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Sexta-feira, 15/2/2002
Pelo Fim da Palavra VIP
Alexandre Soares Silva

+ de 6000 Acessos
+ 19 Comentário(s)

VIP! Ninguém diria em voz alta, a uma mulher, que ela é a mulher mais bonita da sala, se quisesse manter a amizade das outras. Quando uma empresa coloca uma plaquinha dizendo: “Estacionamento VIP”, ou um banco diz que tal fila é para “Clientes VIP” (ou clientes Gold, ou qualquer outra idiotice assim), é como se eles colocassem outra plaquinha em outra parte do estacionamento, dizendo “Estacionamento UL” ( de Unimportant Losers, Desclassificados), ou um banco chamasse a maior parte dos seus clientes de SHIC (Shitty Clients - Clientes de M...). Essa plaquinha dizendo UL ou SHIC não existe - mas é como se estivesse lá. Cada vez que você estaciona em um shopping, e não escolhe o estacionamento VIP, está sendo chamado pela administração do shopping de UL.

Quero deixar claro que não estou pedindo a proibição de nada. Estou pedindo boicote. O mínimo que se pode pedir, de uma empresa que quer o nosso dinheiro, é que rasteje por nós, como uma bêbada rastejando por um copo de uísque. Cada vez que você encontrar uma placa de “Estacionamento VIP”, saia do shopping. Sei que é impossível (qual o shopping que não tem isso?), mas pronto, disse, falei. Estou mais leve.

Pelo fim da expressão “Artista Plástico”

Se eu fosse pintor, e me chamassem de “Artista Plástico”, me sentiria insultado.

Se eu fosse escultor, e me chamassem de “Artista Plástico”, ídem.

Se eu fosse “artista performático”, pediria a Deus que me matasse, e ao Diabo que me carregasse.

Pela volta do futuro

Ninguém usa o futuro simples no Brasil. Ninguém diz: “devolverei”. É sempre “vou devolver”, “vou ver”, “vou comer”, “vou viajar”. O mal disso é que se desobedece ao princípio de que duas palavras não devem ser usadas se uma só bastar.

Esse não é um princípio bobo, inventado por capricho por um gramático caga-regras em Brasília. É um princípio geral do universo. Se uma coisa só basta, não use duas. Qualquer pessoa que já treinou artes marciais sabe da importância desse princípio - um movimento desnecessário pode causar o seu nocaute.

Desconfio que paramos de usar o futuro simples por medo. Começou assim: alguém nos perguntou: “Você virá para a festa na sexta?”. Respondemos: “Irei”. Mas isso pareceu tão definitivo, tão seguro de si, que sentimos vergonha da nossa própria certeza - um certo medo de que Deus nos fulmine por despeito. Acrescentamos: “se Deus quiser”. Não conseguimos usar o futuro simples porque dentro de nós existe um pequeno maometano secreto murmurando “o futuro a Deus pertence” o tempo todo.

É claro que o futuro pertence a Deus (como o passado, não? Mas ninguém diz “Fui lá na sexta - se Deus quiser”...). Seria uma boa coisa se deixássemos de ser tão tímidos e tivéssemos a coragem de dizer “Irei”. É o que estou tentando fazer, mesmo com todo mundo me olhando esquisito na rua. Não me importo de passar por pernóstico, porque é isso que eu sou mesmo. “O senhor vai pagar com cartão ou cheque?”. “Pagarei com cheque”.

Agora, pior mesmo é não conseguir usar nem o “vou pagar”, e usar o (desculpe, leitor) “vou estar pagando”. No site da academia de kung fu perto da minha casa, leio que “o Mestre vai estar respondendo todas as questões...”. Por quê não “responderá”? Porque parece insolente demais, uma espécie de desafio a Deus? Ou será - hipótese terrível - porque não parece “importante” o suficiente?

Um ano de feriado

Prevejo que, para diminuir o desemprego, o ano de 2022 será o Feriado Internacional de Um Ano. Vai ser muito bom. Provavelmente passarei o ano na cidadezinha de Auribeau-sur-Siagne, relendo Colette debaixo de um chorão (Salix Babylonica). Ou em Kairoulla, capital imaginária da imaginária Pisuerga, no Hôtel D’Anglaterre et du Lac. Não decidi ainda. Onde quer que as recepcionistas não digam “para que nós possamos estar atendendo o senhor, senhor”. E você?


