O mundo é o hemisfério norte | Daniela Sandler | Digestivo Cultural

busca | avançada
64948 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Rodolpho Parigi participa de live da FAAP
>>> Para fugir de ex-companheiro brasileira dá volta ao mundo com pouco dinheiro
>>> Zé Guilherme encerra série EntreMeios com participação da cantora Vania Abreu
>>> Bricksave oferece vistos em troca de investimentos em Portugal
>>> Projeto ‘Benzedeiras, tradição milenar de cura pela fé’ é lançado em multiplataformas
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Cabelo, cabeleira
>>> A redoma de vidro de Sylvia Plath
>>> Mas se não é um coração vivo essa linha
>>> Zuza Homem de Mello (1933-2020)
>>> Eddie Van Halen (1955-2020)
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - II
>>> Vandalizar e destituir uma imagem de estátua
>>> Partilha do Enigma: poesia de Rodrigo Garcia Lopes
>>> Meu malvado favorito
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
Colunistas
Últimos Posts
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
>>> Metallica tocando Van Halen
>>> Van Halen ao vivo em 2015
>>> Van Halen ao vivo em 1984
>>> Chico Buarque em bate-papo com o MPB4
>>> Como elas publicavam?
>>> Van Halen no Rock 'n' Roll Hall of Fame
>>> A última performance gravada de Jimmi Hendrix
Últimos Posts
>>> Normal!
>>> Os bons companheiros, 30 anos
>>> Briga de foice no escuro
>>> Alma nua
>>> Perplexo!
>>> Orgulho da minha terra
>>> Assim ainda caminha a humanidade
>>> Três tempos
>>> Matéria subtil
>>> Poder & Tensão
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Breve História do Cinismo Ingênuo
>>> Minha cartomante não curte o Facebook
>>> Geza Vermes, biógrafo de Jesus Cristo
>>> Da Poesia Na Música de Vivaldi
>>> Os olhos brancos de Deus
>>> Alívios diamantinos
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Ser intelectual dói
>>> Simone de Beauvoir: da velhice e da morte
>>> Alice in Chains, Rainier Fog (2018)
Mais Recentes
>>> Cachaça artesanal. Do alambique à mesa de Atenéia Feijó & Engels Maciel pela Senac Nacional (2001)
>>> Pirâmides E Soberanos Do Egito de Sérgio Pereira Couto pela Escala (2015)
>>> O Velho Monge do Castelo de Lauro Trevisan pela Mente (2010)
>>> Dinâmica do Desejo de Frei Carmelo Surian pela Vozes (1982)
>>> Testemunho Sem Medo Como Partilhar sua Fé com Segurança de Bill Bright pela Candeia (1988)
>>> Cachaça. The Authentic Brazilian Drink de Diversos Autores pela Abrabe (2010)
>>> Natal a Humanidade e a Jovialidade de Nosso Deus de Leonardo Boff pela Vozes (2000)
>>> Blitzkrieg 1940 de Ward Rutherford pela Bison (1985)
>>> Cantores do Rádio. A trajetória de Nora Ney e Jorge Goulart e o meio artístico de seu tempo de Alcir Lenharo pela Unicamp (1995)
>>> Titeres y marionetas en alemania de Hans R. Purshke pela Neue Darmstädter Verlagsanstalt Darmstadt (1957)
>>> Aritmética da Emília de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Histórias Diversas de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Emilia no País da Gramática de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Histórias de tia Nastácia de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> O Saci de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> O Picapau amarelo de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Os 13 Porquês de Jay Asher pela Ática (2009)
>>> Só o Amor é Real de Brian Weiss pela Sextante (2012)
>>> Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis pela Ciranda Cultural (2017)
>>> O clamor do Mundo de Oswaldo Smith pela Vida (2009)
>>> DVD Coleção Mazzaropi Tristeza do Jeca vol. 3 de Direção, Amácio Mazzaropi / Milton Amaral pela Pam filmes (1961)
>>> A Cinco Passos de Você de Rachael Lippincott pela Alt (2019)
>>> O Poço do Visconde de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Peter Pan de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Memórias da Emília de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> O Minotauro de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> História do Mundo para Crianças de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Dom Quixote das Crianças de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> As Aventuras de Hans Staden de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> A chave do Tamanho de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> viagem ao Céu de Monteiro Lobato pela Ciranda Cultural (2019)
>>> Serões de dona Benta de Monteiro Lobato pela Ciranda cultural (2019)
>>> Go Down Together The true Untold story of Bonnie and Clyde de Jeff Guinn pela Simon & Schuster (2009)
>>> Fbi--43--o grande golpe--105--41--67 de Monterrey pela Monterrey
>>> Hh--epopeias de guerra--375--furia e odio--6--160--146--153--158-- 23--141 de Peter kapra pela Monterrey
>>> Rpg--29--anjos e demonios--58--temporada de caça. de Trama pela Trama
>>> Egw--100--call of duty--black ops de Tambor pela Tambor
>>> A Saga dos Cristãos Novos de Joseph Eskenazi Pernidji pela Imago (2005)
>>> Uma Técnica de Viver de Leonard A. Bullen pela Pensamento (1988)
>>> Avaliação de Programas - Concepções e Práticas de Blaine R. Worthen, James R. Sanders e Jody L. Fitzpatrick pela Gente (2004)
>>> Concentração de Mouni Sadhu pela Pensamento (1984)
>>> O Melhor Livro Sobre Nada de Jerry Seinfeld pela Frente (2000)
>>> A República de Platão pela Nova Cultural (2000)
>>> Condenados da Terra de Frantz Fanon pela Edição Popular (1961)
>>> Com Olhos de Criança de Francesco Tonucci pela Instituto Piaget (1988)
>>> Revista Neuro Educação – Nº 4 – Dormir Bem Para Aprender Melhor de Vários Autores pela Segmento (2015)
>>> de Jorge Carvalho do Nascimento pela Criação (2018)
>>> Revista Ciência & Vida Psique – Ano 1 – Nº 2 – Psicopedagogia Pra Que? de Vários Autores pela Escala
>>> Revista Crescer em Família – Ano 7 – Nº 74 - Primeiro Ano do Bebê de Vários Autores pela Globo (2000)
COLUNAS

