E se Amélia fosse feminista? | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

busca | avançada
46024 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
>>> Nubank na Hotmart
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A deliciosa estética gay de Pierre et Gilles
>>> A deliciosa estética gay de Pierre et Gilles
>>> São Francisco Xavier II
>>> Rugas e rusgas
>>> Orra, Meu
>>> Uma outra moda
>>> Ler ao acaso
>>> Um ano de reflexões na Big Apple
>>> Steve Jobs apresentando o iPad
>>> De quantos modos um menino queima?
Mais Recentes
>>> Constituição do Estado de Minas Gerais: Estatuto dos Servidores Públic de José do Carmo Veiga de Oliveira: Organizad pela Del Rey/ Belo Horizonte (2003)
>>> Compêndio das Etapas do Processo Eleitoral: ... de J. Nepomuceno Silva: Organizador pela Del Rey/ Belo Horizonte (2010)
>>> (Re) Pensando a Pesquisa Jurídica de Miracy Barbosa de Souza Gustin (...) pela Del Rey/ Belo Horizonte (2006)
>>> A C Repórter - Tempo de Arraes e Vietnã do Norte de Antonio Callado pela Agir (2005)
>>> Mahoma, Profeta y Hombre de Estado de W.M.Watt pela Labor (1967)
>>> Em Risco de Stella Rimington pela Record/ RJ. (2010)
>>> O Círculo dos Eleitos de Vialdi Moreira/ Autogrfado pela Imprensa Oficial/ Belo Hte. (1987)
>>> A Amante de Brecht de Jacques- Pierre Amette pela Record/ RJ. (2005)
>>> Coleção para gostar de ler de Varios pela Atica (1985)
>>> Grande Enciclopédia de Modelismo - Cor e Pintura de Walquir Baptista de Moura - Produção pela Século Futuro
>>> Meu pequeno fim de Fabrício Marques pela Segrac (2002)
>>> Grande Enciclopédia de Modelismo - Materiais e Ferramentas de Walquir Baptista de Moura - Produção pela Século Futuro
>>> Livro Dicionário Enciclopédico Veja Larousse - Volume 1 de Eurípedes Alcântara , Diretor Editorial pela Abril (2006)
>>> O diário de Larissa de Larissa Manoela pela Harper Collins (2016)
>>> Corpo de delito de Patricia Cornwell pela Paralela (2000)
>>> O fio do bisturi de Tess Gerritsen pela Harper Collins (2016)
>>> A garota dinamarquesa de Davdid Ebershoff pela Fabrica 231 (2000)
>>> Uma auto biografia de Rita Lee pela Globo livros (2016)
>>> Songbook Caetano Veloso Volume 2 de Almir Chediak pela Lumiar
>>> A Sentinela de Lya Luft pela Record (2005)
>>> O teorema Katherine de John Green pela Intriseca (2013)
>>> Louco por viver de Roberto Shiyashiki pela Gente (2015)
>>> A ilha dos dissidentes de Barbara Morais pela Gutemberg (2013)
>>> Sentido e intertextualidade de Emanuel Cardoso Silva pela Unimarco (1997)
>>> Mistérios do Coração de Roberto Shinyashiki pela Gente (1990)
>>> Interrelacionamento das Ciências da Linguagem de Monica Rector Toledo Silva pela Edições Gernasa (1974)
>>> Sociologia e Desenvolvimento de Costa Pinto pela Civilização Brasileira (1963)
>>> O Coronel Chabert e Um Caso Tenebroso de Honoré de Balzac pela Otto Pierre Editores (1978)
>>> O golpe de 68 no Peru: Do caudilhismo ao nacionalismo? de Major Victor Villanueva pela Civilização Brasileira (1969)
>>> Recordações da casa dos mortos de Fiodor Dostoiévski pela Nova Alexandria (2006)
>>> Elric de Melniboné: a traição ao imperador de Michael Moorcock pela Generale (2015)
>>> O Príncipe de Nicolau Maquiavel pela Vozes de Bolso (2018)
>>> Deuses Americanos de Neil Gaiman pela Conrad (2002)
>>> Deus é inocente – a imprensa, não de Carlos Dorneles pela Globo (2003)
>>> Memórias do subsolo de Fiodor Dostoiévski pela 34 (2000)
>>> Songbook - Tom Jobim, Volume 3 de Almir Chediak pela Lumiar (1990)
>>> Comunicação e contra-hegemonia de Eduardo Granja Coutinho (org.) pela EdUFRJ (2008)
>>> Caetano Veloso Songbook V. 1 de Almir Chediak pela Lumiar
>>> Origami a Milenar Arte das Dobraduras de Carlos Genova pela Escrituras (2004)
>>> O vampiro Lestat de Anne Rice pela Rocco (1999)
>>> Nova enciclopédia ilustrada Folha volume 2 de Folha de São Paulo pela Publifolha (1996)
>>> Esperança para a família de Willie e Elaine Oliver pela Cpb (2018)
>>> Leituras do presente de Valdir Prigol pela Argos (2007)
>>> Insight de Daniel C. Luz pela Dvs (2001)
>>> Política e relações internacionais de Marcus Faro de Castro pela UnB (2005)
>>> Harry Potter e a Pedra Filosofal de J. K. Rowling pela Rocco (2000)
>>> Infinite Jest de David Foster Wallace pela Back Bay Books (1996)
>>> Nine Dragons de Michael Connelly pela Hieronymus (2009)
>>> The Innocent de Taylor Stevens pela Crown Publishers (2011)
>>> The Watchman de Robert Crais pela Simon & Schuster (2007)
COLUNAS

