Pequena poética do miniconto | Marcelo Spalding | Digestivo Cultural

busca | avançada
34764 visitas/dia
922 mil/mês
Mais Recentes
>>> Dragão7 realiza última edição do Circuito de Teatro em Português
>>> Teatro para bebês, A Florestinha da Pati, integra o Circuito de Teatro em Português
>>> Buscapé cria "Vila" para celebrar Black Friday
>>> Vila 567 promove Quintaneja para comemorar feriado prolongado
>>> Musical gratuito "Brincando com a Broadway" chega ao Teatro UMC
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Do canto ao silêncio das sereias
>>> Vespeiro silencioso: "Mayombe", de Pepetela
>>> A barata na cozinha
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O Voto de Meu Pai
>>> Inferno em digestão
>>> Hilda Hilst delirante, de Ana Lucia Vasconcelos
>>> As pedras de Estevão Azevedo
>>> O artífice do sertão
>>> De volta à antiga roda rosa
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> No tinir dos metais
>>> De(correntes)
>>> Prata matutina
>>> Brazil - An Existing Alien Country on Planet Earth
>>> Casa de couro IV
>>> 232 Celcius, ou Fahrenheit 451
>>> Mãe
>>> Auto contraste
>>> Os intelectuais e a gastronomia
>>> Cabeças Cortadas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Farewell, Pedrinho!
>>> Baratas
>>> Dar de comer ao ódio
>>> Suspeito que estejam sempre conspirando para me fazer feliz
>>> Escrever para não morrer
>>> O Voto de Meu Pai
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> Eu também sou concretista
>>> Geraldo Vandré, 70 anos
>>> Apresentação
Mais Recentes
>>> Para-quedas & beijos de Erica jong pela Circulo do livro
>>> O desafio mundial de Jean-jacques servan-schreiber pela Nova fronteira
>>> A revoluçao dos covardes de David nasser pela Cruzeiro
>>> Do coração de um pastor de Kenneth w Hagin pela Graca editorial (2009)
>>> Oráculo da Grande Mãe - Acomp. 1 Livro e 60 cartas de Claudiney Prieto pela Alfabeto
>>> Tarô das Bruxas - Acompanha 78 cartas de Ellen Dugan pela Isis
>>> Mamãe e o Sentido da Vida de Irvin D. Yalom pela Agir (2010)
>>> Décima Profecia, A de James Redfield pela Fontanar (2009)
>>> Curso Completo de Tarô - Acomp. 1 livro e 78 cartas de Nei Naiff pela Alfabeto
>>> Árabe do Futuro, O de Riad Sattouf pela Intrínseca (2015)
>>> Schraiber - " O reino dos simples" de Vários autores pela Não definido
>>> Selecta homeopathica - Cura e recuperação de Vários autores pela Luz menescal (2002)
>>> Selecta homeopathica - Experimentação patogenética de Vários autores pela Luz menescal (2001)
>>> Cadernos de matéria médica - Vol. 10 Nº 1 de Vários autores pela American journal (2002)
>>> Peter Pan de James Barrie pela Ediouro (2004)
>>> Coors taste of the west de Vários autores pela Better Homes and Gardens (1981)
>>> Party book de Dorothy Marsh e Carol Brock pela Harper & Brothers (1958)
>>> The pocket book of home canning de Elizabeth Beveridge pela Pocket books (1943)
>>> Paisagens Humanas de Antonio Versiani pela Civilização brasileira (1960)
>>> Great Tales of the far west de Alex Austin pela Pyramid books (1956)
>>> The Movie Buff´s book de Ted Sennett pela A pyramid publication (1975)
>>> Hospital de Arthur Hailey pela Nova Fronteira (1959)
>>> Monsenhor Quixote de Graham Greene pela Record (1982)
>>> Salambô de Flaubert pela Max Limonad (1985)
>>> O vale do terror de Arthur Conan Doyle pela Ediouro
>>> A casa morta de Henry Bordeaux pela Figueirinhas (1929)
>>> Ih, esqueceram madame Freud... de Françoise Xenakis pela Rocco (1988)
>>> Platero e eu de Juan Ramón Jiménez pela Rio Gráfica (1987)
>>> The countess de Hans Habe pela A signet book (1964)
>>> Loves of the orient de Giovanni Camisso pela Belmont Book (1954)
>>> Skipping Christmas de John Grisham pela A dell book (2004)
>>> Terra Virgem El Erial de Constâncio C. Vigil pela Melhoramentos
>>> Woodstock - Tomo I de Walter Scott pela H. Garnier
>>> L´Homme qui assassina de Claude Farrère pela Ernest Flammarion
>>> Camille de Alexandre Dumas pela Bantam Books (1949)
>>> Lamentai os honestos de Ed Lacy pela Ibis (1968)
>>> Conspiração nas trevas de Hartley Howard pela Livros do Brasil (1966)
>>> Próxima Viagem - Nº 62, Ano 6 de Vários autores pela Peixes (2004)
>>> Próxima Viagem - Nº 4, Ano 2 de Vários autores pela Peixes (2000)
>>> Próxima Viagem - Nº 3, Ano 1 de Vários autores pela Peixes (2000)
>>> Próxima Viagem - Nº 6, Ano 2 de Vários autores pela Peixes (2000)
>>> Próxima Viagem - Nº 7, Ano 2 de Vários autores pela Peixes (2000)
>>> Próxima Viagem - Nº 10, Ano 2 de Vários autores pela Peixes (2000)
>>> Próxima Viagem - Nº 12, Ano 2 de Vários autores pela Peixes (2000)
>>> Próxima Viagem - Nº 37, Ano 3 de Vários autores pela Peixes (2002)
>>> Próxima Viagem - Nº 22, Ano 3 de Vários autores pela Peixes (2001)
>>> Próxima Viagem - Nº 1, Ano 1 de Vários autores pela Peixes (1999)
>>> Viaje mais por menos - Nº 12, Ano 1 de Vários autores pela Europa (2002)
>>> Viagem e turismo - Nº 4, Ano 4 de Vários autores pela Abril (1998)
>>> Viagem e turismo - Nº 2, Ano 2 de Vários autores pela Abril (1996)
COLUNAS