Quarta-feira, 27/2/2002
O mundo é o hemisfério norte
Daniela Sandler

+ de 4900 Acessos
+ 3 Comentário(s)

O mundo é o hemifério norte. O que mais se pode depreender das declarações oficiais e extra-oficiais de que as Olímpiadas de Inverno de Salt Lake City, encerradas no último domingo, serviram para “unir o mundo”?

Não foi só uma vez. E não foi apenas em piegas comerciais de tevê ou vinhetas de patrocinadores olímpicos. Foi também na voz de comentaristas, jornalistas e repórteres, dizendo coisas como “o mundo inteiro está prestando atenção no que acontece aqui”. Não importa que metade do mundo não participa dos jogos e não acompanha seus resultados. Não importa que metade do mundo nem mesmo pratica esses esportes, e, mesmo se quisesse, não teria condições materiais para isso. Aqui, ninguém liga.

Você ainda poderia pensar que o ato falho é esquecimento, ainda que imperdoável, como se ninguém tivesse parado para pensar que falta um hemisfério, ou quase, no tal mundo. Se fosse o caso, seríamos bem-vindos, ainda que esquecidos. A gafe causaria rubores, e eu não precisaria escrever uma coluna sobre o absurdo dessa exclusão.

Não é que sejamos simplesmente esquecidos. Nós nem sequer contamos, nem mesmo como elemento faltante. Não fazemos falta. E, quando nos fazemos conhecidos, somos solenemente ignorados – ou, pior, somos postos novamente em nosso lugar, debaixo do tapete do Equador. Quem leu a minha última coluna já deve ter concluído que não estou falando apenas de Olimpíadas. Elas são o sintoma de uma doença muito pior que elitismo esportivo, e nos dão a medida da gélida distância entre o mundo dos picos nevados, o primeiro, e o nosso, ao rés-do-chão. É de quebrar o pescoço.

