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Sexta-feira, 30/11/2001
A primeira batalha do resto da guerra
Rafael Azevedo

+ de 4700 Acessos

A guerra no Afeganistão parece entrar em sua fase mais decisiva, mais crucial, e mais perigosa, nos meses que se seguirão a esta estranha “rendição” do Taliban: a formação de um governo efetivamente respeitado por todas as milícias e facções étnicas que compõem este estranho país. Afinal, como já foi dito e redito na imprensa, não é a primeira vez que o país se encontra numa situação similar – a mesma Aliança do Norte, que tomou grande parte do país dos malucos de Mohammed Omar, já tomou Cabul certa vez, em 92, após a queda do comunismo – e massacrou boa parte da população. O general Dostam, comandante dos usbeques, foi responsável por massacres terríveis de pessoas da etnia pashtun em Mazar-e-Sharif, também pelos meados da década passada. Gulbadin Hekmatyar, líder xiita que tem o apoio do Irã, também cometeu matanças de proporções genocidas. É de se esperar que a comunidade internacional não abandone o país às suas próprias graças (o que parece que não vai acontecer), como já fez antes, sob pena de logo um outro grupo, quem sabe ainda mais radical e mais propenso a abrigar terroristas que o Taliban, possa aparecer. Afinal, foi graças a barbárie destes chefes tribais, que agora querem posar de chefes de estado na conferência de Bonn, que o Taliban surgiu em primeiro lugar; assim vem sendo, há décadas: sempre que um governo é desfeito, o país submerge em inúmeros grupelhos armados, brigando entre si e massacrando a população nas horas vagas. Após a queda do comunismo, e a saída das tropas soviéticas, no início dos anos 90, o Afeganistão se viu imergido num verdadeiro caos, onde grupos armados controlavam quarteirões das cidades, estuprando e saqueando os moradores. A autoridade era ditada pelo número de AK-47s que cada um desses grupelhos possuía. Inúmeros atos de barbárie eram cometidos corriqueiramente, até que um grupo de pessoas resolveu se insurgir contra o que ocorria; e sua reação não poderia ser branda, obviamente. Assim começou o Taliban. Reza a lenda que certo dia o mulá Omar, líder do bando, decidiu vingar o estupro e assassinato de uma garotinha, na sua cidade de Candahar – juntou um grupo de estudantes islâmicos de sua mesquita (Taliban significa “estudantes” na língua local), conseguiram algumas armas, assassinaram os responsáveis pelo ato bárbaro e desfilaram pela cidade com seus corpos pendurados no cano de um tanque. Após tomarem Cabul, o primeiro ato do Taliban foi invadir o quartel-general da ONU, onde se encontrava escondido o presidente Najibullah, fantoche dos soviéticos na época da dominação comunista, e o levaram preso juntamente com seu irmão. Após caparem os dois, e lhes espancarem e torturarem durante horas, levaram seus corpos inchados e sangrentos para a praça principal da cidade e penduraram os corpos em guindastes. A multidão urrou, e ficou ao lado destes libertadores radicais – afinal, eles se propunham a acabar com a era de bandidagem que reinava no país – e efetivamente o fizeram. Só que acabaram implantando lá uma outra espécie de bandidagem, esta internacional, hospedando Osama bin Laden e sua Al-Qaida. E o resto é história.

Dormindo com o inimigo.
Os pashtuns, povo predominante no Afeganistão, do meio do qual surgiu o Taliban - muito primitivos, conservadores ao extremo, de raízes arraigadas e orgulho forte - seguem um código de honra extremamente específico, que lhes regula quase todos os aspectos da vida, ditando desde a fantástica hospitalidade que lhes impede de entregar bin Laden, e que era tanto admirada pelos ingleses na época das colônias (um afegão que esteja hospedando alguém, deve ceder seu leito para seu hóspede e dormir no chão, e estar pronto a dar sua vida por ele, ainda que ele descubra que este hóspede assassinou alguém de sua família), até o modo como o membro de uma família deve se vingar da família de seu assassino. De certa maneira, este modo de viver submetido completamente a um código de honra guarda paralelos impressionantes com várias civilizações ao redor do mundo, tanto extintas como atuais, como por exemplo os antigos helênicos, as tribos eslavas da Antiguidade tardia, e, no mundo de hoje, povos da região do Cáucaso, como os tchetchenos, inguchétios, ou por exemplo os habitantes do interior da Geórgia, e os montanheses da Albânia, totalmente submissos ao seu Kanun de leis (que sobrepõem mesmo ao sistema legal do país) – sobre o qual já falei certa vez numa coluna minha sobre o livro Abril Despedaçado de Ismail Kadaré.

