O Pianista e o Gueto de Varsóvia | Rodolfo Felipe Neder | Digestivo Cultural

busca | avançada
27782 visitas/dia
955 mil/mês
Mais Recentes
>>> MANU LAFER APRESENTA SHOW NOBODY BUT YOU - TRIBUTO A KIKA SAMPAIO
>>> Sesc Belenzinho recebe a banda E a Terra Nunca me Pareceu Tão Distante
>>> Sesc Belenzinho recebe a atriz e cantora Zezé Motta
>>> Psicólogo lança livro de preparação para concurseiros usando a Terapia Cognitiva-Comportamental
>>> O Sertão na Canção: Guimarães Rosa
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Era uma casa nada engraçada
>>> K 466
>>> 2 leituras despretensiosas de 2 livros possíveis
>>> Minimundos, exposição de Ronald Polito
>>> Famílias terríveis - um texto talvez indigesto
>>> O Carnaval que passava embaixo da minha janela
>>> A menos-valia na poesia de André Luiz Pinto
>>> Lançamentos de literatura fantástica (1)
>>> Cidadão Samba: Sílvio Pereira da Silva
>>> No palco da vida, o feitiço do escritor
Colunistas
Últimos Posts
>>> Weezer & Tears for Fears
>>> Gryphus Editora
>>> Por que ler poesia?
>>> O Livro e o Mercado Editorial
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
Últimos Posts
>>> Kleber Mendonça volta a Cannes com 'Bacurau'
>>> Nem só de ilusão vive o Cinema
>>> As Expectativas de um Recrutador e um Desempregado
>>> A Independência Angolana além de Pepetela
>>> Porque dizer adeus?
>>> Direções da véspera IV
>>> Direções da véspera IV
>>> A pílula da felicidade
>>> Dispendioso
>>> O mês do Cinemão
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O Natal quase sempre é um problema
>>> O físico que era médico
>>> O historiador das idéias
>>> Maria Antonieta, a última rainha da França
>>> Gentili sobre o 7 a 1
>>> Convivendo com a Gazeta e o Fim de Semana
>>> Uma pirueta, duas piruetas, bravo, bravo!
>>> O petista relutante
>>> Discurso de Isaac B. Singer
>>> O Carnaval que passava embaixo da minha janela
Mais Recentes
>>> Marca, Imagem e Reputação: a Trajetória de Sucesso de Pessoas e Empresas de Fernanda de Carvalho e Francisco Britto e Richard House pela Da Boa Prosa (2012)
>>> Clarice, uma Biografia de Benjamin Moser pela Cosac Naify (2015)
>>> Um Barril de Risadas, um Vale de Lágrimas de Jules Feiffer pela Cia das Letras (2008)
>>> Inelegibilidades no Direito Brasileiro de Joel J. Cândido pela Edipro (2003)
>>> Recursos em matéria eleitoral de Tito Costa pela Revista dos Tribunais (2004)
>>> Direito Eleitoral & Questões Controvertidas de Antônio Carlos Martins Soares pela Lumen Juris (2008)
>>> Langage et pouvoir symbolique de Pierre Bourdieu pela Editions Fayard (2001)
>>> Les Règles de l'art de Pierre Bourdieu pela Editions du Seuil (1998)
>>> Princípios Estruturantes das Agências Reguladoras e os Mecanismos de Controle de Alexandra da Silva Amaral pela Lumen Juris (2008)
>>> Homo Academicus de Pierre Bourdieu pela Les Editions de Minuit (2005)
>>> A criança e a mídia: imagem, educação, participação de Cecilia Von Feilitzen; Ulla Carlsson pela Cortez (2002)
>>> Circulação internacional e formação intelectual das elites brasileiras de Ana Maria Almeida; Letícia Canêdo, Afrânio Garcia; Agueda Bittencourt pela Unicamp (2019)
>>> Crimes eleitorais de Suzana de Camargo Gomes pela Revista dos Tribunais (2008)
>>> Delegação e Avocação Administrativas de Regis Fernandes de Oliveira pela Revista dos Tribunais (2005)
>>> Probidade administrativa. Comentários à Lei 8.429/92 e legislação complementar de Marcelo Figueiredo pela Malheiros (2004)
>>> Inquérito Policial & Competências e Nulidades de Atos de Polícia Judiciária de Anderson Souza Daura pela Juruá (2008)
>>> Agora e Para Sempre Lara Jean de Jenny Han pela Intrínseca (2017)
>>> Michael Kohlhaas de Heinrich Von Kleist pela Grua (2014)
>>> Perícias judiciais de engenharia. Doutrina. Prática. Jurisprudência de Francisco Maia Neto pela Del Rey (1999)
>>> A Lição do Mestre de Henry James pela Grua (2014)
>>> Chega de Plástico de Varios Autores pela Sextante (2019)
>>> Os Doze Mandamentos de Sidney Sheldon pela Record (2011)
>>> O Outro de Bernhard Schlink pela Record (2009)
>>> Até Eu Te Encontrar de Graciela Mayrink pela Novas Páginas (2013)
>>> Abaixo de Zero de Bret Easton Ellis pela Rocco (1987)
>>> Suítes imperiais de Bret Easton Ellis pela Rocco (2011)
>>> Porto Seguro de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2013)
>>> Ação de Impugnação de Mandato Eletivo de José Rubens Costa pela Del Rey (2004)
>>> O Milagre de Nicholas Sparks pela Agir (2010)
>>> Zona de Perigo de Shirley Palmer pela Best Seller (2003)
>>> Da anulação ex officio do ato administrativo de João Antunes dos Santos Neto pela Fórum (2004)
>>> O Misterioso Caso de Styles de Agatha Christie pela Abril Cultural (1983)
>>> Conexões de Varios Autores pela Abril (2016)
>>> A Quarta Vítima de Théo Iemma pela Scortecci (2005)
>>> Crianças da Noite de Juliano Sasseron pela Novo Século (2011)
>>> Macunaíma de Mário de Andrade pela Ciranda Cultural (2016)
>>> Noite na Taverna de Álvares de Azevedo pela Avenida (2005)
>>> Financiamento de campanhas eleitorais de Denise Goulart Schlickmann pela Juruá (2007)
>>> Terra de Sombras de Alyson Noel pela Intrínseca (2013)
>>> Os Degraus do Pentágono de Norman Mailer pela Expressão e Cultura (1968)
>>> Infinito de Alyson Noel pela Intrínseca (2013)
>>> Serena de Ian McEwan pela Cia das Letras (2012)
>>> Comentáros à Lei de Responsabilidade Fiscal de Ives Gandra da Silva Martins & Carlos Valder do Nascimento & Organizadores pela Saraiva (2009)
>>> Estrela da Noite de Alyson Noel pela Intrínseca (2013)
>>> Reflexo de Antonio José pela Grafica da Bahia (1979)
>>> O Sol da Liberdade de Giselda L. Nicolelis pela Atual (1988)
>>> Procedimento Administrativo nos Tribunais de Contas e Câmaras Municipais de Rodrigo Valgas dos Santos pela Del Rey (2006)
>>> Vito Grandam de Ziraldo pela Melhoramentos (2005)
>>> Lei Eleitoral Comentada (lei 9. 504, de 30 de Setembro de 1997) de Renato Ventura Ribeiro pela Quartier Latin (2006)
>>> Manual de Direito Civil - Vol 3 Contratos e Declarações Unilaterais de Roberto Senise Lisboa pela Revista dos Tribunais (2005)
COLUNAS