Festa do caqui

Voltemos, então, ao nosso termômetro. Para além do involuntário exclusivismo de observações como as reproduzidas acima, a atitude está tomando corpo e forma de maneiras mais concretas, disfarçadas sob desculpas aparentemente objetivas. Uma dessas desculpas saiu da boca de vários atletas entrevistados durante os jogos de Salt Lake, e aparentemente refere-se a critérios puramente esportivos.

O tema é o número inédito e crescente de atletas e nações improváveis, gente do terceiro mundo, de países tropicais ou equatoriais, sem neve, montanha ou lagos congelados – os “underdogs”, como são chamados em inglês. Sim, sim, nós, brasileiros, fazemos parte desse contingente. Nós, e mais venezuelanos, tibetanos, vários africanos, outros sul-americanos – nesse time, de acordo com os norte-americanos, estão incluídos até mesmo os argentinos e chilenos, que, afinal das contas, têm neve, montanha e lagos congelados em seus países.

Quando a onda começou, com a contagiante história dos bobsledders jamaicanos contada no filme Jamaica Less Than Zero, o mundo achou graça, admirou a determinação e o esforço dos atletas e elevou seu pioneirismo a exemplo de espírito olímpico. A popularidade pode ser medida pelo sucesso do filme. Nas penúltimas Olimpíadas, em 98, em Nagano (Japão), quando o grupo dos azarões era bem menor, também houve espaço para elogios e aplausos, tanto do público comovido como de atletas vitoriosos.

Neste ano, o esforço e o exemplo desses atletas pioneiros finalmente vingaram. Os underdogs compareceram mais numerosos que nunca. Motivo de festa? Finalmente o espírito olímpico triunfou? Júbilo pela “união mundial”? Não. A imprensa não deu muita atenção, a não ser para dizer que os atletas improváveis já não são mais novidade. O público também não ligou muito, excetuando-se uma singular parcela que se compraz em cultuar underdogs (assim como existe cult-movie, em geral alguma esquisita e obscura produção trash, há os cult-atletas). E os demais competidores, chamados não por acaso “atletas de elite”, torceram o nariz – sem pudor, para todo mundo ver.

A rede de televisão NBC, que detém os direitos exclusivos de cobertura, praticamente ignorou os underdogs. Sendo a televisão o principal meio pelo qual os jogos foram vistos, vocês podem imaginar a importância disso. Houve uma ou outra menção em jornais e internet, mas a abordagem foi quase exclusivamente folclórica, destacando o curioso aumento dos atletas e nações improváveis. Os “Bananas Congeladas” (precisa dizer mais em termos de folclore?), cujo sucesso foi propagandeado pela imprensa brasileira, ganharam talvez alguns segundos de fama – e olhe lá. Na tevê, nada de bananas - isso porque fiquei plantada em frente à tela, assistindo pacientemente aqueles trenozinhos descendo a pista de bobsled.

Resumo da ópera: enquanto somos os bobos-da-corte, a atração curiosa ou divertida, exótica, ou a fonte de comoção (como os pioneiros), tudo bem. Mas que não venha o circo inteiro, parecem nos dizer... Veja o caso do norueguês Bjorn Daehlie, por exemplo. Em 1998, na Olimpíada de Nagano, o atleta, após vencer o esqui cross-country (10 mil metros), plantou-se na linha de chegada para esperar o queniano Philip Boit. Boit, o primeiro queniano numa Olimpíada de Inverno, terminou em último lugar, mais de 20 minutos depois de Daehlie, que fez questão de abraçá-lo pelo feito. À época, o episódio foi considerado um dos momentos mais comoventes dos jogos.

