Joan Brossa, inéditos em tradução | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
100 mil/dia
2,7 milhões/mês
Mais Recentes
>>> OBA HORTIFRUTI INAUGURA 25ª LOJA EM SÃO PAULO
>>> Bienal On-line promove studio visit com artista argentina Inés Raiteri
>>> Castelo realiza piqueniques com contemplação do pôr do sol ao ar livre
>>> A bailarina Ana Paula Oliveira dança com pássaro em videoinstalação de Eder Santos
>>> Festival junino online celebra 143 da cidade de Joanópolis
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Ao pai do meu amigo
>>> Paulo Mendes da Rocha (1929-2021)
>>> 20 contos sobre a pandemia de 2020
>>> Das construções todas do sentir
>>> Entrevista com o impostor Enrique Vila-Matas
>>> As alucinações do milênio: 30 e poucos anos e...
>>> Cosmogonia de uma pintura: Claudio Garcia
>>> Silêncio e grito
>>> Você é rico?
>>> Lisboa obscura
Colunistas
Últimos Posts
>>> Cidade Matarazzo por Raul Juste Lores
>>> Luiz Bonfa no Legião Estrangeira
>>> Sergio Abranches sobre Bolsonaro e a CPI
>>> Fernando Cirne sobre o e-commerce no pós-pandemia
>>> André Barcinski por Gastão Moreira
>>> Massari no Music Thunder Vision
>>> 1984 por Fabio Massari
>>> André Jakurski sobre o pós-pandemia
>>> Carteiros do Condado
>>> Max, Iggor e Gastão
Últimos Posts
>>> Fiel escudeiro
>>> Virtual: Conselheiro do Sertão estreia quinta, 24
>>> A lei natural da vida
>>> Sem voz, sem vez
>>> Entre viver e morrer
>>> Desnudo
>>> Perfume
>>> Maio Cultural recebe “Uma História para Elise”
>>> Ninguém merece estar num Grupo de WhatsApp
>>> Izilda e Zoroastro enfrentam o postinho de saúde
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Conceitos musicais: blues, fusion, jazz, soul, R&B
>>> Raduan Nassar
>>> Cacá Diegues e os jornalistas
>>> A Casa é de Daniela Escobar
>>> A forca de cascavel — Angústia (Fuvest)
>>> Ação Afirmativa, Injustiça Insuspeita
>>> A mulher madura
>>> 15 de Dezembro #digestivo10anos
>>> A arte da crônica
>>> Passaralho
Mais Recentes
>>> Adultos sem Filtro e Outras Crônicas de Thalita Rebouças pela Rocco (2012)
>>> 100 Receitas de Saúde - Alimentos para Rejuvenescer de Sarah Merson pela Publifolha (2007)
>>> Manual de Direito Civil de Luiz Fernando do Vale de Almeida Guilherme pela Manole (2020)
>>> Crafts in plastics de Nicholas Roukes pela Pitman (1972)
>>> Athos Bulcão 80 anos. de Sem autor pela Ccbb (1998)
>>> The art and craft of papier mâché de Juliet Bawden pela Chronicle books (1995)
>>> Ismael Nery 100 anos. A poética de um mito de Sem autor pela Ccbb (2000)
>>> Druckgrafik de Liebermann Slevogt Corinth pela Ifa (1980)
>>> The later work (174 plates with 2 in color) de Aubrey Beardsley pela Dover
>>> The Potters Companion. The complete guide to pottery making de Tony Birks pela Collins (1974)
>>> Adoro o Brasil de Sig Bergamin pela A Girafa (2003)
>>> Georges Braque - Oeuvre Gravé de Catalogo pela Maeght ccbb (1994)
>>> História da locomoção terrestre de Maurice Fabre pela Morais (1966)
>>> Vincent Van Gogh - Wie was Who was qui était quien fué de Dr. J Hulsker pela Bert Bakker (1958)
>>> Cultura - Favela é Cidade e o Futuro das Nossas Cidades de João Paulo dos Reis Velloso Coordenação pela Fórum Nacional (2014)
>>> Orquídeas. 430 ilustrações a cores (coleção pequeno guia) de Floyd S. Shuttleworth pela Livraria Bertrand (1970)
>>> Do sonho às coisas: retratos subversivos de José Carlos Mariátegui pela Boitempo (2005)
>>> Gramsci: Periferia e Subalternidade de Marcos Del Roio pela Marcos Del Roio (2017)
>>> A legalização da classe operária de Bernard Edelman pela Boitempo (2016)
>>> Lenin - Um estudo sobre a unidade de seu pensamento de György Lukács pela Boitempo (2012)
>>> Caminhos divergentes: judaicidade e crítica do sionismo de Judith Butler pela Boitempo (2017)
>>> Bibia Quer Tangerica - Autografado de Gilda Rizzo pela Francisco Alves (1987)
>>> Um Lugar Chamado Céu de Regina Rennó pela Ed Lê (1997)
>>> Cropas Ou Praus? de Angela Carneiro; Lia Neiva; Sylvia Orthof pela Ediouro (1994)
>>> Ovos Nevados de Sylvia Orthof pela Formato (1997)
COLUNAS

