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Quarta-feira, 23/10/2013
Caetano, não seja velho coronel
Humberto Pereira da Silva

+ de 5000 Acessos

1.
Benjamim Moser, americano, autor de uma celebrada biografia de Clarice Lispector, escreveu Carta Aberta a Caetano Veloso a respeito da controversa posição do "Procure Saber" sobre autorização para a escrita de biografias. Como sabido, pois motivo de ampla discussão nos mais diversos meios, o "Procure Saber", que tem à frente além de Caetano, Chico Buarque, Gil, Djavan... defende a consulta prévia do biógrafo ao biografado. Moser, que confessa ser amigo de Caetano e ter dívida de gratidão com ele pelo esforço de promoção de sua biografia de Clarice, pede na Carta que o amigo reconsidere sua posição, que não se comporte como um velho coronel.

A Carta de Moser, na verdade, traz um dado que cabe ser ponderado: "Não pense, Caetano, que seu passado de censurado e de exilado o protege de você se converter em outra coisa". Desde a entrevista de Paula Lavigne à Folha de S. Paulo, na qual ela expressa a posição do "Procure Saber", o assunto se espalhou como rastilho de pólvora. Muitos se posicionaram defendendo ou atacando a ideia de solicitação de autorização para realização de biografia. A controversa ganhou os mais variados contornos. Da seara jurídica à mera discussão sobre a espetacularização de episódios da vida de artistas celebrizados. Liberdade de expressão, de um lado, direito à privacidade, de outro.

O que me chamou a atenção, de qualquer forma, foi a maneira como Moser alerta Caetano: "Não pense que seu passado..."

2.
Digamos - o que não é o caso - que eu fosse simpático à posição do "Procure Saber", de Caetano, Chico, Gil... que tivesse plena convicção da validade de seus argumentos, ao ler a Carta de Moser eu ficaria com uma pulga atrás da orelha. Suponhamos, pois, que a preocupação dos insignes artistas seja com a preservação da imagem, com o fato de que uma biografia calhorda enseje uma "imagem denegrida"... Quando Moser indaga, "Caetano, não pense que seu passado...", ele paradoxalmente inverte o polo da pendenga: a imagem que está em jogo, não é a de episódios prosaicos, anedóticos, e sim a que faz de Caetano e cia. monumentos da cultura nacional.

Não se trata de uma briguinha com cada lado se achando com mais razão que o outro, mas do que a posição de Caetano e cia. carrega de ruim, e tornado público com a refrega, para sua "biografia". O que Moser faz ver é o quanto esse episódio ameaça seu legado, choca intelectuais, como manifestou na recente Feira do livro de Frankfurt, e potencializa desprezo. Caetano se defende e diz: "Censor, eu? Nem morta!"... Em entrevista à Folha Moser rebate: "É desconversa, ninguém diz que quer restabelecer a Santa inquisição...".

3.
Perfeito, quem tem noção mínima de "Atos de fala" sabe que dizer provoca efeitos. Dizer que não é censor é uma afirmação mal sucedida se seu efeito no interlocutor não corresponder ao que se espera. Ora, Moser não só deixou claro que Caetano não negou que é censor, que sua posição se assemelha a de um velho coronel, como alerta para a propagação negativa dos efeitos de sua posição: "Não pense que seu passado...".

Sim, fã de Caetano, o que está por trás das palavras de Moser é uma tentativa desesperada de proteger seu ídolo. Caetano e cia. estão quebrando o espelho à medida que dão corda a essa discussão. Os ventos da história são insidiosos... em algum momento do futuro, quando estiver morto e novas gerações quiserem conhecer a "biografia" de Caetano, caso ainda desperte interesse, ele acha que o futuro biografo manterá coerência e dirá que se explica bem que o rapaz jovem cantou "É proibido proibir" e depois, velho, estará à frente de um movimento que proíbe biografias não autorizadas?

Sim, o hipotético futuro biógrafo, para não "denegrir" a imagem do jovem Caetano, não dirá que em vida ele não autorizou uma biografia porque...

4.
Jean-Paul Sartre, um dos filósofos mais influentes e estimados do pós-guerra, se celebrizou diante de uma juventude que praticamente o tinha como guia. Seu existencialismo, sua visão crítica do ideal de vida burguês fizeram a cabeça de uma geração mundo a fora. Sua posição, contudo, favorável ao maoísmo na China, com o tempo gerou desconfiança e, por fim, descrédito.

Sartre, hoje, no ambiente filosófico, ou é desprezado ou lembrado pelos equívocos de avaliação política. Não é levado a sério, ou quando considerado precisa-se de uma desculpa: apesar de... Talvez a comparação seja descabida... - a posição de Sartre tinha a ver com a morte de milhares de pessoas, a de Caetano com o comezinho... -, mas é de imagem que está se tratando, certo? De figuras públicas que moldaram a cultura, certo?

Se nesse quesito Caetano se acha bem na companhia de Sartre, boa sorte para ele. Quem é Benjamim Moser para defender seu legado? Ora, Caetano e cia. se incubem de enterrar a importância que tiveram. Sendo assim, lembremos de Julio Cesar, ao cruzar o Rubicão: Alea jacta est.


Humberto Pereira da Silva
São Paulo, 23/10/2013


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