My fair opinion | Eduardo Mineo | Digestivo Cultural

busca | avançada
49702 visitas/dia
2,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> De Kombi na Praça - Pateo do Collegio
>>> Primeiras edições de Machado de Assis são objeto de exposição e catálogos lançados pela USP
>>> Projeto lança minidocumentário sobre a cultura do Gambá na Amazônia
>>> Cinema itinerante leva sessões gratuitas a cidades do Sudeste e do Sul
>>> Artistas abrem campanha de financiamento para publicação de graphic novel
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Jô Soares (1938-2022)
>>> Casos de vestidos
>>> Elvis, o genial filme de Baz Luhrmann
>>> As fezes da esperança
>>> Quem vem lá?
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Gramática da reprodução sexual: uma crônica
>>> Sexo, cinema-verdade e Pasolini
>>> O canteiro de poesia de Adriano Menezes
>>> As maravilhas do modo avião
Colunistas
Últimos Posts
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
Últimos Posts
>>> Direitos e Deveres, a torto e a direita
>>> Os chinelos do Dr. Basílio
>>> Ecléticos e eficazes
>>> Sarapatel de Coruja
>>> Descartável
>>> Sorria
>>> O amor, sempre amor
>>> The Boys: entre o kitsch, a violência e o sexo
>>> Dura lex, só Gumex
>>> Ponto de fuga
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Hasta la vista, baby
>>> O amor é importante, porra
>>> Por uma arquitetura de verdade
>>> O criador do algoritmo do YouTube
>>> Cisne Negro: por uma inversão na ditadura do gozar
>>> Filosofia teen
>>> Extraordinary Times
>>> O melhor programa cultural
>>> As estrelas e os mitos
>>> Open Culture
Mais Recentes
>>> Dia de confissão de Allan Folsom pela Rocco (2004)
>>> Evolução uma Introdução de Stephen C. Stearns e Rolf F. Hoekstra pela Atheneu (2003)
>>> O x da questão de Eike Batista pela Primeira pessoa (2011)
>>> Ruth Cardoso - Fragmentos de uma vida de Ignácio de Loyola Brandão pela Globo (2010)
>>> O trem partiu de Maria Luiza Pereira Ervilha pela Thessaurus (2013)
>>> O pomar de laranjeiras de Kathryn Harrisson pela Objetiva (1995)
>>> Como Trabalhar para um Idiota de John Hoover pela Futura (2005)
>>> O Segredo de Luísa de Fernando Dolabela pela Cultura (2002)
>>> As sete irmãs de Lucinda Riley pela Novo conceito (2014)
>>> Manual ilustrado dos remédios florais do Dr. Bach de Philip M. Chancellor pela Pensamento (1995)
>>> Star Wars : Sombras do império (como novo) de Steve Perry pela Aleph (2015)
>>> Princesa de Jean P. Sasson pela Best Seller (2002)
>>> O desafio japonês de Hakan Hedberg pela Lia (1970)
>>> História do Automóvel - Fascículo 4 de Expressão e Cultura pela Expressão e Cultura
>>> Pais Brilhantes - Professores Fascinantes de Augusto Cury pela Sextante (2003)
>>> Entardecer de Menotti Del Picchia pela MPM (1978)
>>> Viagem ao centro da Terra de Júlio Verne pela Pé da letra (2019)
>>> Introduccion a la economia (Espanhol) de Maurice Dobb pela Popular (1959)
>>> Under the duvet de Marian Keyes pela Penguin books (2001)
>>> Bala na agulha de Marcelo Rubens Paiva pela Siciliano (1992)
>>> Número zero de Umberto Eco pela Record (2015)
>>> Perspectivas do novo sindicalismo de José Ibrahim pela Loyola
>>> A Direção do Olhar do Adolescente de Ana Luiza O. Buratto / Maria Rita C. Dantas pela Artmed (1998)
>>> A vida da igreja de Dong Yu Lan pela Alimento diário (2012)
>>> A mídia e a modernidade de John B. Thompson pela Vozes (1998)
COLUNAS

Segunda-feira, 30/4/2007
My fair opinion
Eduardo Mineo

+ de 6000 Acessos
+ 4 Comentário(s)

My fair lady, como se você já não soubesse, é um musical da Broadway adaptado da peça Pygmalion, de George Bernard Shaw. Na mitologia, Pygmalion é um escultor que se apaixona por uma de suas estátuas. Na peça de Shaw, um professor de fonética (Henry Higgins), em uma aposta com seu amigo (Coronel Pickering), acolhe em sua casa uma pobre vendedora de flores (Eliza) para lhe ensinar a falar como alguém da aristocracia. O objetivo era comprovar suas habilidades de professor levando Eliza a um baile da rainha e a convencendo de que Eliza era da alta sociedade. E como era de se esperar por aqueles que esperam este tipo de coisa, ele acaba se apaixonando pela Eliza.

