A diva intelectual | Marcelo Barbão | Digestivo Cultural

busca | avançada
83024 visitas/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Renato Morcatti transita entre o público e o íntimo na nova exposição “Ilê da Mona”
>>> Site WebTV publica conto de Maurício Limeira
>>> Nó na Garganta narra histórias das rodas de choro brasileiras
>>> TODAS AS CRIANÇAS NA RODA: CONVERSAS SOBRE O BRINCAR
>>> Receitas com carne suína para o Dia dos Pais
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Ao pai do meu amigo
>>> Paulo Mendes da Rocha (1929-2021)
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Das construções todas do sentir
>>> Entrevista com o impostor Enrique Vila-Matas
>>> As alucinações do milênio: 30 e poucos anos e...
>>> Cosmogonia de uma pintura: Claudio Garcia
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
Colunistas
Últimos Posts
>>> Deep Purple em Nova York (1973)
>>> Blue Origin's First Human Flight
>>> As últimas do impeachment
>>> Uma Prévia de Get Back
>>> A São Paulo do 'Não Pode'
>>> Humberto Werneck por Pedro Herz
>>> Raquel Cozer por Pedro Herz
>>> Cidade Matarazzo por Raul Juste Lores
>>> Luiz Bonfa no Legião Estrangeira
>>> Sergio Abranches sobre Bolsonaro e a CPI
Últimos Posts
>>> Renda Extra - Invenção de Vigaristas ou Resultado
>>> Triste, cruel e real
>>> Urgências
>>> Ao meu neto 1 ano: Samuel "Seu Nome é Deus"
>>> Rogai por nós
>>> Na cacimba do riacho
>>> Quando vem a chuva
>>> O tempo e o vento
>>> “Conselheiro do Sertão” no fim de semana
>>> 1000 Vezes MasterChef e Nenhuma Mestres do Sabor
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Há um corpo estendido no chão
>>> A Viagem de Klimt
>>> Fazendo Amigos e Influenciando Pessoas
>>> A internet não é nada
>>> Hellbox
>>> Autores & Ideias no Sesc-PR I
>>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
>>> Anos Incríveis
>>> Sarau Libertário em BH
>>> Filas
Mais Recentes
>>> Mulher Brasileira Em Primeiro Lugar de Ludenbergue Góes pela Ediouro (2007)
>>> O que a Bíblia realmente ensina? de Watch Tower Bible Society Of Pennsylvania pela Watch Tower Bible (2013)
>>> Branca de Neve e o Caçador de Lily Blake pela Novo Conceito (2012)
>>> Matéria dos Sonhos de Johannes Mario Simmel pela Círculo do Livro (1988)
>>> Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis pela Ática (1992)
>>> Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda pela Companhia das Letras (1999)
>>> Para Sempre de Alyson Noël pela Intrínseca (2009)
>>> Como Se Dar Bem Com as Pessoas de M. K. Rustomji pela Summus (1975)
>>> As Mentiras que os Homens Contam de Luis Fernando Veríssimo pela Objetiva (2001)
>>> Raiva e Paciência - Ensaios Sobre Literatura Política e Colonialismo de Hans Magnus Enzensberger pela Paz e Terra (1985)
>>> Anjos e Demônios de Dan Brown pela Arqueiro (2012)
>>> Comunicar Para Liderar de Leny Kyrillos e Mílton Jung pela Contexto (2016)
>>> O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë pela Círculo do Livro (1994)
>>> O Essencial no Amor: as diferentes faces da experiência amorosa de Catherine Bensaid e Jean-Yves Leloup pela Vozes (2006)
>>> Deus Castiga? de Helena Craveiro pela Petit (1998)
>>> Cine Odeon de Livia Garcia Roza pela Record (2001)
>>> O Silêncio dos Amantes de Lya Luft pela Record (2008)
>>> História Viva de um Ideal - uma Orquestra uma Família uma Profissão de Hélio Brandão pela Do Autor (1996)
>>> Álbum de Família de Danielle Steel pela Record (1998)
>>> Tragédia o Mal de Todos os Tempos Como Suavizar a Voz Nesses Conflitos de Glorinha Beuttenmüller pela Instituto Montenegro Raman (2009)
>>> Educação corporativa fundamentos e praticas de Ana Paula Freitas Mundim/ Eleonora Jorge Ricardo pela Qualitymark (2004)
>>> Fontes para a educação infantil de Alex Criado pela Cortez (2003)
>>> Uma Mulher Inacabada de Lillian Hellman pela Francisco Alves (1981)
>>> Caim e Abel de Jeffrey Archer pela Difel (1983)
>>> Não enviem orquideas para miss blandish de James Hadley Chase pela Globo Rs (1967)
COLUNAS

Terça-feira, 25/3/2003
A diva intelectual
Marcelo Barbão

+ de 4000 Acessos

Algumas pessoas são importantes para a história, independente de gostarmos ou não delas. E há outras pessoas que odiamos adorar ou vice-versa. Realmente, Susan Sontag é uma delas. Excelente crítica literária e intelectual, escritora razoável, cineasta e diretora teatral esforçada e criativa, Sontag escorrega em seu ativismo político. Fazer o quê, como me falou recentemente um amigo inglês em visita por estas terras bandeirantes: "são americanos". Ponto, sem mais comentários, afirmando com isso o que o resto do mundo sabe menos os nascidos naquele recanto do mundo: americano é tremendamente confuso politicamente. Estávamos falando de um terceiro conhecido, nascido em pleno Wyoming, velho hippie e defensor da liberdade que fez campanha para Dick Cheney quando este se candidatou ao Senado.