Alexandre Soares Silva
São Paulo, 15/2/2002


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/2/2002
09h30min
Sem dúvida, um dos mais agradáveis textos sobre o assunto. O autor, com humor refinado e a dose certa de acidez, faz uma crítica aos absurdos que se cometem contra a Língua Portuguesa sob beneplácito - e até uma certa dose de incentivo - dos lingüistas. Parabéns!
[Leia outros Comentários de Paulo H. M. Oliveira]
15/2/2002
10h13min
O gerúndio denota que a ação se desenvolverá continuamente. A diferença entre "estarei saindo à noite" e "sairei à noite" esclarece a questão: o primeiro caso indica que sairei à noite com freqüência e por um período de tempo não estabelecido. O segundo caso dá a idéia de que a saída é única. Posso estar errado, mas foi isso que aprendi na escola. http://www.pradomacedo.blogspot.com
[Leia outros Comentários de Rogério Prado]
15/2/2002
12h09min
Pelo amor de Deus isto está virando uma praga! Vou estar examinando, vai estar chegando, vamos estar distribuindo, iremos estar atendendo, aaaaarrrrgghh! Já me chega a me dar náuseas ouvir pessoas falando assim... será que existe alguma coisa que possamos fazer para acabar com esta praga?
[Leia outros Comentários de Sérgio L. Domingues]
15/2/2002
14h45min
Alexandre, acho que você está coberto de razão. Eu também antipatizo muito com quase tudo que você denunciou. Gostei da forma enfática e até um pouco sarcástica (mas perfeita) com que você comentou as idiotices que se pratica a todo momento com a nossa língua. Contudo, não posso deixar de comentar, embora podendo estar enganado, é claro, sobre a forma do futuro simples que você colocou como preferencial. Acho que há a figura do tal do "futuro promessivo" que significa que algo será feito um dia num futuro que até poderá ser longínqüo, enquanto que na forma composta com o presente (vou devolver) passa-se a idéia de que a ação será realizada em breve, já-já, logo-logo, e, nesse caso, dou preferência à forma que corresponde à situação mais real, ou seja, de que a ação será realizada logo. Portanto, quando um amigo me emprestar um livro e me perguntar sobre a devolução após leitura, vou sempre preferir dizer que "vou devolver". Tenho receio de que, ao responder "devolverei", ele pense que pretendo "um dia" (não se sabe quando), se me der na telha, isso terá ocorrência. Não sei se estou certo pensando assim. Parabéns pela matéria. Um abraço.
[Leia outros Comentários de Haroldo Amaral]
15/2/2002
15h48min
Haroldo- talvez você tenha razão, e em alguns momentos seja melhor dizer "vou devolver". Cada um tem que ter a sensibilidade de saber qual o momento apropriado. Tudo o que digo é que não está certo não usarmos nunca o futuro simples. Eu gosto do futuro simples- é bonito e simples. Acho que devíamos fazer um pequeno esforço para salvá-lo. Sei que é quixotesco, mas enfim. Um abraço.
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
15/2/2002
16h00min
Até há uns meses, nunca tinha escutado ou lido grosserias como "estarei saindo". Não está em Machado, nem em Vieira, nem em Camões, e portanto quem a tiver ensinado na escola, com direito a manual de instruções, ao Sr. Rogério Prado, decerto o ludibriou; fabricou as regras "ex nihil" e viu que isso era bom, e foi tarde e manhã: um dia lamentável. Também as regras de "vou sair" e "sairei", que se aprendem adequadamente nas escolas de inglês - "I will" e "I am going to" - nunca vi aplicada por nenhum escritor decente de língua portuguesa; não me espantaria de ver alguém num clássico responderem à pergunta "Vais sair?" com um "Sairei". Devíamos todos ter ido menos à escola e mais à biblioteca. Mas o texto é muito interessante, é VIP, vou estar lendo-o sempre, até entender por que, depois de tudo, o autor escreveu no derradeiro parágrafo que o ano VAI SER muito bom. Um abraço a todos.
[Leia outros Comentários de Guilherme Quandt]
