O melhor filme de 2011 | Marta Barcellos | Digestivo Cultural

busca | avançada
87666 visitas/dia
2,7 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Nova Exposição no Sesc Santos tem abertura online nessa quinta, 17/06
>>> Arte dentro de casa: museus e eventos culturais com exposições virtuais
>>> “Bella Cenci” Estreia em formato virtual com a atriz Thais Patez
>>> Espetáculo teatral conta a história de menina que sonha em ser astronauta
>>> Exposição virtual 'Linha de voo', de Antônio Augusto Bueno e Bebeto Alves
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Ao pai do meu amigo
>>> Paulo Mendes da Rocha (1929-2021)
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Das construções todas do sentir
>>> Entrevista com o impostor Enrique Vila-Matas
>>> As alucinações do milênio: 30 e poucos anos e...
>>> Cosmogonia de uma pintura: Claudio Garcia
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
Colunistas
Últimos Posts
>>> Cidade Matarazzo por Raul Juste Lores
>>> Luiz Bonfa no Legião Estrangeira
>>> Sergio Abranches sobre Bolsonaro e a CPI
>>> Fernando Cirne sobre o e-commerce no pós-pandemia
>>> André Barcinski por Gastão Moreira
>>> Massari no Music Thunder Vision
>>> 1984 por Fabio Massari
>>> André Jakurski sobre o pós-pandemia
>>> Carteiros do Condado
>>> Max, Iggor e Gastão
Últimos Posts
>>> A lei natural da vida
>>> Sem voz, sem vez
>>> Entre viver e morrer
>>> Desnudo
>>> Perfume
>>> Maio Cultural recebe “Uma História para Elise”
>>> Ninguém merece estar num Grupo de WhatsApp
>>> Izilda e Zoroastro enfrentam o postinho de saúde
>>> Acentuado
>>> Mãe, na luz dos olhos teus
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Autores & Ideias no Sesc-PR I
>>> Balangandãs de Ná Ozzetti
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> A sétima temporada de 24 horas
>>> De olho neles
>>> Saudações cinemusicais
>>> 1998 ― 2008: Dez anos de charges
>>> The Book of Souls
>>> Carta ao pai morto
>>> Rousseau e a Retórica Moderna
Mais Recentes
>>> Cristãos Hoje de N. Maccari pela Paulinas (1976)
>>> Salmos de Edgard Armond pela Aliança (1979)
>>> Lobas, Lobos e Afins - a Eterna Busca da Liberdade... de Solange Torino pela Virgo (2001)
>>> Vida, Morte e Destino de Maria Fernanda S. e Edson Olivari de Castro pela Cia Ilimitada (1992)
>>> Rezas, Orações e Preces de Varios Autores pela Rita Carneti (1992)
>>> Como Falar em Publico e Influenciar Pessoas no Munndo dos Negócios de Dale Carnegie pela Record (1962)
>>> Uma Jornada Interior de Sara Mariott pela Pensamento (1993)
>>> Jovens e Adultos Dominical Fidelidade de Varios Autores pela Betel
>>> O Manual da Felicidade de Pe. Alberto Luiz Gambarini pela Ágape (2008)
>>> Como Enfrentar o Stress de Marilda Novaes Lipp e Colaboradores pela Ícone (1990)
>>> Auxiliares Invisíveis de C. W. Leadbeater pela Pensamento (1997)
>>> Oito Passos para Você ter Saúde de Ana Maria Freitas pela N/a
>>> O Livro do Destino de Herman Kirchenhoffer pela Círculo do Livro (1978)
>>> Eles Voltaram de Francisco Cândido Xavier pela Instituto de Difusão Espírita (1982)
>>> Os Remédios Florais do Dr. Bach de Dr. Edward Bach pela Pensamento (2006)
>>> Encontros, Desencontros e Reencontros de Florangela M. Desidério pela Paulinas (1982)
>>> Cavaleiro da Concórdia de Manoel Jacintho Coelho pela Racional (1988)
>>> Fátima, Aurora do Terceiro Milênio de João S. Clá Diaz pela Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima (2000)
>>> I Ching, O Livro das Mutações de Juan Echenique Pérsico pela Melhoramento (2012)
>>> O Encontro, os mais Belos Encontros de Cristo de João Mohana pela Agir (1979)
>>> Boca de Forno de Olga Diniz de Castro pela Santo Alberto Artes Graficas
>>> Ginástica Cerebral de Paul E. Dennison pela Século xxi (2000)
>>> Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho de Francisco Cândido Xavier pela Feb (1999)
>>> Evangelho no Lar de Maria T. Compri pela Feesp (1991)
>>> Guia do Outro Mundo de Ornella Volta pela Hemus (1973)
COLUNAS

