Impressões sobre a FLIP | Guilherme Conte | Digestivo Cultural

busca | avançada
83119 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Terreiros Nômades leva arte, história e saberes das culturas africanas e originárias a escolas
>>> Luarada Brasileira lança primeiro EP com participação especial de Santanna, O Cantador
>>> Quilombaque acolhe 'Ensaios Perversos' de fevereiro
>>> Espetáculo com Zora Santos traz a comida como arte e a arte como alimento no Sesc Avenida Paulista
>>> Kura retoma Grand Bazaar em curta temporada
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
>>> Sim, Thomas Bernhard
>>> The Nothingness Club e a mente noir de um poeta
Colunistas
Últimos Posts
>>> Bill Ackman no Lex Fridman (2024)
>>> Jensen Huang, o homem por trás da Nvidia (2023)
>>> Philip Glass tocando Opening (2024)
>>> Vision Pro, da Apple, no All-In (2024)
>>> Joel Spolsky, o fundador do Stack Overflow (2023)
>>> Pedro Cerize, o antigestor (2024)
>>> Andrej Karpathy, ex-Tesla, atual OpenAI (2022)
>>> Inteligência artificial em Davos (2024)
>>> Bill Gates entrevista Sam Altman, da OpenAI (2024)
>>> O maior programador do mundo? John Carmack (2022)
Últimos Posts
>>> Napoleão, de Ridley de Scott: nem todo poder basta
>>> Sem noção
>>> Ícaro e Satã
>>> Ser ou parecer
>>> O laticínio do demônio
>>> Um verdadeiro romântico nunca se cala
>>> Democracia acima de tudo
>>> Podemos pegar no bufê
>>> Desobituário
>>> E no comércio da vida...
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ler muito e as posições do Kama Sutra
>>> Lockdown Sessions No. 3
>>> Mundo negro, branco na capa
>>> Puro Guapos no Tom Jazz
>>> Google Music Search
>>> Nostalgia do país inventado
>>> Manifesto Infeliz
>>> Bill Gates entrevista Sam Altman, da OpenAI (2024)
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
>>> A música que surge do nada
Mais Recentes
>>> O terraço dos Benardini de Suzanne Prou pela Civilização Brasileira (1978)
>>> Robin Hood A Lenda Da Liberdade - Série Deixa Que Eu Conto de Pedro Bandeira pela Moderna (paradidaticos) (2012)
>>> Estudos Espíritas de Divaldo Franco; Joana de Ângelis (Espírito) pela Feb (1983)
>>> Livro Religião Atos Introducao e Comentario de Howard Marshall pela Mundo Cristão (1980)
>>> Livro Literatura Estrangeira O Cortiço em Quadrinhos de Aluisio Azevedo pela Principis (2019)
>>> A Contadora De Historias de Pedro Bandeira pela Melhoramentos (2005)
>>> Nova Bíblia Viva de Vários Autores pela Mundo Cristão (2010)
>>> O poeta e o cavaleiro de Pedro Bandeira pela Ftd (1998)
>>> Livro Pedagogia Interdisciplinaridade Formação de Profissionais da Educação de Célia Maria Haas; Ecleide Cunico Furlanetto pela Pioneira (2000)
>>> Livro Infanto Juvenis O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint Exupery pela Agir (2009)
>>> A Hora Da Verdade. Voo Livre de Pedro Bandeira pela Atica (paradidaticos) (1998)
>>> Livro Esportes Jogo Sujo O Mundo Secreto da Fifa Compra de Votos e Escândalo de Ingressos de Andrew Jennings pela Panda Books (2011)
>>> Emaranhados em mim - autografado de Fernanda Maia pela Ruja (2020)
>>> Dicionário Visual De Bolso 3 Em 1 de Dorling Kindersley pela Blucher (2011)
>>> Pântano de Sangue de Pedro Bandeira pela Moderna (1987)
>>> Livro Auto Ajuda Quando Termina é Porque Acabou de Greg Behrendt / Amira Ruotola-behrendt pela Rocco (2006)
>>> Livro Música Song and Circumstance The Work of David Byrne from Talking Heads to the Present de Sytze Steenstra pela Continuum (2010)
>>> Lusco Fusco - Vida e morte de um desconhecido de Marcello Mathias pela Bertrand Brasil (1991)
>>> A violencia na contemporaneidade: o olhar da psicologia de Sandra amorim pela Crv (2015)
>>> Livro Filosofia Guia Politicamente Incorreto da Filosofia Ensaio de Ironia de Luiz Felipe Pondé pela Leya (2012)
>>> O ludico e a cognição de Margarete Bertolo Boccia pela Oikos (2014)
>>> Pantano De Sangue de Pedro Bandeira pela Moderna (1992)
>>> Livro Turismo Guia Visual Folha de São Paulo Cuba de Dorling Kindersley pela Publifolha (2004)
>>> Livro Artes A Arte de Fazer um Jornal Diário de Ricardo Noblat pela Contexto (2007)
>>> O Grande Conflito Ellen G White Uma Saga Milenar Novo de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (2022)
COLUNAS