Sexta-feira, 1/8/2014
E se Amélia fosse feminista?
Ana Elisa Ribeiro

+ de 6100 Acessos

A Amélia, bróder, essa é que levou um ferro danado. Quem é que tem coragem de nomear uma filha assim, nos dias de hoje? Mas aí é que está. De onde foi que tiraram que Amélia é tudo o que achamos que ela é? É aquela história: ouvi o galo cantar, mas não sei onde. Acho que quase todo mundo padece desse mal do galo cantor. Mas fica a dica, então, de rever a letra. O Google pode ajudar, mas eu dou uma forcinha, pra não haver perda de tempo.

Pra começar, a música, da autoria do falecido Mário Lago, chama-se "Ai, que saudades da Amélia", coisa que muita gente não sabe. Curtinha, sem muita explicação, lá vai o eu lírico (vamos chamar assim, pra ficar nas aulas de literatura) comparar duas mulheres: a atual e a ex. Pronto, está estabelecido o conflito. Quem nunca? Rezam a etiqueta e o bom senso que isso não se faz, mas ó. Todo mundo, um dia, cai na besteira de comparar. Pois bem, firmado isso, agora é hora de notar em quê as duas moças são tão discrepantes. Parece que a consumista e fútil Atual não tem lá a mesma paciência que a Ex, tão resignada e positiva. Mas vamos à ilustração: "Nunca vi fazer tanta exigência/Nem fazer o que você me faz/Você não sabe o que é consciência/Nem vê que eu sou um pobre rapaz/Você só pensa em luxo e riqueza/Tudo o que você vê, você quer/Ai, meu Deus, que saudade da Amélia/Aquilo sim é que era mulher". É, perdeu, playboy. Mas cá está o estereótipo da mulher que, no próximo passo, vai exigir o cartão de crédito. E a Amélia é que levou a pior, minha gente. Ficou com a fama. Quem mandou não nomear a Atual?

Mais embaixo, o restante da letra dá conta da Amélia de novo: "Às vezes passava fome ao meu lado/E achava bonito não ter o que comer/Quando me via contrariado/Dizia: 'Meu filho, o que se há de fazer!'/Amélia não tinha a menor vaidade/Amélia é que era mulher de verdade". E qual é a implicância? É com a falta de vaidade da Amélia? O cara já disse que é pobre. E parece que não é no sentido figurado, minha gente. É pobre mesmo, pois reclama do consumismo da Atual, que nem sequer mereceu ter nome. Já a ex, ah, essa ficou bem na fita. Pois quem nunca, de novo? Vez em quando, um ex é alçado a santo ou a bom partido depois que a gente passa por coisa muito pior do que ele (se aplica a mulheres). Tem sempre jeito de piorar, né não?

Bom, mas por que eu trouxe a Amélia aqui hoje? Porque acho que ela é uma injustiçada. Amélia não obedecia cegamente ao seu homem, nem era necessariamente submissa a ele, nem mesmo se sabe se trabalhava fora ou não. Aliás, não se sabe nada sobre a Amélia. O que se sabe é que ela era bem mais legal do que a Atual do moço aí da letra, que levou foi um ferro danado quando trocou uma pela outra (sabe-se lá se foi isso?).

E que outras razões me trazem aqui para defender a Amélia? E esse cara da letra, leitor? É o cara? Bom, talvez tenha atinado para a coisa e voltado para a Amélia, que poderia nem estar mais disponível, né? Torço para que não. Mas ó: é que tenho ouvido tanto falar em uma tal "nova mulher", em contraponto a uma outra, mais "tradicional", metonimicamente chamada de Amélia, que resolvi desconfiar. De vez em quando, é bom.

"Nova mulher"? O que ela é? Parece que bem-sucedida, independente, autônoma, cheia de planos e de preocupações que antes só um homem poderia ter. A "Amélia" do senso comum (que não leu direito a letra da canção) é submissa, dependente, limitada. Pra fazer par (ou não) com essa "nova" e essa "velha" mulheres, haveria de existir um "novo homem", isto é, um cara capaz de conviver - e bem - com uma moça dinâmica, sabida, inteligente, interessante, autônoma, etc. etc. etc. Só que dado que o número desses moços ainda não é expressivo, já que eles não têm com quem aprender (nem mesmo com as próprias mães) e que não existem workshops intensivões no mercado, fica aí uma turma de "nova mulher" solteira, alegando que os homens ainda querem "Amélias"; e, em tese, uma turma de mulheres ainda querendo ser velhas e fazer parzinho com homens tipo "século passado".

