Memórias de um caçador, de Ivan Turguêniev | Ricardo de Mattos | Digestivo Cultural

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Segunda-feira, 17/3/2014
Memórias de um caçador, de Ivan Turguêniev
Ricardo de Mattos

+ de 6000 Acessos

"O manuscrito deste livro estava muito avançado. Eu não ousava publicá-lo, sem antes ter visto algo da Rússia, sem ter respirado seu ar, vislumbrado suas florestas e pradarias, por onde caminhava Turguêniev em suas caçadas" (Jayme Mason).

Queremos fazer justiça a Jayme Mason, engenheiro de formação e amante declarado da literatura russa. Seu pouco conhecido livro, Mestres da literatura russa - Aspectos de suas vidas e obras, foi para nós um verdadeiro roteiro. Por meio dele ficamos sabendo da verdadeira extensão da obra de autores como Tolstoi, Gorki e Turguêniev, entre outros. Escrito por quem se propôs a aprender russo e a visitar os lugares referidos nas grandes obras, seu texto é de tal clareza que anos depois, quando o jornal anunciou para breve o lançamento das Memórias de um caçador, primeiro livro em prosa de Ivan S. Turguêniev, já estávamos prevenidos do que se tratava e aguardamos sua chegada seguros de boa leitura. De Turguêniev - com quem compartilhamos a data de reencarne, 28 de outubro - já tivemos oportunidade de ler Ássia, Meu primeiro amor e o clássico Pais e filhos.

Qual a voz das Memórias...? A do próprio Turguêniev, em primeira pessoa. Não o escritor procurando assunto para relatos, mas o caçador que deambulou em sua propriedade e adjacências, tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir, atento aos costumes, gestuário e curiosidades da fala do povo. Percebe-se que o principal resultado de suas caçadas não foram os animais, e sim as cenas que transformou em narrativas. Ora encontramos o narrador que apenas relatou o que testemunhou - O prado de Biejin; O escritório -, ora é aquele que interveio diretamente nos fatos - Biriuk. Quase todos os relatos iniciam-se com alguma andança atrás de caça: ora sozinho, ora acompanhado por algum empregado caçador, mas sempre com algum cão. Ao contrário dos cães especialistas de outros países - apontador, buscador, terrier -, os cães de Turguêniev pareciam ter múltiplas funções. De qualquer forma, a caçada foi o pretexto para o escritor flanar por bosques e campinas, tomar chuva e sereno, bem como aquecer-se ao Sol. Quando encontrou algo considerado digno de explorar e registrar, deixou em paz os faisões e galinholas e permitiu ao cachorro descansar. Em apenas um relato, Relíquia viva, o narrador apresenta-se com outro nome.

A caça de Turguêniev limitou-se a aves e, por vezes, lebres. Quem não estiver informado a respeito do autor e sua obra talvez desaponte-se ao tomar o livro esperando por safáris, lutas com tigres ou leões, descrições de caçadas e de armas. Estamos falando de um nobre que usou seu tempo livre em terra natal para conhecê-la mais de perto, no que diz respeito aos seus habitantes e à variada escala social. Não espere o leitor, portanto, um Ernest Hemingway russo. Por outro lado, a imersão de Turguêniev parece desautorizar a crítica que lhe endereçava seu colega Fiodor Dostoiévski. Segundo o autor de Crime e castigo, Turguêniev falava de um país que conhecia de fora, de notícias colhidas em sua permanência no exterior. Nesta coletânea, iniciada em 1847 e reunida para publicação em 1852, notamos que o autor de Pais e filhos não era alheio aos acontecimentos de sua terra, embora não tenha tido, talvez, o envolvimento desejado pelo outro. Dostoiévski foi preso e julgado, porém liberado da execução quando já experimentava o capuz de condenado. Si esta não era a índole de Turguêniev, seus escritos - a começar das Memórias - foram polêmicos o suficiente para inaugurar um novo olhar dos russos sobre sua própria realidade. E ambos legaram textos valiosos, que desde a primeira edição dão o que pensar a quem se dedica a lê-los. Vivessem no Brasil atual, Dostoiévski participaria das passeatas do ano passado e mais de uma pessoa suspeitaria de sua participação em black bloc. Já Turguêniev assistiria o movimento, conversaria com alguns manifestantes e depois escreveria sobre o assunto para o jornal O Estado de S.Paulo.

