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Sexta-feira, 23/5/2014
Curso de gestão atabalhoada do tempo
Ana Elisa Ribeiro

+ de 3700 Acessos

Estou aqui, ainda, às voltas com essa coisa difícil que é organizar o tempo. Tem uma palavra mais na moda para isso - "gestão" -, mas, no fim das contas, é isto mesmo: uma espécie de diagramação do tempo que a gente pensa que tem.

Vejam: a gente pensa que tem. A gente só pensa, porque, na verdade, ninguém sabe ao certo quanto tempo tem adiante. Talvez por isso o passado pareça tão mais fácil de cultivar. Ainda assim, ele vai passando e vai deixando marcas, coisas que a gente vai guardando, filtrando, tratando ou acumulando. Sem isso, não daria pra dizer que temos experiência ou algo que o valha. Pior: mesmo com a tal da experiência, chão rodado, a gente incorre nos mesmos vacilos de sempre. Repete, com nuanças meio diversas, mas repete.

Mas então: se a gente pensa que tem mais tempo, fica querendo organizá-lo de tal ou qual maneira. E quanto mais esse tempo passa - e ele vai deixando uns lembretes pelo nosso corpo -, mais a gente vai se preocupando em gastá-lo de um jeito mais interessante. Ou deveria ser assim?

Há uma filosofia, muito aspergida pelo roqueiro Lobão anos atrás, segundo a qual é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez, isto é, por hora. É uma jogada metafórica com a velocidade, o risco, o tesão. Mas nem todo mundo curte essa ideia velocimétrica. O lance às vezes é ter paz, sossego e mesmo lentidão. Slow motion total, pra ver se a gente saboreia mais e melhor as coisas. E agora?

Agora, já, então, ainda, quase, depois, talvez... são palavras que vão fazendo com que a gente tome atitude e arranje soluções pra quase tudo. Amanhã é uma espécie de delírio; enquanto ontem é um tipo de impressão vaga. Quem garante que a cena foi mesmo como ela lhe pareceu? "Mas eu estava lá, eu vi". De que ângulo? Já vi tanta gente contar a mesma história, diagramando de modos completamente diferentes.

E agora? E amanhã? Não sei. Mas eu quero saber. Sou dessas pessoas que adoram planejamento, logística e planilha. Chego a ser chata, vá. Podem me achar controladora, iludida, bestinha. Mas que é bom saber como devo me mover, ah, isso é. Tipo jogar xadrez, é isso. Não por acaso, o historiador Michel de Certeau disse, no livro A invenção do cotidiano, que "a memória dos lances antigos é essencial a toda partida de xadrez". Fica bonito também pensar que a gente vive tentando acertar o próximo passo, nosso e dos outros. E vive errando, claro. Mas isso é preciosismo meu, eu sei.

Não sou vidente, Mãe Dinah, nada disso. Não tenho qualquer talento premonitório e nem tenho ganas de construir a máquina do tempo - forward nem back. Bom, mas gosto de anotar as coisas que vêm por aí, no mês, ao menos, até em dois, para conseguir que tudo se encaixe no final. Costuma funcionar. Obtenho sucesso, na maioria das vezes.

E o tempo vai ficando escasso, as coisas vão ficando mais difíceis de caber e começam a transbordar. Inclusive, umas passam sobre as outras, dando certa sensação de sobrecarga ou sufocamento. Já viu? Já. Assim: tenho pouca semana pra muita tarefa. Solução tosca: faço o trabalho no fim de semana. Ai, meu Deus, mas quem aguenta isso, a longo prazo? Quais companhias - pessoas - vão assistir a isso sem torcer o nariz? Poucas. Toda hora, não dá.