Neste ano, em que Boit voltou e a legião de improváveis aumentou, Daehlie não se declarou tão satisfeito. Apesar de conceder que é bom que o esqui inclua atletas de diferentes níveis, ele disse também que "seria um problema se fosse um número muito grande". Com Daehlie concordaram vários jornalistas, analistas esportivos e autodenominados "tradicionalistas".

Para eles, os underdogs são gente que quer chamar a atenção por méritos não-esportivos, que não merece dividir a pista com atletas "sérios". Acham que isso atrapalha a Olimpíada de várias maneiras: tira a seriedade das competições; sobrecarrega a organização dos jogos; e causa caos, atrapalhando o curso dos eventos. Em suma, vira a festa do caqui.

Para que Olimpíadas?

Pode-se concordar com esses argumentos, e entender que tudo isso acaba prejudicando, de uma forma ou de outra, os atletas de ponta. Pode-se também perguntar se esse nosso encantamento com deuses esportivos, com suas proezas inebriantes e inacreditáveis, não nos afasta de ações mais produtivas e democráticas, que incluam em vez de excluir, que celebrem de fato a união do mundo pelo esporte (e não só) em vez de aguçar ainda mais as desigualdades – e, o que é pior, justificar a exclusão.

Para que Olimpíadas, afinal? Para unir e reunir nações de todo o mundo, para que as rivalidades sejam exorcizadas em disputas esportivas, e não em campos de batalha; para que o orgulho nacional seja posto em ação em competições e pódios, em vez de ser transformado em ódio e destruição. Teoricamente, isso é parte do espírito olímpico – canalizar os inevitáveis impulsos belicosos e agressivos em um evento pacífico, festivo, celebratório.

Mas, como escrevi antes, a violência e a agressão têm muitas formas, muitas delas ocultas. A exclusão social, política, cultural e econômica são manifestações silenciosas, mas não menos poderosas ou cruéis, de violência. A exclusão esportiva, da qual o elitismo olímpico é um exemplo, intersecciona todas essas formas de exclusão e compactua com elas.

Não estou, é claro, defendendo que os jogos olímpicos sejam abertos a todo mundo – pois isso é o mesmo que nada. Como em tudo – universidade, bolsa de estudo, emprego – é preciso que haja seleção, não apenas por motivos práticos, mas por adequação. Não faria o menor sentido, por exemplo, que eu participasse de uma olimpíada só porque gosto de nadar, se eu chegaria todo um minuto depois da primeira colocada. Assim como seria um desperdício que minha bolsa de estudo fosse dada a um jogador de futebol profissional.

Estou falando de algo muito diferente. Neste caso, de atletas que, se consideradas as dificuldades logísticas, financeiras e sociais, tiveram de mover montanhas muitíssimo mais altas que as encostas alpinas sobre as quais os esquiadores de elite treinam. Os atletas de ponta ficam irritados em parte pelo fato de que é “fácil” para um atleta brasileiro, por exemplo, conseguir qualificação olímpica. Preenchendo os requisitos mínimos para qualificação (definidos em relação aos tempos de elite), estão dentro. Já que há muito mais atletas de alto nível nos países desenvolvidos, a competição por uma vaga entre eles é bem mais acirrada, e o número limitado de vagas pode resultar no fato de que um americano com performance melhor que um brasileiro não consiga participar de uma olímpiada, enquanto o brasileiro entra. Se a questão é “mérito”, no entanto, pode-se argumentar com igual convicção que o esforço e os obstáculos vencidos pelo brasileiro foram muito maiores.

Mas a questão não é só mérito. As olímpiadas (ainda) pretendem ser palco de confraternização internacional. Para tanto, precisam permitir variedade de representações nacionais – e prevenir monopólios. Daí as cotas, os limites do número de vagas, e os requisitos que muitos consideram “permissivos” para qualificação.