15/2/2002
7. Epa
18h09min
(Alexandre entra. Olha o próprio texto)Epa (Corando). Que se diga em minha defesa, no entanto, que eu nunca disse que o futuro simples deve ser obrigatório. Só disse que ele deve ser usado mais vezes- depende do ouvido, e do momento. (Satisfeito consigo mesmo) Sim, é isso. Ah! Obrigado e um abraço aos que vieram me visitar neste espaço entre duas barras vermelhas. Paulo, Rogério, Sérgio, Haroldo, Guilherme. Há vinho na geladeira. (Sai)
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
16/2/2002
02h17min
Comentei o texto em meu blog, o Butuca Ligada, , com o título "Flor do Láscio do Sambódromo". Quando puder, visite-o... http://butucaligada.blig.com.br
[Leia outros Comentários de Raphael Perret]
16/2/2002
04h53min
Guilherme, não seja tão simplório. Se formos falar apenas o q está em Vieira, Machado e Camões, ninguém entenderia nada. A língua é dinâmica, aceitem isso, ela se aperfeiçoa. Vamos todos falar em Latim Clássico, então, já que se defende tanto os purismos! Façam-me o favor!!!
[Leia outros Comentários de Pedro]
16/2/2002
21h25min
Pedro, uma regra da gramática infere-se dos fatos da língua empiricamente verificados. Se nos clássicos as construções não existem, ou seja, nunca se usaram, é absurdo ensiná-las como consumadas no idioma, com normas tiradas sabe Deus de que fontes improvisadas. Admitir como nova regra qualquer coisa que da noite para o dia as pessoas falem é que vai logo tornar incompreensível todo o texto velho de dois dias. O dinamismo de uma língua é inversamente proporcional à cultura de seus usuários: quanto mais se conhece o idioma, menos ele é alterado por invencionices de ignorantes. De Vieira a Machado a língua conseguiu permanecer a mesma em essência, mas graças a opiniões modernas como a sua, logo parecerão eles realmente tão distantes como o latim clássico. Você, por exemplo, já perdeu de vista o domínio do subjuntivo ("se FORMOS falar... ninguém entenderia"). Não compreendo que alguém queira sacrificar no altar do Santo Dinamismo a unidade lingüística de toda uma cultura, firme ao longo de séculos.
[Leia outros Comentários de Guilherme Quandt]
17/2/2002
01h45min
Estava saindo, mas tive que voltar. Não resisti. Acho que ouvi o Pedro dizer que a nossa língua está se "aperfeiçoando". Que lindo- mal posso esperar pelo próximo final de semana. Ou por dezembro, quando será publicada a primeira tradução dos Lusíadas para o português Millenium: "As arma e os barão assinalado/Saíram de Portugal, tá ligado?", etc. (O trecho famoso- "Cantando espalharei..."- terá duas versões: "Cantando vou espalhar por toda parte" - escangalhou a cadência, mas vá lá- e "Cantando vou estar espalhando por toda parte/ Se a tanto me ajudar...", etc.) Só não peçam que eu assine a introdução. Um abraço.
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
17/2/2002
05h55min
Não, Guilherme, a gramática não é nada disso do q vc falou. Ela é uma série de regras arbitrárias (como qualquer variante o seria, porque afinal, não existe apenas uma forma de se expressar em determinada língua, e cada falante possui seu próprio idioleto) que são determinadas por um conjunto mínimo e nada representativo da população (os gramáticos) que, no entanto, possuem o papel de determinar qual a variante "oficial" da língua. O q tb é importante, para q se tenha uma forma "neutra" (entre aspas, porque obviamente a variante oficial é expressão do desejo daqueles que arbitram, como não poderia ser diferente). Mas a gramática normativa é defasada. Quer um exemplo? Celso Cunha em sua gramática diz descrever o português "moderno", ou seja, o dos românticos! Isso é moderno? Bem, pra ele pode ser, mas tente falar o português das gramáticas! Vc nunca será compreendido perfeitamente. Falar bem não é usar construções arcaicas, é saber organizar seu pensamento de modo a ser