Sexta-feira, 20/7/2007
Impressões sobre a FLIP
Guilherme Conte
+ de 10400 Acessos

Kiran Desai e José Eduardo Agualusa (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)

Alto lá! Este colunista faz um aviso de saída. O título aí em cima não podia ser outro. O que você tem em mãos (ou na sua frente, enfim) é um apanhado de impressões sobre a V FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. O evento foi exaustivamente coberto, e este que vos escreve não era um dos 550 jornalistas credenciados. Sim, pasmem, é isso mesmo: 550 jornalistas credenciados. E reclamam que pouco se lê nesse país. Como diria o mestre Tutty Vasques, "essas coisas a oposição não vê. Ô, raça!"

Isso já dá um pouco da medida do evento midiático que é a FLIP. A cidade torna-se uma ciranda de crachás de diversas cores pra lá e pra cá, flashes incessantes de máquinas digitais (e celulares, agora, também), autógrafos e lançamentos e vernissages e exposições e toda a sorte de "etcs" que a sua imaginação for capaz de conceber. A literatura, ou as discussões que interessam, ao menos, acabam não raro ficando em segundo plano.

A quinta edição da festa já nasceu diferente: Cassiano Elek Machado conseguiu montar a melhor programação de todas as FLIPs até agora. Não só por uma escolha de nomes mais cuidadosa, com menos espaço para pseudo-escritores e pára-quedistas de plantão (sempre os haverá, até o fim dos tempos), como também com uma concepção mais refinada por trás das mesas - sem pérolas de edições passadas como "Vozes femininas" e demais lampejos de genialidade.

Se por um lado a FLIP começa a sofrer na pele o que o ministro Guido Mantega chamaria de "fruto do crescimento" - no sábado era impossível arrumar em tempo razoável uma mesa em algum restaurante e uma pane geral derrubou a luz em boa parte de Paraty -, por outro ela parece estar se encontrando mais enquanto projeto de discussão.

O que não melhorou muito, lamentavelmente, foi o nível medíocre dos moderadores. Continua a mesma sensação de despreparo e absoluta falta de criatividade, que dirá curiosidade. Vocês hão de convir que cansou a mesma ladainha de "quais são suas influências?" e "como foi o processo de criação do livro tal?" E fica também uma questão a se pensar: por que será que as melhores mediações são de não-jornalistas? A professora Lilia Moritz Schwarcz, por exemplo, deu uma verdadeira aula de competência e elegância na mesa com o historiador Luiz Felipe de Alencastro.

Mia Couto (Foto: Tuca Vieira/Divulgação)

Também outro dado interessante é o fato de que a melhor discussão vista por este colunista em Paraty não foi na FLIP oficial, mas na oficialíssima OFF-FLIP: o debate entre o angolano José Eduardo Agualusa e o moçambicano Mia Couto, mediados pelo escritor e pesquisador também moçambicano Nelson Saúte, numa série de debates promovida pela editora Língua Geral. Já há uma quantidade razoável por aqui de livros de escritores lusófonos de países africanos. Vale ficar de olho: há gente de primeiríssima qualidade e eles têm muito a dizer sobre nós mesmos.