Terça-feira, 27/3/2018
Joan Brossa, inéditos em tradução
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 4000 Acessos



O Digestivocultural divulga em primeira mão a tradução dos poemas inéditos de Joan Brossa, vertido para o português pelo poeta, tradutor e livreiro catalão Josep Domènech Ponsatí. O livro de Brossa acaba de ser publicado em Barcelona, sendo sua referência a seguinte: BROSSA, Joan. Poemes inèdits: Gual permanent / Mapa de lluites [Poemas inéditos: Vau permanente / Mapa de lutas]. Barcelona:Rata, 2018.

Joan Brossa (1919-1998), nasceu em Barcelona. Poeta, dramaturgo e artista plástico, sua juventude foi marcada pela participação na Guerra Civil Espanhola e nos anos 40 integrou o restrito grupo de intelectuais, escritores e artistas que resistiram ao declínio da vida cultural na Catalunha sob o governo de Franco, vindo a ser um dos fundadores do grupo artístico Dau al Set, que reunia a vanguarda catalã, onde participavam Antoni Tàpies, Joan Ponç, Modest Cuixart e outros. Autor de uma obra que quebra as fronteiras entre as diferentes disciplinas artísticas, sua obra literária se caracteriza pela experimentação com a linguagem e o uso de qualquer tipo de técnicas e estilos, desde os modelos estróficos clássicos até a poesia conceitual, o teatro surrealista e roteiros de cinema experimentais. Esse processo contínuo de investigação metalinguística o encaminha progressivamente para a poesia visual, os poemas objeto e a performance.

Josep Domènech Ponsatí (Sant Feliu de Guíxols, 1966): poeta de nascença, tradutor por vocação e livreiro por necessidade. Ou: livreiro por vocação, tradutor de nascença e poeta por necessidade. Ou: (Bom, vamos deixar quieto.). Autor de Cap a un dic sec, Desdiments (prêmio Màrius Torres 2005), Apropiacions degudes & Cia (finalista do prêmio Gabriel Ferrater 2007), El Càcol (prêmio Gabriel Ferrater 2014) e Preqüela (2017). Tradutor tanto de narrativa (Graciliano Ramos, Rubem Fonseca, Lima Barreto, Clarice Lispector, Marilene Felinto, Josué Guimarães, Milton Hatoum et alii) como de poesia (Armando Freitas Filho, Ronald Polito, Sérgio Alcides, Hilda Hilst e reticências). Com várias traduções de escritores brasileiros inéditas: Campos de Carvalho, Raduan Nassar, Ricardo Lísías, Marcelo Mirisola e Dalton Trevisan.



TRADUÇÕES

Do livro Vau permanente (1977) [Gual permanent (1977)]

EVA

Usa os dedos para a penetração; esfrega-se

levemente e depois mais forte com movimentos

de cima pra baixo; e com a outra mão folheia

um livro de pornografia.



Apenas o preocupa sobressair na propriedade

de uma certa forma de linguagem, mas amiúde

não exprime em realidade o que quer comunicar.



Este poema se tornará o que eu faça dele,

seguindo os anteriores e seguido pelos que virão.



FIGURAS

E se vocês não tiverem imaginação existe um sistema formado

por pensamento puro, aquilo que é chamado uma figura

de palavras oposta a uma figura de pensamento; vocês podem

proceder de uma maneira abstrata ou pintar a natureza

com o mínimo de palavras possíveis.

(Uma borboleta voa ao redor deste poema.)



LITERATURA

Por que vocês têm que me dar gorjeta?

Só limitei-me a tirar o anel de um estojo

e pôr ele aqui, sobre o papel. O resto

o fez a harmonia das frases ou talvez

vocês liguem isso às propriedades do estilo. Falou,

não devemos escrever com clichês.



CAPICUA

A vida torna-se a única desculpa da vida.

(E não esqueçam que este poema é uma construção da mente.)



ATO FALHO

É, ia dizer uma coisa, mas esqueci.

Não devia ser tão importante assim.



SEM

A figura decorativa pintada no alto deste

poema gira feito uma porta e permite ao leitor,

ou ao ouvinte, sumir e passar para a página

seguinte.