Pelo menos eu me convenci de que ele se apaixonou pela Eliza. Bernard Shaw talvez não concordasse comigo porque ele era um feminista e feminista é o tipo de gente que fica procurando más intenções em cada sentimentinho de um homem. Diga que está apaixonado para uma feminista e ela vai chacoalhá-lo de ponta-cabeça esperando que caia alguma má intenção no tapete. Ser feminista é viver em tensão, como se fossem jogá-la a qualquer instante numa cozinha para lavar pratos ou passar a roupa. Calma, seja suave, senão em pouco tempo estará com a cara da Betty Friedan.

De qualquer forma, é uma peça maravilhosa. Mesmo com tanta crítica social. Eu tenho certeza de que em outra encarnação eu era um dos velhinhos irritados e suados de infarto que vaiaram Bernard Shaw por causa desta mania besta de "ó, a elite também faz cocô", mas é uma das melhores comédias que existem. Antes de enxergar esta coisa chata de que mudando apenas o jeito de se falar de uma pessoa você altera toda sua posição na sociedade porque, oras, oras, muito hipócrita esta burguesia e tal, eu enxergo uma história maravilhosa sobre um conflito entre ego e amor, como em Orgulho e preconceito, da Jane Austen, mas com toda a genialidade cômica de Shaw. Há algo de muito errado na cabeça de quem enxerga o mundo através apenas desta ótica cinzenta da crítica social.

Esta peça teve uma adaptação fraca para o cinema em 1938. Mais tarde, em 1956, foi apresentada na forma de musical pela Broadway já com o título de My fair lady, estrelando Julie Andrews como Eliza. Em 1964, este musical ganhou sua versão para o cinema, dirigida por George Cukor (Cukor, cara! Cukor!) e com Audrey Hepburn no lugar da Julie Andrews. Esta troca não foi bem aceita porque a Audrey foi dublada por não cantar bem o suficiente (me recuso a dizer que ela cantava mal), mas e daí? A dublagem foi bem feita e o filme é um dos meus preferidos. É tudo muito bonito e de bom gosto.

E agora, a peça My fair lady ganhou uma adaptação brasileira, que me pareceu meio insensata. É difícil adaptar peças da Broadway simplesmente porque eles fazem peças perfeitas. E quando se imita algo que é perfeito, suas duas opções são: fazer igual ou fazer pior. É risco demais.

Por isso eu hesitei bastante em escrever sobre a peça My fair lady em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo, porque certamente eu reclamaria muito, então resolvi não pegar tão pesado para que o texto não soasse grosseiro, mas se quiserem saber minha opinião de verdade, piorem tudo o que eu escrever aqui. E coloquem uns palavrões no meio, também.

Por exemplo, deve ser a primeira vez na história que os atores coadjuvantes foram melhor que os principais. Atuaram muito bem, os coadjuvantes, no nível da Broadway. O grupo que cantou "Wouldn't it be loverly" e os empregados da casa do Higgins foram realmente muito bons. Assim como o figurino, que estava muito bem feito e as trocas de cenário que impressionaram de verdade. Estes foram os pontos altos da peça.

Já a garota que fez a Eliza não convenceu. Nas músicas que exigiam mais, como a própria "Wouldn't it be loverly" e "I could have danced all night" me pareceu que ela não alcançou os tons. E eu ouvia pessoas dizendo com muita convicção "Nossa, como ela canta bem!", e até entendia porque, pelo padrão deles, exemplo de boa voz feminina é Ivete Sangalo, mas quem já ouviu alguma ária de "Die Entführung aus dem Serail" sabe o que significa um padrão alto de vocal feminino. Tudo bem, comparar Mozart a um musical é covardia, mas basta ouvir a própria Julie Andrews cantando as mesmas músicas na versão da Broadway e fica fácil perceber o que significa cantar bem.

O personagem Freddy, que tinha uma das árias (posso dizer ária?) mais difíceis - pelo menos a que eu acho mais difícil, me baseando em algumas horas de tentativas frustradas de cantá-la no banheiro -, "On the street where you live", não agradou também. Não cantava mal, mas o ator que o interpretou tinha tristemente o timbre de voz de um dublador da Disney. Não é um defeito, eu sei, mas se eu fechasse os olhos, poderia jurar que quem estava cantando era, tipo, o Nemo. Foi difícil para meus ouvidos, que já ouviram esta mesma música ser cantada por Nat King Cole.

O ator que interpretou o Higgins usou um sotaque timidamente afetado, como se isso indicasse distinção, mas só ficou esquisito. Rex Harrison, na versão da Broadway e de Hollywood, conseguiu passar uma superioridade arrogante, enquanto o ator brasileiro só conseguiu transmitir petulância. Outra questão é que o personagem de Higgins no musical não deveria cantar, apenas entoar, para indicar sua personalidade racional, mas na versão brasileira, ele exagerou na melodia. Já o ator que interpretou o Alfred Doolittle praticamente ditou suas músicas, mas deveria reproduzi-las como um barítono. As músicas "With a little bit of luck" e "I'm getting married in the morning", principalmente esta última, sem as esticadas graves do Stanley Holloway ficaram sem graça. E ambos não conseguiram alcançar o carisma que os papéis necessitavam. Uma pena.