O que há de relevante a dizer, talvez, é que essas questões não são lineares e cronológicas. Se eu fosse contar os casos da minha avó que trabalhava fora (e foi casada com um cara massa por 64 anos, até ele morrer) ou fosse lembrar alguns outros casos, teríamos aí uma série de eventos deslocados no tempo, inclusive contemporâneos da Amélia da letra. O lance é que existem "novos" e "velhos" em todas as épocas, e os casos (por vezes, "causos") das pessoas são conversa de boteco, e não sociologia.

Ai, ai... Amélia levou a fama e seu Ibope até baixou nos cartórios de registro civil. Que coisa. Outro dia, li um artigo de alguém, na web, dizendo que os homens mudaram e são capazes de conviver com a tal da "nova mulher", antítese da Amélia. A autora (lógico) do texto dava sua própria vida como exemplo, coisa que nós, cronistas, fazemos, às vezes, pra dar um toque de pirlimpimpim ao material. O que tem isso de mau? Nada. Não fosse a autora dar uma zoada básica nas pessoas que não vivem como ela. É causo; não é sociologia.

Tem homem que curte a ex e tem quem curta a Atual. Hoje em dia, casamento que dura uma década já devia ganhar o certificado das bodas de ouro, pra adiantar o lance. Pô, é claro que tem dificuldade de parte a parte. A mulher querendo ser independente, mas vendendo tudo, ainda, em troca de um chamego barato; o cara querendo bancar o alfa-provedor, sem saber que ter uma sócia é muito mais interessante. O que estraga tudo é o quê? O amor? Bestagem? Só sei que a gente adora uma categoria onde encaixar todo mundo, de modo que nem a gente sobre. Não vou defender que a Amélia fosse feminista, mas vai que fosse pró, moça esforçada e, ainda por cima, rebocasse o pobre moço pra ver se ele se aprumava? Ah, disso eu entendo bem. Muita mulher-locomotiva por aí, querendo ver a coisa funcionar, nem que seja na base do empurrãozinho. Mulher tem um coração tão bonito, em geral, que não se importa nem um pouco de ver o amoreco ir bem no trabalho, na vida, nas empreitadas. Pena é quando ele, sem o menor reconhecimento da parceria, a troca pela secretária. Fazer o quê? Já os moços precisam aprender a curtir, de verdade, quando a coisa vai bem pra Amélia, né não? Invejinha tem cheiro forte. Não é só dar aqueles "parabéns" amarelos. É aparentar firmeza, aquela do amor de verdade, do orgulho, do respeito e da admiração. Não tá fácil pra ninguém. Difícil é dar certo com quem voa longe. De repente, Amélia voou, foi trocada pela consumista vaidosa e baubau. Mas é que há tanta gente no mundo. Muito mais tipos do que esses dois aí. O eu lírico da canção é que precisava rodar mais. Amélia, na balada, ia fazer o maior sucesso. Eu queria uma amiga como ela.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 1/8/2014


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2014
01. E se Amélia fosse feminista? - 1/8/2014
02. Beijo surdo - 10/1/2014
03. 40 com corpinho de 39 - 2/5/2014
04. Curso de gestão atabalhoada do tempo - 23/5/2014
05. Soluções geniais para a escola e a educação - 28/3/2014


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




COLOCAÇÃO DE PARQUETS E SOALHOS
JUAN DE CUSA
PLÁTANO
(1997)
R$ 43,70



QUÍMICA ORGÂNICA VOL. 1
T. W. GRAHAM SOLOMONS CRAIG BARTON FRYHLE
LTC GRUPO GEN
(2012)
R$ 247,50



O RETORNO DA FILOSOFIA PERENE
JOHN HOLMAN
PENSAMENTO
(2011)
R$ 13,90



DEUS E O DIABO NO DIA DO GOLPE - UMA RAPSÓDIA SOCIALISTA
CARLOS E. DE SENNA FIGUEIREDO
ANTARES (RJ)
(1984)
R$ 26,82



A FORMAÇÃO DAS NAÇÕES LATINO-AMERICANAS - DISCUTINDO HISTÓRIA
MARIA LÍGIA PRADO
ATUAL
(1985)
R$ 8,00



O ENSINO DE ESPANHOL NA TRÍPLICE FRONTEIRA
ADRIANA FARIA DE ESCALADA
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 167,00



A FEIJOADA COMPLETA
MATTHEW SHIRTS
REALEJO
(2016)
R$ 35,00



A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ESCOLAR 2
MARIA JOSÉ RODRIGO
ÁTICA
(1998)
R$ 18,00



MAIS PLATÃO, MENOS PROZAC
LOU MARINOFF
RECORD
(2002)
R$ 15,00



EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E A DIMENSÃO POLÍTICA DA EDUCAÇÃO
TATIANI MARIA GARCIA DE ALMEIDA
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 251,00





busca | avançada
46024 visitas/dia
1,1 milhão/mês