Os dois lados da cerca | Rafael Rodrigues | Digestivo Cultural

busca | avançada
16941 visitas/dia
829 mil/mês
Mais Recentes
>>> Juiz federal estreia na literatura com contos sobre heróis históricos
>>> Alessandro Ferrari Jacinto e Marisa Folgato lançam 'Alzheimer' na Livraria Martins Fontes
>>> Programa de Edição de Textos de Docentes da Unesp 2018
>>> Banda Silibrina se apresenta no Bona
>>> EXPERIMENTE E CELEBRE UM MUNDO DE GASTRONOMIA NO EVENTO MULTICULTURAL GRATUITO MAIFEST
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Nobel, novo romance de Jacques Fux
>>> De Middangeard à Terra Média
>>> Dos sentidos secretos de cada coisa
>>> O pai da menina morta, romance de Tiago Ferro
>>> Joan Brossa, inéditos em tradução
>>> Sebastião Rodrigues Maia, ou Maia, Tim Maia
>>> 40 anos sem Carpeaux
>>> Minha plantinha de estimação
>>> Corot em exposição
>>> Existem vários modos de vencer
Colunistas
Últimos Posts
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
>>> Psiu Poético em BH esta semana
>>> Existem vários modos de vencer
>>> Lauro Machado Coelho
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
Últimos Posts
>>> Desenhos a lápis na poesia de Oleg Almeida
>>> Eloquência
>>> Cenas do bar - Vladimir, o solteiro.
>>> Deu na primeira página...
>>> Palavra vício
>>> Premissas para reflexão
>>> Sem troco
>>> Libertarias
>>> A mandioca e o canário da terra
>>> Lua nova
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Dicas para a criação de personagens na ficção
>>> Joan Brossa, inéditos em tradução
>>> crônica - ou ensaio - à la hatoum
>>> E a lei cedeu diante dos costumes
>>> E a lei cedeu diante dos costumes
>>> Casa Arrumada
>>> Anti-Jô Soares
>>> Algo em común
>>> Pedro Paulo de Sena Madureira
>>> Entrevista com Claudio Willer
Mais Recentes
>>> Bumerán Chavez
>>> Estado Delincuente
>>> Boves El Urogallo
>>> Cuco
>>> A Bolsa e a Vida - 1ª Edição
>>> Função ceo a descoberta do prazer
>>> Função ceo a descoberta do amor
>>> As cores do amor
>>> Pecaminoso
>>> Coleção Beltranianas - Comunicação e Problemas Luiz Beltrão Parte III
>>> Silicone XXI
>>> Casas Junto Al Mar
>>> Minha Experiência em Brasília
>>> Meu pé de laranja lima
>>> Desenho de Paisagem Urbana
>>> Canaa
>>> Curso de Propriedade Intelectual Para Designers
>>> O Brasil Não Existe!
>>> Apartamentos Urbanos
>>> Arquitetura e Design. Sergio Rodrigues
>>> A Hora Futurista que Passou e Outros Escritos
>>> Uma História da Pintura Moderna
>>> Olhar Sobre o Passado - Volume 1
>>> Quase Vegetariano
>>> Macário
>>> A Dieta de Sonoma
>>> Electra(s)
>>> Anos 70
>>> Édipo Rei de Sófocles
>>> Design e Comunicação Visual
>>> Cézanne: Miniguia de Arte
>>> O Último Godot
>>> Pós Modernismo: Repensando a Arquitetura
>>> Mario Botta
>>> Cinematógrafo: Um Olhar Sobre A História
>>> Desenho a Cores: Técnicas de Desenho de Projeto para Arquitetos 2ª Ed
>>> A Mão Livre 2 Técnicas de Desenho
>>> Cachaça- Edição: 1ª
>>> Preparatório Para O Exame De Pmp - 6ª Edição
>>> As origens da adoração crista
>>> A Técnica de Edificar - 6°edição Revisada e Atualizada
>>> Malba Tahan
>>> Direito Comercial Volume 21 - Sinopses Jurídicas
>>> Iniciacao a Psicologia
>>> Trilogia Deutsch Perfekt
>>> As 36 Estratégias Secretas
>>> Los Efectos Perversos Del Petróleo
>>> Afiliadas: A Tv Que Te Vê
>>> O Ajudante de Mentiroso
>>> Toulouse Lautrec miniguia de arte
COLUNAS

Sexta-feira, 7/12/2007
Os dois lados da cerca
Rafael Rodrigues

+ de 14800 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Diversos livros foram escritos sobre o Holocausto. Alguns foram escritos por pessoas que sobreviveram a ele, outros por descendentes de pessoas que morreram nos campos de concentração e outros foram escritos por historiadores. E não são poucos os escritores de ficção que escreveram sobre o tema ou o utilizaram em suas histórias. Misturando ficção com realidade, muitos conseguem dar uma pequena amostra do que foi e do quão terrível foi o Holocausto.

