Uma vida para James Joyce | Daniel Lopes | Digestivo Cultural

busca | avançada
30385 visitas/dia
851 mil/mês
Mais Recentes
>>> Sidney Rocha lança seu novo livro, A Lenda da Seca
>>> Oficina de Alegria encerra o mês das crianças com a festa Bloquinho na Praça - 27 de outubro
>>> EMP Escola de Música faz apresentação gratuita de alunos e professores
>>> Miami Ad School Rio promove curso sobre criatividade que desmistifica o padrão do que é ser criativo
>>> Exposição destaca figura feminina com a leveza da aquarela
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Inferno em digestão
>>> Hilda Hilst delirante, de Ana Lucia Vasconcelos
>>> As pedras de Estevão Azevedo
>>> O artífice do sertão
>>> De volta à antiga roda rosa
>>> O papel aceita tudo
>>> O tigre de papel que ruge
>>> Alice in Chains, Rainier Fog (2018)
>>> Cidades do Algarve
>>> Gosta de escrever? Como não leu este livro ainda?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Sete chaves a sete cores
>>> Feira livre
>>> Que galho vai dar
>>> Relâmpagofágico
>>> Caminhada
>>> Chama
>>> Ossos perduram
>>> Pensamentos à política
>>> A santidade do pecado em Padre António Vieira
>>> Casa de couro III
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Cigarro, apenas um substituto da masturbação?
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Queijos
>>> A trilogia da vingança de Park Chan-Wook
>>> Redentor, a versão nacional e atualizada da Paixão
>>> Como detectar MAVs (e bloquear)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte II)
>>> Filmes on-line
>>> A Trilogia de Máximo Górki
>>> Apresentação
Mais Recentes
>>> O Vermelho e o Negro de Stendhal pela Nova Cultural/Círculo do Livro (2003)
>>> Nos Submundos Da Antiguidade de Catherine Salles pela Brasiliense (1982)
>>> Curso De Midiologia Geral de Régis Debray pela Vozes (1993)
>>> Margens na Literatura de Luiza Lobo e Angélica Soares: Organizadoras pela Numen (1994)
>>> Livre mercado para todos de Stiglitz,Joseph E; Charlton,Andrew pela Campus/Elsevier (2007)
>>> A Correspondência Completa De Sigmund Freud para Willhelm Fliess de Jeffrey Moussaieff Masson pela Imago (1986)
>>> A alquimia das finanças de Soros,George pela Nova fronteira (1996)
>>> A jogada do século de Lewis,Michael pela Best business (2011)
>>> Nietzsche - O Bufão dos Deuses de Maria Cristina Franco Ferraz pela Relume Dumará (1994)
>>> O mapa e o território de Greenspan,Alan pela Portfolio,Penguin (2013)
>>> O sequestro da América de Ferguson, Charles H. pela Zahar (2013)
>>> O Matrimônio de Sören Kierkegaard pela Editorial Psy II (1994)
>>> O Que faria Maquiavel? - Os Fins Justificam Os Maus de Stanley Bing pela Rocco (2002)
>>> A Mão do Artista de W.H. Auden pela Siciliano (1993)
>>> Contos de Voltaire pela Victor Civilta (1979)
>>> Grandes imperios e civilizaçoes--1 e 2. de Delprado pela Delprado (2018)
>>> Maos de ouro--1,2 e 3. de Abril pela Abril (2018)
>>> Trabalhos maravilhosos--1,2,3,4 e 5. de Editora abril pela Abril (2018)
>>> Eneida de Virgílio pela Nova Cultural (2003)
>>> Maravilhas do mundo de Elvira de oliveira pela Klick (2018)
>>> Museu de arte da catalunha--barcelona. de Juan ainaud de lasarte pela Codex (2018)
>>> National museum of anthropology-mexico-geniuses of art de Laura garcia sanchez pela Susaeta (2018)
>>> A nova secretaria--1,2 e 3. de Editora globo pela Globo (2018)
>>> O Leopardo de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa pela Nova Cultural (2018)
>>> A dieta da superenergia do dr. atkins de Robert c. atkins e shirley linde pela Arte nova (2018)
>>> Republica socialista do paraguay de Antonio sonsin pela Soft-set (2018)
>>> O bicho,meu deus,era um homem de Usf pela Usf (2018)
>>> Rio quente-uma historia aquecida pelas suas proprias aguas. de Arnaldo nogueira pela Grafica brasil (2018)
>>> Curso de formaçao de membros de Igreja messianica do brasil pela Moa (2018)
>>> Fragmentos de lembranças de Neuza das neves pela Degaspari (2018)
>>> Aluna do telhado de Clotilde do carmo dias pela Everest (2018)
>>> Dilemas da educaçao dos apelos populares a constituiçao. de Joao baptista herkenhoff pela Cortez (2018)
>>> Novelle e filastrocche tosco-brozzesi de Gabrielli di tante pela Litteraria riservata (2018)
>>> A sociedade responsavel de Stephen roman e eugen loebl pela Mestre jou (2018)
>>> Etiqueta sem frescura de Claudia matarazzo pela Melhoramentos (2018)
>>> O alquimista de Paulo coelho pela Rocco (2018)
>>> O demonio e a srta.prym de Paulo coelho pela Objetiva (2018)
>>> Divergente de Veronica Roth pela Rocco (2012)
>>> Migração e Mão-de-obra: Retirantes Cearenses na Economia Cafeeira... de Paulo Cesar Gonçalves pela Humanitas (2006)
>>> Italianos Sob a Mira da Polícia Polícia Política de Viviane Teresinha dos Santos pela Humanitas (2008)
>>> Catatau de Paulo Leminski pela Iluminuras (2010)
>>> Armagedom em Retrospecto de Kurt Vonnegut pela Lpm (2018)
>>> Democracia Sindical no Brasil de Ericson Crivelli pela LTr (2000)
>>> Instituições de Direito Civil - Volume 1 de Caio Mário da Silva Pereira pela Forense/Gen (2010)
>>> Maçonaria - Coletânea de Trabalhos dos Anais de 10 Anos - Acomp. CD de Loja Francisco Xavier Ferreira pela Grande Oriente do Rio Grande do Sul (2007)
>>> Prática de Contratos e Instrumentos Particulares de Antonio Celso Pinheiro Franco e Celina Raposo do Amaral Pinheiro Franco pela Revista dos Tribunais (2005)
>>> O Livro do Travesseiro de Sei Shonagon pela 34 (2018)
>>> O Homem Que Ri de Victor Hugo pela Liberdade (2014)
>>> Responsabilidade Civil - Lei 10.406, de 10.01.2002 de Arnaldo Rizzardo pela Forense (2006)
>>> Contratos e Regulamentações Especiais de Trabalho de Alice Monteiro de Barros pela LTr (2001)
COLUNAS