Sexta-feira, 6/1/2012
O melhor filme de 2011
Marta Barcellos

+ de 4000 Acessos

O cinema em 2011 foi marcado por um debate com cara de Fla X Flu: você gostou mais de A árvore da vida ou de Melancolia? Veja bem, apreciar igualmente ambos é como torcer por um empate no Maracanã, revela total falta de personalidade. Mas não basta gostar e vestir a camisa. Para quem é chegado a discussões filosóficas (quase todo cinéfilo é), a questão ia além: qual dos dois filmes cumpre a promessa de desvelar artisticamente o sentido da vida, ou a inexistência dele?

Ligeiramente pretensioso? Pois é... Chegaremos já já neste ponto.

Primeiro, retornemos à polêmica da época do lançamento - quase simultâneo no Brasil - dos dois filmes. O parentesco entre as duas obras é evidente, e não faltou assunto em mesa de bar para quem teve a chance de assisti-los nos primeiros dias. Mas vale lembrar que a expectativa era alimentada também pela excentricidade dos cineastas em questão: Lars Von Trier havia elogiado Hitler - provavelmente de forma irônica, mas com elogio ao nazismo não se brinca - na coletiva de imprensa do lançamento de seu filme no Festival de Cannes. Como se diz, perdeu a chance de ficar calado. Um risco de Terrence Malick não corre: o cineasta queridinho dos atores-cabeça de Hollywood não é dado a piadinhas porque, além de anti-social, jamais concede entrevistas. Aliás, ia passar maus bocados se tentasse explicar os próprios filmes.

Antes que eu passe por torcedor de empate em jogo clássico, vou deixar claro: gostei mais de Melancolia. E não duvido que a crítica tenha se deixado influenciar pelas declarações de mau gosto de von Trier para considerá-lo inferior ao filme de Malick. Mas a questão que me interessa é outra. Enquanto nós, apreciadores do bom cinema, éramos atraídos por essa discussão, grandiosa no tema existencial, na trilha sonora e nas imagens espaciais, corria por fora um outro filme - este sim - sensacional. E sobre o sentido da vida.

Para discorrer sobre algo assim, nos ensinam os grandes artistas, é preciso abandonar a pretensão e a grandiloqüência, para abraçar a poesia. Se for possível fazer isso com uma boa dose de bom humor... bingo! Eis aí um grande filme.

Refiro-me aqui a Um conto chinês, o melhor filme de 2011. Chinês no título, mas argentiníssimo, no bom sentido cinematográfico. Aliás, mais argentino impossível, já que tem como protagonista ninguém menos do que Ricardo Darín, um ator que nesta época de rankings e retrospectivas deveria estar na lista de melhores da atualidade. Se você ficou confuso porque já começaram a surgir pretendentes ao Globo de Ouro ou Oscar, tire a prova pegando na locadora outros dois filmes recentes estrelados por ele: Abutres e O segredo dos seus olhos. Depois desse pacote triplo, não sobra chance para nenhum ator de Hollywood.

