A Auto-desajuda de Nietzsche | Andréa Trompczynski | Digestivo Cultural

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>>> A Máscara de Dimítrios de Eric Ambler pela Abril cultural (1984)
COLUNAS

Quinta-feira, 13/10/2005
A Auto-desajuda de Nietzsche
Andréa Trompczynski

+ de 19200 Acessos
+ 27 Comentário(s)

Paro em frente à vitrine da livraria famosíssima em Curitiba. Livros de auto-ajuda por toda parte. Eu, em meio à uma discreta — e, às vezes, não tão discreta — depressão que dura toda a minha vida, deveria os ler, sim. Parecem, pelos títulos expostos ali, que ensinariam-me a vencer na vida, no amor, a aparentar sucesso profissional. Um deles até mesmo promete que descobriria O Poder dentro de mim e outros a encontrar quem mexeu no meus queijos e salames, provavelmente nomes novos para coisas espirituais. Encosto a testa no vidro, num desânimo, por saber o que todos eles dizem: que devo repetir para mim mesma, por dez minutos, todas as manhãs, que sou um sucesso. Que devo vestir-me como uma pessoa de sucesso, que devo dizer em voz alta nomes de virtudes humanas. (Oh, contava, dia desses, um amigo, que, todas as sextas-feiras, em sua empresa, uma terapeuta faz os funcionários jogarem bolas coloridas para cima, enquanto gritam nomes de virtudes humanas como: "Perseverança!", "Coragem!", "Fraternidade!".) Ponho a mão no bolso para pegar mais um anti-ácido.

Decido sentar na praça, em frente à livraria famosa em que não entrei, com minha velha edição de bolso de Ecce Homo — de como a gente se torna o que a gente é, de Friedrich Nietzsche (L&PM, 2004, 206 págs.). Ele nunca estará na lista dos mais vendidos, ele nunca estará num daqueles pedestais ornados da livraria, porque Nietzsche percorre o caminho mais difícil, porque ler Nietzsche não é para qualquer um.

O mundo todo está numa corrida por virtudes humanas. Agora, ser virtuoso é bem de consumo. Antes eram os carros, a posição profissional. Depois o corpo, os músculos, o silicone, as bolsas da Daslu. Agora está na moda ser bom. Vejo as camisetas, pulseirinhas, em prol de todas as causas possíveis: guaxinins em extinção no sudoeste do Sri Lanka, criancinhas famélicas da África, o grupo de senhoras bordadeiras de São João do Triunfo... e você nem precisa conhecê-los, não, compra-se pela internet: pulseirinhas, camisetas, xícaras, imãs de geladeira da bondade humana. Acaba de passar um rapaz com meia-dúzia de pulseirinhas em prol de desabrigados, famintos e clubes de futebol falidos. Com o livro no colo, dou um meio sorriso: "a piedade é uma virtude apenas para os décadents".

(Ah, Friedrich, por você, muitas vezes, enlouqueço, percorrendo a casa de pijamas, tateando as paredes às cegas e resmungando: "Friedrich, Friedrich, por que você morreu? Quem mais dirá tão verdadeiras coisas, meu querido?").

E calem-se nossos conceitos de Bem e Mal, para compreender Nietzsche, cale-se tudo o que se tenha aprendido. O rapaz das pulseirinhas não sabia, e, nem a moça que passa agora, com uma camiseta do Greenpeace e bolsa da campanha do "Sim" à proibição do comércio de armas, que pensava ele ser a piedade, seja com as baleias ou os times de futebol, muito parecida com as más maneiras, e, que aquela poderia interferir no destino da criatura de maneira trágica. Tiramos dela o sofrimento, tiramos dela o privilégio de crescer, e ela não se torna o que poderia ser.

Manipular pessoas com sorrisos e bajulações, galgar postos às custas do Poder dentro de Nós, e outras fórmulas que os livros de auto-ajuda ensinam, Nietzsche, há mais de cem anos, já havia desmascarado: "A condição de existência dos bons é a mentira". Por não quererem ver, a todo custo, como a realidade é constituída no fundo. A realidade e seus horrores são mais necessários que a bondade, por ser esta de caráter mentiroso. Desvio os olhos do livro, já sorrindo completamente. Ler Nietzsche não é para qualquer um.

