Virtudes e pecados (lavoura arcaica) | Daniela Sandler | Digestivo Cultural

busca | avançada
34554 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
>>> Nubank na Hotmart
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Por que escrevo
>>> História dos Estados Unidos
>>> Meu Telefunken
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O apanhador no campo de centeio
>>> Curriculum vitae
>>> O Salão e a Selva
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Por que a Geração Y vai mal no ENEM?
>>> Por que a Geração Y vai mal no ENEM?
Mais Recentes
>>> O Ponto de Mutação de Fritjof Capra pela Círculo do Livro (1990)
>>> Plexus de Henry Miller pela Record (1967)
>>> Uma Questão de Fé de Jodi Picoult pela Planeta (2008)
>>> Vivendo seu Amor de Carolyn Rathbun Sutton e Ardis Dick Stenbakken (compilação) pela Casa Publicadora Brasileira (2017)
>>> O Significado da Astrologia de Elizabeth Teissier pela Bertrand (1979)
>>> Um amor de gato de Glenn Dromgoole pela Publifolha (2002)
>>> Origami & Artesanato em Papel de Paul Jackson & Angela A'Court pela Edelbra (1995)
>>> Gestão de Pessoas de Idalberto Chiavenato pela Campus (2010)
>>> Album de família de Danielle Stell pela Record
>>> Passageiros da ilusão de Danielle Stell pela Record (1988)
>>> Casa forte de Danielle Stell pela Record
>>> Segredo de uma promessa de Danielle Stell pela Record
>>> Enquanto o amor não vem de Iyanla Vanzant pela Sextante (1999)
>>> Relembrança de Danielle Stell pela Record
>>> O Egypto de Eça de Queiroz pela Porto (1926)
>>> Momentos de paixão de Danielle Stell pela Record
>>> Um desconhecido de Danielle Stell pela Record
>>> Uma vez só na vida de Danielle Stell pela Record
>>> O apelo do amor de Danielle Stell pela Record (1983)
>>> Agora e sempre de Danielle Stell pela Record (1985)
>>> O Princípio Constitucional da Igualdade e o Direito do Consumidor de Adriana Carvalho Pinto Vieira pela Mandamentos/ Belo Horizonte (2002)
>>> Histórias Anunciadas de Djalma França pela Decálogo/ belo Horizonte (2003)
>>> Constituição da República Federativa do Brasil de Senado Federal pela Senado Federal (2006)
>>> Eterna Sabedoria de Ergos pela Fraternidade Branca Universal do Arcanjo Mickael (1974)
>>> Leasing Agrário e Arrendamento Rural como Opção de Compra de Lucas Abreu Barroso pela Del Rey/ Belo Horizonte (2001)
>>> Contratos Internacionais de Seguros de Antonio Marcio da Cunha Guimarães pela Revista dos Tribunais (2002)
>>> Amor de Perdição / Eurico, o Presbítero de Camilo Castelo Branco / Alexandre Herculano pela Círculo do livro (1978)
>>> Carajás de Paulo Pinheiro pela Casa Publicadora Brasileira (2007)
>>> Menopausa de Diversos pela Nova Cultural (2003)
>>> Guia de Dietas de Diversos pela Nova Cultural (2001)
>>> Seguros: Uma Questão Atual de Coordenado pela EPM/ IBDS pela Max Limonard (2001)
>>> O Significado dos Sonhos de Diversos pela Nova Cultural (2002)
>>> A Dieta do Tipo Sanguíneo - A B O AB de Peter J. D'Adamo pela Campus (2005)
>>> Cem Noites - Tapuias de Ofélia e Narbal Fontes pela Ática (1982)
>>> Direito do Trabalho ao Alcance de Todos de José Alberto Couto Maciel pela Ltr (1980)
>>> Manon Lescaut de Abade Prévost pela Ediouro (1980)
>>> A Reta e a Curva: Reflexões Sobre o Nosso Tempo de Riccardo Campa (com) O. Niemeyer (...) pela Max Limonard (1986)
>>> Introdução às Dificuldades de Aprendizagem de Vítor da Fonseca pela Artes Médicas (1995)
>>> Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual: Violação... de Eduardo S. Pimenta/ Autografado pela Revista dos Tribunais (1994)
>>> O Cortiço de Aluísio Azevedo pela Ática (1988)
>>> A Voz do Mestre de Kahlil Gibran pela Círculo do livro (1973)
>>> O Jovem e seus Assuntos de David Wilkerson pela Betânia (1979)
>>> Emília no País da Gramática de Monteiro Lobato pela Brasiliense (1978)
>>> The Art Direction Handbook for Film de Michael Rizzo pela Focal Press (2005)
>>> A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães pela Melhoramentos (1963)
>>> O Grande Conflito de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (1983)
>>> Filosofia do Espírito de Jerome A. Shaffer pela Zahar (1980)
>>> Muito Além das Estrelas de Álvaro Cardoso Gomes pela Moderna (1997)
>>> A Grande Esperança de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (2011)
>>> É Fácil Jogar Xadrez de Cássio de Luna Freire pela Ediouro (1972)
COLUNAS

