50 anos a mil, a vida de Lobão | Jorge Wagner | Digestivo Cultural

busca | avançada
73422 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Minute Media anuncia lançamento da plataforma The Players’ Tribune no Brasil
>>> Leonardo Brant ministra curso gratuito de documentários
>>> ESG como parâmetro do investimento responsável será debatido em evento da Amec em parceria com a CFA
>>> Jornalista e escritor Pedro Doria participa do Dilemas Éticos da CIP
>>> Em espetáculo de Fernando Lyra Jr. cadeira de rodas não é limite para a imaginação na hora do recrei
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
>>> Cem encontros ilustrados de Dirce Waltrick
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Acentuado
>>> Mãe, na luz dos olhos teus
>>> PoloAC retoma temporada de Os Doidivanas
>>> Em um tempo, sem tempo
>>> Eu, tu e eles
>>> Mãos que colhem
>>> Cia. ODU conclui apresentações de Geração#
>>> Geração#: reapresentação será neste sábado, 24
>>> Geração# terá estreia no feriado de 21 de abril
>>> Patrulheiros Campinas recebem a Geração#
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Literatura Falada (ou: Ora, direis, ouvir poetas)
>>> Publicar em papel? Pra quê?
>>> Impressões
>>> A escrita boxeur de Marcelo Mirisola
>>> Desorientação vocacional
>>> Flip 2006: um balanço tardio
>>> Flip 2006: um balanço tardio
>>> Flip 2006: um balanço tardio
>>> Montezano, do BNDES, sobre o marco do saneamento
>>> Leitor bebum começou com um gole
Mais Recentes
>>> Golem e o Gênio: uma Fábula Eterna de Helene Wecker pela DarkSide (2015)
>>> Os Chakras: e os Campos de Energia Humanos de Shafica Karagulla, M.D. e Dora Van Gelder Kunz pela Pensamento (1991)
>>> O Caminho da Tranquilidade de Dalai Lama pela Sextante (2000)
>>> Perdas & Ganhos de Lya Luft pela Record (2003)
>>> Minecraft Fortaleza Medieval de Mojang pela Abril (1500)
>>> Minecraft Guia de Criação de Mohang pela Abril (2017)
>>> Minecraft Guia de Exploração de Mohang pela Abril (2021)
>>> Salomé de Oscar Wilde pela Principis (2021)
>>> O Mercador de Veneza de William Shakespeare pela Principis (2021)
>>> Do Contrato Social de Jean - Jacques Rousseau pela Principis (2021)
>>> Kilmeny do Pomar de Lucy Maud Montgomery pela Principis (2021)
>>> A Mamãe é Rock de Ana Cardoso pela Principis (2019)
>>> Nos Bastidores Trinta Anos Escrava, Quatro Anos na Casa Branca de Elizabeth Keckley pela Principis (2021)
>>> O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas pela Principis (2021)
>>> Romeu e Julieta de William Shakespeare pela Principis (2021)
>>> O Condenado de Camilo Castelo Branco pela Principis (2021)
>>> The secret Agent de Joseph Conrad pela Collins Classics (2012)
>>> Vandrad, o Viking a Contenda e o Feitiço de Joseph Storer Clouston pela Principis (2021)
>>> Helena de Machado de Assis pela Principis (2021)
>>> Utopia de Thomas More pela Principis (2021)
>>> Poliana de Eleanor H. Porter pela Tricaju (2021)
>>> Cause of death de Patricia Cornwell pela Warner Books (1997)
>>> Um Inimigo do Povo de Henrik Ibsen pela Principis (2021)
>>> The Da Vinci Code de Dan Brown pela Corgi Books (2004)
>>> Little Woman de Luisa May Alcott pela Signet Classics (2012)
COLUNAS

Terça-feira, 8/3/2011
50 anos a mil, a vida de Lobão
Jorge Wagner

+ de 6000 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Ainda que autores de renome carreguem nas tintas ou encham as bocas para afirmar escreverem não uma história, mas "a definitiva" história de determinados personagens, a verdade é que toda biografia é apenas uma versão (ainda que escrita a partir de dezenas de depoimentos e documentos) e traz apenas lampejos da vida de alguém.

Pense numa distante cena da sua vida: a primeira bicicleta, uma festa de aniversário, um braço quebrado, um coração partido. Recorde o momento, o cenário, personagens e figurantes, diálogos. E agora seja sincero: distante no tempo e no espaço e vista sob a ótica de quem você veio a se tornar com o correr dos dias, o quanto sua lembrança é fiel e corresponde, exatamente, à realidade dos fatos?

Se contar a história alheia com o máximo de fidelidade aos fatos ― que "não são a verdade, mas apenas indicam onde pode estar a verdade", nas palavras da finada jornalista e espiã americana Mary Bancroft ― é tarefa das mais difíceis, o que dizer portanto do desafio de contar a própria história?

"Gostaria de ressaltar também que tudo o que for dito e contado nesse livro será através do ponto de vista da minha pessoa enquanto inserida naquele tempo". É dessa maneira que Lobão ― músico, cantor, compositor, apresentador de televisão e mestre na arte da polêmica ― inicia, depois de mais de duzentas páginas de sua autobiografia 50 anos a mil (Nova Fronteira, 2010, 600 págs.), suas explicações para suas antigas desavenças com o também músico Herbert Vianna. Se assim preferisse, Lobão poderia usar a mesma frase ainda na primeira página de seu livro, quem sabe no primeiro parágrafo. O efeito seria o mesmo e faria o mesmo sentido.

Lobão nasceu João Luiz Woerdenbag Filho, no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 1957. Tímido ao extremo e fruto de um casal composto por uma mãe superprotetora e com um forte transtorno bipolar e por um pai ranzinza e excêntrico, o canídeo supõe que, "pela lógica dos fatos", deveria ter se tornado um bundão.