Uma senhora sai da livraria, felicíssima, com seu livro de auto-ajuda. Que lhe dirá mentiras horrendas sobre a alegria do otimismo. Fará a velhinha feliz, por, talvez, meia-hora. Diria Nietzsche: "o otimista é tão décadent quanto o pessimista, e talvez mais daninho do que ele".

Fico a observar a vitrine. Aquelas pilhas e pilhas de papel, todos aqueles livros, listas de mais-vendidos, em vão. Noites de autógrafos, fãs desesperadas em busca de autógrafos dos autores, que viraram celebridades. Friedrich Nietzche havia dito que, numa frase, poderia escrever muito mais do que muitos em livros inteiros, e escreveu-as. E valem, valem mais do que todos aqueles livros. Ah, para todos os problemas da humanidade, a solução era tão simples: "No fato de um homem bem-educado fazer bem aos nossos sentidos: no fato de ele ser talhado em uma madeira que é dura, suave e cheirosa ao mesmo tempo. A ele só faz gosto o que lhe é salutar; seu prazer acaba onde as fronteiras do salutar passam a estar em perigo. O que não acaba com ele, fortalece-o. Acumula por instinto tudo aquilo o que vê, ouve e experimenta: é um princípio selecionador, ele reprova muito. Ele está sempre em sua própria companhia, honra pelo ato de selecionar, pelo ato de permitir, pelo ato de confiar. A todo tipo de estímulo ele reage lentamente, com aquela lentidão que uma longa cautela e um orgulho desejado inculcaram nele. Não acredita nem no infortúnio, nem na culpa: ele dá conta de si mesmo, ele sabe esquecer. Ele é forte o suficiente a ponto de fazer com que tudo tenha de vir para o seu bem... Vá lá, eu sou o antípoda de um décadent: pois acabei de descrever a mim mesmo."

Deixo a praça. Não comprei nenhum livro, nenhuma pulseirinha, nenhuma camiseta. Eu precisaria mesmo era comprar um novo exemplar de Ecce Homo, que o meu, por tanto manuseio e anotações nas margens, está se desmanchando. Mas, meu livro de auto-desajuda, naquela livraria, certamente, não iria ter.

Para ir além






Andréa Trompczynski
São Mateus do Sul, 13/10/2005


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Manual para revisores novatos de Ana Elisa Ribeiro
02. Carta ao(à) escritor(a) em sua primeira edição de Ana Elisa Ribeiro
03. Do canto ao silêncio das sereias de Cassionei Niches Petry
04. Nobel, novo romance de Jacques Fux de Jardel Dias Cavalcanti
05. Uma suposta I.C. de Elisa Andrade Buzzo