BAZAR

─ Agora é moda a boneca articulada e pequena

para as meninas poderem brincar com elas de verdade

e poderem levá-las de cima pra baixo. A boneca

tem todo tipo de vestidos, sapatos, acessórios

para a rua, festas e esportes; tem seu mobiliário,

seu apartamento, seu dormitório com banheiro

e seu jardim com piscina... Até

tem um amigo para brincar sozinha. Tudo isso

foi arranjado por especialistas que estudaram

os desejos de...



Eu gostava bem mais das antigas bonecas de pano!



OBJETO E SOMBRA

Assento com encosto para uma

pessoa.

Uns pretos, de luto, num túnel, à meia-noite,

enchendo tinteiros e roubando carvão.



NÃO VERBAL

(Queria fazer este poema com o conjunto de gestos,

expressões, trejeitos do rosto, dos olhos, das mãos,

que fazem parte do processo de comunicação

com as palavras.)



Um canarinho entrou numa lâmpada;

foi preciso quebrá-la para libertá-lo.



Do livro Mapa de lutas (1979-1984) [Mapa de lluites (1979-1984)]



À MANEIRA DE LEITURA

Fiquem lendo cada página. A que vocês leram

é o passado e a que leem, o presente, e além

os espera uma outra. Mas se vocês se colocarem mais para cima,

poderão vê-las todas de uma vez. Não existe mais que um

livro só. Uma ideia na mente do autor.



Silêncio.

Você não enxerga outra solução?



NATUREZA-MORTA

Sempre estou nu; acontece que eu visto

a roupa. Faço o que devo, não é?



ARCO DE VIDA

A porta está aberta, de forma que podem

ver tudo o que eu disse no poema

anterior. Este detalhe basta

para datar o escrito: verão de 1980.



METAMORFOSE

No primeiro verso sai do ovo e transforma-se em girino.

No segundo lhe nascem as patas de trás

e a cauda fica mais curta.

No terceiro lhe crescem as patas da frente,

desaparece a cauda e vira rã.



CIRCULAR

Avante! Avante! Avante!

Voltando ao ponto de partida.



XAVECO

Linda: eu não gosto que você leve

nenhuma joia; acaso uns brincos

de cerejas.



Você e eu, para sempre a mesma sombra.



PARA IR ALÉM:

Uma maior aproximação com a poesia de Joan Brossa pode ser feita com a leitura de quatro traduções publicadas no Brasil:

BROSSA, Joan. Poemas civis. trad. Ronald Polito e Sérgio Alcides. Rio de Janeiro Sette letras,1998.

BROSSA, Joan. Escutem este silêncio. Trad. Ronald Polito. São Paulo: Lumme Editor, 2011.

BROSSA, Joan. Sumário astral. Trad. Ronald Polito. Edição de Tarso de Melo e Fabio Weintraub, 2003.

BROSSA, Joan. 99 poemas. Tradução e posfácio de Ronald Polito; prefácio de Victor da Rosa; coda de Adolfo Montejo Navas. São Paulo: Annablume; Demônio Negro, 2009.


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 27/3/2018


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Diálogos no Escuro de Heloisa Pait
02. A pomba gíria de Ana Elisa Ribeiro
03. Mapa da sala de aula de Ana Elisa Ribeiro
04. Um palhaço no campo de concentração de Daniela Sandler
05. Fome zero, malandragem dez de Félix Maier


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2018
01. Entrevista com a tradutora Denise Bottmann - 26/6/2018
02. A Fera na Selva, filme de Paulo Betti - 22/5/2018
03. Hilda Hilst delirante, de Ana Lucia Vasconcelos - 16/10/2018
04. Goeldi, o Brasil sombrio - 20/11/2018
05. O pai da menina morta, romance de Tiago Ferro - 3/4/2018


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Ejercicios Complementarios: Gramatica Practica de Espanol Para
Sánchez, Martin e Matilla
Sociedad General Espanola
(1985)



Espanhol pelo Método Mágico
União de Discos e Fitas
União de Discos e Fitas



A Doce Sinfonia de Seu Silêncio
Luciana Scotti
O Nome da Rosa
(1999)



No Terceiro Dia
Piers Paul Read
Siciliano
(1992)



Se Eu Nao Te Amasse Tanto Assim...
Paulo Sergio Valle
Litteris
(2008)



Resumo de Direito Eleitoral
Marcos Ramayana
Impetus
(2009)



Investindo no Mercado de Opções
Elvis Pfützenreuter
Novatec
(2008)



Você e a Violência
Miguel Darcy de Oliveira e Outros
Vozes e Oab
(1985)



Nur na Escuridão
Salim Miguel
Record
(2008)



A Eleição do Cruzado
Paulo Saab
Global





busca | avançada
100 mil/dia
2,7 milhões/mês