Em um balanço, o saldo é bem positivo. A se confirmar como tendência o ritmo impresso por Cassiano nessa edição, esperamos com certa ansiedade o que a festa de 2008 pode nos trazer. Em especial, atenção aos diálogos com outros formatos, como a música e o teatro. E ficam os pobres votos deste colunista para que se democratize o acesso às mesas. Por que não telões apontando para a praça? Um pequeno gesto que seria de muita grandeza.

* * *

Gafieira de primeira linha

Orquestra Imperial na abertura da FLIP (Foto: Tuca Vieira/Divulgação)

Já não é de agora que a Orquestra Imperial vem sendo apontada como um dos nomes mais bacanas que surgiram nos últimos anos. Se a mídia só descobriu pra valer o som do pessoal em 2006 (e agora eles fizeram o show de abertura da FLIP), há tempos que os bailes e shows da trupe têm conquistado um público fiel, principalmente lá para os lados dos alvos arcos da Lapa.

O que nasceu como uma brincadeira entre amigos resultou em um projeto musical de qualidade, que esbanja carisma e bom humor; uma trajetória parecida com a de um outro pessoal, lá de Recife-PE: o Projeto Del Rey. A Orquestra - como é carinhosamente chamada pelo público - está entre o fino do repertório da linha de frente nacional e os shows estão cada vez mais concorridos.

O recém-lançado álbum Carnaval só no ano que vem é prova inconteste da qualidade do conjunto. São onze grandes canções que exploram bem a diversidade de sonoridades da Orquestra sem no entanto diluir uma linha estilística clara. Isso resulta em um disco redondo, sem emendas ou aquela incômoda aparência de mosaico irregular que poderia aparecer em um projeto do tipo.

É antropofagia pura, em que dialogam bem as diferentes idades e escolas (desde os veteranos Wilson das Neves e Nelson Jacobina), com muito balanço e estilo. O prazer de escutar o álbum supera em anos-luz de distância o debate rasteiro que perde-se em comparar a Orquestra com o Los Hermanos etc. O grupo é autêntico, tem uma proposta sólida e arma-se até os dentes para defendê-la. Isso tudo, somado ao carisma e empatia da turma, garantem à OI a verdadeira devoção que lhe é prestada, já há tempos.

Para não fugir à discussão por assim dizer mais técnica, opto por destacar o trabalho do músico e produtor Kassin, que vem concebendo os universos sonoros de muitos grandes discos que têm surgido recentemente. Um artista criativo a quem estão dando material de qualidade para trabalhar: não tinha como dar errado.

Se souber de algum show da Orquestra, compre o ingresso com o máximo de antecedência possível; eles costumam evaporar em um piscar de olhos. O show será com certeza uma experiência especial. Se não puder, contente-se em comprar o disco. Você terá em mãos um álbum que é de saída um dos melhores de 2007.

* * *

E o fora de moda sai de moda
Reportagem de Rodrigo Brancatelli no Estadão do dia 18/06 ("A balada sai da Vila Olímpia") traz o dado interessante de que caiu para um terço o número de bares, restaurantes e baladas no bairro da Vila Olímpia. Se no auge, há poucos anos, eram cerca de 3.000 (sim, é isso mesmo), hoje não passam de 1.000.

Coisas de grandes cidades. As metrópoles são organismos vivos, pulsantes, em constante mutação. Guardam em si um elemento paradoxal: são sempre as mesmas, mas não param de mudar. Ir a Londres duas vezes, com cinco anos de diferença entre as viagens, é encontrar-se com duas cidades iguais. Mas também muito diferentes.

Há cerca de 20 anos o que pegava era a Avenida Ibirapuera. Depois a coisa migrou para a Faria Lima e a Vila Olímpia. Hoje, o bairro, à noite, tem ares mesmo de cidade-fantasma, com pistoleiros e bolas de feno. E já é impossível achar uma vaga para estacionar em Moema, com seus barzinhos todos iguais. O Itaim, também, não anda lá um sinônimo de tranqüilidade.

A coisa começa a escoar para os lados da Vila Madalena. Antes, as ladeiras arborizadas do bairro davam guarida apenas a botecos simpáticos, restaurantes descolados e aqueles sambinhas que "só vai conhecido". Agora começam a esgueirar-se por ali genéricos daquelas baladas e bares que outrora empesteavam a Vila Olímpia.