País bárbaro, esse Afeganistão. No sentido original da palavra. Vendo cenas terríveis, e costumes incompreensíveis para o mundo ocidental, tabus inimagináveis e códigos de honra impenetráveis, é inevitável um paralelo com o que deviam sentir gregos e romanos, à suas épocas, ao depararem-se com tribos germânicas, celtas, eslavas, de costumes absolutamente alheios e estranhos (e quase sempre revoltantes) aos seus. Foi o que senti dia desses ao ver filmado o tratamento dado pelos Taliban aos criminosos. Fuzilamentos em praça pública são fichinha lá; a verdadeira atração nos estádios lotados não eram as punições ditadas pelo costume islâmico, como apedrejamento de mulheres adúlteras ou a mutilação de braços e pernas de ladrões, mas sim costumes tribais dos pashtuns, como por exemplo, num caso de um assassinato, algum parente da vítima ter não só o direito, como a obrigação de executar o assassino de seu ente querido, caso ele seja preso; e, o que é ainda pior, deve executá-lo com uma arma semelhante à usada no crime. Se o ferimento foi a bala, lá ia o velhinho metralhar o meliante, amarrado no chão e esperneando, disparando uma rajada de Kalashnikov a queima-roupa. Se a morte fosse resultado de um ferimento causado por arma branca, lá ia a mulher do defunto, com um facão do tamanho de um serrote cortar a garganta do criminoso, também amarrado e vendado no chão. O que se seguiu, então, era ainda mais chocante - ali sentadinhos, os parentes, ao lado do corpo do sujeito que havia assassinado seu familiar, observando o sangue que jorrava de sua goela, em esguichos, para o chão ao lado formando uma gigantesca e macabra poça. Welcome to Afghanistan.


A Soninha fuma e os caras é que ficam loucos?
Caiu no truque do seu próprio métier; dando uma entrevista para um colega seu de profissão da Época, crente que a entrevista seria tão discreta e sensata como ela própria, Soninha... queimaram a Soninha. Se há algum tipo de pessoas das quais devemos desconfiar mais que dos advogados, são dos jornalistas. São, na grande maioria, moralmente desprezíveis. A canalhice que parece correr nas veias de muitos dos editores dos jornais e revistas de nosso país é algo digno de menção; basta se observar as manchetes dos principais jornais de SP durante uma semana para se constatar que eles não conseguem manter compromisso algum com a verdade, ou mesmo com a realidade. Fatos são exagerados, distorcidos, quando não inventados, para que se consiga uma boa manchete, um “furo”, ou, mais apropriadamente ao tema, uma “bomba”. É um verdadeiro vale-tudo; Soninha deveria saber onde estava pisando. Mas pisou na bola, e quando viu estava estampada na capa da revista, e em gigantescos outdoors ao lado da frase infeliz “eu fumo maconha” estampada em letras garrafais. É pena; mais uma pessoa razoavelmente sensata derrubada pela hipocrisia, pelo conservadorismo esquisito e pelo mau-caratismo da sociedade brasileira. Diria também pela caretice dela, mas não quero que os grã-finos de plantão me chamem de “hippie”.

