Strange days: a improvável trajetória dos Doors | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

busca | avançada
50801 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> A Arte de Amar: curso online desvenda o amor a partir de sua representação na arte e filosofia
>>> Consuelo de Paula e João Arruda lançam o CD Beira de Folha
>>> Festival Folclórico de Etnias realiza sua primeira edição online
>>> Câmara Brasil-Israel realiza live com especialistas sobre “O Mundo da Arte”
>>> Misturando música, filosofia e psicanálise, Poisé lança seu primeiro single
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
>>> Um grande romance para leitores de... poesia
>>> Filmes de guerra, de outro jeito
>>> Meu reino por uma webcam
>>> Quincas Borba: um dia de cão (Fuvest)
>>> Pílulas Poéticas para uma quarentena
>>> Ficção e previsões para um futuro qualquer
>>> Freud explica
>>> Alma indígena minha
Colunistas
Últimos Posts
>>> Uma aula com Thiago Salomão do Stock Pickers
>>> MercadoLivre, a maior empresa da América Latina
>>> Víkingur Ólafsson toca Rameau
>>> Philip Glass tocando Mad Rush
>>> Elena Landau e o liberalismo à brasileira
>>> O autoritarismo de Bolsonaro avança
>>> Prelúdio e Fuga em Mi Menor, BWV 855
>>> Blooks Resiste
>>> Ambulante teve 3 mil livros queimados
>>> Paul Lewis e a Sonata ao Luar
Últimos Posts
>>> Coincidência?
>>> Gabbeh
>>> Dos segredos do pão
>>> Diário de um desenhista
>>> Uma pedra no caminho...
>>> Sustentar-se
>>> Spiritus sanus
>>> Num piscar de olhos
>>> Sexy Shop
>>> Assinatura
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Nelson Freire em DVD e Celso Furtado na Amazônia
>>> Um caos de informações inúteis
>>> Asia de volta ao mapa
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Parei de fumar
>>> Ford e Eastwood: cineastas da (re)conciliação
>>> Amor à segunda vista
>>> O Gmail (e o E-mail)
>>> Diogo Salles no podcast Guide
Mais Recentes
>>> O Maior Sucesso do Mundo de Og Mandino pela Record (1994)
>>> O Céus e o Inferno de Allan Kardec pela Feb (1989)
>>> Amor, medicina e milagres - A Cura espontânea de doentes graves de Bernie S. Siegel pela BestSeller (1989)
>>> Mayombe de Pepetela pela Leya (2019)
>>> Os Segredos Para o Sucesso e a Felicidade de Og Mandino pela Record (1997)
>>> Para Viver Sem Sofrer de Gasparetto pela Vida E Consciencia (2002)
>>> Guía Rápida del Museo Nacional de Bellas Artes de Vários pela Mnba (1996)
>>> A profecia celestina de James Redfield pela Objetiva (2001)
>>> The Forecast Magazine January 2020 - 2020 de Diversos pela Monocle (2020)
>>> O Diário da Princesa de Meg Cabot pela Record (2002)
>>> The Forecast Magazine January 2017 - Time to Talk? de Diversos pela Monocle (2017)
>>> Mojo December 2018 de Led Zeppelin pela Mojo (2018)
>>> Mojo 300 November 2018 The Legends de Diversos pela Mojo (2018)
>>> Mojo 299 October 2018 de Paul McCartney pela Mojo (2018)
>>> Mojo 297 August 2018 de David Bowie pela Mojo (2018)
>>> Mojo 307 June 2019 de Bob Dylan pela Mojo (2019)
>>> Mojo 296 July 2018 de Pink Floyd pela Mojo (2018)
>>> Mojo April 2018 de Arctic Monkeys pela Mojo (2018)
>>> Mojo 294 May 2018 de Roger Daltley pela Mojo (2018)
>>> Mojo 292 April 2018 de Neil Young pela Mojo (2018)
>>> Mojo 292 March 2018 de Nick Drake pela Mojo (2018)
>>> Mojo 291 February 2018 de The Rolling Stones pela Mojo (2018)
>>> Mojo 290 January 2018 de The Jam pela Mojo (2018)
>>> Mojo 289 December 2017 de Bob Dylan pela Mojo (2017)
>>> Mojo 286 September 2017 de Allman Brothers pela Mojo (2017)
>>> Mojo 310 September 2019 de Tom Waits pela Mojo (2019)
>>> Mojo 309 August 2019 de Bruce Springsteen pela Mojo (2019)
>>> Mojo 304 March 2019 de Joni Mitchell pela Mojo (2019)
>>> Como cuidar do seu automóvel de Ruy Geraldo Vaz pela Ediouro (1979)
>>> Mojo 236 July 2013 de The Rolling Stones pela Mojo (2013)
>>> Mojo 250 January 2014 de Crosby, Still, Nash & Young pela Mojo (2014)
>>> Gilets Brodés - Modèles Du XVIII - Musée des Tissus - Lyon de Várioa pela Musee des Tíssus (1993)
>>> Mojo 249 August 2014 de Jack White pela Mojo (2014)
>>> Mojo 252 October 2014 de Siouxsie And The Banshees pela Mojo (2014)
>>> Mojo 251 October 2014 de Kate Bush pela Mojo (2014)
>>> Mojo 302 January 2019 de Kate Bush pela Mojo (2019)
>>> Mojo 274 September 2016 de Bob Marley pela Mojo (2016)
>>> Universo baldio de Nei Duclós pela Francis (2004)
>>> Mojo 245 April 2014 de Prince pela Mojo (2014)
>>> Mojo 256 March 2015 de Madonna pela Mojo (2015)
>>> Musée de La Ceramique - Visit Guide de Vários pela Cidev (1969)
>>> Mojo 159 February 2007 de Joy Division pela Mojo (2007)
>>> Mojo 170 January 2008 de Amy Whinehouse pela Mojo (2008)
>>> Mojo 229 December 2012 de Led Zeppelin pela Mojo (2012)
>>> Retrato do Artista Quando Velho de Joseph Heller pela Cosac & Naify (2002)
>>> No Tempo das Catástrofes de Isabelle Stengers; Eloisa Araújo pela Cosac & Naify (2015)
>>> Manual de esquemas de Klöckner- Moeller pela Do autor (1971)
>>> Inesgotáveis Enigmas do Passado de Vários pela Século Futuro (1987)
>>> Evidências dos Ovnis - As Ciências Proibidas de Vários pela Século Futuro (1987)
>>> Características de Deus que chamam a nossa atenção. de Silas Malafaia pela Central Gospel (2012)
COLUNAS

