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Quinta-feira, 4/9/2014
Adolescentes e a publicação prematura
Carla Ceres

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Levante a mão quem já foi convidado para um lançamento de livro de autor adolescente! Eu já estive em alguns, por insistência dos paitrocinadores, que pagaram a publicação, o coquetel, a divulgação e a filmagem do evento para postar na internet. Lançar livros tornou-se uma das formas de ostentação cultural preferidas pela classe média. Havendo disponibilidade financeira e textos engavetados, qualquer escritor encontra dezenas de editoras prontas a aplaudir e imprimir seu talento.

Os adolescentes, verdade seja dita, não se empolgam tanto com essa onda de pagar para publicar imediatamente (não tanto quanto os seus pais e alguns escritores inéditos de meia-idade). A garotada tem mais o que viver e assim se livra de fazer feio numa estreia prematura. Não vejo muito problema nesse exibicionismo literário, quando quem o pratica é um adulto enganando a si mesmo quanto a suas possibilidades de sucesso. Sim, a maioria desses livros tem capa pretensiosa, título chamativo e um conteúdo que deveria ter sido melhor trabalhado. E essa não é a pior hipótese. Para economizar com revisão, certas gráficas metidas a editoras se gabam de não interferir no texto original, de não mexer numa vírgula do que o gênio pagante digitou. O resultado é deplorável, porém, se agrada ao autor sem senso crítico, só me permito protestar quando esse autor é um adolescente. E vejam bem que não protesto contra o adolescente, mas contra os pais.

Seria tolice exigir modéstia e uma prodigiosa autocrítica de uma criança de doze anos que já leu muito mais do que seus colegas e escreve melhor do que os próprios pais. Ela se julga o máximo e, de acordo com os parâmetros a seu dispor, essa conclusão está correta. Se ela escreve tão bem, por que não publicar um livro? Todo mundo publica. Além do mais, para ser escritor, você só precisa pegar os ingredientes de vários livros da moda e misturar do seu jeito, não é?

O bom senso deveria vir dos pais. Claro que, no universo da publicação independente, também surgem uns raros livros notáveis, que não conseguiram chamar a atenção de grandes editoras. É a esse grupinho excepcional que todos os autores julgam pertencer. Nele não cabem, entretanto, crianças hábeis em manipular clichês literários.

A publicação prematura fará menos mal a escritores sem talento criativo. A família ficará feliz porque seu geniozinho da mesmice brilhou e foi invejado por alguns minutos. Depois, diante da falta de retorno financeiro, culpará a ignorância do povo pelo fracasso e sugerirá que os novos projetos literários sejam substituídos por uma viagem à Disney, que sai mais em conta. O jovem autor, com a autoestima levemente abalada, encontrará outro passatempo.

Infelizmente, não existe um modo de identificarmos, durante a adolescência, quais escritores iniciantes poderão vir a desenvolver seu talento criativo e quais jamais passarão de imitadores. Todo aspirante a escritor começa imitando seu autor preferido. Para sair dessa fase, precisará ler muitos outros autores, aprender a apreciá-los e sofrer suas influências rumo à aquisição de um estilo próprio. Sem uma ampla cultura literária, todo o poder criativo de um escritor servirá apenas para reinventar a roda. Ele vai trabalhar duro para descobrir ou elaborar ideias e abordagens que, aos olhos de leitores experientes, serão apenas lugares-comuns.

Publicar prematuramente um autor com potencial para tornar-se brilhante é um crime contra a literatura porque pode travar seu desenvolvimento na fase da imitação. Se um adolescente recebe a publicação de bandeja, vai continuar fazendo o que já fez, sem evoluir, porque, do seu ponto de vista, já atingiu a consagração, equiparou-se a seu autor favorito. Caso, por milagre, consiga amadurecer e queira continuar no mundo das letras, terá seu nome, para sempre, ligado a um livro menor.

Não estou sugerindo que os pais ignorem a inteligência linguística superior de seus filhos. Quem tiver um desses geniozinhos em casa e quiser ajudá-lo a tornar-se um escritor digno de respeito (veja bem que isso não significa ficar milionário) deve estimulá-lo a ler muito e a produzir textos pelo simples prazer de escrevê-los e mostrá-los aos amigos em blogs, vlogs, redes sociais ou sites. Se ele fizer questão de publicar, pode inscrever-se em concursos literários e ganhar a publicação como prêmio. Há dezenas de concursos por aí, alguns muito bem-conceituados. Para vencer um desses, é preciso fazer por merecer. Mas mesmo perder traz boas lições. Escritores não devem desistir facilmente.

Nota do Editor
Carla Ceres mantém o blog Algo além dos Livros. http://carlaceres.blogspot.com/


Carla Ceres
Piracicaba, 4/9/2014


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