Sultão & Bonifácio, parte IV | Guilherme Pontes Coelho | Digestivo Cultural

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Quarta-feira, 27/3/2013
Sultão & Bonifácio, parte IV
Guilherme Pontes Coelho

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(Parte I, Parte II e Parte III)

Se o gato de Brás Cubas, Sultão, é um nome mencionado apenas uma vez em todo o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Bonifácio, o gato de Afonso da Maia, é um dos personagens integrantes da narrativa de Os Maias, de Eça de Queiroz. O gato é o fiel companheiro do patriarca Afonso, é querido por Carlos da Maia, João da Ega e por todos os frequentadores do Ramalhete, o casarão dos Maias em Lisboa, do qual o gato é um dos integrantes perpétuo, um lugar de debates, jogos e leituras, com almoços e jantares preparados por chefs franceses.

Já vimos como Bonifácio vive no Ramalhete. À época da história do romance, a partir de 1875, o gato já é o Reverendo Bonifácio, um gato gordo e dorminhoco, comilão e lento, inseparável de Afonso. Já o vimos curtindo suas sestas ao sol, sobre sua pele de urso, após os almoços lendários, dos quais fazia parte. Já o vimos, sempre ao colo de Afonso, entre os homens nas rodas de conversa, das quais participavam o conde Steinbroken, o Dom Diogo, o general Siqueira, o inglês Craft, o procurador Vilaça, o marquês de Souzelas, o músico Cruges, o sempre incrível João da Ega, o principesco Carlos da Maia, o poeta Alencar e, às vezes, o idiota do Damaso. Uma cena, agora inteira, do Reverendo Bonifácio entre seus pares:
A essa hora Ega acordava no bilhar, ainda estirado na poltrona onde o cansaço o prostrara. Bocejando, estremunhado, arrastou os passos até ao escritório de Afonso. Aí ardia um lume alegre, a que o Reverendo Bonifácio se deixava torrar, enrolado sobre a pele de urso. Afonso fazia a partida de whist com Steinbroken e com o Villaça: mas tão distraído, tão confuso, que já duas vezes D. Diogo, infeliz e irritado, rosnara que se a dor de cabeça assim o estonteava melhor seria findarem!

Já o vimos nas conversas iniciais entre os apaixonados Carlos Eduardo e Maria Eduarda, ela, começando a conhecer a intimidade do enamorado, imaginando, a partir das palavras de Carlos, entre outras coisas, as excentricidades do Ega, as paisagens de Santa Olávia e, é claro, o próprio Reverendo Bonifácio.

O gato só voltará a estar na mesma página que Maria Eduarda muito depois. Quando estiveram juntos sobre o papel pela primeira vez, Maria estava no início de seu enamoramento por Carlos, enamoramento recíproco. Ela era "mulher" de Castro Gomes, um brasileiro rico, e tinha uma filha, com o cafonérrimo nome de Rosicler, mas tratada por Rosa. O primeiro contato de fato entre Carlos e Maria se deu por conta de Rosa, que adoeceu, e por isso Carlos, que era médico, foi chamado. A doença da menina era o que ambos precisavam, o argumento legítimo para o solteiro Carlos poder frequentar os Castro Gomes. Depois, com Rosa já curada, era a vez da governanta inglesa, Sara, que cuidava de Rosa, adoecer. Carlos não sairia mais de perto de Maria. Tudo caminhava para o que já estava anunciado desde o momento em que os Castro Gomes apareceram na história, ou, a depender do ângulo sob o qual se olhe, desde que Carlos e Maria nasceram.

Os Maias é dividido em duas partes. A primeira é a biografia do clã, e narra uma série de "episódios da vida romântica", subtítulo do romance, a começar pela desgraça de Pedro da Maia, filho de Afonso, que se mata quando sua mulher, Maria Monforte, foge com um italiano, levando consigo a filha do casal e deixando para Pedro o caçula ainda bebê, Carlos. Com a mãe foragida e o pai morto, Carlos é criado em Santa Olávia (mesmo lugar onde nasceu Bonifácio) e educado à inglesa, muito exercício físico e pouca religião, da maneira como Afonso gostaria de ter educado seu filho Pedro. Carlos cresceu forte e foi para Lisboa estudar medicina. Conheceu na universidade seu melhor amigo, João da Ega (que é por meio de quem Bonifácio e Maria Eduarda voltarão a se encontrar na narrativa). Os demais "episódios românticos" da primeira parte do romance envolvem amores, sandices e caprichos dos lisboetas de espírito provinciano, muitos deles titulares do grupo do Ramalhete, outros não tanto, como o banqueiro Cohen e sua mulher, Raquel, o conde e a condessa de Gouvarinho, o miserável Eusébio, Damaso Salcede.

A segunda parte do romance é o amor entre Carlos e Maria, cuja tragédia já vem anunciada lá na primeira parte pelo inexcedível João da Ega, que dizia a Carlos:
Tu és extraordinário, menino!... Mas o teu caso é simples, é o caso de D. Juan. D. Juan também tinha essas alternações de chama e cinza. Andava à busca do seu ideal, da sua mulher, procurando-a principalmente, como de justiça, entre as mulheres dos outros. E après avoir couché, declarava que se tinha enganado, que não era aquela. Pedia desculpa e retirava-se. Em Espanha experimentou assim mil e três. Tu és simplesmente, como ele, um devasso; e hás de vir a acabar desgraçadamente como ele, numa tragédia infernal!

Ega estava certo. Ele, embora louco varrido, ou justamente por causa do desprendimento da loucura varrida, é quem, além de previsões certeiras, dará conselhos seguros a Carlos quanto à maneira de conduzir seu amor por Maria Eduarda. Ega é dândi malcriado, eterno estudante, eterno escritor de um único livro, intitulado Memórias de um átomo, também amante de mulher casada, a judia Raquel.

Dentre os conselhos de Ega a Carlos, dois precisam ser detalhados, para mostrar o quão responsável Ega pode ser - responsabilidade esta que, mais tarde, o gabaritará para ficar frente a frente com Maria Eduarda, ocasião em que pronunciará o nome do Reverendo Bonifácio.

Parte V (em breve)


Guilherme Pontes Coelho
Águas Claras/Brasília, 27/3/2013


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