Quarta-feira, 18/8/2010
Strange days: a improvável trajetória dos Doors
Luiz Rebinski Junior

+ de 6100 Acessos


LIANA TIMM© (http://timm.art.br/)

Os Doors, uma das principais bandas da prolífica década de 1960, foram um produto do acaso. Jim Morrison, que entraria para a história como um dos mais carismáticos vocalistas do rock, era um garotão que não sabia muito bem o que queria da vida quando, em maio de 1965, encontrou com o colega de faculdade Ray Manzarek, futuro tecladista da banda, nas areias de Venice Beach. Ray então o convidou para ser vocalista de sua banda e Morrison, mesmo sem nunca ter cantado na vida, aceitou.

É sobre essa improvável união que trata o livro de Ben Fong-Torres, que a editora Agir publica aqui com o nome de The Doors por The Doors (Agir, 2010, 432 págs.). O livro não é uma biografia convencional, mas sim um entrevistão coletivo com as personalidades que testemunharam a trajetória da banda. O formato é meio caótico, com comentários do autor, trechos de músicas, poemas e outros tipos de depoimentos entrecortando as entrevistas. No meio disso, dezenas e dezenas de fotos pouco vistas por aí.

Depois de terminar a faculdade de cinema na Universidade da Califórnia (UCLA), onde foram colegas de figurões como Francis Ford Coppola, Manzarek e Morrison vagavam a esmo esperando que alguma coisa de sensacional lhes acontecessem. Morrison era um vagabundo que havia lido On the Road e sonhava em flanar como um beat pelas ruas de Greenwich Village, à época o santuário dos desajustados. Manzarek, por sua vez, estava esperando que algum produtor gente boa lhe chamasse para dirigir um filme em Hollywood. Como nada disso aconteceu, eles foram parar na garagem da casa de Ray, na companhia de John Densmore e Robby Krieger, este último o único que tinha alguma formação em música. Krieger era ligado em música flamenca e indiana e foi em um centro de meditação, onde alguns malucos tomavam ácido e depois tentavam alcançar o nirvana, que Manzarek conheceu aqueles que seriam o baterista e o guitarrista dos Doors.