Terça-feira, 11/3/2003
O Pianista e o Gueto de Varsóvia
Rodolfo Felipe Neder

+ de 15400 Acessos
+ 1 Comentário(s)

O Holocausto tem sido tema cinematográfico em muitas oportunidades, mas nada foi tão comovente, para mim, desde Nuit et Brouillard (1955) de Alain Resnais, quanto o belo filme de Roman Polanski, O Pianista roteiro cinematográfico, extraído do livro de memórias do próprio pianista Wladyslaw Szpilman, escrito logo ao final da guerra.

Parte da grande crítica trata o filme como um a mais da série "holocausto". Nada disso, O Pianista é, antes de tudo, um longo poema do sofrimento do povo polonês invadido pelo do exercito nazista em 1939, uns dos mais cruéis momentos da segunda guerra de que se tem notícia. O horror e a desesperança se instalam na Polônia, por longos seis anos.

Mas, há também, no meio do horror, o grandioso e belo gesto de compaixão provocado pelo amor a música e a admiração ao artista.

No final do outono de 1939, um jovem e promissor pianista, Wladylaw Szpilman (interpretado por Adrien Brody) no seu programa de rádio, toca o suave e belo Noturno de Chopin, enquanto a Luftwaffe hitlerista bombardeia Varsóvia. Chopin sai do ar e entra o horror nazista.

