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COLUNAS

Quarta-feira, 30/9/2009
As cartas de Dostoiévski
Luiz Rebinski Junior

+ de 10600 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Para quem é fã de Fiódor Dostoiévski e sempre quis saber mais sobre a vida do gênio russo, mas nunca teve coragem de encarar os cinco tomos que compõem a biografia do autor, escrita por Joseph Frank, pode ter agora sua curiosidade abrandada sem muito esforço.

Estreando no mercado editorial, a editora gaúcha 8Inverso coloca na praça uma reunião das cartas que Dostoiévski, exímio missivista, escreveu em diferentes períodos de sua vida. Intitulado Correspondências (8Inverso, 2009, 248 págs.), o livro cobre um período que vai de 1838 a 1880, um mês antes da morte do escritor. Um dos principais autores do século XIX, Dostoiévski escreveu algumas das obras mais impactantes da literatura mundial, tal como os clássicos Os irmãos Karamazov e Crime e Castigo.

Epilético, cheio de dívidas e atormentado por questões existenciais, Dostoiévski encarna como poucos a figura do escritor-sofredor, aquele que, em busca de um projeto literário, leva uma vida cheia de privações, por vezes até miserável. Mas, ao contrário de escritores de qualidade duvidosa que se autodeclaram gênios incompreendidos, Dostoiévski foi mesmo um gênio que escolheu viver em função da literatura, sem se importar com as consequências de tal decisão.

No entanto, se por um lado Dostoiévski reforça o mito do escritor maldito, por outro desmistifica o lado romântico da escrita ao ter produzido a maioria de seus livros com o claro objetivo de saldar dívidas e garantir a sobrevivência de seus parentes mais próximos. Mas então obras-primas foram pensadas por dinheiro? Mais ou menos. Tendo como único meio de sobrevivência a escrita, Dostoiévski ficava refém de suas ideias para conseguir se sustentar. No entanto, o escritor só avançava em um livro depois de ter certeza de que tinha em mãos um mote original e que a obra valia a pena ser escrita. São incontáveis os projetos deixados de lado pelo escritor por avaliar que não eram suficientemente bons, o que certamente um escritor menos preocupado com um projeto literário não faria.

Literatura e dinheiro, portanto, são duas palavras que terão destaque no vocabulário do escritor desde os anos de formação até sua morte. Em carta de 1838, quando tinha 17 anos, Dostoiévski pede ao pai que lhe mande dinheiro para artigos de primeira necessidade enquanto estiver na Escola Militar de Engenharia de São Petersburgo. "O senhor irá pensar que seu filho exige demais ao escrever-lhe para pedir uma ajuda de custo? Deus é testemunha de que, nem por interesse próprio, nem pela extrema necessidade, eu jamais desejaria extorquir o senhor", diz o trecho inicial da carta. Pedidos como esses serão constantes nos anos de formação ― não só ao pai, mas principalmente ao irmão Mikhail e a amigos mais próximos.

O irmão Mikhail, aliás, foi um de seus interlocutores mais presentes. Não apenas em questões financeiras, mas também literárias ― Mikhail era amante da obra de Schiller. Durante os anos em que passou preso na Sibéria, por conta de seu envolvimento com o círculo de Petrachevski, Dostoiévski recebe do irmão, além de somas em dinheiro, muitos livros. "Recebi a sua carta, querido irmão, os livros ― Shakespeare, a Bíblia e o 'Anais da Pátria' ― e o dinheiro ― dez rublos: obrigado por tudo".

Além de revelar o cotidiano do escritor, as cartas contém reflexões que, mais tarde, serviriam de mote para alguns de seus livros e personagens. "Em minhas horas de descanso tenho registrado umas tantas anotações sobre minhas memórias da prisão", diz o escritor em 1856, referindo-se ao esboço do que viria a ser Recordações da casa dos mortos, livro lançado em 1862. Exemplo parecido acontece com O jogador, romance em que Dostoiévski aproveita suas experiências, em geral malfadadas, nas roletas para construir o seu personagem principal.

É interessante notar, também, como Dostoiévski se relacionava com seus editores. Assim como quase todos os escritores de sua época, Dostoiévski publicou a grande maioria de seus livros de forma seriada nos jornais de seu país. E, na maioria das vezes, recebia adiantamentos polpudos antes mesmo de iniciar a obra, o que deixava seus editores no seu pé até a entrega do livro. "Ainda não comecei a escrever o romance encomendado por Stellovski. Mas o farei em breve. Tenho planos para uma novela curta e boa, nela haverá até mesmo resquícios de personagens reais. Pensar em Stellovski atormenta-me, perturba-me; mesmo em sonhos esse compromisso me persegue", escreve Dostoiévski ao amigo e editor Miliukov a respeito do compromisso assumido para escrever O jogador.

Aliado à pressão de seus editores, os ataques epiléticos e as cobranças de seus credores deixavam os nervos do escritor em frangalhos. Por conta das dívidas, Dostoiévski passou alguns anos exilado em países como Itália, Suíça e Alemanha.

Nas cartas também há espaço para assuntos instigantes do fazer literário, como a relação entre ficção e realidade. É lógico que Dostoiévski tinha uma mente brilhante, capaz de criar histórias sensacionais e de contá-las de maneira igualmente original, mas é fato também que se valeu ― e muito ― de suas experiências pessoais para dar vida à sua obra magistral, o que nem sempre é aceito por escritores quando o assunto é o processo de criação.

Militante do eslavismo, em várias cartas, enviadas do exílio, Dostoiévski condiciona a qualidade de sua literatura ao seu retorno à Rússia. Seu país de origem exerce tamanha influência em seus escritos, que Dostoiévski chegou a dizer que "precisava, de qualquer modo, voltar à Rússia" para escrever a segunda parte do romance A vida de um grande pecador, livro que serviu como base para a elaboração de Os irmãos Karamazov.

Como todo bom escritor, Dostoiévski lia muito e acompanhava, com entusiasmo, a cena literária russa. E seus comentários sobre a cultura local constituem algumas das melhores passagens do livro. As cartas escancaram sua admiração por Tolstói, suas diferenças com Turgueniev e seu respeito quase religioso por Vitor Hugo. Mas o que fica mais explícito mesmo é sua devoção pela literatura. "Fui levado à convicção de que um artista se deve fazer conhecer por seu público, até o menor dos detalhes, não apenas sobre suas técnicas literárias, mas sobre tudo relacionado à realidade que ele se propõe a retratar", diz em um dos textos. Assim como Cartas a um jovem poeta, o clássico de Rilke, as missivas de Dostoiévski, para além da curiosidade, podem ser lidas como um grande livro didático destinado a jovens escritores.

Para ir além






Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 30/9/2009


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
18/9/2009
12h32min
Muito bem comentada a publicação das cartas de Dostoiévski. Parabéns pelo texto. Como as cartas de Flaubert, essas do escritor russo devem conter uma lição sobre a arte de escrever.
[Leia outros Comentários de jardel]
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