perfeitamente entendido pelo interlocutor. Outra coisa muito errada no seu argumento é dizer q "de Vieira a Machado a língua conseguiu permanecer a mesma em essência". Vc já leu Vieira na edição original? Já leu Machado na edição original? Pois leia e venha me dizer com a cara limpa q a essência é a mesma. A não ser q vc admita q a essência é a mesma até hoje. Sim, as mudanças ocorrem, e rapidamente, mas a ess6encia é sempre a mesma. Mas se vc argumenta q elas parecerão tão distantes quanto o Latim Clássico em breve, então não há como admitir q Vieira e Machado estejam tão próximos assim. Façam-me o favor! Ninguém é obrigado a gostar de certas variantes novas. Assim como gírias, muitos modismos em pouco tempo caem na obscuridade (e assim espero que ocorra com o futuro composto de gerúndio, de q não gosto). Se eles são consagrados, porém, não há alternativa. Parem com essa conversa infantil, como do Alexandre Soares, essa choradeira não leva a lugar nenhum. Concordo com a idéia de combater tal modismo que não passa de tradução mal feita de manuais de telemarketing, mas não posso concordar com q os fins justifiquem os meios. Essa argumentação toda conservadora não é nem um pouco conservadora. Não falamos como a geração anterior à nossa falava e nem como a que nos sucederá.
[Leia outros Comentários de Pedro]
17/2/2002
17h57min
Alexandre, achei otima a ideia de poder ter a opcao de usar o futuro simples. Com isso a lingua guarda sua riqueza, oferecendo variedade de nuances, etc. Por outro lado, acho que voce continuarah a se surpreender com o mau uso do portugues e que esse quadro soh tende a se deteriorar. Eh que estah se alargando a base dos falantes em funcao de alteracoes economico-sociais que ocorrem no Brasil (e no mundo). Pessoas cujos pais, se muito, se limitavam a varrer o chao da classe media, hoje sao as que pilotam, por exemplo, postos de atendimento de telemarketing, falando em nome dos grandes conglomerados, ou participam com desenvoltura em programas de radio-televisao ou perguntam se voce quer algo mais nos balcoes e lojas espalhadas por esta nossa america lusofona. Acho que teremos aqui, e cada vez mais, convivendo lado a lado, mais de um tipo de portugues, desde o culto, universal, elaborado, ao simples, embrionario, brasileiro mesmo.
[Leia outros Comentários de Toni]
18/2/2002
01h36min
Toni: você tem razão, são duas línguas convivendo no mesmo espaço, e se misturando (e depois dizem que isso só existe em Londres). Há aspectos bons nisso, suponho, mas às vezes dói no ouvido. Um abraço.
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
18/2/2002
01h46min
Pedro, duas coisas: 1) Onde foi que você viu um tom chorão, choroso, choramingas no meu texto? A julgar pela quantidade de "Façam-me o favor!", "Pelo amor de Deus!", e pontos de exclamação em geral, é mais fácil achar que, sem que você perceba, o som de choro que você ouve está escapando da sua própria e cerrada mandíbula. Estávamos todos rindo aqui, juro, e tomando Bâtard-Montrachet ainda por cima, antes que você chegasse gritando "Façam-me o favor!!!"- com três pontos de exclamação e tudo. Senta, respira fundo. Estamos tentando manter um tom civilizado aqui. Além disso, o espaço é muito pequeno entre estas duas barras vermelhas para o manuseio seguro de pontos de exclamação. Deixe todos esses !!!! perto da porta, ali junto dos guarda-chuvas. Na saída você pega com o mordomo. 