Desglobalização | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

busca | avançada
53297 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Mais Recentes
>>> HISTÓRIA DA FILOSOFIA
>>> Observatório da Imprensa analisa os 30 anos de cinema do Grupo Estação
>>> Caminhos da Reportagem recorda os 140 anos da imigração italiana para o Brasil
>>> AS FONTES DO PRAZER,
>>> COLAGENS E RECEITAS
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Agora o mundo perde cotidianamente os seus ídolos
>>> Proibir ou não proibir?
>>> Carles Camps Mundó e a poética da desolação
>>> A proposta libertária
>>> O regresso, a última viagem de Rimbaud
>>> E Foram Felizes Para Sempre
>>> O Olhar das Bruxas: Quatro Versões de 'Macbeth'
>>> Lira da resistência ao futebol gourmet
>>> Com quantos eventos literários se faz uma canoa?
>>> Terna e assustadora realidade
Colunistas
Últimos Posts
>>> Curso de projetos literários
>>> Patuá em festa
>>> Literatura: direito humano
>>> Geraldo Rufino no #MitA
>>> Portal dos Livreiros: 6 meses!
>>> Ryley Walker
>>> Leia Mulheres - BH
>>> Adagio ma non troppo
>>> Psiu Poético 30 anos
>>> Uma cidade se inventa
Últimos Posts
>>> Conto e romance
>>> Um muro para pichar
>>> Para que serve um violino?
>>> Qual é o seu nome?
>>> Entrevista Anti Crise -
>>> ARQUITETURA ONÍRICA
>>> Sem pesos de consciência
>>> Falando das flores
>>> O espelho
>>> O que a morte disse para Hércules?
Blogueiros
Mais Recentes
>>> FLIP 2006 I
>>> Os beijos de Tchekhov
>>> Encontros (e desencontros) com Daniel Piza
>>> 40
>>> Elvis 2015
>>> País do Carnaval
>>> Cenas de abril
>>> Ao Portal Galego da Língua
>>> Entrevista com Catarse
>>> Lennon engano
Mais Recentes
>>> Esquecer o Natal
>>> A GLÓRIA DE DEUS É O HOMEM VIVO- a profissão de fé de santo Irineu
>>> A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO- A história de um retorno para casa
>>> A Bíblia- O FILHO DE DEUS
>>> Manual do Guerreiro da Luz
>>> Calabar
>>> História social da Literatura Portuguesa
>>> Teatro completo - Vol. 3
>>> Teatro completo - Vol. 6
>>> Cancioneiro da ajuda - Volumes I e II
>>> O CRISTO MARAVILHOSO
>>> Salmos 1-72,73-150
>>> O EU E O INCONSCIENTE
>>> A Casa Pintada
>>> A Paixão Segundo GH
>>> Diálogos
>>> A Paixão
>>> O self essencial
>>> Lenin: capitalismo de estado e burocracia
>>> Jericoacoara sonhada
>>> História geral das civilizações - Vol. 7
>>> O Sócio
>>> O Júri
>>> O Caibalion
>>> Drive
>>> Conexões
>>> A Identidade Bourne
>>> Como Desenhar 101 Mangás Irados - Com Ilustrações Passo a Passo
>>> O Monstro do Esgoto
>>> Livro de pré-coisas
>>> Contos populares de Angola
>>> Paris: a festa continuou
>>> Os melhores jornais do mundo
>>> A linguística hoje - n. 32
>>> Será Que A Gente Combina?
>>> The Useless Mouths
>>> EXPERIMENTAR CRISTO como as OFERTAS PARA APRESENTÁ-LO NAS REUNIÕES DA IGREJA
>>> O Segundo Sexo 1. Fatos e Mitos
>>> O caminho dos doze passos- tratamento de dependência de álcool e outras drogas
>>> A DROGA- drogas e toxicômanos
>>> Como Conquistar as Pessoas
>>> O ministério celestial de Cristo
>>> JONAS- Um estudo sobre compaixão a do Senhor e a sua
>>> Vendo Cristo no Novo Testamento Vol 4 e 5
>>> Instruções Espirituais- Diálogos com Motovilov
>>> Revista Planeta 5 e 6
>>> Revista Planeta 3 e 4
>>> Rvista Planeta 1 e 2
>>> Morte em Pemberley
>>> Coleção A Ditadura - 4 volumes
COLUNAS >>> Especial Crise