Quarta-feira, 9/1/2002
Virtudes e pecados (lavoura arcaica)
Daniela Sandler

+ de 12000 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Quando comecei a assistir Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, Brasil, 2001), peguei-me irritada. Não simplesmente pela afetação das imagens, mas pela sensação de déjà vu: de já ter visto tudo isso antes. A teatralidade, o ritmo lento, o lirismo fácil das figuras (pés na terra, menino sob folhas, folhagem em vulto contra o céu), e a composição rígida, quase artificial dos quadros, isolando os elementos do contexto (os pés, as folhas). Lembrei-me do Cheiro da Papaya Verde; podia ter me lembrado de outros filmes que, com mais ou menos felicidade, usam o vocabulário e a sintaxe desse nicho cinematográfico – o dos “filmes poéticos”.

Por que fazer tudo isso de novo?, perguntei-me diante dos créditos iniciais. Por que repetir os recursos explorados, tão bem explorados, antes? Será que o gênero está já gasto, ou eu é que me cansei? Não tive tempo, porém, de responder às minhas primeiras impressões. Sem que me desse conta, esses meus pensamentos hostis de irritação e reprovação foram afogados pelo fluxo do filme – sons, imagens e história. Enredada, rendi-me às seqüências belas, em que música e cenas fundem-se, afinadíssimas. Não é que aquela folhagem contra o céu é linda mesmo?... As cenas, as figuras, as falas revelam aos poucos sua estranheza, desfazendo a impressão original de déjà vu.

Tudo, atores inclusive, parece menos dirigido que coreografado em torno da idéia central e literária, a fonte do filme, o argumento, tirado do livro de Raduan Nassar. Não há espaço para o acaso – o diretor controla tudo, rigoroso. Não à toa, a obra foi feita em isolamento, numa fazenda onde a preparação dos atores durou meses. A produção insular ecoa a história retratada: a família centrada e auto-suficiente de imigrantes libaneses, religiosa, tradicional, clivada do mundo em tempo e espaço, cujos vínculos externos estendem-se apenas às gerações (prévias e vindouras) de mesmo sangue.

O núcleo familiar, que, como recurso dramático, poderia ser símbolo universal, funciona no entanto como universo excepcional. Um dos filhos, André, ama sua irmã Ana. O incesto detona a partida de André; esta, a ruptura do círculo da família. O filme começa, aliás, quando o primogênito, Pedro, tenta levar André de volta à casa, onde ninguém, exceto Ana, conhece o motivo da partida. Os diálogos em “tempo real” – entre Pedro e André, entre este e o pai, entre Ana e André – são intercalados com a rememoração dos eventos que o levaram a deixar a casa. Esses diálogos são diferenciados do resto do filme por sua teatralidade, marcada não apenas nas falas dos personagens – complexas, empostadas, de inflexões magnificadas –, mas na própria ambientação: iluminação dramática, fundo escuro e foco nos atores.

Tragédia latente

As demais cenas – a memória de André, e o curso dos eventos depois de seu retorno – têm poucas palavras além de sua narração, inundando-se de imagens marcantes, bela fotografia e música envolvente. É fácil perder-se nessas seqüências em que a câmera se inebria nos detalhes – o sol varando os galhos da árvore, a mesa matinal envolta em luz branca, a figura sensual de Ana. Uma espécie de “teia estética” da qual é difícil se desvencilhar – difícil para nós, espectadores, e impossível para André, personagem. Ele é presa da rede cerrada da família: do poder centralizador do pai e do afeto imedido da mãe. Tanto quanto nós, André se delicia no idílio aparente da vida isolada e rural – folhas, terra e sol; pão feito e comido em família; festa e danças ao ar livre. É esse mergulho autobiográfico que revela o germe, a origem da tragédia: latente no idílio, semeada pelo afeto da mãe e pelo rigor do pai.