Quinta-feira, 21/1/2010
Uma vida para James Joyce
Daniel Lopes

+ de 5100 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Meu medo natural de adentrar as obras de James Joyce (1882-1941) surgiu em certo momento de 2001, quando li Um retrato do artista quando jovem e não entendi nada, e acabou em novembro de 2007, quando enfim consegui um exemplar daquela maravilha de livro de contos que é Dubliners. Me apaixonei particularmente pela história "Eveline", uma das menores do volume ― rica e acessível.

Como passo seguinte, em agosto de 2008 juntei coragem e comprei um original de A portrait..., e agora, sim, fiquei encantado ― em parte porque já me encantara antes com a completíssima coletânea My oedipus complex and other stories, do também irlandês Frank O'Connor (1903-1966), e os contos deste que lidam com o período da infância guardam alguma semelhança com as aventuras de Stephen Dedalus em Portrait, principalmente na crítica à ortodoxia e à educação católicas. Aguardo agora para adquirir meu exemplar de Ulysses e, em seguida, o Finnegans wake (não, eu não acho que, com a idade e o inglês que tenho, aproveitarei todas as nuances deste romance de linguagem doidona ― sequer acho que perceberei todas as nuances ―, mas vale a pena uma primeira incursão sem grandes pretensões, vocês não acham? Ou será que alguém engoliu Finnegans wake de primeira?).

James Joyce travou muitas guerras, antes, durante e depois da Grande Guerra ― da qual não participou e à qual dirigiu uma indiferença quase irresponsável. Os confrontos do escritor se deram com a Irlanda natal, com o catolicismo, com sua família, com sua esposa, com seus advogados/agentes literários, com a censura puritana da Europa e dos EUA, com seu corpo e com sua mente.

Pois Edna O'Brien percorre com desenvoltura todos esses campos de batalha em James Joyce, uma das mais breves e célebres biografias de todos os tempos. São menos de 200 páginas em tom de conversa com o leitor, uma conversa rigorosa e inteligível.

