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Terça-feira, 7/1/2003
Projeto Clicar
Najah Zein

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Todos os dias crianças vão ao centro interativo de ciências da Universidade de São Paulo - Estação Ciência - no bairro da Lapa. Algumas chegam de trem, outras de ônibus e umas ate mesmo a pé. Em vez de ir pedir dinheiro nas ruas ou vender doces nos sinais de trânsito, esses meninos e meninas de rua de 6 a 17 anos, que vivem uma realidade dura, esquecem os problemas por algumas horas e entram no mundo fascinante da informática. Essas crianças fazem parte do "Projeto Clicar", programa que usa o computador como objeto de ensino.

Nascimento de um novo projeto
O "Projeto Clicar" surgiu em 1996, quando a nutricionista Dirce Pranzetti, a professora de Educação Física Maria Cecília Toloza e o estudante de História Ricardo Cunha que foram chamados para realizar uma pesquisa solicitada pela própria Estação Ciência e pela organização não governamental CEPECA (Centro de Estudos e Pesquisa da Criança e do Adolescente). Seu objetivo era descobrir porque aquelas crianças de rua visitavam a Estação Ciência espontaneamente e porque aquele espaço as atraía tanto. "Partimos da proposta de buscar entender a presença e freqüência inusitada deles num local como um centro de ciências", diz Cecília.

No final, a pesquisa mostrou que a razão de tamanho interesse eram os três computadores que ficavam a serviço do público. Aquelas máquinas provocavam fascínio e curiosidade naquelas crianças e elas disputavam com estudantes de excursões, a chance de mexer nos computadores. A partir daí viu-se que elas precisavam de um espaço exclusivo para elas. Segundo Cecília Toloza, o diálogo foi muito importante para realização dessa pesquisa, "acreditamos que nossa postura de escuta e o real interesse demonstrado por eles com relação ao acesso ao computador, foram essenciais para a construção do projeto", diz. Assim nasceu o "Projeto Clicar".

O que é o "Projeto Clicar"
O projeto é um programa de atividades educativas, inseridas no contexto da vinda espontânea dos meninos e meninas e que tem como ferramenta de ensino, o computador. Por ter um caráter de educação não-formal, não é obrigatória a freqüência, nem há avaliação dos alunos e não exige matrícula. Ele é voltado para crianças e adolescentes de rua que correm risco social e pessoal, com o objetivo de tira-las das ruas e dá-las a possibilidade de um futuro melhor.

Desde o início do projeto, verificou-se que qualquer proposta de atividades com as crianças, antes de qualquer coisa, teria que privilegiar o desejo delas, permitindo o seu retorno livre. Para que haja esse retorno, são aplicadas diversas atividades educativas que estimulam a aprendizagem e a auto-confiança do aluno, fazendo com que ele saiba que tem potencial. "O trabalho educativo se dá através do jogo, da leitura, dos interesses individuais e coletivos, da proposição de desafios e principalmente do diálogo e da escuta", conta Cecília. Mesmo sem avaliações, há os educadores desenvolvem um trabalho importantíssimo de diálogo com cada criança e adolescente, prestando atenção em suas necessidades, proporcionando a elas caminhos para que se sintam valorizadas e desafiadas dentro de suas possibilidades. Dentro das atividades, o computador, apesar de ser o mais popular, não é o único meio de ensino do programa. As crianças utilizam livros, têm rodas de histórias, pintam e desenham, assistem a vídeos e visitam as diversas exposições da Estação Ciência.

No "Projeto Clicar" também não existe currículo, mas há uma grande preocupação na formação dos educadores. Através de reuniões onde são discutidas as práticas de ensino, são relatados os acontecimentos do trabalho do dia e estudo de textos educacionais. A situação e o perfil dos alunos são diariamente discutidos entre os professores, que mensalmente elaboram relatórios para acompanhar o progresso de cada um deles. Aqui, os professores buscam são oportunidades de aprendizagem. "Conviver e trabalhar com esse segmento, sem dúvida representa um desafio maior, faz-se rever e rever conceitos e certezas todos os dias", revela Cecília.

Os meninos e meninas de Rua
No seu primeiro ano, em 1996, o "Projeto Clicar" reuniu 189 crianças. Em 2001 esse número subiu para 793 alunos. Esse número mostrou consigo uma curiosidade: a queda de 10% com relação ao ano anterior. Isso se deu pelo aumento do retorno das crianças e adolescentes e diminuição de alunos novos. Em 2000, os novos participantes representavam 73% dos alunos, já em 2001 eles representavam apenas 58%.

As crianças que participam do "Clicar" têm entre 6 e 17 anos. Muitas, mesmo estando em idade escolar não freqüentam a escola e são analfabetos em letras e números. São meninos e meninas que passam o dia nas ruas ou moram nelas. Mas mesmo com todas as dificuldades, elas se encantam ao descobrir e explorar o computador e não se intimidam diante dos programas e softwares. "Partimos do ponto de que antes de serem 'meninos de rua', são crianças como outras quaisquer e o 'ser criança' acreditamos ser universal. Pois eles brincam, sonham e vivem as fantasias como todas as crianças", conclui Cecília.

Muitas destas crianças que participaram do "Clicar" desde seu início, hoje são "professores". Através de Bolsas de Estudos e projetos especiais, esses ex-meninos de rua, agora adultos educadores, passam aos menores suas experiências nas ruas e um pouco do que aprenderam na Estação Ciência.

Em 1999, a história dos meninos e meninas de rua que brincavam e aprendiam em computadores foi tema de reportagem na revista Time. Aplaudido no exterior o projeto ainda não é muito divulgado no Brasil. Ele sobrevive através de doações, investimentos e recebe uma ajuda mensal da Petrobrás. Apesar da pouca divulgação, o que era apenas um pequeno projeto com 16 computadores, hoje utiliza 23 e é uma grande realização de seus organizadores que acreditam que todos nós merecemos uma chance de aprender e viver dignamente.


Najah Zein
Rio de Janeiro, 7/1/2003


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