Olimpíada neoliberal

A desconfortável entonação política dos jogos incomoda outras pessoas além dos underdogs. Afinal, as transações perturbadoras entre os dois domínios – política e esporte – inquietam desde os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, que Adolf Hitler usou como palco e suporte ideológico, passando pela doentia competitividade durante a Guerra Fria (quem não se lembra das inchadas alemãs orientais e chinesas?), e culminando no ato explícito de política e terror das Olímpiadas de Munique, em 1972.

Por essas e outras – incluindo o recente “escândalo da patinação artística” em Salt Lake –, alguns analistas esportivos e políticos chegaram a sugerir que a idéia de “nação” fosse completamente removida das Olimpíadas, e os atletas competissem individualmente. Triunfaria a outra parte do espírito olímpico – a de que vença o melhor, por excelência esportiva (e não a de união entre os povos). Talentos individuais poderiam ser patrocinados por instituições (públicas ou privadas) de qualquer nação.

A proposta radical, que gostaria de extirpar interesses escusos e focar a atenção puramente no esporte, é também muito ingênua – em vez da briga política, teríamos a briga comercial; em vez dos Estados Unidos versus Alemanha, teríamos Chevrolet versus Mercedes. E, nessa era neoliberal de corte de gastos públicos (ou seja, educação, saúde, cultura, arte e esporte, essas coisas impalpáveis e não-práticas), os governos seriam finalmente desobrigados de investir em atletas, treinadores, treinamento e infra-estrutura. Felizmente, a “olimpíada neoliberal” ainda está muito longe de virar realidade.

Que isso não nos distraia do fato de que, ao lado da dimensão política – e de braços dados –, está a dimensão econômica das Olimpíadas. Ninguém esconde que são, para muitos, um bom negócio, apesar dos custos fenomenais que quase impediram a realização do evento em Salt Lake. Os investimentos, em sua maior parte, são públicos – quem arca com as despesas é o governo (e os impostos dos cidadãos). Os lucros são privados – audiência televisiva, visibilidade e marketing para patrocinadores, indústria turística local, etc. Ou seja, business as usual.

Não é à toa que há tanta briga para sediar os jogos. Mesmo sabendo do enorme custo financeiro e humano do evento, muitas cidades vêm nas Olimpíadas (de verão ou inverno) a oportunidade de atrair prestígio, atenção, e – principalmente – recursos internacionais, investimentos e dinheiro. A ironia é que, pelos critérios de escolha das cidades-sede, aquelas que mais precisam de recursos são justamente as cidades que não têm chance de vencer a disputa (Brasília, por exemplo) – os underdogs.

Justiça seja feita, até mesmo comentaristas de tevê notaram o fato de que os custos cada vez maiores de uma Olimpíada (incluindo a paranóia com segurança) excluem muitas nações, como por exemplo países latino-americanos. Enquanto o repórter da NBC fazia essas observações em off, a rede mostrava cenas da cerimônia de encerramento do dia anterior. Não surpreende que a câmera tenha dado um close na... bandeira brasileira. O que surpreendeu foi a sugestão de Tom Brokaw, o âncora da rede: de que talvez seja o caso de fazer um “downsizing” dos jogos olímpicos, para que eles não se tornem proibitivos para a maior parte do mundo. Talvez eu não seja a única idealista a esperar que as olimpíadas não se rendam totalmente ao seu lado elitista e excludente...



Daniela Sandler
Riverside, 27/2/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Pílulas Poéticas para uma quarentena de Luís Fernando Amâncio
02. Pantanal de Marilia Mota Silva
03. Quando morre uma paixão de Adriane Pasa
04. Tarifa de ônibus: estamos prontos p/ pagar menos? de Adriana Baggio
05. Liberdade é pouco de Elisa Andrade Buzzo


Mais Daniela Sandler
Mais Acessadas de Daniela Sandler em 2002
01. Virtudes e pecados (lavoura arcaica) - 9/1/2002
02. Nas garras do Iluminismo fácil - 10/4/2002
03. Iris, ou por que precisamos da tristeza - 24/4/2002
04. Crimes de guerra - 13/3/2002
05. Somos diferentes. E daí? - 30/1/2002