Szpilman e sua família, como todos os judeus, são expulsos de suas residências para serem isolados no ignominioso gueto de Varsóvia. Aqui, começa a difícil luta de inúmeras famílias judias para sobreviver. Neste momento, no decorrer da luta para sobreviver, aparece clara a fragilidade humana. Há, nos perseguidos, os bons e os ruins, mostrados em todos seus gestos. Há, também, nos nazistas ocupantes, uma profunda crueldade, quase que um gosto pelo extermínio e a destruição, a banalité du mal a qual, a filósofa e catedrática Hannah Arrendt, nos anos setenta, se refere em seus trabalhos, divulgados na mesma época, em que essas mesmas crueldades vieram a se repetir na América do Sul.

O Pianista é sem dúvida a obra de um cineasta europeu, mais é também, de autoria de quem, na infância, testemunhou ocupação da sua terra. Bastam repetir as doídas palavras de Polanski em recente entrevista:

"Para uma criança, nem dor física nem fome se comparam ao terror da separação dos pais. Minha dor maior foi ter perdido minha mãe. Somente a morte fechará esse capítulo".

Vemos no filme um Polanski um humanista que recria a realidade sem concessões e sem mentiras tecnológicas. Polanski é um observador atento aos gestos. As suas personagens são como eram nesses duros anos em meio a suas circunstancias e seus momentos, no melhor sentido de Ortega e Gasset.

Não procure ver no O Pianista heróis ou anti-heróis. Há, sim, uma realidade trágica para todo o povo polonês nesses anos. A cada dia, devem adaptar-se ao momento, ou morrer sumariamente. Os duros tempos tem que ser vividos em todas suas horas de todos os dias são de medo e de expectativa a os limites da crueldade humana.

Há á revolta contra a ocupação, como realmente existiu em 1943, um verdadeiro desespero suicida do Gueto de Varsóvia, e que outro polonês, Andrezj Wajda, relata em seu filme Cinzas e Diamantes (1961). O Pianista de Polanki tem, o que Wajda não colocou no seu filme, a suave e dura poesia do inferno.

O Pianista que está nas salas do Brasil, chega coroado de todos os prêmios possíveis e é candidato ao Oscar, tenho dúvidas da conquista. Caso ganhe o Oscar, o galardão da Academia, corre o risco de se transformar num prêmio sério, pelo menos, nesta temporada.

O Gueto de Varsóvia

Era quase o fim do ano de 1968. No meio da dura repressão local, seis cineastas, todos atuantes nessa época, foram convidados a participar do festival de Leipzig. Iberê Cavalcanti, Maurício Gomes Leite, Cosme Alves (diretor da Cinemateca do Rio), Sergio Muniz, Rudá Andrade e eu. Embarcamos rumo a Europa Central. Por coincidência, o diretor Andrezj Wajda estava regressando, no mesmo vôo a Polônia, depois de ter participado do Festival de Cinema no Rio de Janeiro. O adido cultural da embaixada da Polônia no Brasil também estava no avião da KLM (não lembro o nome dele, mas lembro da sua fina gentileza em ser o nosso inesperado anfitrião em Varsóvia). Finalizado o festival, fomos a Varsóvia onde ficamos por uma semana. A capital polonesa é o grande monumento urbano contra o nazismo a cidade estava sendo reconstruída ainda. A "cidade velha" que fica no centro estava totalmente restaurada das ruínas.

Nada ficou após a passagem das hordas nazistas, nem sequer os documentos e as plantas da cidade, tudo tinha sido calculadamente destruído. Varsóvia foi reconstruída a partir de gravuras de artistas locais e da memória de alguns dos sobreviventes.

O comando nazista mandou, em 1940, que fossem erguidos altos e sólidos muros, no centro da cidade para isolar as famílias judias do resto da população. Assim, nasce o Gueto de Varsóvia. Nele cabiam aproximadamente 20mil pessoas, mas instalaram 450 mil habitantes judeus, ou seja cerca de 17 famílias por casa.

A rua Mila era a rua principal do Gueto, mas tarde, quando o levante, se tornaria famosa por estar aí o quartel geral da revolta. Muitas cenas do filme de Polanski se passam na rua Mila, totalmente reconstruída para as filmagens.

A comida era racionada e as famílias judias tinham direito ao consumo de 500 calorias diárias, enquanto os eslavos tinham direito a 800 e os alemães a 1800.

Em 1943, Hitler era o principal líder europeu, com seu poderoso exercito. Porém, apesar da invencibilidade de suas forças armadas começava a ser trincado com a derrota em Stalingrado (hoje, São Petersburgo). O Exercito alemão já não era invencível. Entrar no gueto, dispostos a agir com a mesma crueldade e desmando, com que sempre o faziam, ficava mais difícil.