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/10/2005
22h26min
Que bela maneira de descrever sua paixão pelo mais homem que foi "mais" que o homem. Que nos dêem licença pra sermos piegas: poderíamos descansar e não escrever mais nada... Nietzsche já escreveu tudo!
[Leia outros Comentários de Tubérculo de Souza]
16/10/2005
17h18min
nao eh pra qualquer um ser aceito como o super homem de nietzsche nesta sociedade brasileira católica e com tao pouca cultura, seria se afundar mais ainda dentro de si mesmo a ponto de nao querer existir. parabéns pelo texto
[Leia outros Comentários de Alan Aguinaga]
19/10/2005
12h42min
Adorei o texto sobre Nieztsche, na verdade é o segundo texto seu sobre ele que eu gostei. Para mim, o maior problema de Nieztsche é justamente simplificar a condição humana ao persistir numa dualidade radical. Mas é compreensível, para todo homem inteligente o mundo tem que ser compreensível e dissecável. De qualquer maneira, Nieztsche era fã dos Upanishads indianos, e incorpora algumas idéias destes livros filosóficos em sua filosofia. Eu acho que a maior insconsistência de Nieztsche reside no fato de que... e se você é educado mas insatisfeito? Ninguém se satisfaz em meramente ser superior, no sentido de Nieztsche. Quanto aos livros de auto-ajuda, sinto pena não dos leitores e autores, mas sim do sistema escolar decadente brasileiro que não consegue animar o jovem a ler qualquer coisa. A maioria das pessoas não tem o exemplo da leitura em casa, então é na escola que poderia aprender. É sintomático que na sociedade brasileira, hiper-instável, as pessoas fiquem tristes e desesperadas e vão ler auto-ajuda. Imagine se você, desempregado, nunca leu um livro, família para cuidar, marido ou esposa infiel, quando tem trabalho é algo chato e repetitivo, imagine se você iria procurar um Nieztsche? Acho que as pessoas querem respostas rápidas e práticas. E eu acho que estas respostas existem sim. Num primeiro plano, as pessoas tem que ser informadas que a vida não é deprimente assim, que temos direito de ter um trabalho legal, uma família honesta, etc., etc. E que devemos construir isso... Depois disso, lê-se Schopenhauer, Nieztsche etcetra. Ainda assim prefiro Budha, os Upanishads, e os trechos mais inspirados da Bíblia, que sem muitas delongas deixam claro: em vida, ou você aceita viver altos e baixos, ou você a transcende, e passa a não se importar com seu status, com o que é ser "melhor" etcetra, simplesmente faz o que te deixa feliz. E no seu caso, ser feliz é ler muito. No caso de outra pessoa, pode ser tentar encontrar uma solução para os problemas insolúveis em que estão metidas... PS: Detesto livros de auto-ajuda, mas nao os condeno. Condeno a mim mesmo, que não tem a disciplina para escapar do meu próprio pensamento.
[Leia outros Comentários de Ram ]
21/10/2005
11h42min
O mundo está abarrotado de "portadores de etiqueta", o próprio Nietzsche já está virando uma, basta buscar no orkut, por exemplo. Comunidades lotadas de "admiradores" ou pior "estudiosos" discorrem, elegantemente, intrepretações sobre sua vida e obra, resguardando a responsabilidade de agradar aos acadêmicos de plantão, replicantes da moda do decorar nomes de obras, autores e palavras-chave, para usarem em seus saraus e cafés, claro, com o devido cuidado de não escorregar de cima do muro e não afrouxar o sorriso plástico conivente. São a antítese, o pesadelo de todo autor, exceto os donos de casas de laticínios, se é você me entende... Parabéns, admiro seu desprendimento e autonomia!
[Leia outros Comentários de Izadora Thomaz]
26/10/2005
16h26min
Bacana o texto. Nietzsche é ótimo, tão bom que chega a dar medo. Quando o ano estiver para acabar vou começar a ler a Genealogia da Moral... talvez seja um bom jeito de recomeçar.
[Leia outros Comentários de Ana Claudia]
28/10/2005
07h34min
Parabéns, Andréa, foste ótima em tua análise. Me rendo!
[Leia outros Comentários de Diogenes Eduardo]
28/10/2005
15h47min
"...tanto manuseio e anotações nas margens", Andréa, é o mais nietzscheano de todos os elementos, e o que fico a imaginar curiosamente, porque é assim, transbordando a ponto de fundir-se às margens desse "Ecce Homo", que Nietzsche queria ser lido, então, Andréa, se como dizia Borges, é a porta que escolhe o homem, ou a mulher, certamente esse livro deve ter sido bem impactante para você, à parte qualquer outro valor dessa delícia que Nietzsche provavelmente nos deu às custas de um grande desenvenenamento de livros. Como você chegou a esse livro, Andréa? E que outros ele lhe mostrou, e quais anotações você fez? Bom sonhar com elas. Baccios!!!
