O Desprezo de Alberto Moravia e Jean-Luc Godard | José Nêumanne

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Segunda-feira, 12/5/2003
O Desprezo de Alberto Moravia e Jean-Luc Godard
José Nêumanne

+ de 9100 Acessos

Uma das fofocas mais intrigantes do universo literário do século 20 é a que circula nos meios cult sobre dois dos maiores escritores da história recente da Itália. Alberto Moravia, o autor de Os Indiferentes, foi casado com Elsa Morante (História). O casal conviveu no epicentro de um terremoto de vaidades: a crítica italiana não conseguia se entender sobre quem seria o maior escritor italiano da época – se ele ou ela.

O casamento ruiu, é claro, sob o peso de seus egos, da intriga cortesã literária e da impossibilidade de saber quem de fato era maior (talvez só Nelson Rodrigues resolvesse o assunto, mas ele não foi chamado para arbitrá-lo, até porque não era italiano: lembram-se de que, quando Dias Gomes foi escolhido melhor dramaturgo do Brasil, ele, que também disputava o galardão, comentou, ácido: “Mas ele não é o melhor dramaturgo nem na casa dele”, referindo-se a Janete Clair?).

E, mesmo Nelson não tendo sido chamado para arbitrar, a separação do casal foi puramente rodriguiana: Elsa Morante saiu de casa para viver com outro, um amigo do casal, bonito, nobre, rico e também um artista maior, o cineasta Luchino Visconti. O detalhe bizarro da separação é que Visconti era tudo isso - e também homossexual.

À vingança do marido trocado por um amigo que nem gostar de mulher gostava a literatura italiana em particular e a mundial em geral deve um texto primoroso: o romance O Desprezo.

Com seu estilo elegante e escorreito, o autor de A Romana descreve o momento impreciso em que uma relação de amor entre um homem e uma mulher se acaba, aquele ponto de inflexão em que a admiração da qual surgiu a paixão e que motivou o amor se transforma numa sensação quase histérica de repulsa.

O enredo é muito simples: uma jovem e bela datilógrafa sente que o marido, um escritor respeitado, a está praticamente oferecendo a um produtor de cinema que o contratara para salvar uma adaptação da Odisséia do naufrágio e sente que o tédio em que sua relação a dois começava a mergulhar vai se esvaindo num nojo incontrolável.

A vingança de Moravia é implacável: Elsa Morante, que saíra de sua cama para a de um gay, continuava viva e brilhante, mas a protagonista do romance que ele criou é morta. O prosador recorreu à ficção para realizar o impulso de todo marido traído: a eliminação física da adúltera e de seu parceiro e, melhor ainda, sem nenhuma conseqüência traumática para sua própria vida, o que teria sido fatal se ele tivesse resolvido fazer o que imaginara realmente: prisão, condenação, opróbrio. Interessante é que no fim o protagonista masculino se sai muito mal e quem termina como heroína é a mulher imolada.

Em 1964, em pleno auge da nouvelle vague, o diretor francês Jean-Luc Godard, que virou o cinema de pernas para o ar com Acossado, aceitou dirigir uma adaptação do romance para a tela.

A tarefa era complicadíssima: os textos de Moravia não propiciam a ação cinematográfica, pois são reflexivos, mais insinuando estados de espírito do que relatando peripécias. E não seria fácil adaptar para o cinema a transformação sutil da admiração na paixão, da paixão no tédio e do tédio na rejeição, ponto alto do texto de Moravia.

Godard, o mesmo que faria gato e sapato da narrativa linear com seu discursivo A Chinesa, contudo, conseguiu fazê-lo recorrendo a alguns truques aparentemente simples: música, abundante trilha sonora em volume muitas vezes se sobrepondo aos diálogos; takes de estátuas gregas se aproveitando da adaptação do épico de Homero (e o filme dentro do filme foi dirigido por ninguém menos que o alemão Fritz Lang, diretor do superclássico M, o Vampiro de Dusseldorf); e a beleza natural e irrepetível da natureza das curvas de Brigitte Bardot em seu momento de maior esplendor.

A seqüência inicial em que a datilógrafa Camille cobra do marido escritor (Michel Picoli) uma declaração de paixão por cada parte de sua anatomia é um insuperável momento de graça e leveza na história da arte que se diz ser a sétima. A presença de Jack Palance, o temível bandidão de tantos westerns da admiração dos diretores franceses da turma do Cahiers du Cinéma, no papel do produtor sedutor, é outro golpe de mestre de Godard, que conseguiu com a soma de todos esses atributos o que parecia impossível: o raro caso em que o espectador sai do cinema sem ter certeza de que o livro, uma obra-prima da literatura, seria melhor do que a adaptação cinematográfica, ou não.

Com cópia nova providenciada pela Pandora, o raro filme linear (com começo, meio e fim) de Godard entrou em cartaz novamente em São Paulo. E não é de todo improvável que ainda se encontre em alguma livraria (ou em último caso num sebo competente) uma versão razoável em português do romance de Moravia. A inútil tentativa de saber qual é o melhor – se o livro ou se o filme – será de muito bom alvitre para o leitor e espectador de bom gosto.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no "Caderno2" do jornal O Estado de S.Paulo.


José Nêumanne
São Paulo, 12/5/2003

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