Dirigido por Sebastián Borensztein, Um conto chinês tem como protagonista um personagem rabugento e impenetrável. À medida que compreendemos Roberto, sua humanidade e a natureza das manias que o ajudam a sobreviver, descobrimos também a questão filosófica que o paralisou, desde que foi enviado para o combate na mais absurda das guerras, a das Malvinas, se é que dá para hierarquizar guerras como mais ou menos absurdas - todas o são. "A vida não faz sentido; ela é um grande absurdo", diz Roberto. Para provar a sua tese, Roberto não invoca o fim do mundo, como aqueles que apontam para a conclusão do calendário maia em 2012, ou para uma melancólica colisão com outro planeta. Nem se consola tentando achar um sentido na transcendência ou na graça, como em A árvore da vida. Roberto coleciona notícias. Absurdas.

Mas o absurdo da vida o desafia. Porque, a despeito da falta de sentido (ou talvez por causa dela), a vida não é preenchida apenas por existências e mortes absurdas (que por sinal povoaram 2011). Quando tudo já estava planejado, um chinês pode ser arremessado bem na sua frente, uma vaca pode cair do céu. Pergunte a um ficcionista a principal diferença entre a ficção e a realidade, e ele responderá: a ficção precisa parecer verossímil. A vida real não.

Transformar os absurdos da vida em arte é o nosso desafio em 2012, o ano em que o mundo de novo não vai acabar.

Se a vida não basta, como dizem o poeta e o filósofo, vamos reinventá-la, cada um a seu modo, na literatura, no cinema, na música. Em nossas instalações pessoais. Você não é um artista? Sem problemas. Aprenda a rir e se enternecer por Roberto, e não espere que um chinês lhe seja arremessado para enfim afirmar a vida e descobrir a arte. Principalmente, não se deixe embotar pelo ritmo frenético do trabalho, do consumo e da tecnologia que nos torna distraídos para a vida, ou para a falta de sentido dela.

Outro dia ouvi uma pessoa defender o entretenimento fácil, aquele "que apenas distrai". "Depois de trabalhar tanto, não quero ter que pensar. Só quero me distrair um pouco", defendeu. Lembrei-me de pessoas mais velhas que tenho tido a oportunidade de entrevistar lamentando o excesso de distração em vidas que agora prenunciam seu fim. "Passou muito rápido", dizem uns. "Não vi meus filhos crescerem", se entristecem outros.

Por isso, o meu voto para 2012 é que não sejamos distraídos. Estejamos atentos e intensos. Pensando, sim, no sentido da vida, e sobretudo buscando transformar toda essa confusão em narrativas maravilhosas como Um conto chinês.



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 6/1/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Uma janela aberta para o belo de Adriana Baggio


Mais Marta Barcellos
Mais Acessadas de Marta Barcellos em 2012
01. A Paris de Chico Buarque - 19/10/2012
02. O fim do livro, não do mundo - 20/4/2012
03. O Facebook e a Alta Cultura - 17/8/2012
04. Esquecendo de mim - 25/5/2012
05. O direito autoral vai sobreviver à internet? - 27/1/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Terra dos Peixes - Memórias de Rio das Ostras
Selma Rocha (2ª Ed.)
Prefeitura de Rio das Ostras
(1997)



Desejo Cigano: Sob o Fascínio da Linguagem Muda
Betânia Ferreira
Comunicarte (recife)
(1995)



Entre os Reinos de Gog e Magog
Sílvio Fiorani
Siciliano
(1994)



Meu Pai, Seu Porco e Eu
Jna Scheerer
Rocco
(2006)



Malditos Frutos do Nosso Ventre
Carlos Alberto Luppi
Ícone
(1987)



Direito Tributário e Finanças Públicas
Arché Interdisciplinar Nº 27 Vol. 9 de 2000
Univ Cândido Mendes
(2000)



Véu do Passado
Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho/antônio Carlos
Lúmen
(1997)



Alô Você! Conquiste Seu Lugar
Evandro Guedes
AlfaCon
(2016)



Longitudes and Attitudes: Exploring the World After September 11
Thomas L. Friedman
Farrar Straus and Giroux
(2002)



Santa Cruz del Vale de los Caidos - Tourist Guide Book
Editorial Patrimonio Nacional (tenth Edition)
Patrimonio Nacional (madri)
(1974)





busca | avançada
87666 visitas/dia
2,7 milhões/mês