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Quinta-feira, 1/5/2014
A natureza selvagem da terra
Elisa Andrade Buzzo

+ de 3300 Acessos


ilustra: Renato Lima

Aqui embaixo se anuncia o visgo da terra que não vemos, ocultada por camadas e camadas de impurezas e asfalto, é ali onde as raízes penetram em surdo equilíbrio e onde a água da chuva é engolida aos pouquinhos. É bem lá onde tudo se origina e para onde tudo retorna, e as coisas são o que são, são inclusive o que eram. Tão apartada de nós está essa massa vital, em que se chega quando se aprofunda ou um desastre na via pública se anuncia.

A polpa da terra sai em abundância, ainda que delimitada pelos tapumes da obra. Há de se enquadrar a natureza selvagem da terra, que, quando posta enfim em liberdade, pode se espalhar pela cidade impermeabilizada. O maquinário está todo incrustado de barro ressequido, pneus já ostentam camadas e mais camadas de terra endurecida. Estão como que docilmente acostumados os operários ao que se poderia chamar de sujeira, mas que nada mais é o lugar onde antes se plantava e se pisava.

Enquanto os homens trabalham, vislumbro canos, serpentes ocultas na via. Uma pata de garras imensas revolte a terra. Há uma fileira de pacotes de cimentos, que, aos poucos vão sendo abertos e transformados em líquido, os operários empunhando enxadas, lançado no chão como água. Após breve abertura, a prefeitura volta a fechar a rua, como se fosse uma espécie de lubricidade e rudeza mantê-la aberta, nua. Tamanha é a rede de junções na cidade que não se pode sustentar em sua rotina um vestígio inabitado, rural.

Se no passado fosse, passaria de tropel um cavalo anunciando em seus cascos as boas-novas da instauração lenta e irremediável da civilização. Sim, a casa branca e centenária frente ao canteiro de obras está toda marchetada de respingos de lama. Há meses aquele trecho está interditado, não sabemos se por ineficiência da prefeitura ou se por capricho da terra molhada, que dificulta o trabalho de ser demovida para dentro pelos operários e engenheiros.

À margem, passam gentes com sacolas e mochilas, falando em línguas difíceis e orientais. Operários e passantes se misturam à paisagem, farta de pequenos incidentes de todo o tipo. Enquanto isso, subterraneamente às amenidades e futilidades necessárias à sobrevivência, a voz da terra vez por outra reaparece, como se lançasse um grito cortante no asfalto, como prova de sua existência frente às ilusões com que as vitrines e as esquinas nos cercam.


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 1/5/2014


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