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
27/2/2002
16h34min
EU PENSO QUE DEVERIAM SER ABOLIDO DOS JOGOS OS HINOS NACIONAIS E O HASTEAMENTO DE BANDEIRAS NA ENTREGA DAS MEDLHAS ENTRETANTO PERMANECERIAM OS DESFILES DE ABERTURA E ENCERRAMENTO DOS JOGOS COM AS DELEGACOES NACIONAIS .ISSO DIMINUIRIA O TOM NACIONAL DA DISPUTA.ACHO QUE A CONTAGEM DO NUMERO DE MEDALHAS POR PAIS DEVERIA SER EXTRAOFICIAL(NAO DIVULGADA PELO COMITÊ ORGANIZADOR).
[Leia outros Comentários de picasso]
28/2/2002
16h53min
Daniela. Facilitar a entrada de atletas de países pobres nas Olimpíadas (e, consequentemente, dificultar a entrada de atletas do primeiro mundo) nada mais faz do que promover a incompetência (já tão disseminada) nesses países ao mesmo tempo em que inibe o progresso esportivo nos países ricos. Outra coisa. Por que o governo tem que gastar o dinheiro da população com esporte olímpico? Eu acho que na hora de pagar o imposto de renda, cada um devia decidir se quer ou não doar uma parte de seu dinheiro aos Bananas Congeladas ou a qualquer outro time olímpico. É um absurdo desviar dinheiro gerado com o trabalho suado do povo brasileiro para que uma dúzia de sujeitos que mal falam português possam escorregar e dar risadas sobre a neve.
[Leia outros Comentários de Fabio]
12/3/2011
12h44min
Cara Daniela, buscava eu algumas ideias sobre o conceito de Hemisfério Norte, para dar nome e usar numa poesia... me deparei com este texto maravilhoso. Nem de longe sou um conhecedor do assunto, mas me sinto informado agora. Sigo na poesia abarrotada, agora, de ideias que com certeza me levarão para outras direções. Parabéns e muito obrigado. Para mim este é um texto realmente jornalístico, numa era de "defesas de teses". Abs.
[Leia outros Comentários de Gilberto ]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A CONSTRUÇÃO DA ESTRUTURA CONCEITUAL DA FÍSICA CLÁSSICA
POLITO, ANTONY M. M.
LIVRARIA DA FÍSICA
(2016)
R$ 50,00



PENSAMENTO ATLÂNTICO, ESTUDOS E ENSAIOS DE PENSAMENTO LUSO-BRASILEIRO
PAULO A. E. BORGES
IMPRENSA NACIONAL
(2002)
R$ 81,58



ARARIBÁ PLUS HISTÓRIA 9º ANO
MARIA RAQUEL APOLINARIO
MODERNA
(2017)
R$ 9,00



AS PARÁBOLAS
IVETE RIBEIRO
VOZES
(1974)
R$ 10,00



CAUSAÇÃO EM PSIQUIATRIA: O ENDOGENO
MARCO AURÉLIO BAGGIO
FOGLIO
(2000)
R$ 5,00



O MAPA DO TESOURO
WALMIR AYALA
FDT
(1988)
R$ 10,00



INTERFACES: LITERATURA, MITO, INCONSCIENTE, COGNIÇÃO
MARIA LUIZA RAMOS
UFMG
(2000)
R$ 33,28



SLANG AND EUPHEMISM: OATHS - CURSES - INSULTS - RACIAL SLURS - SE
RICHARD A. SPEARS
SIGNET
(1981)
R$ 32,28



GUIDE DU MUSÉE RODIN: A L'HÔTEL BIRON
MONIQUE LAURENT
HAZAN
(1992)
R$ 14,00



A ANÁLISE E O ARQUIVO
ELISABETH ROUDINESCO
JORGE ZAHAR
(2006)
R$ 33,00





busca | avançada
64948 visitas/dia
2,1 milhões/mês