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Sexta-feira, 11/10/2002
A primeira hq de aventura
Gian Danton

+ de 5100 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Ao folhear qualquer livro sobre histórias em quadrinhos - mesmo os escritos no Brasil - o leitor encontrará a informação de que a primeira HQ foi Yellow Kid, de Richard Outcoult. Nada mais falso. Antes do menino amarelo havia arte seqüencial sendo publicada na Alemanha, na França e outros países. Na verdade, os americanos, como fizeram com o avião, se aproveitaram do domínio que têm sobre a mídia para propagar o seu ponto de vista. O lançamento de As Aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora pelo Senado Federal, em uma edição organizada pelo Coronel e estudioso Athos Eichler Cardoso, mostra que os norte-americanos não podem pedir sequer o mérito de terem criado os quadrinhos de aventura.

Nhô-Quim e Zé Caipora são criações do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, um dos jornalistas e ilustradores mais importantes da imprensa brasileira. Agostini nasceu em Verceli, na Itália, passou a adolescência em Paris, onde estudou na Escola de Belas Artes. Veio para o Brasil ainda jovem e não quis mais voltar para a Europa. Aqui ele se tornou um símbolo da imprensa republicana e abolicionista. A Revista Ilustrada, fundada e dirigida por ele, era o periódico de maior prestígio no Brasil do final do século XIX, sendo o principal registro histórico e iconográfico da luta contra a escravidão. A publicação chegou a ter quatro mil assinantes, o que era um recorde absoluto para um país cuja maioria da população era analfabeta.

legenda

O primeiro trabalho de Agostini com quadrinhos foi As Aventuras de Nhô-Quim. O primeiro capítulo foi publicado em 30 de janeiro de 1869, no jornal Vida Fluminense. A data, que revela claramente que somos muito anteriores aos norte-americanos (Yellow Kid é de 1896) hoje é comemorada como dia do quadrinho nacional. Ângelo Agostini deu nome ao mais importante troféu brasileiro de quadrinhos (do qual o autor deste texto foi o ganhador como melhor roteirista em 1999).

Nhô-Quim contava a história de um caipira rico e ingênuo, que vai à corte e se envolve em todo tipo de trapalhadas. A história mostrava o conflito entre a cultura rural e urbana, o que fica evidenciado na seqüência em que Nhô pára para tomar um café e acaba perdendo o trem. Agostini usa a história do caipira para criticar os problemas urbanos, modismos e costumes sociais e políticos da época.

Nhô-Quim

Mas o melhor momento de Agostini é mesmo Zé Caipora. Obra de um artista maduro, a série antecipa os quadrinhos de aventura que tanto fizeram famosos personagens como Tarzã e Flash Gordon. O primeiro capítulo de Zé Caipora foi publicado em 27 de janeiro de 1883 nas páginas da Revista Ilustrada (sempre é bom lembrar que Yellow Kid é de 1893). O sucesso foi tão grande que a série chegou a ter quatro edições e serviu de inspiração para uma canção popular, peças teatrais e até dois filmes mudos. Zé Caipora era multimídia.

Os primeiros capítulos são ainda humorísticos e o personagem se parece um pouco com Nhô-Quim, com o nariz em continuação com a testa. Depois, a história se torna mais aventuresca e o desenho se torna realista. Nessa segunda fase, o herói enfrenta onças, índios bravios e uma sucuri. O momento em que Zé, amarrado a uma árvore, serve como alvo para as índias treinarem sua pontaria no arco-e-flexa, é memorável e demonstra o perfeito domínio que Ângelo Agostini tinha da arte seqüencial. São cinco quadros mostrando o herói desviando-se das setas e parecemos ver seus movimentos.

Além disso, há seqüências de panorâmicas, que só seriam usadas nos quadrinhos ianques com Tarzã, na década de 20 do século XX. Outra cena mostra até um sonho, com o desenho envolvido por nuvens para demonstrar que os acontecimentos não devem ser lidos de forma literal. Em suma, Agostini antecipou muitas das técnicas que só seriam usadas pelos norte-americanos muito tempo depois. Só por isso, o álbum já vale a pena. Mas quem comprá-lo vai poder ter a oportunidade também de conhecer o primeiro herói brasileiro de quadrinhos, e também a primeira heroína, a índia Inaiá.

Zé Caipora mostra o ótimo domínio que Agostini tinha da linguagem sequencial

O autor da coletânea, Athos Cardoso, pensou inicialmente em reproduzir as páginas em fac-símile. Mas a falta de qualidade de alguns originais e a diferença da grafia demonstraram que o melhor caminho era reproduzir apenas a imagem, refazendo o texto em computador. O resultado certamente agrada, especialmente se observarmos que a ótima qualidade gráfica é destacada pelo papel gouchê, que dá um toque luxuoso ao volume. A edição tem apenas três inconvenientes. O primeiro deles é que não é possível compra-lo em livrarias. Os pedidos devem ser feitos por e-mail ao organizador (athosec@bol.com.br). O segundo é o preço, R$ 50,00, um pouco salgado. O terceiro é a encadernação que, em algumas situações dificulta a leitura do texto.

Mas nada disso deve desanimar os fãs dos quadrinhos ou as pessoas realmente interessadas em conhecer melhor a cultura brasileira do século XIX.


Gian Danton
Macapá, 11/10/2002


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/10/2002
17h17min
Gian, eu me considero, de certa forma, um "estudioso" dos quadrinhos, mas não conhecia o Zé Caipora - embora conhecesse o Nhô Quim e a questão das datas. Até digo que as HQs começaram mais longe, pois temos tapeçarias indianas de mais de mil anos atrás que mostram sequências de eventos, que podem ser lidas como quadrinhos!
[Leia outros Comentários de Alexandre Lobão]
18/10/2002
08h50min
Pois é. Você, Alexandre, que é um estudioso dos quadrinhos, já não conhecia o personagem, imagine o pessoal que está chegando agora, que vai fazer pesquisa para a professora de educação artítica e lê nos livros que tudo começou com Yellow Kid...
[Leia outros Comentários de Gian Danton]
30/5/2009
13h46min
Muito cômodo pros americanos dizerem que são os primeiros em tudo. Infeliz de quem acredita... Ângelo Agostini e seus personagens precursores são motivo de orgulho para todos nós que amamos as HQs. Os gringos do norte que fiquem com seu Yellow Kid. Parabéns pelo artigo.
[Leia outros Comentários de Al Diolli]
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