Repara, leitor. Quando o resenhista de algum jornal, revista ou site procura justificativa para recomendar a leitura de um livro escrito há algum tempo, geralmente recorre à formula: "Embora escrito no Cazaquistão do século XIII, o livro mantém-se atual". Seria melhor dizer que a sua época, o escritor já possuía olhar aguçado o suficiente para reconhecer os tipos humanos e as relações estabelecidas entre eles, os interesses envolvidos, os conflitos expostos ou jacentes. E que a Humanidade caminha em passo tão lento, arrastado e moroso, que ainda podemos encontrar nos dias de hoje aqueles mesmos tipos resistindo à transformação, querendo que o mundo pare para eles. Lembremo-nos, inclusive, que a relatividade espaço-temporal pode fazer que encontremos o Cazaquistão do século XIII no Brasil do século XXI. Prova disto obtivemos um ou dois dias após a leitura da narrativa O escritório, na qual Turguêniev concentrou-se na exposição do caráter de administradores a serviço da nobreza rural. Foram pessoas que conseguiram manter seus patrões alienados e intrometeram seus próprios interesses em meio ao trabalho pelo qual eram remunerados, obtendo propinas e portando-se como pequenos déspotas com a criadagem de hierarquia inferior. Pois bem: chegou-nos ao conhecimento o caso de senhora que, para vender certo imóvel de sua propriedade, encarregou seu sobrinho da corretagem. Todavia, soubemos depois que não estava a par das pressões feitas por ele sobre os compradores, exigindo sinais indevidos e ameaçando interromper o negócio. Muito lento, muito arrastado, e muito moroso...

Embora nas primeiras linhas do conto "Hamlet do distrito de Schigrí" o narrador envergue seu fraque, "sem o qual não aconselho ninguém a sair de casa, mesmo que seja para caçar", ele não assumiu a persona do nobre distante e observador de fatos pitorescos, o que fatalmente quebraria a espontaneidade dos circundantes. Por vezes contou chegar a um local pobre, ser reconhecido como fidalgo da região - como n'"Os cantores" - e logo as pessoas acostumarem-se e esquecerem-no. O esquecimento ocorreu porque ele não se preocupou em lembrá-las de sua fidalguia nem pretendeu comportamento ou tratamento especiais. De fato, o escritor mostrou-se à vontade entrando em tascas humílimas, abrigando-se do tempo e da noite em celeiros e estábulos, compartilhando refeição em casa de mujiques e pessoas simples. Por vezes, dialogou de igual para igual com outros de seu patamar. Percebemos, porém, maior simpatia no trato com o homem do povo, menos "armado", mais fecundo de histórias e com maior potencial de surpreender o ouvinte com expressões e soluções de demandas.

Quase toda narrativa inicia-se, também, com a descrição de algum local ao ar livre, de algum nicho natural que teria enchido os olhos de Turguêniev. Não mera descrição de cenário ou introdução ao que virá, mas verdadeira elegia da Natureza, sua fonte de abastecimento espiritual:

"Dê-me sua mão, querido leitor, e venha comigo. O tempo está maravilhoso; o céu de maio é de um azul dócil; as folhinhas lisas do salgueiro brilham como se tivessem sido lavadas; o caminho amplo e regular está todo coberto daquela erva miúda de caule avermelhado que as ovelhas beliscam com tanto gosto; à direita e à esquerda, balança suavemente, pelas encostas das colinas arredondadas, o centeio verde; sombras de pequenas nuvens deslizam sobre ele, em débeis manchas" (de "Tatiana Boríssovna e seu sobrinho").

"E que sombra fazia no bosque! Era a pura noite em pleno calor do meio dia: silêncio, perfume, frescor... Passei tempos felizes em Tchaplíguino, e por isso reconheço que não era sem melancolia que entrava naquele bosque tão familiar" (de "Morte").

"Respondi o que se responde nesses casos, e fui atrás dele. Uma pequena vereda que havia sido limpa há pouco logo nos levou para fora do bosque de tílias; entramos em uma horta. Em meio a velhas macieiras e espessos arbustos de groselheira abundavam repolhos verdes e pálidos; os altos estames do lúpulo ascendiam em espiral; galhos pardos se apertavam nos canteiros, emaranhados com a ervilha ressequida; abóboras grandes e achatadas pareciam desabar na terra..." (de "Meu vizinho Radílov").

Imagens

Esta coluna foi ilustrada com imagens de quadros pintados por Carl Brenders, pintor belga nascido em 1937.


Ricardo de Mattos
Taubaté, 17/3/2014


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