Terça-feira, 20/2/2007
Pequena poética do miniconto
Marcelo Spalding

+ de 17500 Acessos
+ 5 Comentário(s)

Você certamente já leu um miniconto e possivelmente já escreveu um. Miniconto é um tipo de conto muito pequeno, digamos que com no máximo uma página, ou um parágrafo. Alguns dizem que ele é o primo mais novo do poema em prosa, outros apontam as fábulas chinesas como origem, de certo é que desde meados do século XX o conto tem experimentado - com sucesso - formas extremamente breves a partir de textos de gente como Cortázar, Borges, Kafka, Arreola, Monterroso e Trevisan.

Nos últimos anos este tipo de ficção ganhou muito espaço na literatura de diversos países. Nos Estados Unidos, antologias sucessivas foram lançadas com textos cada vez menores culminando na chamada microfiction, cuja antologia inaugural reúne textos de até 300 palavras. A literatura latino-americana, responsável pela difusão inicial do gênero, tem não apenas apresentado antologias como também estudos acadêmicos acerca do que eles chamam de "microrelato". É de um hispano-americano, o guatemalteco Augusto Monterroso, o micro mais famoso:

Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá. E de outro latino-americano, o mexicano Juan José Arreola, o meu preferido:

"CONTO DE HORROR"
A mulher que amei se transformou em fantasma. Eu sou o lugar das aparições.
No Brasil, há uma grande quantidade de autores publicando livros com ou exclusivamente de minicontos: o pioneiro Ah, é?, de Dalton Trevisan (1994), Contos Contidos, de Maria Lúcia Simões (1996), O filantropo, de Rodrigo Naves (1998), Pérolas no decote, de Pólita Gonçalves (1998), Passaporte, de Fernando Bonassi (2001), Coração aos pulos, de Carlos Herculano Lopes (2001), Eles eram muitos cavalos, de Luiz Rufatto (2001), Mínimos Múltiplos Comuns, de João Gilberto Noll (2003), Os cem menores contos brasileiros do século, organizado por Marcelino Freire (2004), Ao homem que não me quis, de Ivana Arruda Leite (2005), Tentando entender Monterroso, de Luiz Arraes (2005), A milésima segunda noite, de Fausto Wolff (2005), Contos de Bolso e Contos de Bolsa, da Casa Verde (2005 e 2006), Curta-Metragem e Expresso 600, de Edson Rossatto (2006), Entre Duas Mortes, organizado por Frederico Alberti (2006), entre tantos outros. Há inclusive um livro de minicontos juvenis, do competente e criativo gaúcho Leonardo Brasiliense, Adeus conto de fadas (2006), que ao testar esta estética com outro público comprovou a flexibilidade do miniconto e a possibilidade de o tratarmos como um gênero (da mesma forma que os poetas tratam como gênero o haicai).