Os caras poderiam não ter alcançado a luz divina, mas certamente algum dos milhares de deuses que povoam as religiões hindus deu uma forcinha pra eles. Jim Morrison era um cantor desleixado, faltava a ensaios e shows antes mesmo de ser uma estrela do rock. Mas mesmo assim, de forma meteórica, os caras foram parar na Elektra Records, onde foram agraciados com um contrato para três álbuns. O primeiro deles foi um estouro, e com razão. É um puta disco, onde não se nota o amadorismo de Morrison nos vocais, nem a pouca experiência da banda. Além disso, a bolacha foi gravada em quatro canais, ou seja, na manivela para os padrões atuais.

Jim Morrison queria ser poeta, não cantor. E foi de seus rompantes de bardo que surgiram músicas como "Break on through", "Twentieth century fox", "Soul Kitchen" e seu épico poema incestuoso "The end", em que, entre outras coisas, Morrison, ovelha negra da família, mata o pai e depois come a mãe. Um horror para a época. Sem contar que a música tem mais de dez minutos.

Uma das coisas mais curiosas que o livro revela é sobre o método de composição e gravação dos Doors. Quando ainda sonhava ser um beatnik à moda de Ginsberg, Morrison andava pra cima e pra baixo com um caderno em espiral em que residiam poemas, frases soltas, máximas e outros pensamentos. Vários desses poemas foram musicados, adaptados e viraram sucessos dos Doors. Quando a banda assinou contrato com a Elektra, os caras tinham repertório para dois discos cheios, ou quase, já que no primeiro álbum entraram dois covers, "Alabama song" e "Back door man". A partir do segundo disco, Strange days, as composições rarearam. As músicas que a banda cantava antes mesmo de se tornar conhecida, quando eram uma das atrações do Whisky a Go Go, já haviam sido gravadas. Em Waiting for the sun, o terceiro disco, o tacho já tinha sido raspado, não sobrara mais nada.

Em The soft parade, a banda também entrou no estúdio sem um número suficiente de músicas. Depois de um show desastroso em Miami, em maio de 1969, em que Morrison não parava em pé de tanta cana e drogas, os Doors tinham sido banidos do circuito de shows dos Estados Unidos. Durante o show, Jim incitou a plateia a tirar a roupa e a tocar o horror no local. Jim teve a prisão decreta por uma série de crimes e a banda seus shows cancelados.

A boa notícia é que, depois de muito tempo, os Doors tinham tempo para compor. O problema é que Morrison não tinha a mínima vontade de fazer verter uns versinhos. "Jim não estava mais interessado depois do terceiro álbum. Foi se tornando muito difícil fazer com que se envolvesse com as gravações. Quando fizemos The soft parade, tivemos que tirar leite de pedra para manter Jim interessado", diz Paul Rothchild, o quinto "Door" e produtor de cinco dos seis álbuns de estúdio da banda.

A banda, mesmo com o desinteresse de Morrison, quis inovar no som, adicionando naipe de metais e outros adereços, e se deu mal. O disco colecionou críticas negativas e não mandou nenhum grande hit para o topo das paradas ― apesar de ter "Touch me" no repertório.

Como não havia música suficiente para preencher o álbum, a banda recorreu ao caderninho de poemas de Morrison. De lá tirou poemas inacabados, frases soltas e insights. A partir daí saíram algumas letras. Esse tipo de composição, baseada na técnica do cut-up de Burroughs, seria utilizada até o último disco, o poderoso L.A. Woman. Ainda que com muitos percalços, The soft parade não é um disco ruim. É diferente, não ruim. Aliás, é incrível como quase tudo que a banda produziu é bom. Os caras gravaram cinco discos em três anos, às vezes lançando dois álbuns em menos de um ano, como foi o caso de The Doors e Strange days, os dois primeiros trabalhos. Jim Morrison passou a vida inteira fazendo bico em uma banda de rock até tomar coragem para se lançar na carreira literária e o que acontece? Essa banda, contrariando todas as expectativas, se torna um ícone e Morrison, seu vocalista desleixado, um herói do rock, morto aos 27 anos e membro do seleto grupo que reúne talentosos músicos que aceleraram demais e morreram todos com a mesma idade ― Janis Joplin, Jimi Hendrix e Kurt Cobain.

Mesmo os discos menos comentados dos Doors venderam muito. Nos cinco primeiros álbuns, a banda levou cinco discos de ouro, o que, na época, representava uma quantidade astronômica de discos se comparado com os padrões atuais. E é essa impressão, de que tudo na história do The Doors não passou de mero acaso, com muitas pitadas de sorte, que paira sobre o livro de Ben Fong-Torres, que foi editor da Rolling Stone americana e o último jornalista a entrevistar Morrison.

