Journey | André Graciotti | Digestivo Cultural

busca | avançada
82307 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Casa Flutuar apresenta agenda cultural com grandes nomes da música eletrônica brasileira
>>> Sarau do Vale participa do projeto de 10 anos do Grupo Rosas Periféricas
>>> Cia Linhas Aéreas serve aperitivo para a temporada presencial de 2022
>>> Rosas Periféricas apresenta Labirinto Selvático e Ladeira das Crianças em novembro
>>> SESI-SP apresenta Filó Machado 60 Anos de Música em teatros de São Paulo e Piracicaba
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jimmy Page no Brasil
>>> Michael Dell on Play Nice But Win
>>> A história de José Galló
>>> Discoteca Básica por Ricardo Alexandre
>>> Marc Andreessen em 1995
>>> Cris Correa, empreendedores e empreendedorismo
>>> Uma história do Mosaic
>>> Uma história da Chilli Beans
>>> Depeche Mode no Kazagastão
>>> Uma história da Sambatech
Últimos Posts
>>> Mundo Brasil
>>> Anônimos
>>> Eu tu eles
>>> Brasileira muda paisagens de Veneza com exposição
>>> Os inocentes do crepúsculo
>>> Inação
>>> Fuga em concerto
>>> Unindo retalhos
>>> Gente sem direção
>>> Além do ontem
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O Desprezo de Alberto Moravia e Jean-Luc Godard
>>> Cuba E O Direito de Amar (2)
>>> A Velhice
>>> I know you
>>> Vanguarda e Ditadura Militar
>>> Na Campus Party 2009 II
>>> Um piano pela estrada
>>> The Good Wife visita Private Practice
>>> Glamour e mistério em Belíssima
>>> Um fim de semana no campo
Mais Recentes
>>> Venda Mais - Os 14 mitos do Marketing - Ano 6 - Nº77 de Vários pela Quantum (2000)
>>> Venda Mais - Por que as empresas quebram? - Ano 6 - Nº80 de Vários pela Quantum (2000)
>>> Venda Mais - Você pode realizar seus sonhos - Ano 6 - Nº 75 de Vários pela Quantum (2021)
>>> Venda Mais - Porque você é do jeito que é - Ano 6 - Nº 78 de Vários pela Quantum (2000)
>>> Venda Mais - Edição aniversário - 7 anos - Vendendo mais e melhor de Vários pela Quantum (2001)
>>> Venda Mais - Negociando para ganhar - Ano 6 Nº 81 de Vários pela Quantum (2000)
>>> Venda Mais - Venda Mais! Venda para nichos de Mercado de Vários pela Quantum (2001)
>>> Torto arado de Itamar Vieira Junior pela Todavia (2020)
>>> O Investidor Inteligente de Benjamin Graham; Lourdes Sette pela Harper Collins (2017)
>>> O Profeta de Gibran Khalil Gibran pela Acigi
>>> Duna 1 - Edição Especial de Neil Gaiman; Frank Herbert; Maria Do Carmo Zanini pela Aleph (2017)
>>> Duna 1 - Edição Especial de Neil Gaiman; Frank Herbert; Maria Do Carmo Zanini pela Aleph (2017)
>>> Quando o Amor Triunfa de Giseti Marques pela Boa Nova (2016)
>>> Baía da Esperança de Jojo Moyes pela Intrinseca (2016)
>>> Milena de Denise Corrêa de Macedo pelo espírito Milena pela Eme (2019)
>>> Episódio da Vida de Tibério de J.W.Rochester Vera Kryzhanovskaia pela Eme (2018)
>>> Técnicas de Venda - Vendas X Produção de Vários pela Quantum (2000)
>>> O Livro da Verdadeira Cruz de Caravaca de Naasson Vieira Peixoto pela Eco
>>> Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download de Andre Midani pela Nova Fronteira (2008)
>>> La Grande Aventure de La Criminologie de Jurgen Thorwaldo pela Albin Michel (1967)
>>> Português no Ginásio - Gramática e Antologia para 3ª Série de Raul Moreira Lêllis pela Companhia Nacional (1960)
>>> Tipos e Aspectos do Brasil de Sem Autor pela Ibge (1966)
>>> Historia Gráfica del Arte de Joseph Gauthier pela Victor Leru (1944)
>>> Garibaldi una Grande Vita in Breve de Denis Mack Smith pela Lerici (1959)
>>> Arte de Ensinar e Arte de Aprender de Varios pela Fundação Getúlio Vargas (1974)
COLUNAS

Segunda-feira, 4/3/2013
Journey
André Graciotti

+ de 5200 Acessos

Se as tentativas do videogame em ser algo mais - transcendental, filosófico e profundo - do que simples entretenimento tem conseguido notáveis resultados nos últimos anos, é com Journey que ele atinge sua sublimação. Poucas coisas - e me refiro à cultura pop como um todo - conseguem ser tão tocantes e tematicamente complexas quanto Journey é.

Os dois jogos precedentes do estúdio independente thatgamecompany, flOw e flOwer, já quebraram paradigmas do se espera de um game e mostraram, com excelência invejável aos grandes estúdios, como expandir a jogabilidade como elemento essencial à imersão e a emoções diversas, mas Journey é a sua grande obra-prima, indo muito além em conceitos que já exploravam e é provavelmente uma das coisas mais emocionantes e - sim, vou arriscar sem medo e em bold - artísticas já feitas num videogame.