É o que faz o escritor irlandês John Boyne, através dos olhos de um garoto de nove anos de idade, no romance O menino do pijama listrado (Companhia das Letras, 2007, 186 págs.).

Bruno, o garoto, mora em Berlim com os pais e a irmã. Um belo dia, depara-se com a governanta da família fazendo suas malas. Instantes depois recebe a notícia de que em breve terá um novo lar, pois seu pai fora designado para desenvolver um trabalho em outra cidade, a mando de seu chefe, o Fúria. Uma péssima notícia para Bruno, que deixará para trás seus amigos, sua escola e a casa que tanto gosta.

Ao chegar à casa nova, em Haja-Vista, os olhos de Bruno "se arregalaram, a boca fez o formato de um O, e os braços penderam estendidos ao lado do corpo novamente. Tudo nela parecia ser o oposto da casa antiga, e ele não podia acreditar que eles iriam de fato morar lá." A casa de Berlim era espaçosa, tinha uma vizinhança movimentada e garotos com quem Bruno podia brincar. "A casa nova, no entanto, ficava isolada num lugar vazio e desolado, e não havia nenhuma outra casa à vista, o que significava que não haveria outras famílias por perto nem meninos com quem brincar..."

No mesmo dia em que chegam a Haja-Vista, Bruno vê pela janela do quarto centenas de pessoas vestidas com as mesmas roupas: "um conjunto de pijama cinza listrado com um boné cinza listrado na cabeça". Ele não entende o que significa aquilo, nem sabe quem são, de onde vieram e para onde vão aquelas pessoas. Bruno e sua irmã, Gretel, tentam encontrar uma explicação, mas sequer se aproximam da verdade. Os dois não se dão bem, como quase nunca se dão bem irmãos de sexos diferentes, nessas idades (Gretel tem 12 anos), mas a mudança os deixa mais próximos, já que Gretel não tem com quem conversar. Bruno ao menos tem Maria, a governanta, com quem fala francamente sobre sua tristeza e revolta com a mudança. Seu pai, um dos homens de confiança do Fúria, não passa muito tempo em casa. E sua mãe parece ficar cada dia mais triste com a situação: marido distante e filhos descontentes e solitários, assim como ela.

Como acontece na vida real, com o passar do tempo Bruno e sua família se adaptam à nova realidade. Não se conformam, mas se acostumam, cada um com sua própria rotina e afazeres. Certo dia, Bruno resolve caminhar, conhecer os arredores de seu novo lar. Era algo que ele gostava muito de fazer em Berlim: explorar. Assim ele descobria coisas e lugares. Nessa caminhada em Haja-Vista, Bruno descobre que uma cerca enorme separa sua casa do local para onde estavam indo as pessoas de pijama listrado, e descobre também uma pessoa: um garoto chamado Shmuel.

"O garoto era menor do que Bruno e estava sentado no chão com uma expressão de desamparo. Ele vestia o mesmo pijama listrado que todas as outras pessoas daquele lado da cerca, e um boné listrado de pano."

Separados pela cerca, os dois iniciam uma conversa, que por sua vez dá início a uma grande amizade. A partir daquele dia, Bruno e Shmuel conversarão praticamente todos os dias. E é aí que o livro de John Boyne parece se diferenciar de todas as histórias sobre o Holocausto.

Os dois garotos têm a mesma idade, mas Bruno nada sabe sobre o que ocorre do outro lado da cerca. Shmuel, apesar de viver lá, parece não saber de tudo, mas tem uma noção. Por não saber, e por ter aquela ingenuidade que garotos de sua idade e condição financeira têm, Bruno pensa que o outro lado da cerca é mais alegre. Pensa que lá Shmuel brinca, se diverte e tem amigos. Shmuel, para não perder o novo amigo, que além de companhia lhe traz também, às vezes, alguma iguaria, ou por realmente não saber o que de fato está acontecendo com as pessoas de pijama listrado, não faz comentários detalhados sobre o seu lado da cerca. De tanto perguntar sobre como é a vida do lado de lá, num dia nada belo Bruno passa para o outro lado da cerca e, vestido em um pijama listrado providenciado por Shmuel, realiza sua maior aventura desde que chegou em Haja-Vista. Aventura essa que mudará destino de ambos.