Quarta-feira, 18/3/2009
Desglobalização
Luiz Rebinski Junior

+ de 2800 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Depois de exatos 20 anos da derrocada do sistema socialista russo, quando o Muro de Berlin virou pó, o espectro comunista volta a assombrar o mundo capitalista. O capital, quem diria, se rende aos dogmas do comunismo. Essa é a face mais contraditória e curiosa da atual crise econômica que atinge os países mais ricos do mundo, os periféricos e os subdesenvolvidos ― ou seja, todos. Bancos sendo "resgatados" pelos governos em veladas operações de nacionalização e empresas privadas socorridas pela mão forte do estado. É o receituário socialista fazendo escola nos já escolados senhores neoliberais. É a tônica do momento, em que, entre alarmistas e otimistas em excesso, ora o mundo se acaba em barranco, ora se livra de mais um pequeno resfriado, incômodo, é verdade, mas que logo irá embora sem deixar rastro ou sequela.

Bem provável que nem uma coisa nem outra. Se é possível confiar em economistas, que seja nos menos radicais, muito mais por fé do que outra coisa. Pelo menos a crise econômica está servindo para ressuscitar gente que estava esquecida entre estantes cheias de ácaro. Sim, a volta de Keynes tem servido não só para rechear publicações que se debruçam sobre nossos atuais problemas financeiros, mas também para que nacionalistas enrustidos saiam do armário para dizer: "estão vendo, nosso amigo Keynes estava certo, só o estado salva!". E é o que tem acontecido, haja vista a dinheirama rolando nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e até na Europa pobre, no Leste Europeu, onde países como a Ucrânia não conseguiram nem sentir o gostinho das benesses do capitalismo e já caíram em desgraça novamente, lembrando os anos de perrengue em que esteve sob o jugo russo.

E o caso da Ucrânia é emblemático de como os emergentes e subdesenvolvidos, mesmo estando distante do epicentro do terremoto, vão sofrer consequências graves. Afinal, a corda sempre arrebenta para os mais fracos, diz o chavão popular ― ainda que, neste caso em particular, os mais fortes também tenham ido ao chão. Além dos bilhões de dólares, euros e libras, a economia dos países mais ricos terá a seu favor muito protecionismo e, consequentemente, uma espécie de nacionalismo que se tornará cada vez mais intolerante com os imigrantes e seus subempregos ― haja vista Berlusconi e sua lei de imigração ilegal.

E os emergentes, como o Brasil, vão ter que se virar com seus mercados internos, porque suas commodities não terão mais os euros e dólares dos Estados Unidos e da Europa. É o "Buy american" fechando as portas ao nosso aço e ferro. Para a ministra da Fazenda da França, um "mal necessário". Para nós, apenas uma forma de deixar os pobres ainda mais pobres enquanto os ricos ganham fôlego.

É o sinal mais claro de que a tão propalada globalização não aguenta cinco minutos de recessão. Ao primeiro sinal de escassez, fecham-se as portas para o livre comércio ― que nunca foi tão livre assim ― e todo mundo volta a defender o seu quintal, no caso americano e francês, com muitos bilhões destinados a agricultores que ganham para não plantar.

A essa altura do campeonato integração comercial e cultural é coisa do passado. E, por ironia, a melhor definição para o momento vivido hoje veio de quem menos se esperava. Gordon Brown disse que "essa forma de desglobalização vai levar ao protecionismo comercial se não for interrompida". Com essa frase, ou melhor, com o termo desglobalização, o bonachão primeiro-ministro inglês captou o estado de coisas da atual economia mundial. Não interessa mais aproximar mercados, agora é cada um por si e quem tiver mais fôlego se salvará, já quem não tiver gordura para queimar vai, inevitavelmente, sucumbir e andar algumas casas para trás.