2) Você sem dúvida acha que eu sou muito autoritário, querendo oprimir cento e poucos milhões de pessoas, etc. Mas de onde eu estou o autoritário parece ser você. Veja: escrevi um texto dizendo que há algo na língua que eu não gosto, e que há algo que eu gosto. Dei alguns motivos e pedi que se usasse mais aquilo que eu gosto, e menos aquilo que eu não gosto. Seria mesmo estranho se fosse o contrário. Mas você acha isso demais, e me grita para calar a boca. Seu argumento é que se o povo decidiu pela morte do futuro simples, quem sou eu para pedir que salvem o bichinho? Mas, Pedro, como você mesmo disse num dos seus charmosos e equilibrados emails, se o povo "consagra", às vezes também "desconsagra". Por quê, portanto, não posso eu tentar influenciá-lo um pouquinho- só um pouquinho- para "consagrar" de novo o futuro simples, e "desconsagrar" o composto? Acho um tanto opressiva essa visão da língua em que só multidões, e nenhum indivíduo, podem contribuir para o que quer que seja. A língua é mais dinâmica do que isso: aceita até mesmo que eu tente influenciá-la um pouquinho.
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
18/2/2002
05h30min
Caro Alexandre, Respondendo ao seu comentário, estava me referindo a vários comentários (não só ao seu), mas usei o seu como exemplo de "choradeira". No seu caso, queira me desculpar, realmente não foi uma choradeira, mas, sim, um comentário metido a engraçadinho, mas sem nenhuma graça (o d'Os Lusíadas). Se bem que, no fundo, ele soa como choradeira, porque, afinal, quem não argumenta costuma partir para o deboche. É uma estratégia antiga, e muito usada por quem não quer discutir (ou não tem como). Nunca mandei ninguém calar a boca, só disse para pararem com esse discurso inquisicionista. Não há problemas em vc gostar ou não de alguma variante, e eu disse isso por diversas vezes. Não há problemas, tb, em vc querer lutar por uma ou outra. Ótimo, vá lá. O problema é q os fins não justificam os meios, e escrever barbaridades, inverdades e agressões, como plenamente aconteceu aqui, não leva a lugar nenhum. Durante essas discussões, houve xingamentos a lingüistas (chamados, inclusive de burros), falou-se que o povo é inculto (como se o povo da época de Camões fosse um primor de cultura, mas vá lá), espalharam-se barbaridades (como dizer q Camões, Vieira e Machado mantinham o mesmo português e que se entenderiam perfeitamente) entre outras. Sinto que não vale a pena continuar nessa discussão, porque parece q tem muita gente mais preocupada em tumultuar do q falar algo que acrescente alguma coisa. Peço apenas que deixem de ser precipitados em julgar qualquer variante "bonita" ou "feia", lembrem-se de q isso depende única e exclusivamente do gosto pessoal. Muitas das regras gramaticais que temos hoje em dia foram fruto do uso de pessoas "incultas" (expressão de q não gosto, mas vcs parecem gostar) q acabaram se consagrando. Vocês já se perguntaram por que o plural das palavras terminadas em "ão" são diferentes? Por exemplo: "pão" e "pães", "irmão" e "irmãos", "campeão" e "campeões". Vou dar apenas uma dica: vejam como se escrevem essas palavras em outras línguas latinas (quando houver) ou no próprio Latim. Uma outra dica, só pra completar: como as pessoas "incultas" pronunciam a palavra "bom"? Pois é... "pão" era pra ser "pãe" (vem de "pane", o n intervocálico sumiu com o tempo). E assim, analogamente, para as outras palabvras. Mas, por algum motivo, o português tem (ou pelo menos tinha) tendência à nasalização pelo "ão", e todas essas palavras, fracas na pronúncia no singular, acabaram terminando em "ão". Podemos verificar isso na pronúncia dos "incultos" de bom ("bão"). Se vcs acham horroroso falar "bão", talvez prefiram falar "pãe", ou talvez até "pane", quem sabe? Tudo o q eu quero dizer é q vcs parem com esses preconceitos bobos e infantis. E se vc pensa q eu achei vc autoritário... não nem um pouco! Uma pessoa não pode ir contra a multidão se for o caso. Vc pode (e deve) lutar como e quanto quiser por aquilo em q acredita, vá em frente. Mas se algum dia vc disse "falarei" e ninguém entender, lamento, vc não terá saídas. É assim que as coisas são, querendo a gente ou não, como eu já disse aqui um milhão de vezes, mas as pessoas, muitas vezes, só escutam (ou, neste caso, lêem) aquilo que desejam. Não vou mais escrever aqui, não se preocupem, podem se considerar livres de mim e voltem seu Bâtard-Montrachet sossegados.