Depois de uma saída da Irlanda que mais se assemelhou a uma fuga, com a mulher Nora, o jovem Joyce iria se estabelecer em algumas cidades da Europa continental ― Trieste, Zurique, Paris. Deixou o país natal porque já não aguentava mais o catolicismo carola, o eterno clima de rivalidade com os protestantes, e também porque já não podia mais com as intempéries do pai e a docilidade dos irmãos e irmãs. No exílio voluntário, correspondia-se mais com a mãe e com o irmão Stanislaus, mas mesmo com estes dois sua relação era ambígua. Chegou a chamar Stanislaus para passar uma temporada em sua casa em Trieste, mas só para depois cair em profundo arrependimento. O tom de suas missivas para a mãe variava de um esnobismo e arrogância pueris a sinceras, embora contidas, mostras de carinho.

O relacionamento com a esposa também era difícil e inconstante. Em um momento trocavam mensagens abertamente pornográficas, excitavam um ao outro e se entregavam a lascivos encontros que, mesmo na linguagem bem comportada de Edna, deixa a nós leitores com alguns pêlos em pé. Em outros dias, ele ameaçava deixá-la, e ela fazia o mesmo. Houve algumas separações, mas não duraram muito. Parece claro que Joyce não seria inteiramente Joyce sem sua Nora. E, bem, Joyce também não seria Joyce sem as suas muitas escapadas ― adorava tavernas e bordéis, que dizia serem os locais mais interessantes de qualquer cidade.

Desse infinito passeio de Joyce de uma mulher a outra ― suas alunas, inclusive ―, alguns críticos concluíram que ele as desprezava. Isso não é verdade, diz Edna O'Brien. "Como grande artista, Joyce tinha ideias radicais e mutáveis sobre tudo. (...) Em sua primeira ficção, as mulheres eram criaturas sacrificiais modeladas nas que o cercavam, as mães e irmãs submissas aos homens a que serviam. (...) No mais estético Portrait of the artist, as mulheres são criaturas idealizadas, aves marinhas de saias erguidas, entrando mar adentro numa inocência infantil, mas assim que conheceu Nora Barnacle suas mulheres passaram a encarnar o etéreo e o sexual. Não mais vítimas, evoluíram para tentadoras e feiticeiras. (...) O credo de Molly [personagem de Ulysses] era: 'Primeiro vamos nos divertir um pouco'. Indiferente à política, expande-se sobre cada um e todos os aspectos da vida, invoca aventuras sexuais mesmo já tendo visitado o amante Blazes Boylan ('Não distingue poesia de um repolho') nesse mesmo dia, e fala do marido a mandriar pela cidade (...). Só a Esposa de Bath de Chaucer rivaliza com Molly em sua visão franca e desbragadamente irônica dos homens."

Obviamente, romances com mulheres que se acham no direito de ter um amante ― mesmo quando, como é o caso aqui, isso não fere de morte o sagrado casamento, pelo contrário, conta com a complacência (e troco na mesma moeda) do marido Leopold ―, romances assim não eram muito populares entre as cortes que tinham o trabalho de autorizar ou não a circulação de livros, na Europa e no Novo Mundo. E a moralidade de uma obra, tal qual entendida pelos juízes puritanos, era quesito fundamental na aprovação ou reprovação de um livro. Assim, Joyce tem problemas para ter seu livro publicado mesmo aos pedaços, em revistas literárias.

Isso desde Dubliners, que tem um conto ― "An encounter" ― com, segundo os censores, referências ao homossexualismo. O enredo é: um senhor encontra dois garotinhos em um parque, tem prazer ao espezinhá-los verbalmente e depois se afasta para fazer algo, hum..., esquisito? ― "Look what he's doing!", diz um dos meninos; o outro prefere não olhar, e limita-se a dizer, "In case he asks us for our names, let you be Murphy and I'll be Smith." O velhinho podia estar apenas fazendo xixi no lago ou atrás de uma árvore, mas haviam outras imagens povoando as cabeças dos bem educados juízes.

O Ulysses de Molly e Leopold Bloom só pôde sair nos Estados Unidos vinte anos após escrito. No julgamento, a Sociedade para a Prevenção do Vício fez as vezes de promotoria. Ao final de um longo processo de libera/não libera, o juiz responsável concluiu que tratava-se de uma obra obscena, "mas não obscena por obscena", e o veto ao livro caiu junto com a Lei Seca ― "o que levou um dos aliados de Joyce a observar que mentes e garrafas haviam sido abertas ao mesmo tempo", escreve Edna.

