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Terça-feira, 6/3/2007
Road-book em alta velocidade
Marília Almeida

+ de 4800 Acessos

Quem vê apenas a capa estilizada com o desenho de uma perfeita road norte-americana e título de A mil por hora: confissões de Speed Queen (Record, 2006, 272 págs.), de Stewart O'Nan, logo lembra dos romances de Nick Hornby, autor de Alta fidelidade. Portanto, não é nada surpreendente que encontremos uma crítica positiva do denominado autor nesta própria capa, caracterizando o romance como "extraordinário, envolvente, estranho, engraçado, violento e excitante".

E, realmente, a palavra envolvente se encaixa muito bem no título, cujo original é de 2001. Dedicado a Joey Ramone, o livro teve sua primeira tradução no Brasil no ano passado, pela Record. Em ritmo de thriller e por meio de linguagem informal, acompanhamos as confissões de Speed Queen, apelido que os jornais dão a uma jovem que participa do assassinato de 12 pessoas em uma pequena lanchonete nos Estados Unidos central, cenário ideal para a velha fantasia americana composta por sexo, drogas e rock'n'roll. O romance é dividido apenas por dois capítulos: o Lado A e Lado B da fita que Speed enviará a um escritor que, pelas menções a O iluminado, logo descobrimos ser Stephen King. Aliás, o titulo original do livro era Caro Stephen King, mas O'Nan optou por deixar este fato nas entrelinhas.

Speed é o nome de uma droga cujo similar por aqui parece ser a "bala": objeto de adoração do casal de protagonistas, ela "acelera", assim como o Roadrunner, carro que acaba tendo papel central no livro, pois também é símbolo-mor da fantasia na qual vivem. É nele que Speed presta atenção quando conhece o traficante Lamont, com quem começa um relacionamento que muda sua vida de funcionária entediada de um posto de gasolina localizado em uma pequena cidade. O rock fica por conta das citações a Jimi Hendrix, trilha-sonora do romance. E o sexo é a base para a tragédia, impulsionada pela criação de um triângulo amoroso com Natalie, mulher manipuladora que termina por virar do avesso a vida do casal.

Stewart O'Nan nasceu em 1961 e faz parte da nova geração da literatura norte-americana. Sua formação é, acreditem, engenheiro, mas, em uma hilária linha do tempo em seu site, logo descobrimos por que ele se tornou escritor: filmes de horror aos 12, Stephen King aos 16, literatura beat aos 19 e Camus aos 20. Resultado: dez livros de ficção, entre eles Queria que você estivesse aqui, recentemente também traduzido pela Record. O título não lembra Pink Floyd? Sim, O'Nan é cool e jovial mesmo quando trata de temas mais sérios, como a história de uma família que se reúne em uma casa na beira de um lago para relembrar o passado e olhar para o futuro. Além de romances premiados como A prayer for the dying e In the walled city, o escritor também produziu alguns trabalhos de não-ficção, inclusive um em parceria com Stephen King: Faithfull, no qual ambos compartilham sua paixão pelo beisebol, título que se tornou um best-seller do New York Times.

É inevitável a comparação do livro com o filme Assassinos por natureza (1994) ou mesmo com qualquer roteiro cinematográfico: seu texto inspira imagens com cores fortes e fotografia alucinante. Talvez visando atingir um maior número de jovens leitores, O'Nan realmente tenha pensado no desdobramento do livro na telona e na influência que o cinema tem nas novas gerações. Prova disto é que Snow angels, ainda não publicado no Brasil, será levado à telona este ano, do mesmo modo que The Speed Queen, que contará com o roteiro e atuação de Christina Ricci. A própria Speed cita diversos filmes em sua confissão, afirmando que o livro que contará sua história é uma mistura de À espera de um milagre (1999) e Eclipse total (1995), que, adivinhem, é uma história baseada em um romance do próprio Stephen King. Mas fica a cutucada do autor de que foi também o próprio cinema que impulsionou Speed Queen a viver esta fantasia, em certo sentido tragicômica. Aliás, o que o livro tem bastante é humor, mesmo que negro.

Mas há uma realidade cética e paralela criada pelo autor nesta fantasia clichê e é aí que reside a criatividade do livro. Ao longo de sua própria confissão, muito bem amarrada, cheia de voltas e retornos ao passado para culminar no ápice dos assassinatos, a protagonista vai verificando que sua vida e paixão por Lamont teve limites bem palpáveis: seu pequeno filho e uma sociedade que não dá espaço para uma vida acelerada. Até mesmo esta vida tem seus momentos de realidade. E, além disso, que toda violência tem um final muito pouco glamoroso: a pena de morte e sua injeção letal.

Além desta realidade por trás das motivações dos assassinatos, há a crítica velada ao ato de criar um romance sobre assassinos. Como leiga, a voz da narradora dá liberdade para questionamentos que o escritor vai destilando sobre o que compõe uma ficção: o que é verdade e mentira, quais fatos devem ser valorizados etc. Natalie, também condenada à pena de morte, escreve antes de sua condenação um livro de memórias que, segundo Speed Queen, deturpa muitos fatos. Mais um porquê que a impulsiona a escrever para seu escritor preferido, certa de que ele saberá contar uma boa história. Mas a jogada de O'Nan é que, para uma boa história, bastou sua própria confissão, uma dica de que a vida talvez seja muito rica e que os escritores apenas têm de dar voz a suas próprias criações.

Para ir além






Marília Almeida
São Paulo, 6/3/2007


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