Devido ao seu formato enxuto e de rápida leitura, o miniconto se tornou um gênero cultivado não apenas pelos leitores como também pelos escritores das novas gerações, seduzidos pela (aparente) facilidade de se escrever um bom miniconto. Só aparente. Aqui nesta pretensiosa poética pretendo demonstrar como algumas regras são, se não fundamentais, bastante indicadas para que um miniconto funcione.

Concisão

A velha insônia tossiu três da manhã.
Dalton Trevisan (Ah, É?, 1994)
Ser breve e ser conciso são coisas diferentes. O miniconto precisa ser conciso, mais do que breve. Nesse sentido não deveríamos falar de um limite de número de letras, palavras ou páginas para o miniconto, e sim num limite conceitual. A história que ele conta precisa caber exatamente naquele pequeno tamanho, não mais, não menos. Não pode-se atrofiar uma narrativa, tampouco espichá-la. Por isso nem todos os temas e enfoques podem ser transformados em miniconto. Na verdade, raros o podem. Uma tosse às três da manhã pode ser a superfície de um miniconto; a insônia, não.

Narratividade

Caiu da escada e foi para o andar de cima.
Adrienne Myrtes (Os cem menores..., 2004)
Se a brevidade originada pela concisão diferencia o mini do conto tradicional, é a narratividade que primeiro diferencia o miniconto do haicai ou do poema em prosa (que não necessariamente são narrativos, ainda que possam sê-lo). Ser narrativo significa, por óbvio, narrar algo, contar a passagem de uma personagem de um estado a outro, implicitamente (como no mini do Trevisan) ou explicitamente (como neste exemplo da Adrienne). Sem essa narratividade, corre-se sempre o risco de fazer uma simples descrição de cena em vez de um miniconto.

Efeito

"TV NO QUARTO"
E os pais na sala, assistindo a um documentário sobre os dramas da adolescência.
Leonardo Brasiliense (Adeus conto de fadas, 2006)
O grande mestre do conto moderno, Edgar Allan Poe, talvez tenha sido quem primeiro colocou o efeito pretendido no topo dos objetivos do escritor. Ainda hoje é considerado um bom conto aquele que consegue provocar algo no leitor, seja medo, compaixão ou reflexão. Quando temos uma simples descrição, não chega a ocorrer no leitor este efeito, por menor que seja, enquanto em uma narrativa como a do Leonardo Brasiliense o leitor não tem como não pensar na sua adolescência ou na sua atitude com os próprios filhos.

Abertura

Um vida inteira pela frente. O tiro veio por trás.
Cíntia Moscovich (Os cem menores..., 2004)
Como pode um texto tão pequeno provocar efeito em quem lê? A resposta está no próprio agente da questão: o leitor. À Cíntia coube contar a história de uma pessoa que morreu assassinada numa representação contundente da banalização da vida. Mas se a vítima é um homem, uma mulher, gorda, magra, nova, velha, se mora na cidade, no campo, noutro país, se era bandido ou mocinho, amante ou amado, casto ou tarado, nada disso está dito, cabe ao leitor preencher as lacunas a partir de seus conceitos e experiências. Muito possivelmente um leitor urbano como nós verá aí uma ironia com a insegurança que ceifa a vida de tantos jovens. Mas talvez um trabalhador suburbano veja a covardia de quem mata pelas costas, e não o futuro perdido por quem morre. Essa abertura é uma das riquezas do conto potencializada no miniconto.

Exatidão

"AVENTURA"
Nasceu.
Luís Dill (Contos de Bolso, 2005)
Tudo bem que a abertura do texto para o leitor seja aspecto fundamental do miniconto, mas é importante que o autor seja suficientemente claro para criar o efeito desejado no leitor, e não seu oposto, sob o risco de não ser compreendido. Para tanto a escolha de cada palavra em cada posição é fundamental, quase como em um poema, pois disso depende o sucesso ou não da narrativa. Se Cíntia Moscovich escrevesse "Teria sido um ótimo escritor, mas o tiro veio por trás" o texto perderia seu recurso estético causado pela oposição frente/trás, vida/morte, comprometendo até o efeito semântico. Mesma coisa, e mais ainda, no texto "Aventura", do Dill. Não sei se existem outras duas palavras que se casem tão bem para formar uma narrativa instigante, aberta e ao mesmo tempo repleta de significados como esta. São apenas duas palavras, quinze caracteres tão bem dispostos que é difícil não sentirmos seu efeito. E percebermos ali o cerne do conto e da literatura.