Legalizar ou aceitar, parte II
A grande questão sobre as “drogas” (termo infeliz, que generaliza de maneira vaga e imprecisa substâncias que nada têm a ver entre si), para a qual muitos dos que insistem em defender sua proibição parecem gostar de se fazer de cegos e surdos, é que ninguém defende sua legalização e/ou descriminalização com o argumento de que elas “não fazem mal” ou “trazem algo de bom”. Sim, elas fazem mal, e se podem trazer alguma coisa de bom para seu usuário, trazem consigo uma grande quantidade adicional de coisas ruins, prejudiciais para este usuário. Mas não é esse o ponto. Pois se fôssemos proibir tudo o que “faz mal”, o que sobraria para fazermos? Ouso dizer que nada, ou quase nada. E o mais engraçado é que muitos dos que defendem a proibição das drogas com base nesses argumentos apreciam sua cervejinha, ou seu uisquinho, em doses semanais, quando não diárias. Sinto o cheiro de hipocrisia no ar?
Não é preciso ser usuário de drogas para defender que o uso delas deixe de ser crime, ou mesmo que sua venda seja liberada e regulamentada. Não é preciso ser viciado, nem ter amigos que usam – não é preciso nem mesmo tê-las usado alguma vez; basta apenas tão-somente pensar. Basta ter a mente aberta o suficiente para que nela possam penetrar, não fumaças ou pós, mas argumentos racionais. O prêmio Nobel de Economia Milton Friedman é a favor da liberação completa de todas as drogas. Friedman é um respeitável senhor com seus 90 anos; alguém aí acha que ele tem essa opinião visando o proveito próprio, para poder fumar um baseadinho ou dar umas cafungadas por aí? Paulo Francis e Roberto Campos, apenas para ficar entre as pessoas que respeito intelectualmente, fizeram parte dos que se posicionaram da mesma maneira em relação a este assunto.
A repressão contra as drogas só piora a situação de todos; tanto da sociedade que as reprime, quanto da polícia que exerce essa repressão (e acaba inevitavelmente sendo corrompida pelo poder financeiro do submundo que controla este comércio), como dos usuários que usam e conseguem viver vidas normais, sem se prejudicar, e daqueles que acabam arruinando suas vidas por essas substâncias. Aliás, esses são os que mais se prejudicam – e, paradoxalmente, é em nome dessas pobres coitados que bradam muitos dos que se opõe a qualquer tipo de revisão na política insana de “combate às drogas”. Será que não percebem que é graças a essa repressão que eles mesmos estimulam e patrocinam que estes mesmos viciados acabam afundando ainda mais no seu vício, sendo excluídos completamente da sociedade e tendo que se envolver com meios marginais que inevitavelmente sugarão tudo o que puderem deles antes de cuspi-los como um caroço de uma fruta já devorada? Quantos desses usuários viciados já não acabaram numa dessas cadeias superlotadas, convivendo com estupradores e assassinos de alta periculosidade, apenas por uma lei absurda e intolerante? Seguramente muitos deles acabam saindo de lá bandidos diplomados, prontos para usar o crime a favor de seu vício... será que é essa a solução? Será que reprimir o consumo destas substâncias irá surtir algum efeito? É fácil perceber que não. Ninguém pára de fazer algo que só diz respeito a ele mesmo por causa de uma lei – a pessoa apenas irá procurar esconder esse hábito. É fato. Hoje em dia, compra-se maconha em qualquer esquina das cidades brasileiras, e do mundo ocidental. Cocaína, ácido, ecstasy, em qualquer casa noturna. Geralmente são “produtos” de péssima qualidade, misturados, pela ganância de quem os vende, com substâncias químicas que podem provocar problemas sérios, e mesmo a morte, de seus usuários. País nenhum gasta tanto dinheiro quanto os EUA nesta “guerra contra as drogas”. E país nenhum no mundo tem tanta droga circulando no mercado quanto os EUA. Reprimir, portanto, não adianta nada, é fato – apenas complica ainda mais a situação, juntando no bolo do problema ingredientes explosivos, como a violência, crime organizado, corrupção policial, e uma dose cavalar de preconceito e desinformação.
Muitos ainda reclamam sobre o “poder do tráfico” nos dias de hoje; mas quem brada contra a ameaça dos traficantes já deveria ter percebido uma coisa faz tempo – que a melhor maneira de acabar com eles é retirar da mão deles o monopólio daquilo que eles comerciam. O crime organizado, PCCs e CVs da vida, só surgiu porque essas pessoas da última laia detinham o controle de um bem que tem uma demanda altíssima no mercado. A partir do momento que a pessoa puder comprar a mesma coisa que compra no morro, só que num lugar seguro, com um controle de qualidade e sem o perigo de ser molestado e extorquido pela polícia, essas organizações criminosas perderão praticamente toda sua fonte de renda. O crime no país inevitavelmente diminuirá. Vê-se então que, no Brasil, esse assunto não é mais questão de opinião – é necessidade.


And that’s that.
“Maconha é. . . auto-punitiva. Ela te deixa extremamente sensível, e neste mundo, que punição pior pode existir?”
- P. J. O’Rourke, jornalista americano.

“Nenhuma droga, nem mesmo o álcool, causa os males fundamentais da sociedade. Se estamos procurando pelas fontes dos nossos problemas, não deveríamos fazer testes nas pessoas procurando por drogas, mas deveríamos procurar por estupidez, ignorância, cobiça e sede de poder.”
- do mesmo P. J. O’Rourke.

“Uma droga não é nem moral nem imoral – é um composto químico. O composto em si não é uma ameaça para a sociedade até que um ser humano o trate como se o seu consumo lhe desse uma licença temporária para agir como um babaca.”
- Frank Zappa.


Rafael Azevedo
São Paulo, 30/11/2001


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