É assim que André descreve o incesto: conseqüência absurda (porque impossível, desastrosa) da lógica do pai, para quem a família deveria se bastar – “a felicidade só é possível no seio da família”. Para André, o amor materno, transbordante e físico, corrompe em vez de redimir, como se houvesse sido uma iniciação nos modos do incesto. Aí, novamente, o caráter de exceção, já que os outros irmãos se encaixam, em harmonia, na regra familiar. Ana e André são desviantes, diferentes, os dois irmãos que a vitalidade e o sexo fazem rebeldes à doutrinação paterna. Ainda que a catástrofe ocorra pelo desvio, pela aberração, o filme sugere que suas causas derivam do legado “arcaico” da família. O pai define a sucessão familiar como imbricação e dependência: cada geração vive da lavoura plantada pela geração anterior, e planta nova lavoura para alimentar a próxima. A tragédia de Ana e André é filmada como o desfecho, o resultado dessa lavoura imemorial. Não é praga, mas colheita.

Somos, como a família, vítimas do idílio. No entanto, ainda que os personagens sejam imersos em sofrimento, nós, espectadores, continuamos capturados pelo encantamento formal: o registro lírico do filme não muda, as cenas continuam belas, e até mesmo eventos desastrosos são registrados de modo tão sedutor que acabamos “gratificados” esteticamente. Se há dor no conteúdo, não há dor na sua representação, a não ser como dor estetizada. A opção fica clara na seqüência final, filmada como um balé, em especial no recurso à metonímia visual.

Tentação da forma

É esse, talvez, o pecado do diretor, Luiz Fernando Carvalho: render-se incondicionalmente ao próprio virtuosismo estético (de que a longa duração do filme é também um sinal). Nas palavras do pai, a paciência é a virtude fundamental (como a exortar não apenas o filho, mas também a platéia). Mas o diretor esquece outras virtudes artísticas igualmente importantes – a concisão e o recato. Se a complexidade estética é justamente o maior encanto do filme, há um ponto em que ela transborda, excessiva, e torna-se afetação, formalismo. Concedo que isso possa gerar um estado emocional intenso na fruição do filme, o que explica o sucesso de público, mas arrisca-se produzir, em vez de iluminação artística, o afeto momentâneo, o efeito que se esvai quando a trilha silencia.

Não surpreende que entre as qualificações que o filme recebeu de críticos estejam “frio”, “belo” e “exercício formal”. Como corolário da tentação formalista, enfileiram-se pecadilhos menores: lugares-comuns que destoam do rigor compositivo e fazem pensar de novo no sentimento de déjà vu, ou pior. Por exemplo, o paralelo formal explícito entre Ana e a ovelha negra do rebanho que ela tange. Ou a comparação da sedução de Ana por André com a captura de uma pomba, que ele prendera (e depois soltara) ainda criança. Essas duas imagens são desnecessárias à compreensão do filme, redundantes. Clichês pisados assim só funcionam se justificados por necessidade artística das grandes...

Não que isso comprometa a obra em seu todo. Lavoura Arcaica impressiona para além do formalismo e fornece momentos memoráveis, em especial o diálogo entre André (Selton Mello) e o pai (Raul Cortez). Raul Cortez consegue manter, ao mesmo tempo, a teatralidade das falas e o naturalismo do meio (cinema): declama o texto respeitando sua complexidade e o artifício da cena, mas as palavras soam inatas, inevitáveis, como se outra coisa não pudesse sair de seus lábios. É teatral, não forçado. A isso, junta expressividade física que, mesmo com o personagem sentado e quase imóvel, comunica imensa variação e intensidade emocionais (excelente exemplo de virtuosismo contido, talento e concisão). Sua interpretação vale o filme.

Selton Mello havia brilhado no diálogo também teatral com o irmão Pedro, no início do filme, alternando os rompantes de emoção do personagem com a imersão em uma tristeza quase irremediável. Sua cena com Ana, na capela, é de arrepiar – ainda mais se levados em conta o texto e os gestos difíceis. No entanto, empalidece no embate verbal com o pai (talvez por contraste com Raul Cortez?), ora vencido pela artificialidade do texto, ora tomado pelo exagero na interpretação. Mas as virtudes compensam as fraquezas – o que, aliás, pode ser dito em relação a Lavoura Arcaica como um todo.