[Leia outros Comentários de Mário G. Montaut]
3/11/2005
8. Amei
15h20min
Nossa, adorei esse texto: quem me dera poder escrever algo parecido! Para dizer a verdade, entrei nessa página por um acaso. Agora não mais entrarei assim! Bom, o que tenho para falar? Ah... Simplesmente que... Amei. É! verdade! Puxa, eu não conheço nada sobre Nietzsche; só umas frases; mas, agora, pretendo conhecer. E por isso é que eu não tenho nada de concreto e inteligente para dizer. Agora, tenho que desejar a ti crescimento e sabedoria. É isso aí... OBS: Pode deixar que sempre estarei por aqui.
[Leia outros Comentários de Jéssica Santos]
4/11/2005
08h51min
Tenho visto em pedestais (até mesmo em bancas de jornais, pasme!) esse livro de Nietzsche. É a popularização da boa leitura para os chamados "qualquer um". Resta saber se ele conseguirá conviver harmoniosamente com "Sorria para a vida" ou algo semelhante... Whatever... nunca escutei falar em livrocídio. Então, veja, nem tudo está perdido. Há uma chance de que ele chegue até às mentes abertas a novas conquistas literárias.
[Leia outros Comentários de Cláudia]
5/11/2005
13h16min
...mas não queremos ser como nietzsche que enlouqueceu a busca de pessoas que pensassem como ele.
[Leia outros Comentários de celso muniz]
5/11/2005
21h14min
Andrea, acho interessante essa sua iniciativa de fazer um paralelo entre um pensamento que pode realmente mudar uma pessoa e outro que quer apenas domina-la. O perigo é que, como o proprio já dizia, a plebe deixa as suas marcas aonde quer que coloque as mãos. Sendo assim nestes tempos de popularização de Nietzsche, o desafio mais radical é realmente encarnar suas obras e conceitos sem fazer deles meras palavras de ordem, ou transformar-se em padres nietzschianos. Que cada um tenha a liberdade de interpretar as coisas como quiser, mais a de se ter cuidado, para não transforma-lo numa mera auto-ajuda filosofica, como vem fazendo com o Hagakure, ou com o Sun tzu... Abraços, Danilo
[Leia outros Comentários de Danilo S. Cruz]
8/11/2005
16h34min
Elegante, esta é a palavra que melhor traduz a leitura da articulista tão sensível e responsável com os ensinamentos de Nietzsche. Parabenizo, sempre, as pessoas que no percurso de suas vidas se mostram engajadas com a busca da verdade. Ler Nietzsche é um desafio que transcende os escaninhos da mesmise acadêmica, possibilitando ao homem um encontro singular com sua essência. Continue trilhando o caminho dos insurretos, pois quem ganha somos nós, brasileiros.
[Leia outros Comentários de Roger Rocha]
9/11/2005
19h36min
Andréa, não sei o que dizer. Não sei mesmo o que dizer. Simplesmente não me importam as bolinhas coloridas e as virtudes humanas. O mundo já anda bastante feio e não admite mais enfeites. Prefiro minhas poesias vomitadas que otimismo cego. Mas, que adianta? Quem quiser ler Nietzsche, lerá. Quem quiser ler outra coisa, que leia. Apenas não quero que eles não me empurrem o tal queijo já mexido, que nem é meu. Porque se fosse meu, eu lembraria de haver comprado ou se ganhei de alguém. Ah... é só isso. Agora volto pro meu pobre cotidiano, cheio de tantas imagens vazias como nos livros de auto-ajuda (e com a sensação de que havia algo mais a dizer, mas que não soube como).
[Leia outros Comentários de Alessandro de Paula]
15/1/2006
23h22min
Lembro-me apenas de uma frase que resume bem nossa sociedade "posso perdoar pelo que me fizeste, mas como poderei perdoar se o tivesse feito a ti mesmo"
[Leia outros Comentários de rodrigo33]
17/1/2006
18h59min
acho que so' existem dois tipos de pessoas: os que leram e os que nao leram nietzsche, pois e' uma leitura impactante e que joga por terra os nossos conceitos que sao, em sua maioria, baseados nessa sociedade maniqueista. Porem, como disse o propio nietzsche, ele nao queria ser idolatrado, entao nao nos limitemos, pois quando ele pregava o alem do homem tambem estava pregando o alem-nietzsche, mas continuemos a degusta'-lo e continuemos a nos deliciar com sua sinceridade e falta de pudor, a qual ainda choca muita gente!
[Leia outros Comentários de taise de jesus santo]
6/8/2006
01h08min
Não sabia que gostava tanto de escrever seus pensamentos. Adorei o texto. Esses blogs são uma excelente forma de diário que só lê quem nos conhece, apesar de estar aberto a todo o mundo. Íiii.... tem mais um monte de textos seus... vou ler...
[Leia outros Comentários de Jose Luiz]
28/11/2006
18h56min