E as multinacionais seguem a mesma toada. As que não quebraram e foram socorridas pelos governos de seus países, sangram suas linhas de produção sem remorso algum. Muitas nem prejuízo tiveram, apenas lucros menores. Mesmo assim, haja demissão. Afinal, uma empresa acostumada a render lucros exorbitantes não pode se contentar, mesmo em um momento atípico de turbulência, com receitas menores. Os trabalhadores? É uma pena, mas é assim que se joga o jogo. A responsabilidade social virou apenas um bom mote para publicações internas coloridas e bem diagramadas. E assim o marketing se revela agora como apenas uma forma rasteira de propaganda enganosa. É a face mais cruel do capitalismo selvagem. Um capitalismo que, ao que tudo indica, será cada vez mais regido pelo estado, contrariando o movimento que há muitas décadas prega a não-intervenção no mercado.

Se nos serve de consolo, neste período de incertezas e névoa, a produção cultural tem grande chance de ganhar novo ânimo, independentemente de o mecenato estar mais pobre. Damian Hirst, pelo visto, continuará mantendo sua linha de produção artística e colecionado cada vez mais dólares e euros. E, como bem lembrou o colega Marcelo Spalding, a seca e a penúria talvez até sejam boa oportunidade para que Steinbecks e afins surjam para mostrar às gerações subsequentes como foi difícil nossa época.


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 18/3/2009


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Apresentação: Ficção e Sociedade de Heloisa Pait
02. Silêncio de Ricardo de Mattos
03. Solitária cidadã do mundo de Elisa Andrade Buzzo
04. Reunião de pais, ops, de mães de Ana Elisa Ribeiro
05. Almoços com C.S. Lewis de Celso A. Uequed Pitol


Mais Luiz Rebinski Junior
Mais Acessadas de Luiz Rebinski Junior em 2009
01. Reinaldo Moraes fala de sua Pornopopéia - 2/12/2009
02. As cartas de Dostoiévski - 30/9/2009
03. Tarantino e o espírito do tempo - 28/10/2009
04. A literatura em perigo - 1/4/2009
05. O primeiro parágrafo - 24/6/2009


Mais Especial Crise
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
18/3/2009
00h41min
É preciso sempre lembrar que o processo de globalização resume-se em explorar a mão-de-obra do mundo, pagar salários de misérias e distribuir os produtos pelo mundo. A lógica é repensar o trabalhador, que não tem o seu direito internacionalizado, que não tem seu salário unificado mundialmente. E enquanto houver a exploração do ser humano por outro ser humano, sempre será tempo de repensar o socialismo, de rever apontamentos. É preciso que lembrar que Lenin dizia que os princípios da teoria marxista enriquecem-se continuamente com as experiências do desenvolvimento social e as novas conquistas científicas, pois o Marxismo é uma doutrina criadora em desenvolvimento.
[Leia outros Comentários de Manoel Messias Perei]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




CONTABILIDADE BÁSICA E AS ESTRUTURAS DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
SILVÉRIO DAS NEVES E OUTRO
FRASE
(2001)



PLAYBOY - 35 ANOS DE FOTOGRAFIA
ARIANI CARNEIRO
ABRIL
(2009)



ARANHAS DE OURO
REX STOUT
COMPANHIA DAS LETRAS
(1998)



FAUSTO
JOHANN WOLFGANG VON GOETHE
TRÊS
(1974)



AMIGAS ÍNTIMAS
SHIRLEY LORD
BEST SELLER
(1987)



ELOGIO DOS INTELECTUAIS
BERNARD-HENRI LEVY
ROCCO
(1988)



DÜRER
MARCEL BRION
THAMES & HUDSON
(1964)



SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL
JOSÉ MANUEL AGUILAR
CALEIDOSCÓPIO
(2008)



ESPLENDORES DE UM IDEAL COLEÇÃO AMPLIANDO COM KARDEC VOL III
HYARBAS
ICI
(1977)



O DECLÍNIO DO HOMEM PÚBLICO- AS TIRANIAS DA INTIMIDADE
RICHARD SENNET
RECORD
(2014)





busca | avançada
53297 visitas/dia
1,5 milhão/mês