Nota do Editor
Leia também "Micronarrativa e pornografia"


Marcelo Spalding
Porto Alegre, 20/2/2007


Mais Marcelo Spalding
Mais Acessadas de Marcelo Spalding em 2007
01. Sexo, drogas e rock’n’roll - 27/3/2007
02. Vestibular, Dois Irmãos e Milton Hatoum - 31/7/2007
03. Com a palavra, as gordas, feias e mal amadas - 30/1/2007
04. O dinossauro de Augusto Monterroso - 10/4/2007
05. Estrangeirismos, empréstimos ou neocolonialismo? - 1/5/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
21/2/2007
11h35min
Sem dúvida, o miniconto, quando bem escrito, é um colírio para o coração. É como os hai-kais: têm que ser perfeitos, com as palavras certas, para dar um tiro certeiro na alma. Parabéns pelo seu texto. Abraço. Adriana
[Leia outros Comentários de Adriana]
23/2/2007
19h51min
Pois é Marcelo, sou viciada em minicontos. Também gosto de haikais, mas sou apaixonada mesmo por POETRIX. Diferente do haikai o POETRIX, apesar de ser também um terceto, permite título, rimas, temas urbanos, metáforas, e até 30 sílabas métricas. Foi criado pelo poeta baiano Goulart Gomes. Abraço meu.
[Leia outros Comentários de Ana Mello]
28/2/2007
03h58min
Marcelo, tu sempre passando teus conhecimentos adiante, né?!!! Obrigada por existires, por seres tão competente e amigo. Obrigada por suportar minhas dúvidas, inseguranças; meus "desconheceres". Quero deixar registrado aqui o quanto as dicas do Sr. Marcelo são eficazes, queridas e muito bem-vindas. Ao restante dos "Super" profissionais do DIGESTIVO, parabéns!!! Que bom que o Marcelo é um de vocês!
[Leia outros Comentários de Maira Knop]
28/2/2007
18h34min
Na correria diária da nossa vida nada como poder absorver essas pequenas delícias da literatura. Parabéns pelo texto e por ter lembrado de escrever sobre o que gosto tanto, ou seja, minicontos, haicais, Poe...
[Leia outros Comentários de Rose Peixer]
13/3/2007
15h17min
Sempre gostei de contos curtos, haicais (amo os do Leminski), versos minúsculos, um parágrafo de crítica. E a sensibilidade de Spalding reforça, agora, minha opinião diante dos prolixos...
[Leia outros Comentários de Chuchi Silva]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




FORMAS DE PRAZER
MARCELO PIZANI
RECORD
R$ 12,00



REBECCA
DAPHNE DU MAURIER
VICTOR CIVITA
(1981)
R$ 24,00



CENSURA NA LEI E NA MARRA
ELOÍSA ARAGÃO
HUMANITAS
(2013)
R$ 19,99



FUNDAMENTOS DA LOGOTERAPIA. NA CLÍNICA PSIQUIÁTRICA E PSICOTERAÊUTICA (VOL. I)
ROBERTO RODRIGUE
VOZES
(1991)
R$ 38,00



EM BUSCA DA VIDA APÓS A MORTE
LESLIE FLINT
TRÊS
(1971)
R$ 20,00



QUAL É O CORPO QUE DANÇA
MILLHER JUSSARA
SUMMUS
(2018)
R$ 35,00



ADORO MÚSICA, ADORO DANÇAR
MARY HIGGINS CLARK
CÍRCULO DO LIVRO
(1991)
R$ 4,00



E AGORA SÃO CINZAS
ARNALDO ANGELI FILHO
L&PM POCKET
(2007)
R$ 15,00



O CÓDIGO DA VINCI - EDIÇÃO ESPECIAL ILUSTRADA
DAN BROWN
SEXTANTE
(2005)
R$ 40,00



COMO SER UM PIRATA
CRESSIDA COWELL
INTRÍNSECA
(2010)
R$ 12,00





busca | avançada
34764 visitas/dia
922 mil/mês