Sambas da Joyce | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

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Quinta-feira, 10/6/2004
Sambas da Joyce
Adriana Baggio

+ de 4500 Acessos

Certa vez, em Dublin, Joyce passava pela frente de um teatro quando viu o cartaz anunciando o espetáculo Songs of Joyce. A primeira reação de Joyce, a cantora, foi pensar: "ué, eu não estou com nenhum show em Dublin". A segunda, menos egocêntrica, foi aproveitar a coincidência para compor uma das músicas de Banda Maluca (Biscoito Fino, 2004), lançado com sucesso na Europa, Japão e, assim como o melhor da música internacional, só agora no Brasil.

O Samba do Joyce, inspirado nessa anedota irlandesa, diz muito da Joyce. Primeiro, pela incongruência de um samba surgir da fria, cinzenta e conservadora Dublin. Mas quando se conhece a trajetória de Joyce isso é fácil de entender. Quase uma zé-ninguém no Brasil, apesar de ter começado a carreira em 1968 e de ter músicas gravadas por nomes famosos da MPB, como Milton Nascimento, no exterior a carioca do Posto 6 é musa cool da cena jazz. As músicas de Joyce agradam corpos tatuados e penas críticas da Europa, Japão e Estados Unidos; animam as festas de jovens de piercing e cabelos verdes, que não param de dançar ao som das misturas de samba e jazz. No Brasil, provavelmente provocariam bocejos. É uma das cantoras mais festejadas pelo mundo afora - menos no seu país de origem. Sem falsa modéstia, a explicação da própria Joyce para não fazer sucesso no Brasil é a péssima qualidade da música brasileira. Um verso de Samba do Joyce alfineta: "Samba, samba, o século vinte é só muamba". E quem vai dizer que ela está errada?

Uma outra qualidade da compositora, também presente em Samba do Joyce, é o talento com o verbo. Uma riminha bem interessante, "nega" com "Degas", dá pistas de uma afinidade da Joyce com o escritor irlandês homônimo. Enquanto foi fazer jornalismo porque a família não gostava muito da idéia dela cantora, ele foi incentivado a largar a literatura e tornar-se cantor - dizem que cantava muito bem. Quem sabe o que daria? O bom é que a afinidade acabou dando samba.

Banda Maluca é o retrato da experiência musical de Joyce. A vida em contato com diferentes culturas está refletida na "maluquice" da banda, que recebeu esse adjetivo por acolher paulista, carioca, baiano e até norueguês. As músicas também mostram uma Joyce que, em vez de se dividir entre o seu país e o estrangeiro, soube aproveitar o melhor de dois mundos. O repertório mistura samba, jazz, música francesa, um xote e até uma versão de "A hard day's night", de que eu não gostei, talvez pela rudeza do meu ouvido não perceber traços da canção original.

O interessante é que a versão da música dos Beatles é fruto dos momentos em que a cantora se diz mais inspirada e produtiva: nas passagens de som com sua banda, antes dos shows. No relax de tocar sem platéia e sem compromisso, só para que a técnica afine o que precisa ser afinado, surgem muitas surpresas. Já ouvi dizer que os Paralamas tocavam Led Zeppelin e que o Roupa Nova passava som tocando Deep Purple. Não dá pra imaginar...

Apesar de fazer sucesso com uma música sofisticada e elitista como o jazz, de ser cria assumida da bossa-nova, não se pode acusar Joyce de não dialogar com o popular, com a cultura brasileira. Um dos pontos que mais me chamou a atenção no repertório de Banda Maluca é que, ao lado da influência européia de músicas como "Pause, bitte", "L'etang" e "Mal em Paris", há espaço para temas e ritmos tipicamente nossos. O xote "Chuvisco", por exemplo, é uma gracinha! Começa doce, alegre, como um chuvisco à tarde para acompanhar um cochilo ou um café com bolinhos, mas termina tenso e pesado como a chuva caudalosa e traiçoeira, que carrega o que está pela frente. A letra acompanha o ritmo e a gente percebe que os temas bucólicos disfarçam um trabalho requintado de forma e conteúdo.

Não se espera encontrar essa temática singela, pé-no-chão, depois de se saber do sucesso e da credibilidade que a música de Joyce tem no cenário mundial. Mas é muito gratificante saber que um artista brasileiro faz sucesso no exterior com uma música que não é "étnica", como muitas das manifestações nacionais que despertam o interesse dos estrangeiros. O trabalho da cantora é admirado pelos críticos; ela toca com músicos de jazz conceituadíssimos; compõe em inglês; tem discos lançados no exterior que fazem o maior sucesso e que, provavelmente, nunca vão chegar aos ouvidos dos brasileiros - só se forem importados. No entanto, ela fala de coisas muito brasileiras em suas músicas. Apesar de longe de casa, sua temática é do berço, da terra onde nasceu. Um paradoxo para o qual a cantora tem uma explicação: quando você olha o país de longe, vê sempre um Brasil ideal.

Para ir além





Adriana Baggio
Curitiba, 10/6/2004


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