E o andamento estava rápido demais, o que estragou todas as cenas cômicas. Todas as tiradas foram ditas num tempo errado. Deram a impressão de que estavam com pressa e não conseguiram atuar com naturalidade. Teve momentos em que a velocidade atrapalhava ao ponto da confusão, principalmente no começo, quando os personagens estão reunidos em frente a um teatro onde foram assistir Fausto de Wagner (e não Aída de Verdi como disseram no palco). E senti que atropelaram várias partes do baile da rainha. Ficou estranho.

E percebi, finalmente, que eu estou no ramo errado. Vou fazer teatro. Brasileiro é muito fácil, muito sorridente. Vai ao teatro com o único objetivo de aplaudir. Eu vou ao teatro para assistir uma peça; caso seja boa, eu aplaudo, caso contrário, não. E esta não era uma boa peça. Teve uma boa produção, mas pelo valor que gastaram, deveria ter sido muito melhor. Por enquanto, a melhor opção em São Paulo ainda é o Theatro Municipal, onde você assiste músicos realmente bons, em lugares melhores e pela metade do preço.


Eduardo Mineo
São Paulo, 30/4/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Free, de Chris Anderson de Julio Daio Borges
02. O melhor de Dalton Trevisan de Marcelo Spalding


Mais Eduardo Mineo
Mais Acessadas de Eduardo Mineo em 2007
01. O físico que era médico - 23/4/2007
02. A comédia de um solteiro - 3/12/2007
03. A propósito de Chapolin e Chaves - 24/9/2007
04. Eduardo Mineo, muito prazer - 9/4/2007
05. Um plano - 2/7/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
30/4/2007
11h16min
O problema com a Audrey Hepburn, no filme, é que fica facílimo tirar a moça das ruas e colocá-la nos salões da aristocracia. Tem pouca gente, no universo inteiro, que seja tão naturalmente refinada. No Brasil um negócio desses é quase impensável. Beleza de texto, Mineo.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
30/4/2007
17h25min
Não vi Shaw nenhum ali. Tb acho que, com dinheiro, se faz tudo, até peça bem produzida no Brasil. Com dinheiro de muita gente, aliás, que não foi nem vai assistir a peça. Isso me incomoda.
[Leia outros Comentários de Eduardo Carvalho]
4/5/2007
12h47min
Não acho que podemos esperar a qualidade da Broadway num musical brasileiro, especialmente porque o sistema de incentivos para musicais nos EUA funciona de maneira bem diferente do que no Brasil... Aqui nos EUA, eles tem tido problemas com o teatro não musical que está caindo no ostracismo pelos mesmos motivos que no Brasil: não aborda temáticas interessantes para a população média, e produzem peças autorais que só interessam a uma minoria. No Brasil, temos bom teatro, mas contamos nos dedos as peças bacanas ao longo dos anos... Para que se esforçar com qualidade, se o patrocínio estatal está ai para cuidar da gente? Quando acabarem com a mania de querer só copiar o que vem de fora, ou meramente fazer o autoral moralizante, quem sabe fazendo um "teatro de entretenimento", teremos muitos sucessos. Até mesmo este musical pode servir de trampolim para um divertido musical adaptado ao gosto brasileiro. Ou será que tudo que a nossa classe mérdia almeja e' morar nos EUA? :)
[Leia outros Comentários de Ram]
24/7/2007
13h43min
Olá Carla. Infelizmente não tenho nada pronto sobre Miss Saigon e o texto "os nossos miseráveis" não é meu, é do Fábio Danesi. Mas não tiro uma vírgula do que ele disse (menos o lance da Broadway). Eu voto em My fair lady, mas tenho medo das interpretações. Até a adaptação de Roberto Bolaños, o Chaves, ficou melhor que esta brasileira.
[Leia outros Comentários de Eduardo]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Ao Deus Desconhecido: Um Ensaio Ontológico
Wilson Silva
Kúrios
(2015)



Curso de Direito Comercial - Falência e Recuperação de Empresa
Sérgio Campinho
Saraiva Jur
(2018)



Reiki Universal (Sistema Usui, Tibetano, Osho, Kahuna)
Johnny De' Carli
Madras
(1999)



O Estado Babá
David Harsanyi
Litteris
(2011)



Sampaio Bruno Prosa
Joel Serrão
Agir
(1960)



Saude - Série Bem-estar (2007)
Lilian Rossetti; Heloisa Noronha
Publifolha
(2007)



Tex Nº 104
G. L. Bonelli
Vecchi
(1979)



Administração de Hotelaria Hospitalar
Fadi Antoine Taraboulsi
Atlas
(2003)



Batismo de Fogo
Mario Vargas Llosa
Record/Altaya
(1995)



De La Grâce et de Lhumanité de Jésus
Jacques Maritain
Desclee de Brouwer
(1967)





busca | avançada
49702 visitas/dia
2,0 milhão/mês