Ao escolher um garoto de nove anos de idade para protagonizar um livro sobre o Holocausto, John Boyne correu um grande risco: ele poderia acabar escrevendo um livro bobo sobre um tema grandioso (no sentido de importante). Mas felizmente isso não aconteceu. Boyne transformou Führer em Fúria, Auschwitz em Haja-Vista e os prisioneiros em pessoas de pijama listrado, e isso deu ao livro o tom correto de ingenuidade, não sendo de maneira alguma piegas.

O menino do pijama listrado é um bom início para um leigo no assunto Holocausto - como eu -, até porque não se atém aos campos de concentração nem narra explicitamente os sofrimentos dos prisioneiros. Então, para quem quer ter um primeiro contato ou ler uma história que tenha o tema como pano de fundo, o romance de John Boyne é leitura obrigatória. Além de ser um livro emocionante e divertido, apesar de triste.

Para ir além






Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 7/12/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Lola de Elisa Andrade Buzzo
02. Fazendo a coisa certa de Fabio Gomes
03. Que tal fingir-se de céu? de Ana Elisa Ribeiro
04. Ler para ficar acordado de Cassionei Niches Petry
05. Brochadas, romance inquietante de Jacques Fux de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2007
01. O óbvio ululante, de Nelson Rodrigues - 2/11/2007
02. O nome da morte - 16/2/2007
03. Os dois lados da cerca - 7/12/2007
04. História dos Estados Unidos - 29/6/2007
05. O homem que não gostava de beijos - 9/3/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/12/2007
10h41min
A idéia é interessante, até mesmo poética. Embora não goste do tema, pode ser que que leia esse livro nas férias, já que não há uma clara exposição do sofrimento ou tortura (pelo menos assim entendi). Boa resenha. Valeu a dica. Adriana
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy ]
26/7/2008
14h32min
Ótimo o livro... Narra com perfeição a inocência de uma criança em plena guerra desumana e completamente estúpida.
[Leia outros Comentários de Fernanda Chamas]
1/10/2009
20h00min
Li o livro e vi o filme. Confesso que fiquei chocada, apesar de ler e ver tanto sobre o nazifascismo. O tema e o livro fazem uma "chamada", afinal, o pai do Bruno acabou por sentir na pele o que os seus "serviços" causavam às pessoas. No filme, a mãe vê a roupinha do garoto, mas é a situação do pai que amarga, e muito - afinal ele soube exatamente o que acontecera. Os garotos eram inocentes e puros, nem sabiam o que estava acontecendo no momento final. Os holocaustos sempre existiram na história da humanidade, nem sei se podemos chamar pessoas cruéis de humanas, mas o fato é que sempre existiram guerras e sofrimentos. Provavelmente o preço que se paga pelo "progresso" vai muito além daquilo que os nossos afetos conseguem trabalhar. Indico o filme e o livro para as pessoas de um modo geral, e especialmente àqueles que gostam de história e filosofia.
[Leia outros Comentários de Rita de Cássia]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL VOL. 17
VÁRIOS AUTORES
NOVA CULTURAL
(2017)
R$ 3,00



POR QUE OS HOMENS FAZEM SEXO E AS MULHERES FAZEM AMOR?
ALLAN E BARBARA PEASE
SEXTANTE
(2000)
R$ 4,90



ATLAS GEOGRÁFICO ESCOLAR
BRASILEITURA
BRASILEITURA
R$ 3,00



CANUDOS, ORDEM E PROGRESSO NO SERTAO
NICOLA COSTA
MODERNA
(1991)
R$ 3,00



O SER E A VIDA
OSCAR NIEMEYER
RENAVAM
(2018)
R$ 25,00



MILAGRE NOS ANDES
NANDO PARRADO
OBJETIVA
(2006)
R$ 22,00



PARA TODA A VIDA
MARINA HAASE DA COSTA FRANCO
EVANGRAF
(2002)
R$ 15,00



MEMÓRIAS DE UM NORDESTINO EM NOVA YORK - 3ª EDIÇÃO
JOÃO B. DE OLIVEIRA
SINTRA
(1986)
R$ 9,94



O DIA EM QUE COMERAM O MINISTRO
FAUSTO WOLFF
CODECRI
(1982)
R$ 8,24



RECEITAS PARA DORMIR BEM
DR. EDUARD ESTIVILL E DR. MIRTA AVERBUCH
MARTINS FONTES
R$ 30,00





busca | avançada
16941 visitas/dia
829 mil/mês