Daniela Sandler
São Paulo, 9/1/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Inferno em digestão de Renato Alessandro dos Santos
02. Desdizer: a poética de Antonio Carlos Secchin de Jardel Dias Cavalcanti
03. 40 com corpinho de 39 de Ana Elisa Ribeiro
04. Mamãe cata-piolho de Marta Barcellos
05. Contos em pianíssimo, de Patricia Maês de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Daniela Sandler
Mais Acessadas de Daniela Sandler em 2002
01. Virtudes e pecados (lavoura arcaica) - 9/1/2002
02. Nas garras do Iluminismo fácil - 10/4/2002
03. Iris, ou por que precisamos da tristeza - 24/4/2002
04. Crimes de guerra - 13/3/2002
05. Somos diferentes. E daí? - 30/1/2002


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/1/2002
16h40min
Não sou amante do cinema nacional. na verdade, detesto. Mas creio que sua crítica pecou. "Lavoura Arcaica" é irmão de outro filme: "Limite". Sim, a qui a forma é quem comunica sentido. Este processo é realizado apenas por artistas de grande calibre. Este é o caso do cineasta que criou o filme "lavoura arcaica". Creio que a arrogância da crítica, que, antes de tudo, parece ter medido o filme em termos "outras paragens", deixo de sentir o filme a partir dele próprio. Não tenha medo de ser dominada e captada por imagens de beleza imensa e sensibilidade refinada. Há algo de ingênuo nesta imagens que você, pelo visto, não captou - ou não se deixou ser capturada por ela. A arte foi feita para ser vista com os olhos (perceber a forma) e você colocou sua mente na frente.
[Leia outros Comentários de jardel d. cavalcanti]
12/1/2002
18h27min
Caro Jardel, Seu comentário tocou num ponto importante não só do meu texto, mas da arte de uma forma geral. Por isso, minha resposta será um pouco longa. Concordo que a forma comunica sentido - talvez outros textos meus deixem isso mais claro. Mas isso não significa que o formalismo esteja acima de críticas. A julgar de declarações do próprio diretor, Luiz Fernando Carvalho, _Lavoura Arcaica_ preocupa-se com questões que vão além do lirismo formal. O diretor é sensível à complexidade emocional dos personagens, às suas contradições, ao envolvimento entre as pessoas e sua herança cultural, seu contexto familiar e natural. Restaurando um modo de ver, a atenção a minúcias, o tempo lento, o filme opõe-se à dessensibilização "videoclipe", mas não apenas no que esta tem de formal. A intensidade dramática, de sentimentos e de palavras (a riqueza da linguagem, das falas) não pode ser reduzida às imagens ou ao conceito de beleza, e creio que apreciar _Lavoura Arcaica_ apenas por seus méritos estéticos não faz jus à intenção artística ou comunicativa da obra. É pelo fato mesmo de o filme colocar tão intensamente o sofrimento de André (desde a primeira cena) que vi-me incomodada pelos momentos de estetização, em especial o desfecho, como se esses momentos traíssem a profundidade alcançada em outros trechos. A iluminação que a arte pode nos fornecer não está necessariamente no prazer estético, na apreciação da beleza, numa experiência sensorial diferente – pode estar na incongruência, no desconforto, no questionamento pessoal ou social. _Limite_ difere de _Lavoura Arcaica_ em sua qualidade “formalista”. Em primeiro lugar, a rejeição do conteúdo, a atenção à forma e ao suporte, e a tendência à abstração tinham um significado muito diferente no começo do século, quando os movimentos modernistas (em todas as áreas) exploraram essas vias expressivas como crítica e comentário à arte precedente, à academia, à sociedade. Hoje em dia, ser formalista não envolve o mesmo risco, não requer a mesma audácia, e – pior – não significa necessariamente postura crítica. É fácil fazer um quadro abstrato que será pouco mais que papel de parede – ou um audiovisual que não causará espanto na MTV. _Limite_ é às vezes criticado por ser formalista demais, permitindo um “vale-tudo” interpretativo. Pessoalmente, discordo dessas críticas (e gosto muito do filme), mas acho importante ver como as obras podem nos fornecer, elas mesmas, as pistas de sua fruição. Essa fruição não é necessariamente intelectual, não significa sempre entendimento racional ou cerebral – há outras formas de insight e “comunicação” artística. Talvez por isso você tenha entendido meu texto como “mental”. Acho também que você teve a impressão (imprecisa) de que rejeitei _Lavoura Arcaica_ como um todo. Ora, foi justamente por ter sido tocada profundamente pelo filme que lhe dediquei esforço e atenção. É desnecessário dizer que crítica não significa elogio, e que atentar para os problemas não exclui apreciar as qualidades. Foi o que quis dizer com meu comentário sobre a “perfeição”, ao fim do texto.
[Leia outros Comentários de daniela sandler]
14/1/2002
09h30min
Tive a sorte de ir ao filme em um estado raro mas magico: fui desarmado. Assim, os cliches, os lugares comuns e as redundancias nao me agrediram, pelo contrario, me envolveram e embreagaram. As 3 horas e tantas passaram incolumes e eu so tirava os olhos da tela para deita-los momentaneamente sobre minha companhia - nao menos "tentadora em formas". Talves essa seja a receita para ir assistir ao filme. O risco talves seja se render ao insano apelo de Ana.
[Leia outros Comentários de Pedro Ming]
13/4/2002
21h50min
Daniela Sandler, O assunto talvez já tenha esfriado... mas como só agora pude assistir ao "Lavoura Arcaica", resolvi comentar os comentários que vc fez ao filme. Em primeiro lugar: concordo em quase tudo com o que vc disse. Concordo com a força da cena da capela (sem duvida o melhor momento de Selton Melo), assim como concordo com a observação ao talento de Raul Cortez e com a beleza da música. Mas, diferentemente de vc, não acho que "as virtudes compensem os excessos". A artificialidade do texto (que vc atribui ao "teatralismo" das falas) me entediou profundamente. Quase deixei o filme em sua primeira metade. O que me fez ficar e vencer o tédio? Certamente a interpretação da Spoladore (e, confesso, a tentação de saber no que dariam os desejos incestuosos). Acho que o diretor confundiu as duas linguagens, digo, a cinematográfica e a literária. Pecou por não adaptar o texto para cinema. Ficou forçado e artificial. A crítica do sul do país, quase que sem excessões, "amou" o filme, que se tranformou rapidamente em baluarte e redentor de todos os nossos fracassos fílmicos. Talvez se eu não tivesse sabido de tanta empolgação, tivesse fruido melhor o filme. Nah! O filme é chato mesmo! Um abraço, Eduardo Luedy ps. Gostei muito de seu texto. Vou tentar ler mais coisas suas.
[Leia outros Comentários de Eduardo Luedy]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O INCRÍVEL TESTAMENTO DE DOM AGAPITO
HÉLDER MOURA
CHIADO
(2012)
R$ 27,00