Uma pena. A coluna faz votos de que essa tendência não se confirme. Afinal, nada mais fora de moda do que aquelas filas quilométricas, drinques mal feitos por preços astronômicos, manobristas igualmente exorbitantes e demorados, serviço pífio, freqüentadores chatinhos e iguaizinhos, ambientes superlotados e esfumaçados e seguranças arrogantes e truculentos. Chega, né?

* * *

Pequena homenagem a um boêmio notável

Seu Armando vendendo bichinhos pela noite paulistana(Foto: Arquivo Pessoal)

Este colunista quebra o protocolo e abre um espaço para algumas palavras sobre um amigo que se foi, deixando saudade. Armando Colacioppo era uma figura carimbada dos bares paulistanos, sobretudo no eixo Paulista-Pinheiros-Vila Madalena. Muitos não o reconheceriam pelo nome, mas sim como o homem que vendia bichinhos com sua bicicleta. Ou apenas Seu Armando.

Era um daqueles tipos notáveis que por vezes parecem ter saído das páginas de um romance de García Márquez. Zanzava pelos bares em uma magra bicicleta vendendo bichinhos de pano feitos por sua mulher. Incontáveis paulistanos têm um ou mais de seus bichinhos encostados em algum lugar da casa.

A peculiaridade dos pequenos objetos fica por conta de seus nomes: Inconsciente Coletivo, Pássaro do Terceiro Milênio, Tô-li-tô-lá, Marciano Erótico, Lilly - A Namorada do Puppy, Madacaru, Pitico, Zé Celso e tantos outros... E com extrema alegria Armando comemorava cada venda.

Se convidado, sentava e tomava um Guaraná, feliz por "estar entre jovens, batendo papo". Aos poucos se abria para contar sobre sua juventude, os tempos de USP. Dizia ter vontade de escrever um livro com histórias da noite. Assim bem o definiu Rodrigo Antonio, grande amigo e biógrafo de Mia Couto: "O nosso Joe Gould".

Morre com ele um pouco do romantismo da cidade e de outros tempos. Os tempos que se desdobram em outros e viram enfim os tempos de todos os tempos. Que Armando possa descansar para ser cantado pelas noites da Vila Madalena, a evocar o desejo de um mundo mais digno.


Guilherme Conte
São Paulo, 20/7/2007

Quem leu este, tambm leu esse(s):
01. Romance quebrado de uma era fraturada de Daniel Lopes


Mais Guilherme Conte
Mais Acessadas de Guilherme Conte em 2007
01. Impressões sobre a FLIP - 20/7/2007
02. O homem visto do alto - 23/3/2007
03. O cientista boêmio - 12/1/2007
04. E se refez a Praça Roosevelt em sete anos - 13/4/2007
05. Rafael Spregelburd e o novo teatro argentino - 11/5/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Aventuras Maravilhosas do Capitão Cororan
Alfred Assolant
Companhia Nacional
(2007)



Diários do Vampiro Anoitecer
L.J. Smith
Galera
(2010)



As Certezas Perdidas da Psicanálise Clínica
Stefania Turillazzi Manfredi
Imago
(1998)



Guia da Paris Impressionista
Patty Lurie
Record
(1998)



Livro de Bolso Literatura Estrangeira A Noite do Professor
Jean Pierre Gattégno
Companhia das Letras
(1995)



Amarras do Passado
Emile Rose
Harlequin
(2013)



Dom Casmurro - Coleção Literatura Brasileira - Nova Ortografia
Machado de Assis
Ciranda Cultural
(2008)



Mercado Financeiro Produtos e Serviços
Eduardo Fortuna
Qualitymark
(2002)



Livro Sociologia Dez Lições para o Mundo Pós-pandemia
Fareed Zakaria
Intrínseca
(2021)



Pedagogia Social - Educação e Trabalho...
Noêmia de Carvalho Garrido et al. (Org.)
Expressão e Arte
(2011)





busca | avançada
83119 visitas/dia
1,8 milhão/mês