Assim como nos games anteriores, você deve descobrir sozinho como jogar e o que fazer, adentrando num ambiente desconhecido e sem entender muito bem quem você é e qual seu objetivo (a única coisa inteligível logo de imediato é a sugestão de que você deve retornar a uma montanha com um feixe de luz no horizonte). É preciso se aventurar aos poucos nos controles, nos movimentos e nos vastos e misteriosos ambientes pra ir "entrando" no clima que Journey demanda. Mais do que qualquer outro jogo, Journey é todo pensado para que você SINTA a experiência de estar naquele universo e não apenas que almeje completar um objetivo.

Até tem lá momentos de games mais "tradicionais", como obstáculos a serem superados, pequenos puzzles, desafios progressivos e bichos gigantes que oferecem ameaça. Mas são apenas detalhes num jogo com tantos grandes momentos (a fase em que deslizamos pelo deserto em contraluz é de suspirar fundo de tão linda e intensa) e que tem como grande atrativo oferecer um universo tão rico e complexo através de uma jogabilidade tão simples.

Há até mesmo um dos multiplayers (jogo de múltiplos jogadores) mais interessantes já criados, já que não se trata de uma competição (enfim!), mas de um co-op (jogo cooperativo) bem original. Um outro jogador pode aparecer sem aviso, sem huds (heads-up display: a exibição de características e status na tela) e sem nickname para ser seu companheiro na viagem. Vocês podem recarregar o tempo de flutuação um do outro e ainda se comunicar não-verbalmente - com apenas um botão, emite-se um som que parece um canto. Parece estranho, mas funciona lindamente. Constrói-se um senso de companheirismo emocionante. Tanto que os nicknames de quem lhe acompanhou na "jornada" só aparecem nos créditos finais, e o senso de conquista conjunta cria um curioso laço entre os participantes (eu abri um sorriso quando me dei conta de que sentia uma certa proximidade com aquelas pessoas, como se tivessem dividido algo muito especial comigo). O momento em que um outro viajante entra na tela e, sem perceber, vocês já estão se comunicando e se ajudando, é uma sensação inigualável.

A tal jornada é curta, dá pra terminá-lo numa tacada só, por volta de duas horas de jogo, mas isso não minimiza a experiência. A vastidão do ambiente e o senso de solidão (mesmo quando acompanhado por outro jogador) potencializados pelo visual e pela trilha melancólica, lembram bastante o clima de The Shadow of the Colossus. Mas enquanto aquele tinha seus clímaxes nas batalhas épicas, aqui o épico vem em pequenos momentos, como quando chegamos num novo e deslumbrante ambiente e até a câmera muda de posição; quando deslizamos pelas dunas de areia em companhia de seres que voam ao seu lado; quando nos deparamos com outro viajante, ou nos breves e misteriosos encontros com "deuses".

Além de ser uma deliciosa experiência na jogabilidade, Journey ainda tem uma pegada mística-religiosa fascinante. Os checkpoints são em altares que guardam desenhos pictográficos anciãos, e a almejada montanha final é como a chegada no paraíso para celebração do ciclo da vida. Sem contar a linda sacada de que todos os ambientes são predominantemente áridos, mas todo tipo de "vida" que você encontra faz referência à vida marinha: os tapetes enterrados na areia são como algas e corais e há alguns seres voadores ao longo do caminho que se movimentam como peixes. E a conquista da chegada ao "paraíso" expande ainda mais a sensação de êxtase dos sentidos ao "libertar" não só o personagem, mas também a jogabilidade, contrastando brilhantemente com a limitação de movimentos do começo da jornada no deserto (remetendo à ideia hinduísta-budista de carma e de evolução espiritual. Sim, é um game conceitual e metafísico a esse ponto).

Se flOw era sobre a evolução de seres microscópicos e flOwer sobre a resistência da natureza, "Journey" sobe mais um nível e trata da existência e do processo de compreensão da vida. Não é um game apenas para percorrer nem apenas apreciar, mas para ser vivenciado. Trata-se de uma das experiências mais emocionantes e intensas que já tive com - ou sem - um joystick nas mãos. Não é exagero nenhum dizer que as emoções aqui não perdem em nada para uma experiência espiritual. Journey é mesmo divino.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no blog Revisto.


André Graciotti
São Paulo, 4/3/2013


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Rugas e rusgas de Elisa Andrade Buzzo
02. Lembranças do Morrissey de Julio Daio Borges
03. O homem da paz celestial de Alexandre Ramos


Mais André Graciotti
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Maçãs Envenenadas
Lily Archer
Galera Record
(2012)



O Livro dos Humanos
Adam Rutherford
Record
(2020)



Transplante
Frank G. Slaughter
Record
(1986)
+ frete grátis



Receitas Para Pratos Rápidos
Michelle Berriedale Johnson
Melhoramentos
(1986)



A Desapropriação a Luz da Doutrina e da Jurisprudência
José Carlos de Moraes Salles
Revista dos Tribunais
(1992)



Direito Processual Civil: Processo Cautelar
Nelton Agnaldo Moraes dos Santos
Campus
(2007)



Bacon - Os Pensadores
Francis Bacon
Nova Cultural
(1997)



A Construção Social dos Regimes Autoritários - Europa
Denise Rollemberg
Civilização Brasileira
(2011)



O Primo Basílio
Eça de Queiroz
Folha de S. Paulo
(1997)



Sketchbook
Will Conrad
Criativo
(2013)





busca | avançada
82307 visitas/dia
1,8 milhão/mês