Entre uma centena de histórias, buscou fugir disso aprendendo a tocar bateria sozinho, acompanhando Ritchie e Lulu Santos no Vímana (lendária banda de rock progressivo que chegou a ensaiar para a gravação de um disco solo do tecladista Patrick Moraz, ex-Yes, antes que a explosão do punk aguasse a proposta), fundando e rompendo com a Blitz, sendo preso por porte de drogas e virando mascote de traficantes, levando a bateria da Mangueira para a linha de frente do Rock In Rio, desafiando as gravadoras e retornando a elas com um acústico que, embora achincalhado pela crítica, terminou premiado com o Grammy Latino de melhor disco de rock do ano de 2007 (seja lá o que esse prêmio hoje em dia signifique).

Depois de alguns anos como apresentador de televisão, Lobão chegou às livrarias no final de 2010 como um fenômeno editorial. A primeira leva de sua autobiografia (que conta também com a valiosa parceria do jornalista Claudio Tognolli em entrevistas e pesquisas de material publicado a respeito do músico ao longo de toda a sua carreira profissional) esgotou-se rapidamente, levando à impressão de uma segunda leva com 20 mil exemplares. Desde janeiro deste ano 50 anos a mil figura na lista de livros mais vendidos do País publicada pela revista Veja.

A biografia tem início com uma cena bastante peculiar: Lobão e Cazuza cheirando cocaína sobre o caixão de Júlio Barroso. Lobão reconstrói o momento, reproduz as falas e detalha elucubrações ― do tipo "É a hora do pastiche e da indulgência. A hora do frenesi dos mesmos cadáveres insepultos de sempre, sugando a juventude dos que nada mais têm a oferecer, além do próprio sangue de barata." ― com a mesma segurança de alguém que tem em mãos um controle remoto, podendo conferir, quadro a quadro, uma situação devidamente registrada. Mas não há registros. E a única testemunha que ainda respira presente na história datada de 1984 é ele, o autor.

Uma das razões para a publicação de 50 anos a mil, aliás, como o músico gosta de repetir em entrevistas e declarações no Twitter, foi o fato de Lobão ter sido extirpado da história de Cazuza, um de seus maiores amigos, levada às telas no ano de 2004. Não sem razão, o cantor acusa os produtores do longa de terem "sanitizado" a biografia do amigo, resultando em um filme muito mais próximo de um capítulo de Malhação que da realidade. O escritor Gabriel García Márquez defende que "a história de uma pessoa não é o que lhe aconteceu, e sim o que ela lembra e como ela lembra". Depois do episódio com Cazuza ― O tempo não para, Lobão decidiu contar o que lembra ser a sua história, da maneira como se lembra de tê-la vivido.

Independente da opinião que se tenha a respeito da irregular obra artística do grande Canis lúpus, é preciso admitir que poucos personagens surgidos na cena do rock nacional da década de 1980 possuem uma história tão rica e peculiar quanto João Luiz. Poucos possuem posições tão polêmicas e fizeram tantos inimigos ― seja no meio artístico, jornalístico, jurídico ou midiático ― quanto ele. Isso, por si só, faz com que 50 anos a mil, embora demore a engrenar (a primeira centena de páginas é dedicada à infância do artista) e resvale, vez por outra, numa espécie de compensação psicoterapêutica (como se o autor aproveitasse suas páginas para expurgar demônios e aliviar traumas), seja um livro pertinente, interessante e recomendável.

Talvez Lobão exagere em lembrar certos fatos, faça uso de "licença poética" para reconstruir diálogos e, não por má fé, adultere certas histórias ― os trechos pesquisados por Tognolli, por exemplo, mostram que o músico, em diferentes momentos, declarou ter começado a usar drogas aos 14, aos 15 e, informação defendida no texto autobiográfico, aos 16 anos. Mas vale lembrar que "toda biografia contém, inevitavelmente, elementos de ficção", como alerta John Stape na introdução da biografia do escritor Joseph Conrad. 50 anos a mil é um livro que não foge à regra.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no site Scream & Yell.

Para ir além






Jorge Wagner
Paracambi, 8/3/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Proposta Decente? de Marilia Mota Silva
02. Guerras sujas: a democracia nos EUA e o terrorismo de Humberto Pereira da Silva
03. A vida se elabora no Ano Novo de Elisa Andrade Buzzo
04. Convocação para uma outra luta de Marilia Mota Silva
05. Caetano, sem meio termo de Humberto Pereira da Silva


Mais Jorge Wagner
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/3/2011
22h06min
Até hoje fico na dúvida se esse cidadão é um lobo mau ou lobo bom...
[Leia outros Comentários de Rebeca Lira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




El Conflicto Social y los Gobiernos del Maximato
Lorenzo Meyer
El Colegio de Mexico
(1978)



Passatempo Direito Administrativo
João Antônio da Costa Lagranha
Rideel
(2016)



O Livro da Terra e dos Povos
Childcrafts
World Book
(1997)



O Sentido e a Máscara - Teatro - Coleção Debates
Gerd A. Bornheim
Perspectiva
(1975)



A Arte de Ouvir o Coração
Jan Philipp Sendker
Paralela
(2013)



A Ideologia
Ari Herculano de Souza
Do Brasil
(1989)



O Guarani - Ed. Paulus
José de Alencar
Paulus
(2005)



O Pensamento Vivo de Chaplin
José Geraldo Simões
Martin Claret
(1984)



Jesus e Jesus na Arte 4 Volumes
Vários Autores
Jbig
(1983)



Amor e Amizade
Jane Austen Whit Stillman
Gutenberg
(2016)





busca | avançada
73422 visitas/dia
2,5 milhões/mês