A banda durou somente cinco anos, de 1967 a 1971, mas todos os seus discos são muito intensos e contêm grandes pérolas do rock. L.A. Woman, que foi gravado quando a banda estava em frangalhos e Jim Morrison já pensava em ir para Paris, é um ótimo disco de blues, com Morrison cantando muito e a banda criando ótimas melodias. Ainda que não seja impecável, o disco tem "Riders on the storm", "Love her medly" e a faixa-título, também tirada do caderninho de Morrison enquanto os músicos se embrenhavam com a parte instrumental no estúdio. Além disso, havia o blues "Car hiss by my window" e uma pérola, escondida no meio do álbum, chamada "Hyacinth House". Um belo disco de despedida para uma banda que já havia feito álbuns fantásticos, como Strange days, Waiting for de Sun e Morrison Hotel.

Há diversas outras biografias sobre os Doors. Ray Manzarek, John Densmore e outros personagens que estiveram no olho do furação com a banda também escreveram as suas versões dos acontecimentos. Mas aqui no Brasil há muito pouca coisa, a maioria de péssima qualidade. Então o livro de Ben Fong-Torres é uma boa fonte. Assim como também é o filme de Oliver Stone. Ray Manzarek torceu o nariz para a produção, talvez porque ele mesmo quisesse ter sido o diretor. Mas o filme é ótimo e Val Kilmer bastante convincente no papel de Jim Morrison. Tudo que Torres descreve em The Doors por The Doors, com sua infalível imparcialidade jornalística, está presente no filme de Stone, este mais preocupado com o andamento da trama. As drogas, o encontro em Venice Beach, os escândalos, os amores de Morrison e o sucesso, tudo está no filme de Stone. Mas tanto o jornalista Torres quanto o cineasta Oliver Stone, cada um a sua maneira, prestam um bom serviço à história do rock e a uma de suas bandas mais singulares.

Para ir além






Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 18/8/2010


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Claudio Willer e a poesia em transe de Renato Alessandro dos Santos
02. Sultão & Bonifácio, parte IV de Guilherme Pontes Coelho
03. Encontros (e desencontros) com Daniel Piza de Julio Daio Borges
04. Você vem sempre aqui? de Ana Elisa Ribeiro
05. A noite de Natal de Tatiana Mota


Mais Luiz Rebinski Junior
Mais Acessadas de Luiz Rebinski Junior em 2010
01. O pior Rubem Fonseca é sempre um bom livro - 20/1/2010
02. A morte anunciada dos Titãs - 3/3/2010
03. Os diários de Jack Kerouac - 8/9/2010
04. Dalton Trevisan ou Vampiro de Curitiba? - 14/4/2010
05. Strange days: a improvável trajetória dos Doors - 18/8/2010


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ACT MATH FOR DUMMIES
MARK ZEGARELLI
FOR DUMMIES
(2011)
R$ 17,50



PERSPEKTIVLEHRE
ERHARD GULL
ND
R$ 58,36



GÊMEOS NÃO SE AMAM
ROBERT LUDLUM
RECORD
(1976)
R$ 5,00



A REPÚBLICA BRASILEIRA 1964- 1984
EVALDO VIEIRA
MODERNA
R$ 5,00



SERESTA MINEIRA
LAR DE PAULA
LAR DE PAULA
R$ 40,00



É PROIBIDO CHORAR
J. M. SIMMEL
NOVA FRONTEIRA
R$ 5,00



REUNIAO DE PAIS: SOFRIMENTO OU PRAZER? - 2ª ED.
BEATE G. ALTHUON / CORINNA H. ESSLE / ISA S. STOEB
CASA DO PSICÓLOGO
R$ 11,00



VALA CLANDESTINA DE PERUS
VARIOS AUTORES
INSTITUTO MACUCO
(2012)
R$ 5,12



AÇÕES INSTITUCIONAIS DE AVALIAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE TECNOLOGIAS EDUCAC
RICARDO AZAMBUJA SILVEIRA
DO AUTOR
R$ 5,00



O CARNÊ DOURADO
DORIS LESSING (A MAIOR ESCRITORA VIVA DE LÍNGUA INGLESA)
CÍRCULO DO LIVRO
(1985)
R$ 25,00
+ frete grátis





busca | avançada
50801 visitas/dia
2,6 milhões/mês