

Pastos de gado alternam-se com as plantações na formação do verde da paisagem. Alguns pensamentos não podem ser evitados: de quem é toda essa terra? Como os bois agüentam ficar nesse sol? De onde vêm os animais e as pessoas, já que é impossível para a vista enxergar qualquer tipo de habitação? Apesar da sensação de desolação, a estrada oferece sinalização, de tempos em tempos, para assegurar ao viajante que ele está no caminho certo para o encontro com o peixe-boi.

Depois de muitos quilômetros, o fim das plantações marca o início de uma vegetação mais fechada, com árvores e arbustos, e a presença de pequenas habitações. São casas de madeira, pau-à-pique ou mesmo alvenaria, simples mas com o terreiro bem varrido. As casas valem-se das sombras proporcionadas por mangueiras, jaqueiras, gameleiras e diversas outras árvores, frutíferas ou não. As mangueiras e jaqueiras estão carregadas nesta época do ano, e dão água na boca do viajante. Neste momento, se o carro estiver ocupado por pessoas que moram e trabalham nas cidades grandes, é normal ouvir comentários sobre a maravilha de morar em um lugar assim, longe das preocupações e das exigências de uma sociedade mais sofisticada, vivendo apenas de colher frutas, pescar, tomar longos banhos de mar e deitar na rede todos os dias após o almoço.

Depois de cruzar o vilarejo, chega-se à Praia de Campina. À esquerda uma placa indica o caminho para a reserva do peixe-boi. Dessa vez o caminho é de areia, e em alguns lugares ela fica muito fofa. Veículos sem tração 4x4 devem tomar cuidado e passar rapidamente e em primeira marcha, para que um possível encalhe não estrague o passeio.

Já perto da reserva, um exemplo de convivência pacífica entre as diferenças sugere que o mundo ainda tem salvação. Dois cavalos, um dogue alemão e um pincher dividem pacificamente o quintal de uma construção. Talvez pela convivência, os cavalos acabaram se parecendo um pouco com os cachorros em seus hábitos, e é muito engraçado ver seres tão garbosos se espojando alegremente na grama e na areia. O cachorrinho, por sua vez, obedece rigidamente os limites da cerca, obviamente concebida para seus colegas maiores, e cuja distância entre os arames permitiria que uma matilha de pinchers passasse ao mesmo tempo.

O caminho termina justamente na casa que abriga o escritório do IBAMA, responsável pela reserva do peixe-boi. É um lugar maravilhoso, à beira de uma lagoa formada pelo encontro das águas do rio Mamanguape com o mar. A água é cristalina, morna e sem o sargaço que caracteriza as praias do litoral da Paraíba. É possível ver os peixinhos nadando perto da areia, e mais para frente alguns deles dando saltos fora d'água. Bem adiante, uma barreira de corais impede que o mar chegue com força à praia, e proporciona essa lagoa de águas calmas e limpas.

É justamente esse tipo de ambiente marinho que atrai o peixe-boi. Ele é um animal de águas rasas e quentes, lento e pacífico, que se alimenta apenas de vegetais. Pode chegar aos 4 metros e pesar por volta de meia tonelada. Para chegar ao cativeiro dos dois exemplares de peixe-boi da reserva de Mamanguape é preciso pegar uma canoa, que parte da frente da casa-sede da reserva. A canoa é conduzida por um dos pescadores locais, que recebe R$ 2,00 de cada passageiro pelo serviço de travessia - um espetáculo à parte. A canoa não se afasta muito da areia. Se não fosse por um braço de mar, seria possível ir a pé até o local onde ficam os peixes. Ainda bem que isso não acontece, e nos 15 minutos de travessia, é possível admirar as ilhas da região, a água límpida e os pequenos animais que habitam as margens.

O cativeiro é numa reentrância da lagoa, fechada com uma cerca de madeira e cordas. Há sempre um estagiário disponível para dar explicações sobre os animais. Ao chegar perto, a primeira coisa que chama a atenção é um pedaço de barbante suspenso a poucos centímetros da água, onde estão penduradas diversas cenouras e beterrabas. Vinte quilos de legumes algas formam a dieta diária de Guape e Guaju, os dois peixes-boi desta reserva. Ambos são machos, um tem 5 e outro 7 anos. São novos, já que a idade média desta espécie pode chegar a 50 anos. Guape e Guaju foram encontrados encalhados em Mamanguape, na Paraíba, e próximo ao Rio Guaju, no litoral do Rio Grande do Norte, respectivamente. Parecem duas crianças brincando. Se na natureza os animais, apesar de dóceis, são tímidos, no cativeiro eles gostam de fazer bagunça e chamar a atenção dos visitantes. Eles chegam perto da cerca e ficam fazendo caretas. Depois, voltam para a água e brincam entre si e com os alimentos. Nadam, mergulham e ficam boiando de costas, despertando admiração e carinho. Não tem como não se enternecer com essas criaturas, o focinho repleto de bigodes e as nadadeiras com unhas.

O peixe-boi pertence à ordem dos sirênios. A palavra vem de sereia, já que este tipo de animal, por ter vocalizações e se sustentar sobre as nadadeiras traseiras, lembrou aos primeiros navegadores a figura da entidade marinha. A presença de unhas nas nadadeiras sempre sugeriu aos pesquisadores um parentesco remoto com o elefante. A hipótese foi comprovada quando se comparou o DNA das duas espécies.

Desde que foi descoberto pelo homem no litoral brasileiro, o peixe-boi vem sofrendo uma matança indiscriminada, o que colocou o animal na lista daqueles em perigo de extinção. Os poucos anos desde a criação das reservas e do trabalho de conscientização das pessoas ainda não foram suficientes para reverter o quadro. No entanto, os moradores já auxiliam na proteção da espécie. Em vez de matar a pauladas um filhote encalhado em alguma praia, como era comum acontecer, as pessoas avisam o IBAMA, que providencia o recolhimento do animal. Se o filhote está há muito tempo longe da mãe, as chances de readaptação na natureza são muito pequenas. Neste caso, o peixe-boi é enviado para a reserva de Itamaracá, em Pernambuco, ou para a de Mamanguape.

O trabalho de preservação e cuidado dentro das reservas tem tido tanto sucesso que um caso considerado perdido, como o da fêmea Xica, causou espanto aos biólogos e veterinários. Xica foi capturada ainda filhote por uma família no Recife, que mais tarde doou o animal à prefeitura. Xica passou vinte e tantos anos em um tanque numa praça da cidade. O confinamento, o pouco espaço no tanque e a falta de proteção fizeram com que o animal adquirisse comportamentos estranhos, problemas irreversíveis na coluna e uma forte queimadura de sol. Apesar de tudo isso, depois de recolhida à reserva de Itamaracá, Xica conseguiu procriar em cativeiro. Mas os danos causados pelo homem impedem que Xica possa, algum dia, viver livre nas águas mornas e límpidas do nordeste brasileiro.


Adriana Baggio
Curitiba, 16/1/2003


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