Esses constantes processos concorriam para deixar Joyce ainda mais próximo da loucura. E como em sua história de vida não há espaço para desgraça pouca, ele teve que lidar ainda com um problema de vista que praticamente o deixou cego. Ao escrever Finnegans wake, seu último romance, utilizava canetas de diversas cores e traçava letras maiores que o normal, para tornar possível os processos de releitura e correção. Na verdade, enquanto produzia esse livro repleto de firulas, subversões e invenções linguísticas ― que não seriam compreendidas por nove em cada dez críticos da época ―, é provável que o autor já tivesse atingido o estágio pleno da loucura. Gritava e gargalhava sozinho enquanto tecia suas frases diabólicas ― há uma personagem "Quaseplena, Sempreviva, a trazedora de Plurabilidades"; outro que trabalha num "esquiarcéu"; e um terceiro prega que "os delírios de Honah Jon abrigam fulgoraucloma". A barulheira não deixava a pobre Nora pegar no sono.

Seus livros "imorais" decepcionaram inclusive à família em Dublin. E, apesar de tê-la abandonado, Joyce não se lixava para sua opinião (assim como, apesar de ter abandonado a provinciana Dublin, acabou por imortalizá-la em Ulysses). Porque, já dissemos, James Joyce era muita coisa e seu oposto ao mesmo tempo. "É um belo tipo de canalha", foi a opinião que teve de sua pessoa o pai, John, ao folhear um exemplar de Ulysses para ele enviado pelo próprio escritor. Mas a ambiguidade no trato com pessoas e lugares James parece ter herdado exatamente do pai, pois se este se fazia de difícil e durão, quando estava à beira da morte pediu a quem estava perto: "Diga a Jim que ele nasceu às seis horas da manhã".

A morte do velho John Joyce na penúria, logo quando o filho pela primeira vez tinha alguma folga financeira, seria o último grande motivo de tormenta para James.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no Amálgama.


Daniel Lopes
Teresina, 21/1/2010


Mais Daniel Lopes
Mais Acessadas de Daniel Lopes
01. Não gostar de Machado - 3/6/2008
02. Chris Hedges não acredita nos ateus - 1/7/2008
03. Umas e outras sobre Franz Kafka - 27/8/2007
04. O romance espinhoso de Marco Lacerda - 11/7/2007
05. Neruda, oportunista fantasiado de santo - 18/3/2008


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
20/4/2010
10h28min
Belo artigo, mas você forçou um pouco. Desde quando "Gritar e gargalhar sozinho enquanto tece suas frases diabólicas" é sinal de loucura?
[Leia outros Comentários de Amâncio Siqueira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




KARMA E SEXUALIDADE - A EXPERIÊNCIA ALQUÍMICA HUMANA
ZULMA REYO
GROUND
(1992)
R$ 18,50



DESOBEDIÊNCIA CIVIL - DIREITO FUNDAMENTAL
MARIA GARCIA
REVISTA DOS TRIBUNAIS
(1994)
R$ 39,90



O LIS E O LEÃO - OS REIS MALDITOS
MAURICE DRUON
CÍRCULO DO LIVRO
R$ 29,90



10 VEZES TE AMO, PAPAI
ENRIQUETA NAON ROCA
V&R
(2015)
R$ 20,00



CIÊNCIA E SENSO COMUM NO COTIDIANO DAS CLASSES...
MÔNICA DE CARVALHO MAGALHÃES
PAPIRUS
(1995)
R$ 15,00



A GUERRA DO FIM DO MUNDO - 3ª EDIÇÃO
MARIO VARGAS LLOSA
FRANCISCO ALVES
(1981)
R$ 14,00



TESOURO DOS BEATLES
TERENCE BURROWS
LAFONTE
(2012)
R$ 99,00



LIGAÇÕES PODEROSAS
PHILLIP MARGOLIN
ROCCO
(2005)
R$ 15,00



GRAMÁTICA DA LÍNGUA ESPANHOLA
ANTENOR NASCENTES
COMPANHIA NACIONAL
(1943)
R$ 23,00



OS FIOS DA FORTUNA
ANITA AMIRREZVANI
NOVA FRONTEIRA
(2007)
R$ 8,00





busca | avançada
30385 visitas/dia
851 mil/mês