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COLUNAS

Segunda-feira, 30/1/2023
Modernismo e além
Ronald Polito
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Vale a pena conferir a exposição A afirmação modernista: a paisagem e o popular na Coleção Banerj, com entrada gratuita, em cartaz no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, até o dia 5 de fevereiro de 2023, com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Viviane Matesco, uma bela homenagem à Semana de Arte Moderna de 1922. Anteriormente, A Afirmação Modernista foi exibida no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e no Museu do Ingá, em Niterói.

A exposição ocupa o grande salão do Palácio das Artes, a galeria Alberto da Veiga Guignard, afora algumas salas do andar inferior, as galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima, e reúne obras de Alberto da Veiga Guignard, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Anna Letycia Quadros, Arlindo Daibert, Burle Marx, Cândido Portinari, Caribé, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Emeric Marcier, Fayga Ostrower, Iberê Camargo, Inimá de Paula, Isabel Pons, José Pancetti, Lasar Segall, Lúcio Cardoso, Manabu Mabe, Maria Leontina, Oswaldo Goeldi, Tarsila do Amaral, entre outros.

Os trabalhos apresentam técnicas e dimensões muito variadas e foram organizados em sete módulos: Brasil Popular; Panoramas e Paisagens; Guignard; Paisagem Moderna; Abstração; Goeldi; e Gravura Moderna.


Cícero Dias. Paisagem carioca


Como esclarecem os curadores, a Coleção Banerj, que pertencia ao extinto Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), constituiu-se principalmente a partir dos anos 60, momento de valorização da arte modernista no país, expressando, ao mesmo tempo, a tensão entre figuração e arte abstrata que se instala nas artes plásticas brasileiras nos anos 50.

Nas palavras de Marcus de Lontra Costa, “Trata-se de um acervo extraordinário, em que Viviane e eu buscamos extrair algumas questões importantes, levando em consideração que foi uma coleção formada a partir dos anos 1960: na época em que o movimento modernista se consolida, se afirma como uma linguagem, como uma perspectiva, não de uma projeção de um país futuro, uma realidade de um país do presente”.

Não consegui localizar na Web o acervo online da Coleção Banerj, atualmente sob a guarda e cuidados da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), o que possibilitaria considerar as escolhas dos curadores tanto dos artistas quanto das obras expostas e seus campos temáticos. Pelo que pude pesquisar, a Coleção Banerj é bem ampla, reunindo obras de quase duas centenas de autores.


Fayga Ostrower. Laranja e negro

A exposição, naturalmente, cobre as indefectíveis representações da dita “cultura brasileira”: paisagens tropicais exuberantes, festas populares, igrejas coloniais mineiras, cenas de candomblé, negros, mulatas, índios, cangaceiros, baianas e outros tantos símbolos do imaginário do país, o que chama a atenção para o quanto o modernismo no Brasil se distancia das perspectivas não nacionais das vanguardas do início do século XX na Europa.

Em outra direção, ela extrapola salutarmente o modernismo paulista com obras de artistas mineiros, cariocas e nordestinos, por exemplo, tornando mais facetado o que pode ser entendido como modernismo brasileiro. E reúne grandes painéis encomendados nos anos 60, com destaque para os de Cícero Dias e Emeric Marcier.

Se o núcleo dos trabalhos se estende dos anos 30 a 80, a temática da paisagem permite conferir as variadas representações que a natureza do país sugeriu aos artistas desde o final do século XIX (com predomínio de artistas estrangeiros praticantes de uma pintura acadêmica) até meados do século XX (em que a pauta técnica e temática do movimento modernista se institui).

Em outra direção, a presença de representantes da arte abstrata, com destaque para Fayga Ostrower, tensiona as ideias de paisagem e popular que orientaram a seleção dos trabalhos e mesmo aquilo que foi priorizado pelo movimento modernista no país.

Para aqueles que guardam uma relação crítica com o imaginário tantas vezes idílico do “caráter nacional”, a exposição oferece, assim, outros modos para pensarmos a realidade do país e os caminhos das artes plásticas por aqui.

Nesse sentido, o grande conjunto de gravuras de Goeldi nos leva a conferir a condição nacional de uma perspectiva totalmente diversa. Suas imagens soturnas, tristes, dominantemente em preto e branco, descortinam um país tão ou mais real que aquele onírico e multicolorido de um Cícero Dias, por exemplo.

Em outra direção, as formas de Maria Leontina ou os campos de cores de Lúcio Cardoso dialogam de forma livre tanto com o construtivismo quando com a abstração, escapando da pauta modernista clássica. O mesmo poderia ser dito de uma gravura de Iberê Camargo ou da pintura de temática religiosa de Emeric Marcier.


Emeric Marcier. Martírio de São Sebastião

Foi uma boa surpresa, portanto, ver entre as obras expostas dois trabalhos de Arlindo Daibert de cerca de 1981, da série “Retratos do artista”. Eles são outra dissonância curiosa no conjunto escolhido na precisa medida em que se distanciam das temáticas apresentadas ao operarem com uma visão bastante crítica dos modelos da arte ocidental que orientaram, e ainda orientam, em boa medida o que se fez e se faz no campo das artes plásticas no Brasil.

A replicação da figura do pintor de um quadro de Vermeer, na enorme série que o artista fez (culminando na metamorfose da própria figura do quadro de Vermeer, transformada, nas últimas obras da série, a um sinal praticamente abstrato ou um signo), nos dois trabalhos apresentados questiona as ideias de original e de cópia (pela absoluta igualdade entre as imagens do pintor nos dois trabalhos, decorrência do virtuosismo do desenho de Arlindo Daibert), de hierarquia entre pintura a óleo e desenho, e propõe um diálogo tenso entre a figuração “acadêmica” do pintor ao lado de linguagens modernas em um mesmo espaço de representação.

Aqui, o modernismo canônico torna-se problema que a obra de Arlindo Daibert e as últimas décadas cuidaram de responder de variadas formas, numa guinada para além da arte moderna e em direção ao que poderia haver de propriamente contemporâneo nas artes visuais brasileiras.


Arlindo Daibert. Retrado do artista - Manual de leitura II-B, c. 1981

Para ir além
Aqueles que desejarem conhecer em mais detalhes a Coleção Banerj devem consultar a dissertação de mestrado de Rita de Cassia de Mattos, intitulada Coleções públicas de arte: formação e desenvolvimento de um patrimônio público. Coleção Banerj, um patrimônio público, defendida no Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), em 2016, em que analisa a trajetória da coleção no recorte temporal definido (1960-2016), com consulta a periódicos do Rio de Janeiro e material jurídico pertinente ao tema. O trabalho está disponível neste link.

A pesquisadora historia a formação da coleção, os percalços por que passou e os impasses que vem enfrentando para sua incorporação ao Museu do Ingá e seu reestabelecimento como patrimônio carioca.

Particularmente o longo capítulo “Estudando a coleção” é uma excelente síntese do valor e do significado das obras ali reunidas. O trabalho traz ainda apêndices muito úteis para futuros pesquisadores da coleção e do ambiente das artes plásticas no Brasil, principalmente nos anos 60/80, como o Índice de Artistas da Coleção Banerj e as Exposições Realizadas na Galeria Banerj entre 1980 e 1987.


Ronald Polito
Juiz de Fora, 30/1/2023

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