Um dia, os judeus encorajados receberam os soldados nazistas à bala e obrigaram as tropas alemãs a recuar e, o que foi pior para o exército ocupante, os moradores do Gueto tomaram a suas armas. A revolta durou várias semanas e a luta se travava corpo-a-corpo até nos esgotos de Varsóvia. O poderoso exército ocupante era desmoralizado novamente.

Hitler deu pessoalmente a ordem de acabar com o Gueto. A reação do comando nazista foi brutal, a batalha foi casa-a-casa com os lança-chamas que queimaram todo o bairro. Os poucos sobreviventes tiveram como destino o campo de Treblinka. O general Stroop enviou um telegrama a Hitler: "O bairro judeu de Varsóvia não existe mais".

Andamos pelas ruas do antigo Gueto, pouco falávamos, só ouvíamos as explicações de nosso anfitrião que nos guiava.

Era, um mês de novembro cinzento, frio e chuvoso e por momentos caia neve. Algumas das marcas da guerra estavam vivas, restos do muro em pé, hoje são monumentos.

Alguns tapumes enegrecidos guardavam os trabalhos de reconstrução. Estes feios tapumes eram dissimulados com belos cartazes de teatro e cinema. É bom lembrar que a Polônia se destaca também, pela excelência de seus artistas gráficos. A arte e a beleza presentes.

Nunca vi uma cidade tão silenciosa. Haviam passado 28 anos da ocupação e se notava ainda rostos e expressões medidas, sorrisos só os necessários. Os jovens estudantes nos bares, talvez os mais barulhentos e alegres.

A Varsóvia de gente linda e afetuosa estava ressurgindo, mas ainda, não era a plenitude, pois o regime desses anos não era de liberdade, foi preciso esperar até a década de 80 para que fosse derrubado o outro muro, o do Berlin.

Hoje, pelo que leio, esta maravilhosa cidade, está sua plenitude e apogeu e com uma vida universitária e cultural invejável e um intenso turismo.

Nota do Editor
Rodolfo Felipe Neder é diretor do site Millôr Online.


Rodolfo Felipe Neder
São Paulo, 11/3/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Píramo e Tisbe de Ricardo de Mattos
02. Só por uma noite de Carina Destempero
03. O encontro marcado: 50 anos de Rafael Rodrigues


Mais Rodolfo Felipe Neder
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
28/12/2005
23h38min
Bom ter notícias de Rodolfo Neder, meu velho companheiro de venturas e aventuras cinematográficas. Gostaria muito que ele me escrevesse... Abr. Iberê Cavalcanti
[Leia outros Comentários de Iberê Cavalcanti]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




MACHADO DE ASSIS, MAS ESTE CAPÍTULO NÃO É SÉRIO
FOLHETO
NÃO INFORMADA
R$ 10,00



TEODORICO MAJESTADE / O INSPETOR GERAL (4210)
ROMUALDO LISBOA
MONDRONGO
(2011)
R$ 25,00



A GUERRA DAS SOMBRAS - O LIVRO DE ARIELA
JORGE TAVARES
NOVO SÉCULO
(2007)
R$ 6,00



MANSAO DOS LILASES
CELIA XAVIER DE CAMARGO, LEON TOLSTOI
CASA O CLARIM
(2000)
R$ 4,50



EL YOGA Y LA MUJER (7232)
NANCY PHELAN Y MICHAEL VOLIN
SOPENA
(1965)
R$ 60,00



O PROCESSO DO CAPITÃO DREYFUS (CARTAS DE INGLATERRA)
RUI BARBOSA
GIORDANO - SÃO PAULO
(1994)
R$ 19,00



WISH CASA MAIO
LUCIANO RIBEIRO (EDITORIAL)
WISH CASA
(2013)
R$ 8,00



CAMPO DOS MILAGRES
HANNAH LUCE, ROBIN GABY FISHER
SEXTANTE
(2015)
R$ 8,64



A IGUALDADE JURÍDICA ENTRE O HOMEM E A MULHER: UMA MANIFESTAÇÃO D
REVISTA DE DIREITO CIVIL, Nº 49 - ANO 13
REVISTA DOS TRIBUNAIS
(1989)
R$ 29,82



O TROPEL DO APOCALIPSE
BILLY GRAHAM
RECORD
(1983)
R$ 120,00





busca | avançada
27782 visitas/dia
955 mil/mês