Nietzsche: entre todos os piores, o pior; entre todos os melhores, o melhor. Um furacão na filosofia. Contraditório por sua honestidade, sempre no contexto da verdade. Entre o bem e o mal: lá está Nietzsche, pensando nas entranhas de seu pensar absoluto. Que seja ele o mais cético de todos. O mágico das noites entre lobos e serpentes. Orgulhosamente humano, Nietzsche. Muito bom o teu texto.
[Leia outros Comentários de Giu]
28/6/2008
02h48min
"Uma hora de subida nas montanhas faz de um patife e de um santo duas criaturas semelhantes. A fadiga é o caminho mais curto para a igualdade e a fraternidade - e durante o sono a liberdade se junta a elas" (O Viajante e sua Sombra; aforismo 263). Assim é Nietzsche, um dos maiores inimigos da decadência em toda a história da humanidade. O que mais gosto em Nietzsche são aquelas afirmações de que o cristianismo e demais religiões do mundo são todas decadentes. Também pudera. Se assim não fosse, jamais as religiões conseguiriam dominar a maior parte da população humana, como costuma acontecer hoje. "As religiões são coisa do populacho" (Ecce Homo; Por que sou um destino).
[Leia outros Comentários de Anderson de Souza]
21/11/2010
08h32min
Obrigada pelo "up", Julio. Tenho um carinho imenso por esse texto, e, pela pessoa em questão, nem se fala... Apesar de "ter parado de escrever para sempre", as colunas do Digestivo são as mais sinceras, de um tempo de inocência do qual tenho saudades e nunca esquecerei. Saudades de vocês todos, muitas saudades, e um grande abraço.
[Leia outros Comentários de Andréa Trompczynski]
21/11/2010
10h15min
Quem nasceu para dez réis nunca chega a tostão. Não há maior mentira do que a igualdade entre os "filhos de deus". Igualdade e consenso são a negação da vitória e da liderança. São a negação do talento e da inteligência. São a negação da qualidade e da superioridade. Milhões de jovens sonham com uma carreira de jogador de futebol. Algumas dezenas chegam à borda do sucesso, e apenas um punhado atinge o topo daquele mundo. É quando os iguais compram réplicas de seus uniformes, compram revistas, fotos, cartazes, emblemas, livros etc. Cantores, modelos, manequins, atores e atrizes, professores, escritores, alfaiates (e modistas), médicos, advogados, arquitetos, bandidos são imediatamente deificados, canonizados, entronizados e passam a viver melhor quanto mais for a sua desigualdade. Procura-se ensinar a igualdade, a fraterna igualdade como preceito divino, como qualidade a ser buscada em troca do... reino.
[Leia outros Comentários de Raul Almeida]
21/11/2010
11h51min
Recebi este texto por e-mail e li por acaso. Mas achei super interessante e realista. Estudei um pouquinho de Friedrich Nietzsche quando fazia Direito. Tinha um professor que gostava muito. Aprendi algumas fases, discuti sobre elas. Tenho em casa alguns livros dele como "O Anticristo" e "Assim falava Zaratustra". O segundo eu comecei a ler e ainda não consegui terminar. Não que seja grande, mas é uma leitura complexa. Paro muitas vezes, releio, interpreto. Estou aprendendo a gostar e a odiar Friedrich Nietzsche. Acho que felizes mesmo são aqueles que vivem nesta falsa realidade, eles não têm com o que se preocupar. Os que sabem a "verdade" serão eternamente infelizes.
[Leia outros Comentários de Mariana]
21/11/2010
13h53min
"Às vezes faço, com tracos, um pensamento profundo. Às vezes faço, com fatos, um nada sem fundo." (palavras minhas) Sempre me culpei por não ter lido Nietzsche, em vez de ler "Revolução vermelha" e outros do mesmo nível. Agora você, Andréa, redimiu-me de culpa. Desculpe, querida, mas ver em "simples palavras" de autoajuda, uma "desajuda" é estar por demais impregnada com os "decadentes" "desajuda" dele. Não desanime, leia a "Luluzinha", as diabruras da Mônica, do Saci, as histórias do Lobato, enfim, simples palavras de otimismo de escritores "sem preconceito" que amam o ser humano. Graças ele não estar na internet, botando todo mundo "pra baixo". A verdade... amanhã eu saberei.
[Leia outros Comentários de maria anna machado]
23/11/2010
00h17min
"A condição de existência dos bons é a mentira", mas há "bons" e "bons". Uns são indivíduos que, negando veementemente a natureza humana, oprimem a si mesmos e aos outros; outros "bons" reconhecem a mesquinhez humana e sabem que a bondade absoluta é uma falácia, mas nem por isso deixam de exercer uma autovigilância saudável e de cometer atos altruístas, nem que seja como forma de manter a paz civil. Nem o contrário de Nietzsche é a literatura de autoajuda e nem o reconhecimento de que, no âmago, o "homem é o lobo do homem" precisa descambar para o "salve-se quem puder". Quanto à afirmação de que "Nietzsche não é para qualquer um", como provocação é até divertida, mas levada ao pé da letra sugere uma mitificação/adoração do autor que certamente ele desprezaria, afinal, libertário até a medula, era contra qualquer tipo de autoridade.