A trajetória de Sontag é bastante impressionante. Apesar de vir de uma família sem uma base intelectual extraordinária, criada por uma mãe ausente, Sontag desenvolveu uma brilhante carreira. Independente, recusou, durante a maior parte de sua vida, qualquer conexão asfixiante com o mundo acadêmico. Seu objetivo era ser uma escritora e foi a isso que ela se dedicou durante toda a vida, inclusive agora.

A biografia "Susan Sontag - A construção de um ícone" mostra bastante essa ascensão ao estrelato intelectual da norte-americana judia e descendente de poloneses. Os dois autores, Carl Rollyson Jr e Lisa Paddock, descrevem uma mulher ao mesmo tempo genial e calculista. Sempre descobrimos, nas entrelinhas do livro, a idéia de que a imagem de Sontag foi criada artificialmente e mantida de forma oportunista pela escritora, seus editores e amigos.

Mas, isso poderia ser real se não existisse uma consistência na carreira de Sontag, fato que está longe da verdade. Algumas declarações dos autores soam muito mais marketeiras do que as próprias técnicas supostamente usadas por Sontag para se manter na mídia. Por exemplo, os autores escrevem que muita gente só aceitou falar sobre ela se o seu nome não fosse revelado. Com isso, tentaram criar um clima de medo, afirmando que o poder de Sontag era tão grande que podia impulsionar ou destruir carreiras. É difícil acreditar nisso quando tantos intelectuais de esquerda quanto de direita já xingaram Sontag de todos os nomes. E, pior ainda depois que a onda neo-fas...conservadora nos EUA entrou com tudo no século XXI.

Sontag sempre foi uma intelectual de esquerda. Apesar de apoiar de forma acrítica os regimes comunistas durante boa parte dos anos 60 e 70, sua ruptura com o comunismo aconteceu de forma completamente superficial. Mas, pelo menos, ela não foi para os braços da direita raivosa, fato muito comum entre essas pessoas que tratam a política de forma superficial. Quem foi membro do Partido Comunista no passado e aceitou as mentiras do stalinismo acriticamente, e hoje repete as baboseiras da neo-direita norte-americana só mostra que, apesar de mudar de lado, não aprendeu a pensar de forma séria e independente. Direita ou esquerda, continua uma marionete acreditando nas histórias da carochinha que são divulgadas pelos poderosos. Nesse ponto, Sontag foi superior a muitos outros supostos "intelectuais" que começaram a romper com as mentiras stalinistas.

Nos anos 90, ela se engajou na luta do povo bósnio contra o nacionalismo sérvio, sendo a responsável por mostrar uma situação desesperadora quando a maioria da imprensa preferia se calar.

Além de seus livros de literatura, Sontag é conhecida pelos ensaios. Seu último livro, ainda não lançado no Brasil, "Regarding the pain of others", trata da fotografia, que ela conseguiu elevar ao nível de arte "séria" com seu livro de ensaio "On Photography" e que retoma na atualidade. "Regarding..." também trata de outro tema muito importante e atual, a guerra.

O problema da biografia de Susan Sontag é que, como intelectual atuante, fica o interesse em conhecer suas posições atuais sobre a situação dos EUA, a guerra do Iraque e o governo Bush. O jeito é pesquisar na Internet seus textos mais recentes. Afinal, ela não parou de pensar de forma independente. Fato raro hoje em dia.

Para ir além



Susan Sontag - A construção de um ícone
Carl Rollyson Jr. e Lisa Paddock
Editora Globo
423 páginas


Marcelo Barbão
São Paulo, 25/3/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. A Escolha de Alice de Marilia Mota Silva
02. Sultão & Bonifácio, parte III de Guilherme Pontes Coelho
03. Modernidade explicada às crianças de Jardel Dias Cavalcanti
04. Liberdade! de Elisa Andrade Buzzo
05. Civilização de Daniel Bushatsky


Mais Marcelo Barbão
Mais Acessadas de Marcelo Barbão em 2003
01. Literatura e cinema na obra de Skármeta - 13/5/2003
02. Biblioteca básica latino-americana - 22/10/2003
03. Outro fim de mundo é possível - 11/2/2003
04. Marcos Rey e a Idade de Ouro - 15/7/2003
05. Os cyberpunks e o futuro - 9/9/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




As Melhores Histórias de Reinos
Lidia Chaib
Publifolha
(2000)



Organizaciones Fronterizas Fronteras del Psicoanalisis
Hugo Lerner e Susana Sternbach
Lugar
(2007)



Fundamentos do Treinamento de Força Muscular
Steven J. Fleck, William J. Kraemer
Artmed
(1999)



Homens, Dinheiro e Chocolate
Menna Van Praag; Michele Gerhardt Macculloch
Fontanar
(2009)



A Crise do Mito Americano
Gerald Messadié
Ática
(1989)



Jüdisches Wien - Entdeckungsreisen
Christof Habres
Metroverlag
(2011)



Belle-É preciso coragem para perder a inocência.
Lesley Pearce
Novo Conceito
(2012)
+ frete grátis



Clavícula de Salomão: as Chaves da Magia Cerimonial - 1ª Edição
Irene Liber
Pallas
(2004)



Terminglês
E. P. Luna
Aduaneiras
(2002)



Dicionário Ediouro: Francês-português, Português-francês
Vários Autores
Ediouro





busca | avançada
83024 visitas/dia
2,4 milhões/mês