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Terça-feira, 27/3/2012
Hugo Cabret exuma Georges Méliès
Wellington Machado

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O espectador não deve ir ver A invenção de Hugo Cabret (Martin Scorsese, 2011) por causa da indicação ao Oscar. O filme tem todos os ingredientes de que a Academia gosta: uma criança encantadora como personagem principal, um cachorro enxerido, um velho mal-humorado, momentos de tensão, tiradas engraçadas e muita fantasia. Difícil não remeter ao apelo infantil de Roberto Begnini em A vida é bela (1997). Só que o guri Hugo Cabret é esperto. Órfão de um relojoeiro, aprendeu o ofício com maestria e é o responsável por acertar os relógios de uma estação de trem em Paris. Como não tem dinheiro, vive furtando croissants nas lanchonetes e surrupia quinquilharias de um velho desiludido, dono de uma loja de reparos em brinquedos.

A invenção de Hugo Cabret marca a estreia de Martins Scorsese (Touro indomável, Táxi Driver, Cabo do medo) no formato 3D, com tudo o que o diretor tem de bom e de vulnerável. Não é novidade que o diretor é um hábil roteirista. Isso foi provado no rocambolesco Depois de Horas (1985) - infelizmente pouco valorizado pela crítica e praticamente ignorado pelo público. "Hugo Cabret" não é diferente. O filme tem uma narrativa bem equilibrada, sem entraves ou excessos. Toda cena é crucial para compor o emaranhado de acontecimentos e reviravoltas.

Mas Scorsese cede ao que há de mais condenável - e evidente - no cinema hollywoodiano: o excesso de "momentos de tensão". O diretor foi (inadvertidamente, espero) tomado pelo vício do cinema americano comum e pelas artimanhas da narrativa de entretenimento. Chamo de "momentos de tensão" aquelas cenas levadas às últimas consequências, no limiar do "último segundo", no qual o personagem principal se safa por um fio. Steven Spielberg acentuou essa artimanha em seus filmes (vide a série Indiana Jones) e criou uma espécie de "molde mental" nas platéias, sobre o qual é alicerçado grande parte dos filmes de entretenimento americano. Infelizmente, Scorsese abusa dessa artimanha à Spielberg.

Mas deixemos isso de lado, pois é o que faz ganhar Oscar. O que interessa no filme, o fio narrativo, é um boneco desenhista movido a corda: um autômato que o pai de Hugo Cabret insistia em consertar. A empreitada é perseguida pelo garoto, a fim de descobrir o desenho que o boneco iria produzir. Por uma série de peripécias habilmente entrelaçadas por Scorsese, Hugo consegue reaver a última peça que faltava para mover o autômato: uma chave em forma de coração. O desenho traçado pela geringonça é uma cena do filme Viagem à lua (1902), do diretor Georges Méliès (1861-1938).

E eis que o grande público do século 21, sentado em confortáveis poltronas, nas mais modernas salas de projeção que a humanidade pôde produzir, em meio a baldes de pipoca e refrigerante, embebido pelas aventuras e fantasias de Hugo Cabret, embarca em uma viagem ao passado, mais especificamente a uma pequena sala do século 19, onde é projetado o primeiro filme da história do cinema, A chegada do trem à estação Ciotat (1895), realizado pelos irmãos Lumière. Na ocasião, as pessoas se abaixaram na sala de projeção, temendo a entrada do trem no ambiente. Apesar da incrível invenção que colocava uma série de fotografias em movimento, os próprios Lumière não punham lá muita esperança naquilo, já que as imagens "apenas" retratavam a realidade crua. O cinematógrafo, recém-inventado, teve sua morte decretada pelos próprios Lumère.

O cinema certamente não existiria hoje, com suas pipocas e poltronas confortáveis, não fosse um curioso espectador que provavelmente também se abaixou em uma daquelas sessões em 1895. O inquieto ilusionista Georges Méliès procurou saber como é que funcionava aquela maquininha que projetava imagens, e deu um novo suspiro no desânimo dos Lumière. O escalafobético Méliès começou a recortar as películas, emendá-las, sobrepô-las, e fez da realidade crua da estação Ciotat um mundo de sonhos e imaginação. Estava inventada a trucagem. Estava inventada a ficção e a fantasia. O primeiro filme colorido da história do cinema não foi feito nos anos 30, mas por Georges Méliès - colorido à mão, quadro a quadro.

Charles Chaplin, Orson Welles, Eisentein, Buñuel, Kubrick, Spielberg e Scorsese teriam de batalhar outra profissão, não fosse Georges Méliès, que levou a cabo o invento dos irmãos Lumière. Esse mágico, que perdeu o encanto com a depressão causada pela Primeira Guerra (1914-1917), viu seus projetos fracassarem, levando-o à ruína financeira. Desiludido, queimou filmes, rasgou storyboards (foi o pioneiro nessa técnica também), derrubou cenários e o estúdio de vidro que usava para captar melhor a luz.

Georges Méliès se enclausurou, abandonou a vida pública e entrou em depressão. Tornou-se um velho mal-humorado, indo ganhar a vida como reformador de brinquedos quebrados na estação em que Hugo Cabret roubava croissants e recuperava um autômato que reproduziria a imagem de uma bala de canhão atingindo o olho da lua no filme Viagem à lua.

A cena da lua, juntamente com vários outros retalhos recuperados de filmes de Méliès, emociona a plateia do século 21, que, estupefata, questiona se o mágico realmente existiu ou se foi criação da mente de Scorsese - este diretor que também faz storyboard para seus filmes e usa e abusa das trucagens (agora feitas digitalmente). Martin Scorsese, um diretor do século 21 que, após filmar clássicos como Táxi Driver e Touro indomável, não se deixa atropelar pela evolução tecnológica, desafiando preconceitos puristas. O diretor estreia no formato 3D em grande estilo, fazendo a neve tocar nossas pupilas, o cão quase morder nosso nariz, e nos conduz a um voo noturno por uma Paris cintilante. História e tecnologia se aliam, fazendo de "Hugo Cabret" uma porta que nos conduz a um só caminho: a paixão pelo cinema.


Wellington Machado
Belo Horizonte, 27/3/2012


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