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Terça-feira, 11/10/2011
A arquitetura poética da pintura de Fabricius Nery
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 5100 Acessos

A famosa frase de Proust sempre deve ser retomada: "Toda vez que nasce um novo artista, o mundo é reinventado". Quando olhamos para uma tela, encontramos um universo novo, criado a partir de linhas, cores, desenho, texturas pictóricas, etc. Encontramos as escolhas pessoais do artista, sua poética, sua forma de construir um mundo próprio através da arte.

Na pintura da Fabricius Nery, jovem artista paulista, prima um desejo arquitetônico. A idéia de construção supera o desejo de expressão. As imagens são pensadas e criadas dentro de um procedimento que lembra ora os cortes cinematográficos do cinema de vanguarda, ora a idéia de reconstrução do todo a partir de partes dispersas, como no filme Blow Up, de Antonioni, como se pode ver, por exemplo, na tela Flagrante, de 2010.

Na obra Flagrante, Fabricius compõe, em imagens dispersas, a figura de um homem, uma máquina fotográfica posicionada para um registro, uma parte de um corpo, uma mão tocando violão, uma garrafa e algo que lembra um pandeiro. Não é uma figura fácil de ser apreendida. As partes não se encontram numa sequência óbvia e lógica. Os corpos são apenas partes sugeridas. Como no cinema, temos que montar o sentido da imagem a partir da lembrança dos cortes. É necessário o uso da memória, o jogo lúdico da colagem de fragmentos, o desejo de reconstruir uma história.

Além do recorte das figuras, Fabricius avança fragmentando a forma da própria constituição das mesmas. Se a tela como um todo já é uma sucessão de fragmentos, ele trás o corte para dentro do próprio desenho das partes. Pequenos pedaços de tela pintada, conjugados e dispersos, criam as figuras como se dentro do próprio fragmento outro fragmento se anunciasse. Eis sua forma de organizar a composição.

A tela Flagrante, de 2010, pode ser uma metáfora exemplar do procedimento da pintura de Fabricius, não só da forma como ele olha a realidade, mas também como compõe a sua obra. A câmera está voltada para o espectador, que vê na tela como um todo o que a máquina registra, ou seja, pequenos cortes da realidade, que depois serão montados na revelação com a ajuda da memória do fato acontecido. Ou seja, o que se dá na tela é o mesmo que se dá na nossa relação com a fotografia, que registra pequenos momentos, incapazes de serem guardados na sua totalidade, mas que, com o uso dos pequenos recortes fotográficos, podem fazer a memória retomar o todo do acontecido.

Os temas da pintura de Fabricius são, na sua maioria, ligados ao que poderíamos chamar de seres à margem. Existe uma iconografia dos boêmios à margem do dia, prostitutas à margem da vida normal, mendigos à margem da sociedade, pessoas deitadas no chão ou em bancos de praças, seres solitários, dentre outros motivos.

Vale atentar nesse sentido para a tela Margem, de 2011, em que os procedimentos de uma pintura elaborada à partir da montagem de cortes, revela uma figura feminina melancólica, recolhida em si mesma, como num estado de abandono, fumando um cigarro, com pernas e ombros de fora, sentada à beira de algo que remete a uma cama, aparecendo ainda na tela uma terceira mão, com uma taça de bebida. Se recolhermos os pedaços da tela, podemos montar a história de uma noitada (de uma prostituta, talvez, cansada, depois do seu ofício, já descabelada, esgotada, aproveitando seu último cigarro antes de dormir em estado de solidão).
A tela é magnífica no seu contraste entre luzes e sombras, criadas de forma entrecortada e praticamente geométricas, clareando partes da figura como pernas, braços, mãos e pedaços do tronco e escurecendo o fundo. As dobras da roupa, os tecidos da cama, as lembranças (recontadas na terceira mão que misteriosamente aparece com uma taça de bebida) são também construções arquitetônicas, que inclusive dão uma sustentação poderosa a uma figura em total estado de desalinho e melancolia.

Como na tela anterior e na maioria das obras de Fabricius, Margem revela um traço bem definido na poética do artista. Embora construídas com fragmentos de figuras, que se constituem por sua vez como fragmentos de cores entrecortadas, domina em cada obra um sentido de um edifício que não pode se desfazer, que não pode desmoronar, que precisa se manter íntegro, suportado pela força de seu sentido pictórico arquitetônico.

Poderíamos metaforizar, dizendo que a forma de seu trabalho revela seu conteúdo. Que nestas obras, apesar da vida frágil, abandonada e à margem, seja nos seus momentos de intensa irracionalidade (a bebida, o sexo, a boêmia) ou nos momentos de descaso (miséria, abandono), que apesar disso, a vida deseja resistir, íntegra, não sem deixar de guardar a lembrança dos seus cacos, mas ainda assim tão firme quanto um prédio bem desenhado e construído com a devida sustentação.

Na pintura de Fabricius há um grande apreço pela cor clara e, nem por isso, menos intensa (porque muitas vezes a claridade tem seu peso específico na tela). Domina o uso de vermelhos, amarelos, rosas, brancos, lilases e azuis. A escolha dessas cores revela um pouco do flerte do artista com a pop arte. Mas a aproximação termina aí, pois, como disse acima, o artista usa essas cores de forma cortada, aos pedaços, que por vezes se alinham umas às outras e por vezes se sobrepõem para o resultado final da composição.

A sua pintura se constitui de forma compassada, com camadas unificadas de cor pura que ora ressaltam, ora afastam os traços das figuras. Esse procedimento permite a existência do volume geométrico, dos cortes, das fragmentações não sequenciais. O sentido de estrutura é perebido quando se olha a tela como um todo, nestas linhas de corte remendadas pelo espectador, que cria livremente uma história, rearranjando os cacos da forma que achar melhor.

Sua pintura revela o sentido do mundo contemporâneo, aquele que diz que a realidade só pode ser entendida por seus fragmentos e que o sentido que atribuímos à realidade não passa de uma sucessão de pedaços que montamos segundo nosso desejo.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 11/10/2011


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