[Leia outros Comentários de Rosangela Cavalcanti]
4/12/2010
16h23min
Quando leio Nietzsche sinto que a força e a síntese do seu pensamento ainda não alcançam boa parte de seus críticos - e até mesmo de seus seguidores. Mas quando leio um texto como esse, chego a equipará-la em estilo ao próprio; vejo também que a incompreensão de sua obra chega a extremos de alguém lhe recomendar leituras infantis por achar que o nobilíssimo filósofo é apenas um arauto do pessimismo e do mau humor. À esta senhora recomendo que leia "Humano, demasiado humano...". Neste livro, ela, com sua sensibilidade de artista e intelectual, verá o quanto se engana a esse respeito; o calor de suas palavras acendem e rejuvenescem qualquer um. Quanto ao fato de ele continuar a ser para poucos, concordo plenamente, sem ter medo de beirar a idiotificante idolatria, pois, quem lê, estuda e entende Nietzsche não se deixa levar, como muitos, para o lugar comum das ideias prontas e mastigadas, e está sempre questionando e colocando seus textos como guia para um pensamento que nunca parar de mudar e evoluir...
[Leia outros Comentários de Carlos Patez]
28/12/2010
14h26min
"A piedade é um sentimento apenas para os décadents" (Nietzsche). Em incontáveis demãos de piedade e grandeza, a cristandade pintou sua covardia. Nietzsche estava certo. Mas degradar a piedade em impostura, até que ela se torne mais que um gesto amplo e vazio, já seria ir demasiado longe. A verdade sempre foi reivindicada para justificar toda mentira e nem por isso deixou de existir. A piedade é sentimento característico de indivíduos sensíveis, porque sobretudo enxergam a fraqueza que está atrás de toda a ofensa. Seria possível que Nietzsche não tivesse compreendido isto? Custa crer, pois, se confirmada tal insensibilidade do filósofo, toda a verdade nietzschiana assentar-se-ia numa mentira escandalosa: os homens travestem sua covardia em compaixão (ou humildade), o que reclama a negação deste sentimento, para aquele que deseja mudar, transmutar-se, fortalecer-se, deixando para trás toda a pusilanimidade. O que precisa mudar não é a compaixão, mas a impostura de compaixão.
[Leia outros Comentários de mauro judice]
28/12/2010
14h30min
Contudo, para falar, mensurar, supor, abranger este sentimento, é preciso senti-lo. E para saber em que amplitude dele mencionaram os homens grandes, é preciso senti-lo grande. Jesus ou Buda não podiam falar de piedade de um modo pequeno. Como também do amor. Nietzsche teria sentido grande qualquer destes sentimentos? A grandeza intelectual do filósofo não o assegura. Pululam pela História inteligências luminosas, miseráveis de sentimentos. Perversas, até. Aqui, clamo a um ponto a mim caro no que tomo por Filosofia. A apreensão intelectual se desenvolve com o refinamento emocional. Ponto que ainda me parece parcamente explorado pelo pensamento humano. Não nos constrange e, mesmo, revoltam as inúmeras descrições gratuitas de homens trucidados na "Ilíada", escrita por Homero? Homero, o maior vate da História? A inteligência pura? Por este prisma, não seria um posicionamento honesto relativizarmos nossas convicções sobre o Cristo ou o Buda, por não sentirmos o que eles sentiram?
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28/12/2010
14h32min
Não seria justamente este o ponto que nos separa deles? O grau de sentimento de compaixão? Podemos reduzir tudo o que falaram em praticamente isto: a distinção de sentimentos leva à distinção de apreensão ao mesmo fato. Assim, Jesus veio apresentar a Nietzsche o sentido da piedade ou veio ensiná-lo a senti-la? A potencializá-la? Aceitamos que um homem simples não entenda o sentido - o sentido! - de peça literária de Proust ou Marivaux, por não ter maturidade emocional para alcançar as sutilezas sensíveis nos textos, embora o sujeito saiba ler com perfeição. Aceitamos a graduação para baixo de nós. Todavia, não, para cima. Insensatez pura. Não só é provável que existam pessoas em maior desenvolvimento emocional que nós, como é inerente que assim se proceda. Existir o menos, implica em existir o mais.
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