[Leia outros Comentários de Pedro]
18/2/2002
11h52min
Pedro, a gramática é sim o que eu falei. Os gramáticos não retiram as regras da cartola, mas dos fatos da língua. A escolha dos registros desses fatos não é arbitrária, como você afirmou; é elitista: escolhem estudar os fatos como aparecem não no falar de qualquer um, mas no de Camões, Herculano, Garrett etc. Não fazem um plebiscito da língua, seguem uma elite. Elegem essa elite por critérios como a harmonia, a clareza e a beleza, que, embora subjetivos, são aceitos de modo geral: quem lê os clássicos percebe que é bom escrever daquele jeito. Você está corretíssimo em dizer que "falar bem não é usar construções arcaicas, é saber organizar seu pensamento de modo a ser perfeitamente entendido pelo interlocutor". Justamente pensam nisso os bons gramáticos ao escolher seus clássicos. A menos que você entenda que o povo se expressa mais claramente que os clássicos, não vejo por que condenar essa preferência ou o esforço de tornar em regra aquele modo de falar e escrever. Eu disse mesmo por E-mail que a essência da língua é a mesma de Camões até hoje, e credito esse pequeno milagre aos que respeitaram a escrita daqueles autores, em vez de ceder aos inventos lingüísticos do povo. Por outro lado, quando afirmo que a mudança os afastará de nós amanhã, uso uma hipérbole, mas porque acho que hoje as condições são mesmo propícias à derrocada futura dessa unidade, o que eu não quero. Por isso é que me desagrada a consagração desnecessária de novidades e a morte do que já foi consagrado. Você talvez me considere alarmista, mas isso é outro problema.
[Leia outros Comentários de Guilherme]
18/2/2002
18h58min
Pedro, como você está se defendendo sozinho, não quero te atacar em bando. Não considere isto, portanto, um ataque. Mas há alguns pontos: 1)Qual a diferença entre "cale a boca" e "pare de dizer isso que você está dizendo"? Repare que eu não peço que você pare de dizer o que está dizendo- desde que com calma. Não, acho ótimo que você se sente e diga o que quiser- desde que não seja para que eu pare de dizer o que estou dizendo. 2)Você diz que eu não posso chamar uma variante de bonita ou feia, porque isso depende de gosto pessoal. Mas então quando é que eu posso chamar algo de bonito ou feio? Quando for muito científico? 3)Quanto aos meus Lusíadas. Achei engraçado. Foi mais uma reductio ad absurdum do seu argumento de que a língua se aprefeiçoa (o que eu também achei engraçado...) do que propriamente uma zombaria à sua pessoa, ao seu nariz, ou qualquer coisa assim. Nem hesitaria em fazer isso na sua frente, sem achar que estivesse sendo especialmente rude. Talvez eu seja suspeito, sendo o autor da própria piada, mas achei engraçado. Como diz Homer Simpson (lá vou eu baixando o nível): "É engraçado porque não é comigo...". 3)Está bem, se eu disser "pagarei" e a outra pessoa não entender, reagirei bravamente. Pode deixar. 4)Vamos esquecer os emails que você mandou diretamente para pessoas que comentaram o meu texto. Não me envolvi nisso, mas vi que palavras foram usadas- "burro", "estúpido"- que não deviam ter sido ditas. Estamos mais calmos agora. Pronto, pronto. Passou. Cortesia é uma boa coisa. Torna o leite mais doce, o céu mais azul. Antes de você sair, brindemos juntos à cortesia e ao futuro simples. Longa vida a ambos. Não se esqueça de pegar o pacotinho que eu fiz com os seus pontos de exclamação, está ali perto da porta: (!!!!!!!) Volte sempre.
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
19/2/2002
19h03min
Raphael Perret: obrigado pelo link no seu blog (http://butucaligada.blig.com.br) - e pelas palavras. Alexandre
[Leia outros Comentários de Alexandre Soares]
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