Tenho tido dificuldade de organizar meu tempo. Só me dei conta disso depois que muita coisa aconteceu e desaconteceu. Quis acontecer, mas não conseguiu. Fingiu que ia rolar, mas desistiu. E assim por diante. Dia desses, me dei conta de como os domingos tinham virado dias de trabalho normais na minha vida. Não era um ou outro não, chérie, eram quase todos. A semana não cabia nela mesma e vinha deixando uma rebarba enorme pro domingo. E eu? Não fazia nada. Só cumpria. Mas aí alguém me disse que eu deveria aprender a dizer "não". Quanto tempo a gente gasta tentando aprender isso? Alguém dá workshop?

Eu estava em casa, preguiça de sair, dia bonito (se fosse feio então... pior), menor movimento de carros na rua ao lado, filho na casa do pai... pronto: cenário perfeito para ligar o computador - este poço de prazos insalubres - e começar a fazer algo que caberia nos dias comuns. Fácil. 15h, domingão, ou pouco mais, a voz terrível do Faustão começava a ecoar, vinda de alguma sala da vizinhança, e eu quase plasmada na cadeira de rodinhas, diante da tela acesíssima (ela e eu), fazendo qualquer coisa cujo prazo seria incompatível com um passeio de bicicleta, um churrasco com os amigos ou um amor de fim de tarde.

Passei a pregar bilhetinhos para mim mesma, em papéis de cores vibrantes, na moldura da tela: "Sua infeliz", "vai descansar", "sai dessa, abre uma bebidinha", "já pôs a cara pra fora da porta hoje?", "liga pra amiga", "liga pro bem". Mas só domingo. Nada, sábado também!

Como o trabalho - doméstico ou corporativo - tomou conta dos meus dias. Como! E eu nem me dei conta, direito, da invasão viscosa disso. O problema é que tem gente que acha um lance bonito, interessante, empolgante, e a gente entra nesses discursos e nunca mais sai. É currículo, é qualificação, é parâmetro e as bikes vão empoeirando dentro da sala.

Estava lembrando vagamente de um namorado que foi ficando cada vez mais escasso também porque, simplesmente, não conseguia organizar o tempo pra... ser um namorado. Foi deixando de me acompanhar na sexta, depois no domingo, por fim, os sábados eram apenas de umas três horas. A gente não aprende a diagramar o tempo e o layout dele vai ficando assim mal ajambrado. O namoro foi sumindo no meio dos prazos, dos horários bloqueados, dos imprevistos invasores e das prioridades duvidosas.

Até que, um dia, pintou um namorado desses que cravam os pés nos finais de semana. Pronto, de sexta a domingo é tempo de tomar sorvete, dormir vendo TV, alugar filmes (que nunca acharam tempo para serem vistos), cinema, clube, bar, praia, banho, massagem, montanha, sítio, piscina, papo solto, cafezinho, bolinho de chuva, livro, leitura a dois, sexo selvagem, refeições vagarosas (feitas em casa ou não), bobeira, risada, cerveja, flanagens, beijos vagarosos, muito vagarosos, debates sobre tudo, comida pros cachorros, rede na varanda, música, muita música, petit gateau e uma infinita lista das coisas que não cabiam, nunca, em lugar algum.

Aí você pensa: meu Deus, meus prazos estão quase todos estourados. É que não trabalho mais aos domingos. Então preciso encaixar tudo nos dias de trabalho, organizar melhor prazos, datas, "não" e "talvez". Diagramar a vida, pra que ela consiga ser distribuída entre uns dias que compram e pagam os outros, entendem? Uns dias são pra garimpar o ouro dos outros. É algo assim. E não que o trabalho não possa ser prazer. É claro que pode. Mas ele não é tudo. E nenhum namorado é tudo também. Mas as coisas precisam de um layout assim mais arrumadinho, pra que a gente tenha uns "agora" mais rosadinhos, rechonchudos; uns "ontem" mais charmosos e significativos, em vários sentidos; e uns "amanhã" mais habitados por pessoas realmente importantes. Dá aqui estes ponteiros do relógio. Vou fazer com eles umas esculturas de cutucar a vida.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 23/5/2014


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