L´HOMME DE LONDRES
GEORGES SIMENON
PRESSES DE LA CITÉ
(2004)
R$ 40,00
+ frete grátis



MAYA
JOSTEIN GAARDER
COMPANHIA DAS LETRAS
(2000)
R$ 12,00



PRODUÇÃO DE TEXTOS E USOS DA LINGUAGEM - CURSO DE REDAÇÃO
SAMIRA YOUSSEFF CAMPEDELLI E JESUS BARBOSA SOUZA
SARAIVA
(1999)
R$ 6,95



GÊMEOS NÃO SE AMAM
ROBERT LUDLUM
RECORD
(1976)
R$ 4,00



SELEÇÕES DO READERS DIGEST DE JUNHO DE 1964
TITO LEITE (REDATOR CHEFE)
YPIRANGA
(1964)
R$ 7,00



A CRIANÇA ALUCINADA
RENÉ JEAN CLOT
PAZ E TERRA
(1989)
R$ 21,82



A ARANHA, A DOR DE CABEÇA E OUTRAS MALES QUE ASSOLAM O MUNDO
FERNANDA LOPES DE ALMEIDA
ÁTICA
(2005)
R$ 8,70



BALAS DE ESTALO E CRITICA
MACHADO DE ASSIS
GLOBO
R$ 5,00



THE GREEN CITY INDEX: A SUMMARY OF THE GREEN CITY INDEX RESEARCH SERIE
SIEMENS AIG
SIEMENS
(2012)
R$ 25,82





busca | avançada
34554 visitas/dia
1,1 milhão/mês